AMORES VIRTUAIS escrita por Projeto Literário ColetâneaS, Georgeane Braga, Nicoly Simarque, Hanna Martins, Piper Palace, Sr Devaneio, itsmemare, arizonas, Danna Collins, Amauri Filho, Sabrina Azzar, Leeh, Natasha Alves


Capítulo 10
Conto 10 - Lady Saint-Exupéry


Notas iniciais do capítulo

Oi galera! Enfim, chegou minha vez! hehehehe Sou Piper Palace, super novata nesse site. Tenho algumas histórias em outra plataforma e amo criar contos! Estou imensamente feliz em fazer parte desse projeto tão incrível que é o "Amores Virtuais", ao qual me dediquei de corpo e alma.

Impossível pular os agradecimentos :/

Primeiro, para minha amiga e confidente Georgeane Braga, a idealizadora e mulher de aço dessa bagaça aqui! Sinto-me lisonjeada por teres me convocado (sim, ela não me consultou :) e ser meu anjo bom durante todo meu processo de criação. Você mora pra sempre no meu coração ♥

Segundo, para a beta top de linha (literalmente gente, ela é linda!) Leeh, que foi formidável com seu toque suave e tão essencial nesta história. Seus comentários tiveram um efeito maravilhoso em minha auto estima :)

E um muito obrigada para meus queridos amigos que estão sempre comigo, curtindo e acompanhando cada trabalho!

Agora, bora ler essa história que eu simplesmente amei escrever!

SINOPSE:

Lucy é Lady Saint-Exupéry. Uma garota frustrada e desiludida, que resolve despejar todo seu veneno criando um blog afim de, alertar mulheres inocentes a não cair na lábia de aproveitadores e garanhões da novela das 9. Fred se sente desafiado quando a misteriosa Lady se mostra conhecê-lo perfeitamente; mesmo sem nunca terem se visto.

Classificação: +13

Trilha Sonora: Sail (Awolnation )

Espero que se divirtam!Ótima leitura!




 

 

[[Homens, por favor, leiam!]]

Tão irritante quanto dirigir na hora do rush em plena Copacabana (multiplique por mil em época de Olimpíadas) é ouvir as cantadas cada vez mais sem graça dos bombadões narcisistas na noitada da cidade maravilhosa. Sério! ‘Tá feio, homens. E ‘tá pegando mal.

Emperiquitados de músculos e perfumes "caros", eles insistem em elogios ora vulgares, ora “classificação livre”. E depois de um show de vocabulário inaudito, nos metralham com dicas intermináveis de suplementação, vida saudável e carro do ano. 
Infelizmente o príncipe encantado não existe, e nem nada parecido estará nos barzinhos de Ipanema com as melhores intenções do mundo. Mas uma coisa é certa: se um cara maravilhoso aparecer com um buquê de flores e disser que você é a garota mais encantadora que já vira, corre! Você só pode estar no meio de uma gravação da novela da Globo.

Mas nada de desânimo! Bora curtir sem expectativa! O amor aparece quando menos esperamos!

O texto de hoje é curto, apenas com o intuito de preparar esses gatinhos sem noção para o final de semana que se inicia.

“Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho,

Que hoje eu passei batom vermelho”

Mallu

Fica a dica!

Lady Saint-Exupéry 

 

Lucy fechou o notebook com tanta força e rapidez que passou por milésimos de segundos em sua mente se não o teria quebrado. Ignorando imediatamente tal indagação, se concentrou na bagunça que deixara a mesa da biblioteca e com uma agilidade de dar inveja a uma mãe de trigêmeos, a garota desconectou o fio do computador e guardou todos os seus pertences como se alguém estivesse fazendo uma contagem regressiva. Com suas duas bolsas no ombro e uma pilha de livros no braço, Lucy passou seu olhar clínico e meticuloso em todo o espaço se certificando de não ter esquecido nada e saiu feito uma bala pelos corredores da faculdade.

Considerando que o prédio onde sua reunião fora marcada com o coordenador de curso tinha pelo menos 500 metros, ela jamais chegaria ao local em 2 minutos. Corrida nunca foi seu forte.

A garota sempre funcionou sob pressão e foi somente assim que sua monografia saiu; aos 45 do 2º tempo. Passara a noite toda revisando as últimas páginas do trabalho que enrolou terminar por quase seis meses. Michelle morreria se soubesse que a irmã quase perdera o prazo da tão sonhada formatura devido às postagens quase diárias em seu mais novo "projeto de perda de tempo" - como adorava apontar. Sua irmã mais velha nunca aceitou o comportamento despojado e irreverente da caçula, que por sua vez, sempre forçou uma parte da rebeldia simplesmente para irritá-la.

— Cada hora para pensar nessa praga! Eu aqui, quase precisando de um balão de oxigênio e a bonita lá, nas praias de Sardenha.

Lucy jamais admitiria, mas a verdade é que morria de inveja de Michelle; modelo por profissão que casara com um deus grego, aliás, italiano, quando morou em Veneza a trabalho. Uma relação complicada e bastante turbulenta onde a morte precoce de seus pais só fez piorar. No entanto, o mais insuportável era engolir a mesada que lhe era depositada impreterivelmente todo dia 1º de cada mês. Isso sim era humilhação, pois Michelle fazia questão de lembrá-la o porquê de seu recebimento.

