AMORES VIRTUAIS escrita por Projeto Literário ColetâneaS, Georgeane Braga, Nicoly Simarque, Hanna Martins, Piper Palace, Sr Devaneio, itsmemare, arizonas, Danna Collins, Amauri Filho, Sabrina Azzar, Leeh, Natasha Alves


Capítulo 6
Conto 6 - Meu Querido Amante Secreto


Notas iniciais do capítulo

Olá, pessoal.
Bem, eu não estava, de fato, preparada mentalmente para participar do projeto, mas quando me dei por mim já estava participando e com o conto meio pronto. Peço desculpas por minha incapacidade de resumir e organizar de modo realmente agradável todas as minhas ideias e muitas coisas acabaram sendo cortadas ou ficaram insatisfatórias no texto.

Quero agradecer a Georgeane pela oportunidade de participar do projeto e também a Nicoly por ter me contado sobre ele. Também quero agradecer a Leeh pela betagem realizada na fanfic.

Sem mais delongas, ai está o conto para os senhores.

Sinopse do Conto: Alisson é uma garota de 17 anos totalmente dedicada nos estudos. Num dia em que tudo parece estar dando errado, ela se depara com uma mensagem escrita em seu caderno: “Olá”. A partir daí encontra várias outras mensagens com a mesma caligrafia espalhadas em diferentes lugares. Acaba descobrindo que seu admirador secreto é Jeremy, um cara mais velho que ela não conhece, mas que se encantou por ela desde que a viu de longe um dia.

Trilha Sonora do Conto: Life is like a boat (Rie Fu)




 

 

O belo céu azul, o vento fresco que entrava pela janela e o cheiro floral e agradável da sala de artes não estavam ajudando em nada a amenizar o dia de hoje e ele havia começado havia pouco tempo. Em uma mesma manhã, meus pais haviam brigado feio – problemas de casal, nada que me afetasse muito -,  de dormir de forma conveniente, como se isso tudo não fosse suficiente, ainda havíamos tido uma prova surpresa de química e meia hora depois eu havia me desentendido com a única amiga que eu ainda tinha ali, por um motivo besta. Na hora do almoço, havia comido ainda alguma coisa que me fizera mal e eu havia acabado indo parar na enfermaria, porém estava em condições de regressar a aula após tomar um remédio e foi o que fiz. Todas as coisas que pareciam poder dar errado, estavam dando e de uma maneira que conseguia surpreender quase qualquer pessoa. Pela primeira vez em anos, mesmo a escola estava parecendo um inferno para mim. Provavelmente era por causa da noite mal dormida – eu sempre reagia mal e via as coisas de maneira catastrófica quando não conseguia dormir bem. Estava esperando que os últimos minutos da aula transcorressem rápido para que eu pudesse ir pegar alguns livros na biblioteca e ir para casa para estudar e descansar um pouco.

 O relógio movia-se devagar e minhas mãos estavam inquietas sobre a mesa, com as unhas fazendo um som baixo quando atingiam a mesa. Minha companheira de lugar parecia tão ansiosa quanto eu para sair da sala e não podia julgá-la. A senhora Mason dava o último tempo de quinta-feira, após termos aulas de química e biologia. A mente maioria dos alunos já estava saturada de informações e dados, com nossa atenção desviando-se fácil para qualquer coisa que não fosse ela nos contando detalhes da vida de pintores e compositores que esquecíamos os nomes alguns instantes após ouvirmos. Quando o santo som da sirene tocou, a maioria da turma levantou-se com a mulher ainda falando. Sentei-me de lado na cadeira, pegando mochila no chão e jogando a alça dela no ombro destro, pegando o caderno sobre a mesa com a mão canhota desajeitada e me erguendo estabanada para sair. O corretor estava cheio como todo corredor fica quando o final das aulas finalmente chega. Talvez por esse problema não tenha me irritado – muito – quando esbarraram em mim, fazendo-me quase cair no chão e derrubar o caderno, espalhando algumas folhas no chão. A pessoa nem ao menos teve a dignidade de parar para me ajudar ou se desculpar, o que me irritou um pouco. Porém não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso.

Abaixei-me no chão e comecei a pegar as folhas no chão, reunindo-as e abri o caderno em uma página qualquer, mais próxima do final, para guardar os papeis e o que vi na página fez-me parar de súbito. Meu corpo parecia ter travado na hora, com todos os músculos recusando-se a mover-se, e fixei os olhos no “olá” escrito em meu caderno. Era uma bela caligrafia, devo admitir, porém não era capaz de imaginar como aquilo havia ido parar ali. Demorei a me lembrar onde estava e fechei o caderno rápido após soltar as folhas ali dentro e peguei o caderno rápido, me erguendo e saindo quase correndo dali. Meu coração batia forte e não parava de olhar ao redor no caminho direto para casa. Os livros da biblioteca poderiam aguardar um pouco enquanto eu tentava computar aquilo.

