Sugartown escrita por brgscarolina, Kazuya De Su


Capítulo 5
Desmond


Notas iniciais do capítulo

Kazuya De Su:
Hello, de volta com mais um capitulo de Sugartown, dessa vez com o POV do Desmond ♥ Eu gosto bastante do Desmond, então foi bem gostoso de escrever esse capitulo *-* espero que vocês gostem!! ♥
E postando também mais uma ficha do personagens pra vocês. *-*

Masquerade:
Greetings earththings ♥
E voltamos com um capítulo novo de Sugartown ♥
Finalmente saímos daquele padrão “Helena/Brandon/Helena/Brandon”, e agora quem vai narrar um pouquinho a história vai ser o gracinha do Desmond ♥ Awn ♥
Espero que vocês gostem ♥
+Mais uma vez, junto com o capítulo vai a ficha escola do Desmond, com algumas coisinhas sobre ele ♥
Vamos fazer com praticamente todos os personagens ♥



Desde muito pequeno nunca tive muito contato com garotas, já que até a sétima serie eu estudei apenas em escolas para garotos em Singapura, mas isso mudou drasticamente depois que eu vim para os Estados Unidos. Eu morava com meu pai, porem o trabalho dele era muito instável e por isso nos mudávamos com muita frequência. Um ano antes de começar o ensino médio ele me mandou para cá, para morar com minhas duas irmãs temporariamente e terminar meus estudos em um único lugar, no fim acabei me mudando de vez.

De qualquer forma, depois que cheguei minha convivência com garotas aumentou muito, além das minhas duas irmãs, que sempre viveram aqui, tinham Helena, uma de minhas amigas da escola, e Alexandra. Porem, podemos dizer que essa última está em um nível completamente diferente. Depois que eu a conheci, meus três anos do ensino médio que deveriam ser calmos e normais, acabaram bem mais bagunçados e turbulentos do que eu esperava, como por exemplo, no primeiro dia de aula do terceiro ano, onde eu acabei encharcado de suco, com um soco no rosto e com o histórico manchado, e tudo isso por causa dela, embora ela negue até o fim. Nesse mesmo dia, Alexandra apareceu na enfermaria para me levar uma muda de roupas, com seus olhos de cachorrinho enquanto se desculpava e xingava Collin pelo soco, embora ela soubesse que não precisava de tudo aquilo, já que eu sempre a desculpava de qualquer forma.

Acabei perdendo metade do meu final de semana com a detenção, que não se parecia muito com uma detenção... Mas enfim, não vou desperdiçar meu domingo. Vai ter maratona de “Star Trek” na TV, eu vou assistir e nada vai me atrapalhar, eu pensei. Bem... só pensei mesmo.

Assim que acordei no domingo, peguei meus óculos no criado mudo e fui direto para o banheiro, tentado fazer tudo o que tinha pra fazer antes das minhas irmãs acordarem. Não deu muito certo.

— Des... Anda logo! Preciso usar o banheiro. – disse Brenda, um de minhas irmãs mais velhas.

— Já vou – respondi enquanto guardava a escova e a pasta de dente.

— Bom dia. – Falei, ao abrir a porta, e Brenda sorriu, bagunçando meu cabelo e entrando no banheiro.

Fui até a cozinha e fiz algumas torradas ­– O suficiente para três – coloquei algumas em um pratinho e voltei para o meu quarto. No caminho, passei em frente ao quarto da minha outra irmã e dei um chute na porta.

— Sam, Levanta! Brenda vai ficar brava com você de novo! – sem resposta. Fui para o meu quarto e me sentei no tapete, escorando na cama e liguei a TV. Meu quarto era bem padrão, guarda-roupa, alguns pôsteres na parede e tinha meu telescópio na sacada, um “Celestron” de 70mm que eu usava para algumas atividades do clube de astronomia. O relógio em cima do criado mudo marcava 10:20 da manhã, o seriado estava marcado pra começar as 11:00, tinha algum tempo ainda, mas eu estava bem ansioso, então não liguei muito de ter que esperar enquanto comia minhas torradas.

Bzzzz, Bzzz”. Uns dez minutos depois de me sentar meu celular tocou.

— Alexandra...? Alô...

Desmond!” A garota gritou do outro lado da linha “Desmond! Preciso de você! Agora!

— Ahn? Agora? Pra que? – Respondi confuso, sem conseguir acompanhar a animação dela.