— Se você não trabalha é porque precisa se dedicar aos estudos, Lucy. Foi por isso que prometi ao papai te bancar até que se forme e venha pra cá. Não esqueça que sua parte da herança só será liberada depois do diploma na minha mão e não posso aceitar que um curso de engenharia dure mais de cinco anos.

E o prazo estava se esgotando. Não que Lucy tivesse intenção de ir para a Itália, aliás, estava desesperada atrás de um estágio. Com o dinheiro da herança, conseguiria viver muito bem até que sua situação financeira se estabilizasse depois que a mesada fosse cortada definitivamente. E sua última chance com o orientador de sua monografia estava a poucos passos de distância. Sem chance para erros. Mas o seu maior problema era aquela maldita musiquinha que tocava no celular indicando um novo comentário em seu blog. Isso estava se tornando um vício e Lucy odiava o modo obsessivo que administrava seu projeto. Começava a perder o controle.

— Preciso desativar essa merda. Urgente — tolamente prometia a si mesma.

Lembrando-se de quando teve a ideia de criar o blog, a garota riu sozinha, sem acreditar na proporção que isso tomaria diante de uma universidade tão grande como a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Durante uma noitada regada a bebida de má qualidade e companhias masculinas piores ainda, a inspiração veio como um tsunami. Ao compartilhar sua brilhante ideia com Gracy, sua amiga e confidente, as duas trataram de desenvolver o blog em menos de dois dias. Claro que nem tudo o que pensaram foi considerado, uma vez que Gracy tem um mau gosto ímpar.

— Eu gosto da brincadeira do "Y" do final dos nossos nomes. O blog pode chamar: Dicas de Gracy e Lucy. Que tal? — pergunta Gracy, tirando um de seus cachos dos olhos e encarando a amiga com expectativa.

— Mas que mau gosto da porra! ‘Tá louca, né, filha? Vou falar mal dos caras e ainda assinar embaixo?

Por fim, a parte educativa do projeto ficou por conta de Lucy, que tratou de priorizar em suas postagens, críticas, algumas vezes severas, do comportamento cada vez mais esculachado dos homens em relação às mulheres. Sim, Lucy era uma feminista frustrada por não ter nascido nos anos 20.

— Merda! Agora estou toda suada. Que horror!

Ainda correndo, a blogueira se enfiou no banheiro, deixou os livros e bolsas em uma bancada atrás da grande pia e quase tomou banho ali mesmo. Seu olhar estava cansado. Leves olheiras abaixo dos olhos esverdeados revelavam muitas noites mal dormidas e seus cabelos escuros estavam puro óleo, revelando... uma falta de shampoo mesmo. Por isso, tratou de fazer um coque alto, ajeitou sua característica franja e alguma maquiagem para disfarçar seu aspecto de "zumbi da engenharia". A blusa também foi trocada, graças a Deus. Tudo não durou mais que três minutos.

Com uma falsa confiança, Lucy adentrou a sala que estava agendada para a reunião. Enquanto o professor terminava uma conversa com alguns alunos, ela torcia para que seu atraso de quinze minutos não fosse notado.

Seu encontro fluía melhor do que havia imaginado... se não fosse por aquela musiquinha insuportavelmente tentadora que tocou duas vezes seguidas.

"Dois comentários! Ai, meu Deus, será que o idiota Mor já está se manifestando?", pensou.

— Então, o que acha da vaga? — perguntou o professor.

"Hã? Vaga? Que vaga, meu Deus?"

Por pouco, Lucy não tinha acabado com sua carreira mesmo antes de começá-la. Dr. Sales estava falando sobre uma excelente oportunidade de estágio e Lucy divagando em seu universo paralelo. Ela tentou disfarçar sua distração inventando uma enxaqueca sobre-humana. Ninguém jamais a contrariava nesse caso. Drama era seu sobrenome e era boa nisso. Por fim, conseguiu deixar uma entrevista marcada.

Mal tinha saído da sala e já estava desbloqueando o celular toda desmazelada de tanta tralha em seus braços. Assim que visualizou a notificação, sentiu o sangue ferver.

"2 novos Comentários de Fred Maravilha"

— Ah, seu idiota. Vamos ver qual é a gracinha dessa vez.

Quando Lucy começou a postar seus textos cheios de veneno, Gracy dispôs de todo o seu conhecimento como Especialista em Tecnologia da Informação e, além de fazer toda a parte de webdesigner, ainda providenciou uma puta divulgação do projeto por toda a Universidade. A princípio, Lucy seria apenas Senhorita Exupéry, fazendo menção ao autor de seu livro preferido. Contudo, Gracy “chorou as pitanga” para que colocasse Lady no início do nome, reforçando a ideia de que "Quem manda nessa porra sou eu", sabe? E também por causa do duplo "Y", tenho certeza. Enfim, há quatro meses só se fala na misteriosa e arrogante Lady Saint-Exupéry.