Quem poderia ter pegado meu caderno e escrito algo? Ou pior, como alguém conseguiu pegar sem eu ver? Deveria ser uma brincadeira de mal gosto de alguém e logo eu iria ser a piada da escola por ter surtado com uma brincadeira. Pelo menos, era o que eu esperava que fosse... Mas uma parte de mim tinha a total certeza que minhas expectativas dificilmente seriam atendidas e provavelmente eu estava com um problema maior do que aquilo. Simplesmente não conhecia ninguém que tinha aquela letra e tinha dificuldades em lembrar-me de ocasiões em que não estava com o caderno em mãos ou próxima dele o suficiente para saber quando alguém o pegasse para escrever algo. Esse tema conseguiu, inclusive, encurtar o caminho de casa de um jeito que uma caminhada de normalmente quinze minutos pareceu ter sido feita em, no máximo, cinco e as indagações não paravam de chegar até mim. A única coisa que eu sabia era que não podia falar nada sobre aquilo com ninguém até ter certeza do que estava acontecendo. Já bastava ser a nerd da escola para ainda ser taxado como maluca ou neurótica pelos demais alunos.

Ao entrar em casa, ouvi minha mãe trabalhando na cozinha e meu irmão assistindo Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca pela enésima vez – simplesmente era apaixonado pela saga e já havia lido boa parte dos quadrinhos, assistido todos os filmes várias vezes e também já havia assistido à animação que fizeram algumas vezes. Esse era, infelizmente, um vício que nós dois compartilhávamos.

— Tarde, Leon. Está melhor? – Perguntei, parando a porta da sala e olhando uma das várias cenas de luta do filme, com um sorriso em face.

— Um pouco, Ali, obrigada. Escuta... Mamãe falou que ai me dar dinheiro depois para comprar as edições de luxo das HQs que você me mostrou, mas meu computador está com problemas. Posso usar o seu para pedir?

— Com uma condição... Você vai me emprestar para ler quando o período de divinização delas na embalagem passar e você decidir ler elas. É o que a Força gostaria que fizesse e você sabe... – Meu irmão virou-se um pouco no sofá, após ter pausado o filme e falamos em coro, com um sorriso de quem compartilha alguma coisa de imenso mistério e curiosidade, que preferiam não dividir com mais ninguém.

— A vontade da força é tudo o que importa e tudo o que há.

Dei uma risada e acenei para ele, começando a subir para o quarto e gritando para minha mãe que havia chegado bem e que estaria no meu quarto se precisasse. Meu quarto era cheio de prateleiras com livros e até sobre a cômoda e a escrivaninha havia livros, além de alguns sobre cadeiras, no armário e onde mais eu conseguia encontrar espaço. A cada 10 livros, 2 apenas eram de ficção, com todos os demais tratando de assuntos diversos, como filosofia, biologia e história. Joguei a mochila sobre a cama e me sentei na cadeira que ficava com a escrivaninha, pousando o caderno sobre ela e pensando. Talvez eu conseguisse mais informações na internet, caso procurasse. Sim, essa era uma possibilidade. Liguei o notebook e abri o Google, percebendo que eu não sabia pelo que procurar. Apoiando as mãos na mesa, segurei minha cabeça e suspirei. Não adiantava surtar por aquilo... Precisava apenas deixar aquilo de lado e seguir em frente.

Meu celular tocou naquele momento e eu parei para olhar quem me ligava. Era Sammantha, que ou decidira pedir desculpas ou queria discutir mais um pouco. Bem, eu apostava na primeira opção. Com um fraco sorriso, peguei o celular e atendi-o. Se fossemos para brigar novamente, pelo menos desta vez iriamos resolver tudo o que precisava ser resolvido e depois decidiríamos se valia ou não a pena continuar a se falar.

— Sammantha. Tarde. – Cumprimentei. Raramente a chamava pelo nome quando estávamos bem e nós duas sabíamos disso.

— Allison, desculpe-me. Está podendo falar?

— Hmm... Estou. A opção morrer de tédio não é muito atraente. Pode falar.

— Eu fui uma idiota e sinto muito por ter dito todas aquelas coisas terríveis... Você não merecia ouvir aquelas coisas quando foi a única que tentara me alertar sobre o quanto Simon era imbecil... Acho que apenas não queria dar o braço a torcer.

— Fico feliz que tenha notado o erro a tempo. Está tudo bem, sabia que logo iria notar o que estava fazendo. Hmm... Como você está? – Alguma coisa na voz dela soava como se houvesse ocorrido algo desagradável e sabia que ela queria conversar sobre aquilo. Provavelmente esse era o motivo dela ter decidido fazer as bases tão rápido. Agora iria ouvir um longo monologo sobre o que havia ocorrido durante o tempo em que não estávamos nos falando.

[...]

Três dias haviam se passado desde que havia encontrado a mensagem em meu caderno e eu tinha esquecido quase completamente daquilo. Já havia feito as bases com Samantha e agora terminávamos um trabalho extenso sobre o oriente médio, onde eu ficava com a parte de pesquisa e resumo e ela de ilustrações e passar a limpo – minha letra era uma coisa detestável. Escrevi a última frase e soltei um suspiro, satisfeita por ter terminado. Seria um trabalho com algo por volta de oito paginas. A garota ergueu os olhos para mim e dei de mão, indicando que não era importante e olhei as horas no celular.

