UnderPray escrita por Neko D Lully


Capítulo 1
Prólogo


Notas iniciais do capítulo

Bem, eu sei que tenho Fusion nas costas, mas não se preocupem que ela já está bem adiantada e continuará como prioridade.
Underpray será lançada todas as quartas, já está disponível no Social, caso alguém quiser dar uma adiantada, apesar de realmente não ter muito a mais.
Eu ponderei muito em postar ou não essa fanfic... Mas acho que poderia agradar a alguns, eu realmente espero que tenha tão boa aceitação quanto Fusion.
Aproveitem ^^



UnderPray - Prólogo

O sons dos passos ecoaram mais alto naquela catacumba vazia, talvez o único ruído que ele havia escutado em ciclos em que não era ele a provocar. Não estavam muito distantes, pelo que pode perceber, eram constantes em uma velocidade razoável, provavelmente não demorariam a chegar em sua cela isolada. Todavia os ecos que eram provocados pelas paredes rochosas e úmidas do lugar poderiam muito bem estar afetando seus cálculos, distorcendo a propagação do som e dando a sensação que eles estavam mais próximo do que verdadeiramente eram. Seja como for a pessoa estava se aproximando e definitivamente vinha com a intenção de se encontrar com ele.

Não poderia negar que já tinha uma ideia de quem estaria ali.

Quando finalmente os passos cessaram sua melodia constante ele sorriu ao ver que sua suposição estava certa. Não que estivesse preocupado, seus cálculos nunca falhavam e ele a conhecia demasiadamente bem para reconhecer o costumeiro som de seus sapatos pelo lugar. Antigamente ela tinha o costume de ir e vir mais vezes para visitá-lo, seja apenas para soltar tantas blasfêmias que ele tinha certeza que poderia montar um dicionário completo apenas com elas ou simplesmente para tentar arrancar alguma informação ou pedido de desculpas dele.

Ha! Como se fosse acontecer! Ela deveria conhecê-lo melhor, entretanto, aparentemente, a única pessoa que realmente poderia saber quem exatamente ele era havia ido embora há muito tempo. Não tempo suficiente para arrancá-lo de sua memória, porém.

— A que devo a honra de sua presença, Undyne? - seu tom era de deboche, o sorriso tão largo quanto lhe era permitido, mas não existiam faíscas de alegria nele, apenas zombaria e desdém. Jogado em um canto qualquer de sua minúscula cela, pernas abertas e braços algemados entre elas, sua espinha escorava-se na parede pedregosa e pontuda que tinha atrás de si, rosto ligeiramente inclinado para cima com a pretensão de encarar a recém chegada.

A mulher peixe, por sua vez, erguia-se sobre suas torneadas pernas e roupas lustrosas. Os cabelos vermelhos, bastante semelhantes com enormes barbatanas que combinavam com suas enormes orelhas escamosas de três pontas de tamanhos diferentes, estava bem amarrado e arrumado em um rabo de cavalo alto, rosto estoico e sério erguia-se sobre o do esqueleto jogado dentro da cela, outrora em melhores condições. Seu olho amarelado de fina pupila negra encarava-o com indiferença, analisando seu estado desleixado, dificilmente acreditando que, em seus melhores dias, teve um posto importante em sua sociedade. Seu outro olho, por sua vez danificado, reluzia em um azul mágico, ao igual a lança bem apertada em sua mão esquerda, destacando a terrível cicatriz que enfeitava suas feições rudes e belas. Seu corpo, invejável e atraente, estava perfeitamente ajustado pela roupa de couro a qual usava, delineando sua figura e deixando livre seus movimentos, uma de suas pernas livre do tecido, um pano mais leve amarrado desde baixo de seus seios até o final de sua única perna recoberta , enroscando-se em seus braços de forma elegante, magicamente desenhado para resistir a duros impactos e ainda ser mais leve e confortável do que a armadura a qual ela estava acostumada a usar.

— Sans. - sua voz era firme, mas a duvida ainda estava lá. Ela parecia não muito certa do que teria que fazer, mantendo-se em seu lugar de forma tensa como a pensar em qual seria seu próximo passo. E nessa brincadeira minutos se passaram de completo silêncio, o esqueleto não recebeu a resposta de sua pergunta, mas ele não se importou de qualquer maneira, ele sabia que viria mais cedo ou mais tarde. Por fim, a mulher suspirou. - Já fique sabendo que eu fui completamente contra essa decisão. Você não merece a honra da missão que está recebendo agora.