Fred Maravilha: "Primeiramente, preciso ser sincero, my lady. Esse é o pior texto que vc já escreveu. Não que os outros tenham sido bons, mas... enfim, minhas suspeitas de que vc seja uma aluna de exatas se confirmam a cada postagem, visto que claramente não entendes nada das relações humanas."

Fred Maravilha: "Ah, já estava esquecendo. As cantadas sem graças são de acordo com a companhia. E as dicas sobre vida saudável são de acordo com a necessidade da companhia. E no seu caso, com toda a certeza seria uma gravação de novela. Fica a dica"!

"Arghhhhhh! Que ódio! Ele me chamou de gorda? E feia? Como assim? Se eu pudesse arrancaria todos os seus dedos com um alicate”, pensou a garota.

Desde a primeira postagem de Lucy, Fred Maravilha é o maior comentarista do blog. Rebate todas as ofensas e acusações proferidas pela garota e mostra um veneno ainda maior que o seu. Fred exalava machismo e Lucy o xingava, e a todos os seus ancestrais, por horas a fio depois de ler seus comentários, no entanto, não estava mais resolvendo. Pensava seriamente em fazer um vodu do rapaz.

— Que foi, garota? Você está mais vermelha que um tomate! — Gracy encontra a amiga a caminho da escadaria rumo à saída da faculdade.

— Eu preciso saber quem é o filho da puta daquele Fred. Ele é ridículo!

— Ai, meu Deus! Você já postou o texto de hoje?

— Mas deixa ele, dessa vez vou fazê-lo se arrepender de ter acordado hoje! — disse sem prestar a menor atenção na pergunta.

— Adoro as brigas de vocês!

Lucy lança seu olhar de ódio eterno, mas Gracy não liga para o mau humor da amiga. As discussões de Lady Saint-Exupéry versus Fred Maravilha já viralizaram pela internet. Ela não sabia nada sobre o rapaz a não ser que seu nome, muito provavelmente, fosse Frederico. De acordo com os dados apurados por Gracy, haviam mais de 100 matrículas com esse nome. Impossível descobrir, até mesmo porque, Fred poderia ser apenas um apelido usado no blog.

Lucy praticamente jogou seus livros nos braços da amiga e começou a digitar freneticamente com as duas mãos no celular.

— Senta aqui, sua louca. ‘Tá parecendo que tá possuída aí com essa cara. Daqui a pouco vai começar a vomitar verde.

Mais um olhar raivoso foi lançado em direção à Gracy, que revirou os olhos e suspirou.

Sentou-se no banco da pracinha e se concentrou na resposta que daria, porém antes de terminar seu texto, o sinal da internet foi interrompido e ela não conseguiu atualizar mais nada. Enfurecida em deixar o garoto pensar que havia arregado, Lucy recolheu seus pertences esbravejando contra Deus e o mundo e despediu-se de Gracy, que não parava de rir de seu comportamento infantil.

Em seu carro, ela imaginava como seria o garoto que descontrolava seus nervos. Alto, magro, gordo, barbudo, fedido, bom de cama... Havia um magnetismo entre eles que Lucy não admitiria nem para si mesma. Um simples "Bom dia" já se transformava numa discussão sem sentido. Um precisava da recusa do outro, da crítica, mas principalmente, da atenção. E nada melhor que uma boa ofensa para se ter atenção, sobretudo para os dois, que tinham um histórico de rejeição e coração partido.

Assim que colocou os pés em seu apartamento, a musiquinha notificando novos comentários começou a tocar. Enquanto largava os livros na mesinha de centro da sala e se jogava no sofá junto com suas bolsas, ela via crescer na tela de seu iPhone um número exorbitante de mensagens. Seus olhos se arregalavam com aquele toque que simplesmente não parava. Ela ficou irritada. Não sabia o porquê, mas estava irritada. Colocou o volume no silencioso e foi até a cozinha esquentar uma lasanha no micro-ondas.

— Isso só pode ser coisa daquele desocupado.

Voltando à sala, ou seja, três passos, ela tirou as botas e o casaco já fazendo uma baguncinha básica "À la Lucy". Em menos de cinco minutos, sua sala já estava um caos.

A menina se espalhou no sofá e pegou o celular. Para seu espanto os comentários eram de outros leitores. Mas quase todos botando o fogo na palha seca.

Cachorro Grande: Uhuuuu! Hoje a Jiripoca vai piar!

— Meu Deus... Isso não pode ser universitário.

TayPires: Hoje tem...

O cara: Marca logo um encontro vo6 2 e larga ‘dilssu’! Huahuahua

— Virei chacota do meu próprio projeto de vida. Eu vou aceitar aquele estágio na fábrica de esmaltes e acabar com isso de uma vez.

Gabi Loves: Lady, passo por isso toda quinta, sexta e sábado. A coisa ta tão feia pro nosso lado que enquanto esses babacas conversam com a gente, ficam ajeitando suas roupas e passando a mão no cabelo sem parar de se auto-observarem! E se eu pego o espelho na bolsa, eles pedem emprestado!

— Até que enfim um comentário decente.

Lucy suspira e olha cada um dos quarenta e seis comentários que recebeu na última hora. Nenhum de Fred.

— O infeliz está esperando minha resposta. Aguenta essa, Maravilha.