— Caramba! Estamos aqui a mais de duas horas... Sammy, eu tenho que ir.

Recolhi minhas coisas e sai do lugar, após me despedir dela adequadamente, e havia acabado de sair da escola quando vi, ao pé de uma lixeira, um papel dobrado e fui pega-lo para jogar fora quando algo escrito dentro me chamou a atenção. Abri a folha e reconheci a caligrafia quase imediatamente.

“Você não parece ser muito dada a fazer amizades... Mas eu adoraria ser seu amigo, se você quisesse.”

A rua estava razoavelmente movimentada, então era impossível tentar adivinhar quem deixara aquilo ali, mas eu sabia que era para mim. Agindo com cuidado, dobrei o papel e guardei na mochila, olhando ao redor com calma e acenando com a cabeça fazendo que sim. Se estivesse por perto, talvez visse e viesse a se revelar no futuro. Ou não...

[...]

Nos dias que se seguiram, eu começava a encontrar bilhetes em lugares estranhos. Arbustos, mesas, lixeiras, banheiro... Eu estava começando a ficar paranoica, sempre procurando os bilhetes e fora obrigada a contar a Sammy o que estava acontecendo, uma vez que meu comportamento havia chamado a atenção dela. Ambas estávamos curiosas para saber quem estava mandando aqueles bilhetes e estávamos ativamente procurando descobrir, mas sem chamar em demasia atenção, o que era potencialmente difícil considerando que acabávamos olhando em lugares bem esquisitos ou incomuns. Havia dias em que não havia nada, em lugar nenhum, mas haviam dias que eu encontrava outros dois ou três bilhetes. Em certos bilhetes, haviam também algumas letras ou números diferentes dos demais. Fomos aos poucos juntando as pistas que me eram dadas, tentando achar algum sentido nelas e, após mais de um mês, havíamos conseguido um nome: Jeremy.

Em uma das mensagens dele, havia um aviso oculto para tomar cuidado com a garota, algo que ela parecia não ter notado. Talvez nós dois tivéssemos uma ligação tão intensa que fosse difícil deixar de perceber algumas coisas – ou simplesmente pensávamos de uma maneira muito parecida e aquilo facilitava a perceber alguns recados que ficavam nas entrelinhas. Eu havia, finalmente, encontrado uma pessoa – mesmo que totalmente desconhecida – que conseguia me entender e conversar comigo em um nível de compreensão que jamais havia encontrado. Assim como ele, eu passara a deixar recados e bilhetes em lugares diferentes para ele, as vezes com uma flor ou algum outro tipo de presente. Normalmente usávamos frases e citações de filósofos ou mesmo de filmes e livros aleatórios que ocasionalmente sugeríamos um para o outro.

Estávamos convivendo assim há quase seis meses quando finalmente eu havia criado confiança nele para podermos nos encontrar e, mesmo assim, havíamos acordado em fazê-lo em um lugar publico, onde eu ficaria com uma segurança maior do que sozinhos em um lugar que poderia acontecer qualquer coisa e ninguém saberia por um longo tempo ou talvez até mesmo nunca, como acontecia em tantos casos. Bem, havíamos decidido nos encontrar em uma sorveteria que havia próxima a escola e eu havia ido para lá direto após a escola. Trajava uma blusa azul celeste e uma calça jeans negra com all star de cano alto negro e estava com os cabelos castanhos e cacheados presos em um rabo de cavalo, com duas mechas soltas emoldurando o rosto. Não usava maquiagem ou outros acessórios, além de um par de pequenos brincos de pedrinhas transparentes. Havíamos combinado de nos encontrarmos daqui a meia hora, porém eu havia chegado mais cedo do que o esperado e estava aguardando-o.

 Enquanto esperava, estava tomando um copo de suco natural de abacaxi com hortelã, para não ficar parecendo que estava ali apenas ocupando lugar e também para ter alguma coisa para me acalmar. Meus olhos voltava-se para porta cada vez que uma pessoa entrava, meu olhar procurava o de cada pessoa e não havia retribuição. Durante longos minutos, e eu era incapaz de determinar quanto tempo havia se passado, ninguém parecia ser meu admirador não mais tão secreto assim. Quando a porta finalmente se abriu e um rapaz com algo por volta dos vinte e cinco anos entrou, meu coração parou. Nossos olhares se encontraram e um sorriso formou-se nos lábios dele antes que ele se encaminhasse até mim e se sentasse de frente.

Ele era ruivo, com os olhos verdes, pele clara e algumas sardas em sua face. Seu corpo era ligeiramente definido, como se praticasse algum esporte, e seu sorriso era encantador. Jeremy estendeu a mão por cima da mesa e eu a peguei, com a mão tremula. O aperto gentil dele teve um efeito tranquilizador em mim.

— Esperei bastante por este dia, Aly. – Falou em um tom baixo, como quem segredava um segredo perigoso que ninguém além de nós.

— Eu também.





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