As grades de sua cela então foram abertas, o som estranho depois de tanto tempo sem se quer se moverem, dava até mesmo a terrível impressão que as dobradiças tinham congelado em sua posição e não mais iriam se mover para fazer seu trabalho. Entretanto, definitivamente não foi esse detalhe que quebrou o sorriso presunçoso do esqueleto ainda jogado ao chão, observando de forma atenta a enorme mulher aproximar-se com sua lança erguida, pronta para proferir um ataque certeiro em sua direção.

Apesar da possível ameaça, o esqueleto nem ao menos se moveu, mantendo-se estático até o momento que a lança havia perfurado as correntes de suas algemas e libertado suas mãos. Uma profunda marca foi deixada no chão, bem no lugar onde a lança havia fincado com ligeiras marcas de queimado. Sua magia estava mais forte do que se lembrava, mas ainda não seria um desafio.

— Poderia ter usado a chave. - seu sorriso de volta ao rosto, brilho divertido nos pequenos pontos nos globos oculares. Ele ergueu-se, colocando-se acima da cabeça da mulher que apenas o encarava sem qualquer tipo de expressão definida.

— Eu perdi a chave. - ela respondeu em um encolher de ombros, virando-lhe as costas e começando a guiar seu caminho para fora do lugar, sem nem ao menos conferir se ele a estava a seguir. Ela sabia que ele não a iria atacar. - Por que eu ia guardar uma chave de um prisioneiro que apenas sairia de sua cela morto?

— Um ótimo ponto, devo admitir. Mas se eu não estou morto e se você não está me levando para a execução, já que duvido que realmente fariam isso soltando minhas mãos, por mais confiança que tenham em sua força tenho certeza que não são  tão estúpidos, por que diabos eu estou sendo solto? - sua voz mantinha-se indiferente, sorriso zombeteiro em seu rosto imutável, caminhando tão despreocupadamente atrás dela quando lhe era realmente possível. Ele poderia notar a tensão no corpo da mulher a sua frente, sabia que ela, por mais certeza que tivesse de sua passividade para com sua espécie, ainda estava preocupada e alerta com o que poderia fazer. Ele sempre foi imprevisível, era uma de suas melhores qualidades. E, apesar de sua pergunta, ela manteve-se calada, passos rítmicos para frente sem se quer encará-lo. - Sabe, já que pretende me ignorar o resto do caminho para fora dessa catacumba, poderíamos pelo menos usar  um caminho alternativo para encurtar a distância. Eu conheço um atalho.

Talvez tivesse usado a palavra mágica, muito mais efetiva que qualquer provocação que poderia ter imaginado, e nem ao menos tinha sido intencional.

A ruiva simplesmente rodou sobre seus calcanhares, virando-se para encará-lo já com a lança direcionada para as vértebras de seu pescoço, forçando-o a deter seus passos também. A sorte dela que ele tinha um reflexo igualmente rápido, se não ele tinha certeza que o resultado não teria sido tão agradável. Como seja, ela o encarava com o cenho franzido e os sulcos da testa bastante demarcados, de forma a nunca ver antes. E mesmo que a ameaça fosse real, ele não tirava o sorriso da cara, braços erguidos em um sinal de rendição zombeteira.

— Você não está autorizado a usar sua magia ainda. Um movimento errado e eu dou o alarme e, acredite em mim, Sans, nós não vamos ser mais tão compassivos como fomos da primeira vez. - sibilou, olhos faiscando em uma magia instável e perigosa. Era bem provável que o sorriso o qual ele ostentava tão tranquilamente não estava ajudando em nada a apaziguar o terrível humor da mulher a sua frente. Ele não se importava de qualquer forma.

— Sim, vocês foram super gentis comigo nesses últimos dois ciclos. Eu apenas acho que fiquei sem comida por uma semana, no máximo , a cada mês. Eu estou realmente tremendo até meus ossos de medo pelo que serão capazes de fazer depois. - o sarcasmo estava cortante em sua voz. Ele sabia que não era sensato  provocar ainda mais a fúria da mulher que tinha a frente, principalmente com um lança apontada para seu pescoço. O único problema dessa lógica era que ele não era mais tão sensato, ele estava simplesmente pouco se fodendo para cada merda que chegasse a acontecer naquele maldito lugar dos infernos, a prisão endemoniada a qual todos passaram a chamar de lar. Como se aquilo pudesse fazer esquecer dos erros do passado. - Mas já vou avisando, Undyne. Eu também não vou ser muito compassivo se continuarem a me tratar como um lixo. Posso ser um prisioneiro, mas já fui um aliado e tenho certeza que você não vai querer ver a extensão de meus poderes agora.