Lady Saint-Exupéry: Caro Fred Maravilha, seria mais válido, e digno, avaliar o quão desastrosas devem ser suas relações humanas junto a uma equipe de psicólogos e psiquiatras. Seus comentários são tão vazios de empirismo que minha compaixão por sua ignorância cresce a cada semana. Você é do tipo que depois de gozar, pergunta: foi bom pra você? (isso depois de longos dois minutos). Não justifique a incompetência atual dos homens atribuindo-a as garotas que só querem um pouco de atenção, dedicação e sinceridade numa relação. Telefone: 3032-6998 Dr. Eder Soares. Psiquiatra excelente. Fica a dica!

Lucy enviou sua resposta com aquele sorriso do gato da Alice, sabe? Ficou mexendo em nada no celular esperando sua resposta, mas ela não chegou. Geralmente ele respondia em no máximo cinco minutos e então, o bate-boca começava.

O que Lucy não sabia era que o rapaz retrucava seus ataques apenas por uma questão de honra e não de injustiça. Ele era esse tipo mesquinho que Lady tanto descrevia. Muitas vezes se via tanto naquelas palavras que demorava algumas horas para respondê-la. Depois, forçava um desagrado e escrevia aquilo que a irritaria. Sem mágoas, ou ressentimentos, apenas um momento de atenção exclusiva. Ela pensando apenas nele, como ele pensava apenas nela.

Fred sabia quem era Lady Saint-Exupéry. A garota marrenta e nerd da engenharia. A garota mais linda e interessante que já conhecera. Descobriu por um acaso bem engraçado. Coisa de duas semanas atrás. Fred (sim, ele se chama mesmo Frederico) havia postado um comentário sobre um texto bem maldoso de Lady sobre a falta de sensibilidade masculina na hora do sexo, quando imediatamente à sua postagem entrou esse comentário:

Michelle Bragatti: Agora virou terapeuta sexual? Acho que esse tipo de experiência não entra no currículo, Lucy!

“Lucy? Então esse seria seu nome?”, pensou o rapaz.


Fred achou facilmente a dona do comentário no Facebook. Uma linda loira com olhos esverdeados. O acesso aos amigos dela estava bloqueado, mas correndo sua página até o fim, acompanhou diversas fotos de Michelle com Renan Bragatti, seu marido, em dezenas de lugares paradisíacos. Na última foto, achou o que tanto procurava. Uma foto da loira sorrindo com uma garota de cabelos pretos e os mesmos olhos esverdeados. No entanto, a morena que usava uma franja proeminente deixando-a extremamente sensual e uma camiseta escrita "Engenharia Química", não demonstrava nenhuma alegria no olhar. Com o cursor em cima da foto, o nome Lucy McCartney apareceu na mesma hora.

Com o comentário de Michelle excluído em poucos minutos após sua postagem, Fred acreditou seriamente de que a moça de olhar triste fosse a mal-humorada Lady Saint-Exupéry. Em sua página da mesma rede social, não havia quase nenhuma atualização. Mas tudo o que precisava estava numa postagem de dois dias atrás de um tal de Rogério Fidellis, marcando mais de cinquenta pessoas, inclusive Lucy McCartney.

"Aula da saudade no Bar do Gepeto é o que há, minha gente! Sexta a partir das 23h. Lucy recebendo o prêmio “Genius”. É isso ai, gata!"

O Bar do Gepeto não era um bar exatamente e sim, um espaço harmonioso com lounge bar, pista de dança, cafeteria, sala de leitura e relaxamento e restaurante. Era o local mais frequentado pelos universitários. Aberto de segunda a segunda, 24 horas por dia.

Fred queria muito conhecê-la. Acreditava, sinceramente, que ela não fosse tão repugnante quanto demonstrava ser. Aquela garota que tanto tirava seu sono e fazia sua paciência ir para o espaço exercia um poder quase lascivo sobre ele com o qual não estava acostumado a lidar. Optara por ignorar tal interesse sem sentido e o fez acreditar que estava no controle da situação. Mas quando o destino está à espreita dos nossos desejos mais profundos, não há como fugir.

Ficou sabendo, antecipadamente, que só seria permitida a entrada dos formandos em engenharia química. Tentou arriscar assim mesmo e foi até o local do evento. Quando o segurança pediu um comprovante de que era mesmo um estudante do curso, o rapaz fingiu que iria até seu carro pegar o documento. Ao sair da fila, muitas pessoas começavam a se empurrar para não perderem seus lugares, Fred se embananou com o tumulto e recebeu uma cotovelada no estômago, caindo no chão feito uma jaca.

Fred se intitulara sortudo, mas muitos o chamariam de azarado por cair justamente em cima de Lucy. Essa sim é sortuda, pois escolheu sair de casa naquela noite com sua fiel combatente calça jeans e seu All star, caso contrário, se estivesse vestida como a maioria das meninas dali, minissaia e salto 15, todo aquele tamanho do rapaz que despencou em seu colo, teria feito um estrago enorme em seu tornozelo e ainda veriam uma de suas calcinhas da Minnie.

