Admirador secreto? escrita por Isa


Capítulo 8
Lábios...




Elliot estava sentado em sua cama, pensando sobre o que faria com todas aquelas cartas que havia roubado do armário de seu melhor amigo e, mais do que isso, como reverteria aquela situação, impedindo que “seu” Dyl acabasse se envolvendo com Tyler. Infelizmente, nenhum de seus planos fazia muito sentido.

Sentia-se um tanto quanto paranoico em relação ao possível envolvimento do – provável – futuro casal. Não queria perder assim tão fácil para o namorado de Lydia Evans. Afinal, se fosse ao menos alguém que conhecesse Dylan há mais tempo... Mas não. Era um quase desconhecido que vencia a “batalha” pelo coração de Churchill.

— Elliot? – a voz de Maritza o chamou, vinda da porta. – Eu posso entrar?

— Claro. – assentiu, dando um sorriso à amiga. Logo, notou a expressão de tristeza da garota. – Ei... O que foi?

— Eu fui à casa do Nate esses dias. – contou enquanto sentava-se ao lado dele na cama. – E... Ele me contou o motivo dele ter brigado com o Tyler.

Oh.  – o murmúrio “escapou” pelos lábios de Elliot. – Caramba. É... E por que foi?

“Droga.” Praguejou mentalmente. Havia sido pego desprevenido, sem tempo para forjar seu suposto desconhecimento da situação.

— Não acredito! – ela exclamou, se levantando. – Você sabia! E... Não me disse nada... – voltou a se sentar. – Por quê?

— Desculpa? – disse antes de tudo, ela nada respondeu, então decidiu prosseguir: – É que... Se eu te contasse, você diria à Camilla e...

— Ela espalharia ‘pra todo mundo, cedo ou tarde. – Mari completou e o asiático balançou a cabeça, afirmativamente. – Eu entendo. Minha irmã não é exatamente a pessoa mais confiável... Mas se me pedissem para não contar a ela, eu não contaria.

Elliot resmungou um “eu sei”, contrariado. Odiava admitir quando errava, contudo, naquele momento não havia outra opção.

— O Dyl, ele... – ela começou.

— Sim, ele é gay. E sim, ele gosta do Tyler. Sinto muito Mari. – a cortou, não de uma maneira brusca, apenas querendo acelerar o processo das “revelações”.

— Eu também sinto muito. – com um meio sorriso, ela encostou a cabeça em seu ombro, e ele a abraçou. – Você... Não vai contar a ele que o Tyler é o tal admirador secreto, vai?

— Não, eu não vou. – confirmou. – Quero ao menos ter mais tempo para ver se ainda tenho alguma chance... E você? Agora que sabe a verdade, como ficam as coisas com o Nathaniel?

— Ainda tenho que pensar sobre isso. – ela lhe respondeu.

“O que mais há para pensar?” Se perguntou, porém mantendo o questionamento somente dentro de si. Não queria perturbá-la mais do que a perda de suas esperanças com Dylan faria...

***

Após todo o drama, Lydia decidiu que não ficaria sofrendo em antecipação. Graças a sua conversa com Allison, percebeu que não fazia sentido sofrer por uma possível traição da parte de Tyler, mesmo se fosse verdade. Se ele a tinha traído, era ele quem sairia perdendo. “Você é a garota mais bonita que eu conheço”, Alli havia revelado. E se a loira pensava assim, ela também deveria pensar. Afinal de contas, a bff conseguia ser esplendorosamente linda sem nem tentar.

Quando a segunda-feira finalmente chegou – após passar o primeiro final de semana sem qualquer indício do paradeiro do namorado – estava se sentindo renovada.

Durante todo o dia, não viu Tyler. Isso, de certo modo, a deixou um tanto quanto temerosa, entretanto, se esforçou ao máximo para não pensar a respeito e, por incrível que pareça, conseguiu. Até que o viu conversando com Camilla Hidalgo. Aí foi tarde demais para que pudesse controlar. Seu “monstro do ciúme” despertou.

— Vamos mesmo segui-los? – Alli perguntou retoricamente – sabia que sim, afinal – rindo. Era impressionante como a amiga não tinha jeito.

— Olha, ele pode até estar me traindo, mas se for com ela, eu nunca vou perdoá-lo! – bradou, irritada. – Porque desde o começo do nosso namoro ela tem tentado nos separar. Me recuso a perder para essa... Coisa. Ainda se fosse a irmã dela, que não é uma vadia.

— Considerando o histórico de garotos em nossas vidas... É bem mais provável que ele te traia com uma vadia do que com uma garota legal como a Mari. – ponderou Allison, calando-se ao receber um olhar assassino da menor. – Okay, sinto muito.

Quando alcançaram finalmente Camilla e Tyler, os viram sentados na arquibancada, conversando animados. Animados até demais... Aquilo era incomum! Desde quando ele tinha parado de odiá-la? Assim que a tal conversa terminou, a irmã de Maritza foi embora, mas não sem antes beijá-lo no rosto. Lydia enxergava vermelho. Se não fosse por Dylan ter aparecido e se sentado com Tyler, ela teria muito provavelmente ido até ele, interrogá-lo, ou melhor, acusá-lo. Em vez disso, se retirou do ginásio, com uma fúria evidente.

— Lyds, espera! – Allison a segurou pelo braço. – Aonde vai?