A faísca de luz em seu olho esquerdo e seu enorme sorriso deram ainda mais ênfase a suas palavras, calafrios visíveis percorrendo o corpo da mulher peixe enquanto parecia hesitar em manter a lança em seu pescoço ou se afastar. Ele viu as mãos dela tremendo, ele viu a tensão em seus ombros, ele viu o medo dentro de seu olho amarelo... Ela tinha medo dele. E ele não poderia culpá-la ou se importar menos com isso agora.

Outrora, grandes amigos. Agora eram apenas prisioneiro e carcereiro.

— Você não vai me machucar. Não vai machucar nenhum monstro. - Undyne afirmou, a voz firme apesar do estado atual de sua pessoa. Ele deveria admitir que era admirável isso em sua personalidade, mas aquelas palavras... Ela poderia ter escolhido melhor. Era mais como se ela tentasse se convencer disso do que realmente ter certeza, as mãos firmando-se na lança que aproximou-se alguns milímetros a mais de suas vértebras. O esqueleto apenas se dignou a erguer uma de suas sobrancelhas inexistentes em descrença. - Além disso, se você quisesse um tratamento melhor teria sido mais fácil não ter feito o que fez. Seria melhor que não tivesse nos traído!

— Eu? Trair vocês? Undyne... Até mesmo parece que não se lembra. Foram apenas dois ciclos e está bem claro em minhas memórias ainda. Você apenas se recusa a ver a verdade, se recusa a acreditar que eu apenas dei o troco do que fizeram comigo. - os enormes orifícios oculares ficaram escuros, os pequenos pontos brancos que deveriam ser seus olhos desapareceram completamente no mar escuro que havia sobrado. Ele aproximou seu rosto do de Undyne, ignorando a ponta da lança em seu pescoço, deixando-se tão perto que poderia sentir sua respiração engatada. - Vocês me traíram primeiro.

Olho amarelo arregalado, garganta engolindo visivelmente enquanto o corpo tremia ligeiramente, tentando, de forma inútil, manter a compostura. Sans sabia a pressão que sua magia e sua nova aparência poderiam exercer sobre uma pessoa, ele sabia como ser assustador, apesar da maior parte do tempo ele preferir não ser. Era bem mais fácil ser subestimado quando você parecia despreocupado. E ser subestimado era uma vantagem.

Por fim, ele se afastou. Pequenos pontos de volta aos globos oculares, sorriso despreocupado e ombros caídos. Ele tinha voltado ao velho Sans de sempre, como se nada do que aconteceu poucos segundos atrás tivesse realmente ocorrido. Undyne, por sua vez, permaneceu paralisada em seu lugar, lança bem apertada em suas mãos.

Fazia tanto tempo que ela não tinha lidado com aquele esqueleto. Ela talvez tivesse se esquecido como sua presença poderia ser sufocante.

— Podemos continuar? Estou realmente interessado para qual missão vocês querem me enviar. Deve ser bastante importante para terem poupado a vida de um traidor.

Ainda sentindo as pernas um pouco bambas, mas recusando-se a deixar-se esmorecer naquele momento, a estoica mulher peixe voltou a seu caminho, o silêncio incomodo a pairar entre ambos como se o ar fosse composto de chumbo ao invés de oxigênio em si. Sans não parecia incomodado por completo, ele a ignorava com perfeição e encarava ao redor dos corredores do labirinto de catacumbas como se fosse o mais interessante que poderia ver. Undyne já não sentia-se tão cômoda, seu olho funcional sempre escorregando para a figura magra e alta que caminhava despreocupada atrás de si.

Ela já tinha imaginado que ele não tinha esquecido, que seu rancor contra eles não havia desaparecido. E como poderia depois do que aconteceu? Aquele incidente havia sido conhecido por todo o subterrâneo, foi uma das maiores catástrofes já catalogadas e ela compreendia perfeitamente bem o motivo dele sentir-se traído. Mas ela também sabia que não era motivo para ele ter feito o que fez, não era motivo para...

Seus olhos foram atacados com a luz artificial da capital. Eles haviam acabado de alcançar o fim das catacumbas e agora se encontravam diante da bela visão da cidade que erguia-se até onde a vista poderia alcançar, com um leve vislumbre das terras mais ao longe, terras repletas de Caídos.   