Com a mão no estômago ainda dolorido, Fred perdera vagamente a noção de onde estava. Lucy conseguiu se desvencilhar do rapaz troncudo e absurdamente cheiroso que estava sobre uma de suas pernas.

— Mas isso aqui tá virando feira! Seus... Afff, vô’ nem terminar.

— Peraí, moço. Vem cá, Lucy. Machucou?

— Não, eu ‘tô bem. Mas ele...

Gracy ajudou a amiga a levantar-se enquanto Fred ainda se sentia enjoado com a força que fora atacado.

Lucy se abaixou e ficou muito perto dele. Colocou uma mão em seu ombro e sentiu um forte calor emanar de sua camiseta branca.

— Você está bem? — perguntou a garota com uma estranha ansiedade.

Fred levantou a cabeça e mal acreditou no que viu. Lady Saint-Exupéry estava ali, bem à sua frente. Com aqueles olhos brilhantes pintados de preto e um sorriso tão doce que teve vontade de puxá-la e beijar aqueles lábios vermelhos.

— Ei... ‘tá tudo bem? — perguntou rindo levemente, visto que Fred analisava cada canto de seu rosto, deixando-a extremamente sem graça.

— Eu... Eu ‘tô bem. Não foi nada. Você é?

— Lucy!

A garota virou-se para a voz que gritou seu nome e Fred, que ainda estava no chão, deitou a cabeça levemente a fim de ver o mauricinho topetudo que se encaminhou em direção à menina. Ela levantou-se e o rapaz a abraçou com tanta obsessão beijando o topo de sua cabeça que fez Fred indagar sobre a relação dos dois.

— Rogério, ajuda o rapaz aqui. Algum TROGLODITA empurrou ele! — disse a garota falando alto e olhando para a fila que mal os percebiam.

— Não precisa. Já estou bem. — Fred levantou-se passando as mãos pela calça a fim de limpá-la.

Rogério estava abraçado a Lucy, que trocou olhares quase íntimos com Fred. Pareceu para a garota que já o tinha visto em algum lugar, mas não conseguia se lembrar de onde. O silêncio foi quebrado por uma risada que escapou de Fred e Lucy sorriu com a intensidade daqueles olhos azuis sobre ela.

“Ele também me reconheceu? Esse sorriso...”, pensou Lucy.

Rogério apertou intimamente o braço de Lucy e pigarreou.

— Você não é formando. Está acompanhando alguém? — perguntou Rogério em tom de desconfiança.

— Sim. Quer dizer, não. Não sou formando. Não de engenharia, mas estou esperando uma amiga.

Lucy parou de sorrir um pouco e colocou suas mãos no bolso do moletom, olhando rapidamente para baixo. Sentiu um incomodo descabido que a fez envergonhar-se de si mesma.

— Ah, sei... Uma amiga... — Rogério riu debochado e bateu no braço de Fred em cumplicidade.

— Sério, é só uma amiga mesmo — repetiu o rapaz, passando os olhos de Rogério para Lucy, que incontrolavelmente sorriu com os olhos. Os sentimentos de Lucy estavam meio à flor da pele e ela estava gostando dessa reação insólita.

— Então a gente se vê lá dentro. Melhoras ai, irmão. — Rogério saiu levando Lucy pela cintura. Fred sorriu para a garota que retribuiu calorosamente. Gracy apenas analisou a situação para logo cutucar a amiga. E antes de entrar pela porta, Lucy percebera se esquecer de algo. Virou-se, mas o rapaz não estava mais lá. Então correu até a calçada e o viu andando devagar com as mãos no bolso.

— Ei! — Lucy gritou em sua direção. Fred virou-se e sorriu ao vê-la.

— Qual seu nome? — perguntou a garota tentando ser descolada, mas seu rosto corava.

— F... Felipe. Felipe — repetiu mais para que ele mesmo pudesse acreditar.

— Eu sou Lucy. Prazer, Felipe! — disse sorrindo.

— O prazer é todo meu, Lucy! — respondeu levantando seu boné e mostrando todos os seus dentes perfeitos.

 

Fred sabia que era loucura, mas não tirava aquele fulminante encontro da cabeça. Então, decidiu ser mais gentil em suas respostas no blog, ou até concordar com alguma insanidade que ela viesse a escrever, porém Lucy estava cada vez mais arisca. Toda vez que pensava numa trégua, a garota vinha com seu veneno novamente e o ofendia da primeira a última palavra. De fato, Lucy não estava o ofendendo diretamente, no entanto se sentia atingido e incomodado com tudo que a moça escrevia. Como futuro advogado, o rapaz era bom em rebater e inverter uma situação para lhe favorecer, e era exatamente isso que fazia.

Agora, ele estava pensando no que escrever diante de uma resposta tão abusada.

— Eu que preciso me tratar? Essa garota é completamente louca. Não posso acreditar que aquela garota tão... Tão meiga que conheci seja a mesma megera do blog. Tudo é motivo para ataques, cruz credo! ‘Guenta essa, my lady.

Fred postou seu comentário e não se aguentava de tanto rir. Queria tanto ver a cara dela! Isso havia virado uma brincadeira de gato e rato e dessa vez ele temia ter passado um pouco do limite, mas se Lucy o chamasse no privado, poderiam conversar sem guerra, sem armas, talvez até se entenderem.