— Eu vou falar com aquela ridícula e mandá-la ficar longe do meu namorado. – deu ênfase ao “meu”.

Allison suspirou. Odiava repreendê-la, mas era necessário:

— Foi só um beijo no rosto, Lydia. Pare de ser tão possessiva.

— Você não entende? Eu não posso perdê-lo assim, e-eu... – enquanto falava, acabou caindo em si e notando o quão patética soava. – Certo, posso ter exagerado. Mas Alli, sem ele... Quem mais vai me amar? A maior parte dos caras com os quais me envolvi antes eram completos imbecis, que só queriam ficar comigo e nada mais.

“E precisa mesmo ser um garoto?” Allison pensou triste. Por que Lydia não enxergava?

— Você é perfeita. Eu sei que a pessoa certa irá aparecer, cedo ou tarde... – foi o que disse, contrariando suas vontades.

O coração de Lydia falhou uma batida. Não sabia ao certo o porquê, mas ouvir Alli chamá-la de “perfeita” despertou algo dentro dela. Ficaram ali se encarando, até o momento em que os olhos da ruiva se desviaram para os lábios de sua melhor amiga. Por um segundo, se perguntou como seria beijá-la. Repreendeu-se. Já havia beijado uma ou duas – ou três, ou quatro – garotas antes, em festas, antes de começar a sair com Ty, mas não era uma lésbica. E mesmo que fosse, aquela era Allison, sua melhor amiga. Não podia desejá-la.

— Lyds? – Alli chamou, percebendo que a amiga havia se perdido em pensamentos.

— Eu... Hm... Você tem razão. Vamos ‘pra aula. – Lydia falhou em sua tentativa de soar natural, contudo, felizmente Allison não perguntou sobre.

***

Dylan gargalhava. Não podia acreditar no que ouvia.

— Sério que a Camilla é sua parceira no trabalho de Filosofia? – perguntou incrédulo. – E você não está nem um pouco bravo?

— Bom... Nós estávamos conversando agora a pouco, e ela não é assim tão ruim, quando a conhecemos melhor. – Tyler explicou, também rindo, mas no caso, era da reação do... Amigo? – Apesar de que ela tenta dar em cima de mim o tempo inteiro.

— Oh, isso é um defeito? Eu não sabia que te incomodava... – Dylan disse com um sorrisinho malicioso. – Ou eu sou uma exceção à regra?

O mesmo tipo de sorriso se formou nos lábios de Tyler.

— É claro que você é. – piscou. – E nem teria como não ser... – olhou-o de cima abaixo.

A falta de descrição de Tyler – principalmente para alguém comprometido – era algo que Dylan ainda não havia se acostumado, mas era mais do que ótimo saber que o garoto do qual gostava sentia, no mínimo, algum tipo de atração por ele e que sequer se dava ao trabalho de escondê-la.

Entretanto, sentia-se incomodado com a falta de ação do garoto. Poxa, se ele também o queria, custava muito adiantar o processo? Estava cansado de só flertarem o tempo inteiro e não fazerem mais nada.

Estavam a poucos metros da saída do colégio, após mais um dia cansativo de aulas e, como sempre, andando juntos, parecendo mais um casal do que qualquer outra coisa. E Dyl não queria mais aquela incerteza sobre o que eram. Ele precisava de algo real, algo que o fizesse entender se deveria investir ou esquecer. Optou então por ser o mais direto possível:

— Quando vamos parar de enrolar?

Tyler parou de andar e arregalou os olhos. Definitivamente, havia sido pego desprevenido.

— O quê? – fez se de desentendido.

— Você sabe o que eu quero dizer, Ty. – Dylan insistiu.

— N-Não, e-eu... – àquele ponto, o nervosismo do de olhos claros foi tamanho, que não pôde evitar começar a gaguejar.

Dylan bufou, em frustração. E essa foi a última coisa que Tyler ouviu, antes do menor puxá-lo pela camisa e ter os lábios dele pressionados contra o seu.

O de pele morena não conseguia acreditar que tinha feito aquilo. Não acreditava na coragem que tivera. Mas antes mesmo que pudesse cogitar se arrepender Tyler agiu. Ele retribuiu o beijo com vontade e logo avançou, buscando a língua do amigo que, certamente, já não era mais um amigo.

Se Dylan acreditava correr o risco de ser repelido ao beijá-lo, se enganou severamente. Logo, sentiu seu corpo ser pressionado contra o muro de uma casa qualquer. Tyler o beijava de um jeito que há tempos não era beijado. Estava sendo muito melhor que em suas fantasias...

— Dylan! – ouviu Elliot berrar.

No mesmo instante, Tyler pareceu recobrar a consciência e soltou-o, olhando então para o grupo que os observava. Além de Elliot, estavam ali também Maritza e...

— N-Nate... – Ty olhou o ex-amigo, com uma mistura de medo e constrangimento. – Eu...

Nathaniel, ao contrário do que imaginava, não o socou, ou nada parecido. Ele simplesmente saiu, e foi andando na direção contrária, sendo seguido por Maritza. Elliot, por outro lado, permaneceu ali, olhando para eles.

— Eu... Vou ‘pra casa. – disse Tyler, atordoado.

E antes que Dylan tivesse a chance de pedir para que esperasse, ele já estava do outro lado da rua...





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