 O pensamento revirou o estomago da guerreira de ferro. No entanto, a silhueta de uma enorme construção mais ao longe abrandou o sentimento, recheando-a de volta com esperança, um pequeno sorriso a desenhar-se em seus lábios. Logo tudo terminaria, logo eles se livrariam daquele castigo divino, daquela maldição e poderiam ser livros, sem temer cair perante a praga.

— Undyne... - a voz de Sans era sombria a seu lado. Ela arriscou uma rápida olhada para sua pessoa, apenas para perceber que o sorriso havia desaparecido de seu rosto. Ele estava sério... Não, ele parecia mais era furioso. - Não me diga que esses idiotas da corte escolheram a mim para isso.

— Não faça essa cara, não foi ideia minha e eu já disse que fui totalmente contra a essa decisão. - ela cruzou os braços, cenho franzido novamente, queixo erguendo-se em uma pose de resignação. Ela não acreditava que essa ideia realmente foi aceita, por mais que tivesse completo sentido lógico. - Você deveria sentir-se honrado. Essa é a missão mais esperada e importante de todo o Underground.

— Eu não me sinto honrado! Vocês deveriam saber que de todos os monstros eu deveria ser o ultimo considerado! Então por que eu?

— Papyrus. Ele sugeriu você. Ninguém estava realmente disposto a aceitar a ideia, mas ele tinha uma razão lógica para o ponto. - Undyne suspirou, encarando de soslaio o esqueleto a seu lado, rígido por um momento ao escutar o nome de seu irmão mais novo. Fazia tanto tempo agora... - Por mais que eu odeie admitir você é o mais forte entre nós e o mais capacitado para proteger nossa única esperança.

— Eu não vou ser a porra de um capacho para uma maldita humana. — o esqueleto sibilou, dentes apertados enquanto pronunciava cada letra de forma ameaçadora e enfurecida. - Você sabe que eu sou a pessoa menos confiável para esse trabalho. Qualquer um na droga dessa cidade sabe que eu preferia morrer a ir nessa missão.

— Pois essas são suas duas únicas opções, Sans. Ou você pega a missão ou você morre aqui e agora, a escolha é sua. - a mulher virou-se para encarar o esqueleto a sua frente, braços ainda cruzados. Ela o observou respirar fundo para dar sua resposta, todavia ela precisava interrompê-lo: - Olha, sei sobre seu ódio para com os seres humanos e agora com o nosso povo. Mas não faça isso por nós, Sans. Faça por Pap. - o enorme esqueleto hesitou, suas orbitas se abrindo um pouco mais ao escutar o nome de seu irmão novamente. - Ele depositou essa confiança em você, ele te deu mais uma chance. Não jogue isso fora, não faça isso com ele de novo...

Ele hesitou, seus olhos descendo para o chão, várias caretas atravessando seu crânio antes de finalmente pousar-se em uma de frustração. Esfregando o rosto com uma de suas mãos ossudas ele suspirou.

— Ok... Onde posso me arrumar para ir?

—___________

— Frisk! Frisk! Venha ver! - a voz ecoou por todo o salão vazio e iluminado, tão branco quanto a própria cor. Passos leves e apressados ecoaram pelo lugar poucos instantes depois, aproximando daquele que inicialmente havia se pronunciado. - Não é lindo, Frisk? Finalmente chegou o momento, a hora de irmos cumprir nossa missão. Está animada? - o murmuro que se seguiu foi a confirmação, palmas estalando em um eco constante. - Tudo que temos a fazer é esperar que seu guardião chegue e poderemos colocar nosso plano em pratica.

O vento soprou para dentro do salão, assobiando ao passar pelas enormes janelas. Duas figuras estavam apoiadas em uma delas, inclinadas para fora a observar o que se estendia no horizonte, esperança e determinação em seus olhares.

—Vai dar tudo certo. Nós vamos conseguir, tenho certeza!



Notas finais do capítulo

Apesar do capitulo ter saido hoje, na quarta feira dessa semana também terá mais um. Eu espero que até lá já tenha adiantado mais alguns...
Bem, de qualquer maneira, espero que tenham gostado, eu tenho grandes expectativas para essa fanfic então... Hum... Eu realmente espero o apoio de vocês tanto aqui como em Fusion.
Obrigada por lerem e continuem determinados!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "UnderPray" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.