Meus tênis! Eu tenho um amistoso com um pessoal da cidade vizinha hoje, não deu pra pegar eles ontem por causa da detenção, preciso que você pegue pra mim e me traga aqui no campo de atletismo da Universidade!

— Alex... Pra mim não dá não, tô ocupado. – Respondi coçando a cabeça.

Ah... Qual é Desmond! Por favor!

— Alexandra, tenho três temporadas inteiras de Star Trek pra rever! Pede pra Helena.

Não dá! Ela não tá em casa. Eu liguei na casa dela e aquele mimadinho atendeu. Nem consegui saber pra onde ela foi.

— Ele não quis te dizer?

Eu desliguei antes...” Óbvio. “Des... por favor! Você pode assistir essas coisas a qualquer hora, mas não é sempre que você pode ajudar um amigo. E o dono vai abrir especialmente pra mim.

— Não é “essas coisas”, e eu faço algum favor pra você pelo menos duas vezes na semana. – Respondi antes de morder uma torrada. Alexandra ficou em silêncio por alguns instantes.

... Por favor! Já vai ser minha vez em mais ou menos 40 minutos, e eu nem me aqueci ainda.

— Que?... Calma... Você quer que eu vá do outro lado da cidade em pleno domingo pegar um par de tênis pra você e te levar na universidade em 40 minutos?

“...na verdade em 30 minutos, tenho que estar uniformizada pelo menos 10 minutos antes de começar... Mas você consegue, é só você pegar seu carro e...”

— Eu não tenho carro! – Respondi irritado.

Mas você tem uma bicicleta, é quase a mesma coisa.

— Alexandra, não dá!

Ah, Des, por favor... Ah.. estão me chamando. Vou te esperar em frente ao ginásio...

— Alexandra...

Te amo!

— Alexandra!!

Beep... Beep...

E foi assim que meus planos de domingo foram pro saco. Dei um soco na cama ainda com o celular na mão. Olhei para o relógio e meu primeiro pensamento foi “É impossível”, até me lembrar que era da Alexandra que estávamos falando.

— Argh, qual é! – Desliguei a TV com o controle remoto, peguei minha carteira e corri em direção à porta da frente.

— Ei ei ei... vai sair assim? – Perguntou Brenda me olhando de cima a baixo sentada no sofá. Eu parei e me olhei... Roupas de dormir, tenho que trocar isso. Voltei correndo pro quarto e peguei a primeira calça e camiseta que vi no guarda-roupa. Quase voltei a olhar para o relógio, mas resisti à tentação, não queria me desanimar ainda mais. Passei correndo pela sala e bati a porta.

❥❥❥

Acho que nunca pedalei tanto em tão pouco tempo na minha vida. Assim que cheguei à frente da loja de calçados, um senhor velho de óculos veio me entregar os tênis. Não consegui nem respirar direito e já voltei a pedalar com tudo que tinha para tentar chegar no horário. Depois de umas três subidas monstruosas e muito liquido perdido, avistei a universidade e Alexandra pulando e acenando pra mim com seu uniforme vermelho e preto em frente à entrada lateral do campo de atletismo.

— Desmond! – Ela gritou e pulou me abraçando assim que desci da bicicleta arfando. Não sei se ela tinha percebido, mas eu não estava nem me aguentando em pé direito – Te amo! Você é o melhor asiático que existe! – Ela gritou me dando um beijo na bochecha, e pegando o par de tênis.

— Qual é a da Xenofobia com os asiáticos? – Ela riu.

— Você vai assistir né? Pode entrar lá pela entrada principal. – Disse, já correndo para junto das outras atletas. 

Eu suspirei, e peguei meu celular no bolso. O relógio marcava 11:04. “Meu seriado...”, suspirei de novo, e depois de trancar a bicicleta, fui em direção a entrada.

As arquibancadas não estavam muito cheias, mas tinham alguns grupos de pessoas espalhados por elas. Sentei no canto da arquibancada na terceira fileira. De lá, consegui ver Alexandra sentada no banco conversando com seu treinador, que estava sério com os braços cruzados. Na pista, estava uma garota com um uniforme verde e branco. A garota batia a ponta do pé na pista, se preparando para correr. Com o som de um apito a garota saiu com uma velocidade impressionante com a ponta da vara para o alto, pouco antes de chegar ao final da pista, a garota inclinou a vara a mais ou menos uns 20 graus apoiando-a no encaixe, com isso, a vara inclinada jogou a garota pra cima, ela inclinou o corpo, mas antes de cair suas costas bateram no sarrafo* que desencaixou e caiu junto com a garota sobre o colchão. Ela levantou com uma expressão meio seria. Algumas pessoas da arquibancada bateram palmas, e ela voltou para seu banco, a uns quinze metros de distancia do qual Alexandra estava sentada. O treinador agora gesticulava apontando em direção a pistas enquanto conversava com Alexandra. O Sarrafo foi substituído e depois disso as garotas foram revezando entre os times enquanto algumas conseguiam passar por cima e outras não, com a altura sempre variando de uma pra outra.