Aquele toque fez Lucy saltar num susto do sofá. Estava pegando no sono. Olhou as horas e se surpreendeu ao ver que passava das dez da noite. A tarde fora cansativa e depois de diversos comentários sem tanta graça, ela começou a ler um livro que de tão interessante, dormiu na terceira página.

"1 novo Comentário de Fred Maravilha"

Lucy se assustou quando percebeu que seu coração acelerava e suas mãos tremiam. Num ímpeto de consciência, pensou em como sempre esperava para ler os comentários do rapaz. Muitas vezes, escrevia seus textos já imaginando Fred os lendo, e aguardava sua resposta ansiosamente. Ela sabia o que o irritava e fazia questão de mencionar.

Ao ler seu comentário, toda sua euforia foi substituída por um ódio tão grande que seus olhos marejaram e sentiu seu rosto pegar fogo.

Fred Maravilha: My lady, seu texto está desperdiçado para um belo livro erótico. As mulheres que estão à procura de atenção, dedicação e sinceridade só podem existir no convento da luxúria, onde você provavelmente seria a Madre Mor. As mulheres que conheço estão atrás de dinheiro e status. Mas no seu caso acredito que seja um equívoco idealista. Seu problema é simples, my lady: falta de sexo. Já ouviu falar disso? Deixaria meu telefone para resolver essa questão, mas não tenho muita paciência com mulher carente. Libere o chat para que eu possa te passar o contato de um amigo meu que topa qualquer parada. Fica a Dica!

— Não acredito que ele me chamou de puta! Agora você foi longe demais.

“Vou bloquear esse imbecil agora! Chega!”, pensou.

Lucy começa a pegar seu notebook que estava ao seu lado quando a musiquinha toca. E mais uma vez. E mais uma.

— VOU RESPONDER, SEU BABACA! — gritou enquanto ligava o eletrônico.

A garota estava descontrolada. Suas mãos tremiam e seu coração acelerava a cada movimento. Começou a respirar profundamente enquanto formulava cada palavra a seu mais novo inimigo.

Enquanto o computador demorava abrir a tela inicial, Lucy não aguentou de ansiedade e pegou o celular para ler os novos comentários. Os três primeiros eram de Fred. Curiosa e nervosa com a audácia do rapaz ela tocou no visor de seu celular onde seus comentários apareceram imediatamente.

Fred Maravilha: Peguei pesado, my lady. Libera o chat. Preciso falar com vc.

Fred Maravilha: To esperando. Libera o chat.

Fred Maravilha: Libera o chat.

— LIBERA O CHAT É O CACETE!

Quando Gracy criou o chat, ela tinha a intenção de disponibilizar aos leitores uma ferramenta onde poderiam ter privacidade para perguntas mais íntimas, contudo o que aconteceu foi uma infestação de insultos e convites obscenos. Desde então, tal ferramenta fora desativada.

No minuto em que Lucy consegue usar o notebook e acessa seu blog, surge uma mensagem do chat.

Fred Maravilha: Valeu... só queria me desculpar

— Mas que porra é essa? Como é que essa merda está...

FM: Peguei pesado... mas vc tb heim... dois minutos pra gozar?

Lady Saint-Exupéry: Eu sei... fui generosa

Embora não tivesse a intenção de continuar qualquer conversa, ela jamais perderia uma oportunidade de irritá-lo.

FM:  vendo. É difícil conversar com vc porra!

LS-E: Como vc conseguiu usar o chat?

FM: Usando

FM: Pq vc é sempre tão grossa? O que fizeram contigo pra vc ficar assim?

LS-E: Mas eu não liberei o chat pra...

— GRACY! EU TE MATO!

FM: Será que a gente pode conversar civilizadamente?

LS-E: Não. Você é um grandessíssimo idiota.

FM: ok... Foi mal sobre o convento da luxúria...

— Por que eu ainda estou conversando com esse cara?

Lucy apenas pressionou o botão de desligar do notebook e ficou parada olhando a tela negra. Milhões de pensamentos invadiam sua mente e o que mais a incomodava era o fato de querer continuar aquela conversa. Por que ele se desculparia? Por que se importava com ela? E como se tivesse tomado um susto, se lembrou da culpada pela liberação do chat.

— Só pode ser você! 

Irada, Lucy pegou o celular e tentou ligar em todos os números possíveis. Decidiu por fim, deixar uma mensagem assassina.

— Gracy, Gracy... pensarei numa forma bem cruel de... ACABAR COM A SUA VIDA! TRAIDORA!  — Lucy sempre conversava sozinha, mas era boa mesmo em brigar sozinha.

Desligou o celular para evitar a fadiga de toda aquela história. Conseguiu distrair a cabeça ouvindo uma pouco de Beatles e assim que deitou na cama, seu único pensamento era de dormir até as dez da manhã do dia seguinte.

Fred, que estava sentado no bar de uma boate qualquer de Copacabana, já havia enviado mais de dez mensagens e nada de respostas. Emputecido por ser ignorado, pediu o último Screwdriver e não pôde deixar de ouvir a conversa que se desenrolava a poucos centímetros de onde estava.

