Admirador secreto? escrita por Isa


Capítulo 6
“Ferrados”




Quando Dylan avistou seu novo amigo no final do corredor, chorando, ficou desesperado. O outro, entretanto, não quis conversar com ele a respeito. Isso chateou Dyl, de certo modo. Sabia que não eram assim tão próximos, mas gostaria que Tyler confiasse nele. Em parte por estar começando a gostar dele, óbvio.

— ‘Tá tudo bem? – Elliot perguntou, ao vê-lo ali, no ginásio, pensativo.

— Uhum. – murmurou em resposta.

O asiático então se sentou ao lado dele, nas arquibancadas. Havia algo de errado com ele também, Dylan notou. Elliot não era de ficar calado quando não estava bravo e ou chateado com alguém.

— E com você? – decidiu “interrogá-lo”.

— Também. – o amigo mentiu, claramente. – Dyl...

— Hm?

— Você já escondeu algo de mim? – Elliot precisava saber se Dylan, ao menos, admitiria a história do admirador secreto. Se ele contasse, diria que se tratava de Tyler Raymond. Caso contrário, manteria o bico fechado.

— Claro que não. – afirmou Dyl, sem sequer hesitar. – Não há segredos entre a gente, lembra?

Elliot, decepcionado, se levantou e foi embora, sem dar nenhuma explicação. No fim das contas, seu melhor amigo não confiava nele o bastante.

Enquanto caminhava pelos corredores, viu Nathaniel Donovan – não sabia como gostara dele antes de se apaixonar por Dylan – batendo com força a porta do armário, em um estado incomum de irritação. O que não fazia muito sentido, afinal, a culpa daquilo era dele mesmo. Não tinha por que agir com Tyler de maneira tão estúpida.

— Nate... – viu Maritza se aproximar dele. – O que aconteceu?

“Desde quando ela se importa?” Elliot questionava-se. Ela vivia reclamando que o loiro não a deixava em paz, que vivia a “perseguindo” – obviamente, um enorme exagero.

Era impressionante como Mari se contradizia às vezes.

***

Tyler estava péssimo. A “briga” com Nate o fez ficar bem ‘pra baixo, chegando inclusive ao ponto de chorar em público, coisa que nunca fazia, ainda mais na escola. Receber uma ameaça como aquela da pessoa que considerava seu melhor amigo nem era a pior parte, mas sim a ideia de não poder mais expressar seus sentimentos por Dylan, sem correr o risco de ter sua sexualidade revelada para toda a escola e acabar tendo seu relacionamento com Lydia arruinado.

Contudo, embora soubesse que era arriscado demais continuar, não queria deixar de ser o admirador secreto do rapaz. Fazer isso era a única forma real— afinal, enquanto Tyler o máximo que se permitiria seriam alguns flertes básicos – de expor o que sentia, e isso meio que aliviava a preocupação e o incômodo constante de gostar de alguém além da pessoa com a qual namora.

Precisava encontrar uma maneira diferente de fazê-lo, algo que Nate ou qualquer outra pessoa pudesse descobrir. E tinha uma ideia em mente, só não sabia se ela funcionaria assim tão bem, ou se valia a pena arriscar. Sem falar que não seria a mesma coisa... Seu lado romântico – romântico? – gostava de escrever as cartas, os poemas, presenteá-lo... Mas talvez fosse o único modo de continuar.

Já tinha o segundo celular, guardado em casa. Era o seu velho IPhone 4S, que nem funcionava mais assim tão bem. Mas ia servir, por enquanto.

***

Maritza procurava por Nate, preocupada. O garoto sempre se abria com ela, por que justo agora as coisas teriam mudado? Será que tinha a ver com o fato dela não sentir o mesmo que ele? Se fosse o caso, teria um problema. Porque ela sentia, de certo modo. Queria ficar com ele, dar uma chance... Mas ela amava Dylan. O amigo era o “príncipe encantado” com o qual sempre sonhara, e apenas esperava pelo momento em que ele notasse e viesse buscá-la. Se estivesse com outro alguém, perderia a oportunidade de, algum dia, ter Dyl para si.

— Cami! – exclamou, ao avistar sua irmã. – Você viu o Nate?

— O Nathaniel? – Camilla franziu o cenho. – Mari, ele foi embora ‘pra casa agora a pouco.

— Ah... – rumorejou. – Sabe por quê?

— Bom, ele disse ao senhor Turner que não estava se sentindo muito bem, mas cá entre nós, o vi discutindo com o Ty mais cedo. – Camilla explicou.

