Admirador secreto? escrita por Isa


Capítulo 12
Proposta negada.




Eles não cumpriram o acordo. Ao menos, não no começo. O beijo no vestiário masculino se repetiu, diversas vezes e continuaria a acontecer, se Dylan não tivesse surtado dois dias atrás e dito que se recusava a continuar traindo seu namorado. Agora, agiam como amigos de fato, embora aquela habitual tensão continuasse a pairar sobre eles.

O de pele morena não estava 100% satisfeito com sua decisão, porém, sentia-se bem menos culpado. Às vezes, pensava em terminar com Elliot e arriscar algo com Tyler, contudo, em seu interior tinha noção de que jamais funcionaria se o outro não estivesse disposto a deixar Lydia também.

Além do mais, lhe soava meio injusto isso. Estava namorando seu melhor amigo que, aliás, era seu admirador secreto. Por que não se esforçar verdadeiramente para se permitir ser, mais uma vez, conquistado por ele? Elliot merecia uma chance, depois de tudo.

— Amor? – o amigo— droga! Precisava parar de vê-lo assim – o chamou. – Está tudo bem?

Sorriu. Elliot o amava e se importava, de verdade. Isso significava bastante. Era o melhor que teria, sem Tyler. Talvez, estivesse sendo muito imaturo em sonhar com aquela historinha que viviam contando, sobre amor verdadeiro, almas gêmeas e essas bobagens...

— Estou sim, amor. – deu uma atenção especial à última palavra, querendo agradar o rapaz, o que deu perfeitamente certo. – Melhor impossível! – acrescentou, mentindo, de novo. Odiava mentir, mas nessas situações se fazia necessário.

Elliot o abraçou, dando-lhe um selinho logo em seguida. Dylan se esforçou para parecer igualmente feliz, por mais que no fundo desejasse que fosse Tyler ali, fazendo aquilo.

*** 

Uma confusão... Essa era, provavelmente, a expressão mais curta e simples capaz de explicar o estado em que a mente de Lydia se encontrava. Não entendia o porquê daquilo estar acontecendo com ela, mas estava. E era uma tortura! Claro que o “grande problema”, não tinha nada a ver com ser uma outra garota que a atraía pois, embora não se considerasse lésbica ou bissexual – mais por medo do que qualquer outra coisa – já havia sentido aquilo antes, por diversas desconhecidas em festas e, inclusive, chegado a beijá-las, o que a incomodava era que agora se tratava de Allison, sua melhor amiga, fruto proibido.

Isso sem falar em Tyler! Não deveria pensar em outro alguém daquela forma quando se encontrava em um relacionamento que, finalmente, parecia estar voltando a funcionar. Precisava focar em fazer dar certo e impedir que as coisas ficassem difíceis novamente. A última coisa que desejava era ver Camilla Hidalgo se aproveitando da situação para tentar tirá-lo dela. Até aceitava a ideia de ser traída, afinal, sabia por experiência própria o quão fácil era acabar desejando outra pessoa, por mais que ame aquela com quem se está comprometido – não que pudesse dizer com certeza que o que andava sentindo por Alli era apenas atração física, mas preferia acreditar que sim –, contudo, o mínimo que esperava era que fosse com alguém digna. A irmã de Maritza não era, nem de longe, tão absurdamente linda quanto ela! Seria ofensivo ver Ty trocando-a por aquela... Coisa.

— Ei! – ouviu a voz dele chamá-la. E pelo tom impaciente, não era a primeira vez. – Terra chamando Lydia! – ia respondê-lo, mas avistou Allison do outro lado do corredor, sorrindo para ela. Diferente de todas as outras vezes, uma sensação estranha a consumiu, acompanhada de um embrulho no estômago e do aceleramento de seus batimentos cardíacos. Droga, aquela maldita atração estava começando a se tornar algo mais! – Caramba, Lyds! O que há com você hoje?

Virou-se para olhá-lo e ele parecia frustrado. “Claro que está.” Pensou. Quem não ficaria assim com sua namorada agindo tão estranho? Precisava voltar a agir normal e esquecer aquilo que estava começando a sentir por Alli. Não aconteceria nada entre elas. Nem mesmo se a loira a quisesse tanto quanto ela a queria... Era comprometida com um dos mais gatos daquela escola! Deixá-lo ir assim por conta de algo momentâneo seria, no mínimo, burrice.

— Desculpa Ty. – disse, abrindo seu melhor e mais natural sorriso. – Eu só estava pensando em algumas coisas.

— Por exemplo...? – ele arqueou uma sobrancelha, desconfiado. A verdade era que, desde que a traíra – algumas muitas vezes – com Dylan, tinha medo de que ela fizesse o mesmo e acabava se tornando um pouco mais ciumento do que o normal.

— De onde veio isso? – a garota estranhou.

— Isso o quê? – Ty franziu o cenho, fingindo inocência.

— Esse tom... Enciumado. – respondeu-o, com os olhos semicerrados. – Você nunca agiu assim antes. Achei que eu fosse a ciumenta da relação. – brincou.

Um longo suspiro escapou por entre os lábios do rapaz.

— Sinto muito, Lyds. – a abraçou pela cintura. – É que... Depois de todo aquele distanciamento e das brigas, achei que nunca voltaríamos a ficar bem. E eu não quero te perder. – foi sincero. Realmente não queria aquilo.

— Você não vai me perder. – ela prometeu.

— Espero que não. – afirmou ele, por fim, aproximando-se para beijá-la e o que deveria ser um selinho rápido, se tornou um beijo, teoricamente, apaixonado.