Depois de um tempo Alexandra pisou na pistas, sorrindo. Em um momento desse, eu estaria tremendo como um louco mesmo sendo só um amistoso, mas Alexandra não. Eu gostaria de saber de onde toda essa autoconfiança dela vinha. Assim que ouviu o apito, Alexandra disparou pela pista, sua velocidade era superior a maioria das garotas que tinham saltado até o momento. Ela inclinou a vara apoiando a ponta no encaixe, a vara inclinou arremessando Alexandra no ar, que curvou as costas e passou o sarrafo com certa facilidade, caindo sobre o colchão azul. Alexandra se sentou e deu um soco no colchão sorrindo. Seu treinador batia palmas com a mesma expressão carrancuda de sempre. Junto da plateia, eu também comecei a aplaudir antes mesmo de perceber o sorriso em meu rosto. Um dos ajudantes gesticulava para Alexandra sair do colchão, ela deu um pulo e foi andando em direção ao banco onde as outras atletas do seu time brincavam e sorriam entre si. No meio do caminho, Alexandra começou a observar as arquibancadas e assim que me viu ela sorriu e acenou com a mão. Eu continuei a bater palmas enquanto sorria pra ela.

Depois disso, varias garotas saltaram sem quebrar o revezamento entre os times e depois de uns 50 minutos, todas já haviam saltado. Os times se cumprimentaram e o pessoal das arquibancadas começaram a se levantar. Me levantei junto e fui em direção a saída. Assim que peguei a bicicleta, fui para a entrada lateral, onde Alexandra estava encostada no batente da porta com uma garrafa de água em uma das mãos, enquanto acenava com a outra se despedindo de suas colegas de time que iam em direção à saída juntas. Eu passei por elas e fui até Alexandra.

— Bom trabalho! – Disse parando a seu lado

— Obrigada! – Respondeu Alexandra sorrindo antes de beber um gole de água.

— Seu avô continua igual, com a mesma expressão carrancuda de sempre, mas ele bateu palmas pra você depois que pulou... – Alexandra riu.

— Depois do tanto de gente que ele treinou, vai ser difícil arrancar um sorriso daquele velhote. Um dia nas Olimpíadas, quem sabe...

— Boa sorte. – Respondi subindo os óculos no nariz.

— Hm... – Alexandra murmurou levantando os braços sobre a cabeça e se espreguiçando – Quero sorvete!

— Sorvete? – perguntei.

— É pra dar boa sorte.

— Você geralmente faz essas coisas antes de saltar, sabia?

— Não... Não ia dar muito certo... Enfim, não importa. Para de problematizar e anda logo! – Ela respondeu empurrando minhas costas. Descemos a rua em direção à saída da faculdade, com Alexandra caminhando ao meu lado.

❥❥❥

Paramos em frente a sorveteria e... Alexandra deu um tapa na minha bunda.

— E-ei.. o que foi isso?! ­– Perguntei assustado e provavelmente vermelho. Alexandra riu alto.

— Só tava conferindo... se você trouxe a carteira.

— Você ainda quer que eu pague? – Perguntei indignado. Alexandra voltou a rir.

— Eu to só brincando, relaxa...

Alexandra pediu um sorvete de limão pra ela e um de chocolate pra mim. E no final acabou pagando.

— Não precisava ter pago o meu também... – disse enquanto encarava o sorvete e empurrava a bicicleta com uma mão.

— Eu tenho que te retribuir por hoje – Eu a encarei em silencio.

— Só por hoje? – perguntei.

— Desculpa, minha memoria é fraca, então não me lembro de mais nada que tô te devendo. – Respondeu Alexandra quase terminando seu sorvete já.

— Eu lembro. De tudo aliás. Desde a oitava série. – Alexandra riu. Eu realmente lembrava, aconteceram varias coisas nesses três anos, mas eu lembrava de quase tudo relacionado a ela.