— Por que ele discutiria com o Tyler? Eles são quase irmãos... – ficou surpresa.

— Irmãos brigam. – a mais velha lembrou, divertida.

Porém, isso não fez Maritza sorrir. Ela estava preocupada demais com Nate para achar graça em qualquer besteira que sua irmã dissesse.

***

Dylan abriu seu armário e se surpreendeu ao não encontrar nada ali dentro. Nenhuma carta nova, e nem as velhas. Elas haviam sumido. Todas, sem exceção. Será que alguém as tinha roubado, ou talvez o “sei-lá-quem” tivesse decidido voltar atrás?

Não gostava de nenhuma das opções. Na primeira, alguém sabia a senha do seu armário e isso poderia fazer com que perdesse mais coisas, e na segunda, era extremamente decepcionante a ideia de não ter mais seu admirador secreto.

Justo agora que começara a gostar verdadeiramente daquilo... E como faria para descobrir a identidade dele, sem as “evidências”? Seria bem mais trabalhoso.

— Dyl... – ouviu a voz de Ty atrás de si e virou-se imediatamente, murmurinhando um “hey”. – Eu só queria me certificar de que está tudo bem entre a gente, sabe...

— Por que não estaria? – olhou-o, confuso. – Fala pelo que houve hoje mais cedo? – Tyler assentiu. – Relaxa... Eu entendo.

— Se você diz... – o de olhos claros disse, aliviado, mas ao mesmo tempo sem acreditar totalmente. – Bom... É...

— Vamos ‘pra quadra? – Dyl o interrompeu, percebendo que ele queria continuar a conversar, mas não tinha assunto. – Deve estar quase na hora do treino.

— Tem razão. – Ty sorriu para ele, que conteve um suspiro. Em tão pouco tempo já havia aprendido a amar aquele sorriso. – Vamos lá.

Dylan então passou os braços pelos ombros de Tyler. O mesmo corou, mas não se opôs. Foram então caminhando até a quadra, abraçados e sorrindo enquanto conversavam sobre as coisas mais banais possíveis, apenas porque queriam ouvir a voz um do outro.

***

Elliot observava a interação entre Dylan e Tyler, incomodado. Vários questionamentos se passavam em sua cabeça, e não gostava de nenhum deles. Se o amigo já lhe tinha escondido a história do admirador secreto, poderia ele esconder também um relacionamento? Não duvidava de mais nada.

Sentia nojo ao ver Dyl com aquele babaca. Não, não o conhecia direito e nem precisava. O simples fato de seu Dylan – que nunca fora seu de verdade – estar ali, agarrado com ele, já lhe dava uma vontade indescritível de socar o rosto do rapaz, com toda a sua força.

— Tudo bem, Elliot? – Maritza indagou, surgindo do nada.

— Honestamente? Não muito. – falou, em seguida bufando, em descontentação. – E pela sua cara, imagino que com você também não.

— Estou preocupada com o Nate. – ela confessou, quase que em um sussurro. – E confusa. Porque eu gosto dele, mas... Eu amo o Dylan, sabe?

Olhando nos olhos da garota, Elliot sentiu pena. Se ela soubesse que Dylan gostava de garotos, provavelmente não estaria na mesma situação que ele – que estava justamente por saber a verdade.

Às vezes, gostaria que os papéis fossem inversos. Seria muito melhor para ambos.

— Mari... Você sabe que o Dyl não te vê dessa forma, ‘né? – inquiriu curioso, porém ao mesmo tempo tentando não ser indelicado.

— Eu sei. – ela deu um sorriso, fraco. – Mas eu sempre fico pensando... Quem sabe um dia isso mude e se eu estiver com outra pessoa, terei perdido a minha oportunidade.

— Não dá ‘pra passar a vida toda esperando por uma pessoa. – disse mais para si mesmo do que para a amiga.

Ela suspirou.

— Eu sei, eu sei...

Ficaram alguns segundos em silêncio, até que a garota decidiu perguntar:

— É dele que você gosta, não é?

— C-Como v-você...? – gaguejou, sendo pego de surpresa.

— Eu presto atenção nos detalhes. – ela afirmou, não parecendo brava ou chateada com a “revelação”. – Acho que nós dois nos demos mal nessa, ‘né?

— Pois é. – ele não teve outra opção, senão concordar. Então, abraçou-a carinhosamente. De um jeito ou de outro, sabendo ou não da sexualidade de Dyl, ambos estavam igualmente ferrados.





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