— Sério, gata! Se você comer uma banana antes do treino, ela te ajuda a acelerar o metabolismo e você queima o dobro de calorias!

Olhou para a garota que participava da conversa e depois para o patético cowboy sorrindo feito babaca. A garota apenas elevou as sobrancelhas e sorriu amarelo demonstrando grande tédio.

Fred pegou seu drink, bebericou o líquido amargo e riu sozinho balançando a cabeça.

— My lady... Você é foda.

Enquanto dirigia, o rapaz pensava numa forma de estabelecer uma conversa razoável com Lucy. O fato da garota o desprezar com tanto afinco, despertava uma anciã incontrolável de aceitação. Ele detestava ser rejeitado daquela forma.

Lucy se sentiu realizada ao abrir os olhos e ver que já passara das dez da manhã. Sabendo que perderia parte do seu bom humor quando lesse as mensagens de Fred Maravilha e as explicações ridículas de Gracy, pegou apenas um Toddynho na geladeira e sentou-se na cama com o notebook a postos para seguir com seu cronograma de postagens do blog. Sábado era dia de:

 

“Pequenos momentos flip”

 

Hoje, nos “Pequenos momentos flip”, daremos uma trégua para os rapazes. Deixemos eles pensando sobre as dicas de ontem e vamos nos concentrar na escolha do batom de hoje à noite :)

Para quem não sabe, “flip” é aquele momento que dá um frio na barriga, uma pequena explosão no peito e o sorriso de bobo brota sem perceber, sabe?

Isso realmente não costuma acontecer comigo – sem grandes novidades, né? –, mas já aconteceu! Acreditem quem quiser, uma única vez. Uminha! Rsrsrs Mas já posso me considerar um ser humano (isso vale para os retardados de ontem que insistem que eu seja uma lésbica marciana).

Meu “flip” ocorreu da forma menos convencional possível. Um anjo de olhos mágicos se espatifou em cima de mim. Não houve tempo de raiva, pois o “flip” veio com o simples toque em seu ombro. E as poucas palavras que trocamos, fez um estrago danado no meu yin-yang.

Bem, esse foi meu “flip”. E o seu? Os meninos também podem se manifestar, ok? Hoje eu ‘tô boazinha (sqn).

Fica a dica!

Lady Saint-Exupéry 

 

Já tinha tempos que Lucy queria mencionar seu acaso com “Felipe”. Ela ficara tão impressionada com o rapaz simples e despojado que jamais se incomodou do roxo que ficou sua coxa. Ainda o procurou por todos os lugares do bar naquela noite, mas não o encontrou em parte alguma. Perguntava-se como era possível um jeans e uma camiseta branca deixar uma pessoa tão sexy. Mas ele não era qualquer pessoa! Havia uma áurea diferente nele. Lucy sonhou duas vezes com “Felipe” naquela semana. Nas duas vezes ele estava vestido apenas de seu sorriso lascivo. Ela acordou com falta de ar e uma pressão forte no ventre. Depois de voltar mais duas vezes ao Bar do Gepeto e não encontrá-lo, pensou em escrever no blog o que acontecera com eles — e torcer para que fosse um leitor fantasma.

Não podendo mais fingir para si mesma que não estava morta de ansiedade para resolver suas pendências da noite anterior, aproveitou o notebook aberto sobre suas pernas e abriu a aba de conversa com Fred.

FM: Is it too late now to say sorry?

— Não acredito que você gosta de Justin Bieber... — sussurra estarrecida.

FM: Eu já pedi desculpas ok? Agora dá pra conversar direito?

FM: Vai me deixar no vácuo mesmo? É sério?

FM: Olha só, vc não é a dona da verdade. Se fizeram algum mal pra vc isso não quer dizer que todos os outros farão novamente

FM: Não quero brigar... Só te ofendi na mesma proporção que vc me ofendeu

FM: Tá... vc não me ofendeu exatamente... mas vc fala merda pra cacete

FM: Vc não vai voltar?

— Não! Eu não vou voltar Fred Babaca! Gostei. Você acabou de ser promovido de maravilha para babaca!

Lucy estava confusa com tantas explicações e aquela sensação de que ele estava sendo sincero a deixava furiosa. Colocou os óculos de grau e olhou a foto muito pequena que estava ao lado de seu nome. Não dava para ver direito. Ele estava na praia com óculos escuros e uma claridade muito forte. Tinha uma barba rala e um belo sorriso, tinha que admitir.

— O que adianta ter um sorriso desses e só ter merda na cabeça? Me recuso a perder tempo com você.

Fred, que tinha acabado de dar sua corridinha sagrada na Lagoa, parou em uma barraca de água de coco e aproveitou para ver se Lucy já tivera a decência de respondê-lo.

— Nada de respostas e um novo post. Ignorado geral.

Conforme Fred corria seus olhos pelo texto de Lady Saint-Exupéry sentia os sintomas que a garota mencionara. Engoliu seco quando percebeu que estava sorrindo demais.  

— Lucy... não faz isso comigo.  — E começou a escrever seu comentário com todo o cuidado do mundo.