Quando vim pra cidade e entrei na mesma escola que Alexandra e Helena, já rodava um rumor de que ela tinha ficado com uma garota atrás do ginásio da escola. Eu nunca realmente perguntei isso a ela, ela também nunca me falou nada, mas de vez em quando a Ashley enche o saco dela com isso, como na detenção no sábado. Não que Alexandra realmente ligue, ela só se irrita mesmo quando isso envolve a Helena.

— Desmond... seu sorvete...

— Anh? – Olhei para minha mão, o sorvete já estava escorrendo pelos meus dedos. Levei o sorvete a boca o mais rápido que pude, tentando impedi-lo de cair, mas não consegui e o resultado foi alguns pingos de sorvete de chocolate na minha camiseta. Alexandra riu.

— Você parece uma criança. – Isso era meio irônico vindo dela. – Ah... Desmond, olha... um parquinho!

—... E...? – Isso não ia acabar bem.

— Vamos balançar! – Alexandra se virou e começou a me puxar pelo braço em direção ao parquinho infantil. Eu resisti.

— O que? Não... Alexandra... é um parquinho infantil!

— Mas não tem ninguém...

— Tem vigias por aqui, se eles virem a gente, nós vamos ter que fugir que nem aquela vez na frente do...

— Tá bom Desmond. Vem! – Ela deu outro puxão. A bicicleta escorregou da minha mão e caiu no chão e o sorvete continuava derretendo enquanto ela me puxava.

Alexandra parou e subiu de pé em um dos balanços com um sorriso no rosto.

— Que nostálgico. – Eu fiquei a encarando enquanto terminava o sorvete, já quase todo derretido. Alexandra balançava lentamente segurando nas correntes. Ela me encarou – Você tem que subir também!

Suspirei e abaixei a cabeça. Arrumei meus óculos e subi no balanço ao lado dela. Os balanços eram bem baixos, eu me inclinei e comecei a balançar devagar. O cabelo ruivo de Alexandra mexia com o vento enquanto balançava, ficamos em silencio ouvindo apenas o som das corrente enferrujadas dos balanços.

— Desmond...

— Hum?

— Desculpa pelo seu final de semana...

— Tá tudo bem – respondi.

— Desmond...

— Hum?

— O que vai fazer depois de se formar?

—... Física. Vou tentar Harvard ou Yale... E você? – Alexandra ficou em silêncio por alguns segundos.

— Ainda não me decidi... eu gosto muito de atletismo, mas me pergunto se é realmente isso que eu quero pra minha vida...

Ficamos em silencio novamente. Eu pulei do balanço e a encarei.

— Você vai descobrir. É de você que estamos falando, a garota mais decidida e autoconfiante que eu conheço. – Alexandra sorriu – E provavelmente isso que me faz...

— Ahn? – Alexandra me encarou, arqueando uma sobrancelha.

—... Não é nada. – Respondi. Ainda não estava preparado para aquilo.

 “Creck” O balanço de Alexandra pendeu pro lado. Um dos elos da corrente se abriu. Alexandra pulou do balanço e olhamos para a corrente juntos.

— Isso já tava enferrujado! Não foi de proposito!

— Seus argumentos são horríveis. – Respondi – Deve ter sido o sorvete...

— Desmond! – Ela reclamou me dando um soco no braço.

— Ei, vocês dois! – Ouvimos um homem alto gritar no fim da rua. Eu disse que tinha um vigia.

— Desmond, a bicicleta! Rápido!

Corri em direção a bicicleta caída no chão, montei e comecei a pedalar. Alexandra pulou na garupa com a bicicleta já em movimento, de costas pra mim.

— Mais rápido, ele tá chegando! – Ela disse rindo, enquanto se escorava nas minhas costas e jogava a cabeça pra trás.

— Eu já pedalei demais hoje! – reclamei.

Alexandra realmente estava em um nível completamente diferente, depois que eu a conheci, meus três anos do ensino médio que deveriam ser calmos e normais, acabaram bem mais bagunçados e turbulentos do que eu esperava... Mas era provavelmente isso que me fazia gostar tanto dela.



Notas finais do capítulo

Bom pessoal, espero que vocês tenham gostado do Capitulo!! ♥
Como já sabem, o próximo capitulo vem no Domingo dia 17 *--*
E não esqueçam de deixar seus Reviews, favoritamentos e se possivel recomendar a fic.
Obrigado por lerem ♥

*Sarrafo = aquela vara que você tem que passar por cima no salto com vara



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