Não era a mesma coisa, ele sabia. Algo havia mudado dentro dele e, sem que ele sequer imaginasse, dentro de sua namorada também. Beijá-la havia deixado de ser aquela coisa maravilhosa de antes... Continuava sendo muito bom, afinal, tinham aquela “química” se tratando daquilo. Contudo, o amor não estava mais lá. Não como antes. Era Dylan quem ele queria estar beijando, não ela. Era Dylan que o fazia sentir tudo e mais um pouco quando se beijavam ou, por mais patético que pudesse soar, até quando seus olhares se encontravam no corredor.

E a culpa o consumia, de todas as maneiras imagináveis. Se culpava por ser um babaca que traía a namorada, se culpava por desejar outro enquanto a beijava e, acima de tudo, se culpava por não ser corajoso o bastante para estar ao lado de quem realmente amava.

***

 Maritza e Nathaniel andavam abraçados pelos corredores do colégio, vez ou outra trocando selinhos e sorrisos apaixonados. Estavam tão felizes! A garota sentia-se tão sortuda por ele a ter esperado tanto tempo...

— Nate... – chamou, com tom de voz doce.

— Sim? – ele olhou para ela, com um enorme sorriso que, ultimamente, quase nunca deixava seu rosto.

Ela mordeu o lábio inferior. Não sabia ao certo como dizer aquilo. Ou mesmo se seria um bom momento, mas queria que ele soubesse.

— Eu acho que te amo. – “soltou”, assim, pegando-o desprevenido. – Você sabe, amo mesmo. Da maneira que eu costumava me sentir sobre o Dyl...

— Eu também te amo. – ele disse o óbvio. – Não que você já não soubesse. – ambos riram. Ela então ficou na ponta dos pés para plantar um beijo nos lábios dele, porém, avistou sua irmã observando Lydia com um olhar maldoso e se afastou, para ter certeza de que ela não faria nenhuma besteira.

— ‘Tá tudo bem? – Nate estranhou o fato dela não tê-lo beijado.

— Mais ou menos. Minha irmã me ouviu conversar com o Elliot sobre o que houve entre o Tyler e o Dyl. – revelou, recebendo um resmungou incompreensível em resposta. Imaginou que pudesse ser algum palavrão. – Eu juro que não fui eu quem contei! Ela realmente nos ouviu convers...

— Eu sei. – ele a interrompeu. – Relaxa. É só que... Se ela espalhar isso, não vai ser nada bom ‘pro Ty.

“Talvez seja até melhor que ela espalhe.” Ela pensou, por sorte controlando sua vontade de contar a Nate o quão sujo Elliot fora para conseguir ficar com Dylan. Falando sério, ainda era seu melhor amigo, mas sentia nojo de sua atitude. Porém, não era Camilla para sair espalhando informações por aí.

***

— Boa aula. – Elliot desejou, com um sorriso bobo no rosto, colando os lábios nos do namorado por um breve instante.

Dylan sorriu-lhe carinhoso e seu peito encheu-se de felicidade. Estava conseguindo! Seu grande amor estava se apaixonando por ele... Ao menos, era o que pensava.  

— ‘Pra você também. – Dyl deu-lhe outro selinho, querendo mais do que tudo deixá-lo feliz, de forma que não percebesse que ele mesmo não estava. – Te vejo no refeitório em uma hora.

— Okay. – se abraçaram e, em seguida, Dylan entrou na sala.

Com uma expressão de absoluta empolgação, ia seguindo até o laboratório de Química, mas sentiu alguém o puxar.

— Garoto gay da China! – a voz nojenta de Camilla exclamou, fazendo-o se virar com uma força absurda para uma garota tão “fresca”, que sequer carregava seus livros sem implorar pela ajuda de Tyler.

— Primeiro, meus pais são japoneses. – a corrigiu.  

— É tudo a mesma coisa. – ela revirou os olhos.

— E segundo... – continuou, ignorando o racismo e ignorância da irmã de sua melhor amiga. – Nós dois sabemos que você sabe meu nome, fofa.

— Se eu fosse você, amorzinho, não ficaria com essa pose toda com alguém que sabe de tudo.— piscou-lhe. – Inclusive de como conseguiu conquistar o seu príncipe encantado.

Naquele momento, o queixo dele foi ao chão.

— Quem te contou?! – bradou. – Escuta aqui, sua vadia, trate de ficar com o bico fechado, está bem? – agarrou ambos os braços da garota, puxando-a para um local mais vazio. – Você não faz ideia do que o Dylan significa ‘pra mim, eu estava sem esperanças e precisava de um método para...

— Oh, por favor, me poupe da sua patética tentativa de justificar sua péssima índole. – Camilla o interrompeu, rolando os olhos. – Até porque, não é como se eu estivesse te julgando ou planejasse ficar no seu caminho. Tudo que eu quero é fazer uma troca. Uma união. Você me ajuda a tirar o Tyler da Lydia e eu fico caladinha sobre o seu segredinho sujo.

Ao contrário do que ela esperava, a reação do garoto não foi a esperada:

— Você é idiota? Por favor, Camilla. Acha que eu sou burro? Da Lydia o Tyler gosta. Com ela, ainda mais agora que se acertaram, é muito mais provável que ele fique longe do meu Dyl. Já com você, ele não vai aguentar uma semana sem vir atrás do meu namorado. Além do mais, dessa vez você não tem nenhuma prova do que eu fiz. Ninguém vai acreditar. Nem mesmo o Dylan. Porque eu tenho todas as cartas comigo. Literalmente.

E saiu andando, deixando-a para atrás com completa indignação em seu rosto.





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