Há poucos minutos, Lucy recebera uma mensagem de seu coordenador informando que sua defesa da monografia aconteceria em quinze dias. Ela estava radiante com a perspectiva de finalmente terminar toda aquela ralação de faculdade. Pensou em falar com Gracy, mas ainda estava puta com a amiga. Nesse momento, ouviu uma notificação de novo comentário.

“1 novo comentário de Fred Maravilha

— Não... você não! — disse da boca pra fora, pois na verdade, estava aflita aguardando seu comentário.

Fred Maravilha: My lady, que alegria vc me proporcionou revelando não ser uma lésbica marciana. Uuuufa! Agora sei que tenho chance! A propósito, adorei seu “flip”. Muito parecido com o meu, por sinal. Será que não foi eu que cai em cima de vc? Achei  a descrição do rapaz muito parecida comigo: um anjo com olhos mágicos, além de causar esse efeito arrebatador nas mulheres! 

— Era só o que me faltava aquele ser divino e tão educado ser você!

Mensagem do chat

FM: E ai? Gostou do meu comentário?

LS-E: Vc é completamente sem noção. Já te indiquei um psiquiatra

FM: Vc diz isso pq ainda não me viu pessoalmente... ou até já viu...

LS-E: Hoje nem a pior de suas ironias irá acabar com o meu dia :)

FM: E posso saber o motivo de tanta alegria?

LS-E: Não

FM: My lady, hoje é sábado. Relaxa um pouco essa marra toda. Pq vc tá tão feliz?

Lucy não queria dar o braço a torcer, mas no fundo estava se divertindo com aquela conversa descontraída. Até um sorrisinho escapou de seus lábios ao perceber a intimidade que os envolvia.

Fred, que ansiava por uma trégua, decidiu jogar com todas as suas cartas.

LS-E: Irei defender minha monografia daqui a 15 dias :)

FM: Uau! Parabéns! Qual curso?

LS-E: Engenharia química

FM: huehuehuehue eu sabia! Desculpa.... paz e amor!

LS-E: Vc se acha muito espertinho ne?

FM: Vc quer a verdade?

LS-E: afffff

FM: Não, não acho. Pelo contrário, seus textos sempre fazem me sentir um idiota.

FM: Ei? Ta ai?

LS-E: Sim

FM: Onde vc está?

LS-E: Oi?

FM: Onde vc está? Na sua casa, faculdade, praia…

LS-E: Em casa

FM: Vc mora perto da Universidade?

LS-E: Mais ou menos. Pq?

FM: Estou correndo na Lagoa. Quero te ver.

LS-E: Que isso! Tá maluco?

FM: Nunca estive tão são.

LS-E: Não... Isso não tem cabimento

FM: Pq não? A essa hora deve ter umas 5 mil pessoas por aqui! Vc não corre nenhum risco. Eu quero muito te conhecer

FM: Muito

Lucy sentia seu coração acelerar com aquele pedido súbito e audacioso. De fato, ela estaria segura num lugar tão movimentado como a Lagoa Rodrigues de Freitas, mas sabia que não era sensato, nem prudente. No entanto, tais qualidades nunca fizeram parte de sua personalidade mesmo.

Com a camiseta jogada sobre o ombro, boné azul e óculos escuros, Fred estava sentado num banco próximo ao carrinho de água de coco e não tirava os olhos do telefone.

Lucy já estava a uns 100 metros de distância e sentia o suor escorrer por suas costas. Não acreditava no que estava fazendo.

— Você é louca. Completamente – repetia sem parar, o que a deixava mais nervosa.

LS-E: Ok, como vou saber que vc é o idiota do Fred?

FM: Sou o cara mais bonito com um coco na mão!

LS-E: Palhaço

FM: Tá perto de onde?     

De longe, Fred reconheceu Lucy. Ela mentira para ele. Disse que viria com uma calça de ginástica rosa e blusa branca, mas estava de calça jeans, camiseta dos Beatles e seus cabelos estavam lindos; soltos com aquela franjinha tão sensual. Ela parou e começou a digitar algo no celular.

LS-E: Não to vendo nenhum carrinho de água de coco.

Fred também mentira. Não estava com nenhum coco nas mãos. Vestiu a camiseta e pegou apenas uma rosa no jardim do parque, sentindo-se nervoso com aquela decisão no qual chamava de estúpida.

Quando a garota olhou para frente viu um rapaz vindo em sua direção sorrindo. Reconheceu-o da foto de seu usuário. Pele bronzeada, sorriso fácil e óculos escuros. A poucos passos de ficarem frente a frente, Lucy sentiu que seu coração falhara ao dar-se conta de quem estava a sua frente. Fred tirou os óculos escuros e aumentou ainda mais seu sorriso.

— My lady!

— Você! — disse Lucy, sorrindo.

 

“Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz!”

O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry



Notas finais do capítulo

E ai, galera? Gostaram? Comentem pleeeeeease!
Essa história merece uma continuação? rsrsrs O capítulo final já encontra-se em andamento e em breve vocês serão avisados por aqui mesmo, ok?
Espero profundamente que tenham gostado!

Sábado que vem tem mais "Amores Virtuais"!

Grande beijo,

Piper Palace