Linha Tênue escrita por Sany


Capítulo 22
Capitulo 20.


Notas iniciais do capítulo

Boa noite...



O shopping para muitas mulheres é como um paraíso, vitrines cheias de novidades, últimas tendências, cores e tecidos espetaculares. Tudo exposto lado a lado para proporcionar horas de compras. No Empire não era diferente, talvez um pouco já que o melhor – e mais caro - shopping da Capital reunia as melhores lojas, com marcas caríssimas e um serviço diferenciado que deixa os gastos duas vezes mais caros do que qualquer outro shopping.

E nas primeiras semanas do meu “casamento” era esse meu lugar favorito, entretanto, depois de notar que Peeta não estava dando a mínima para os gastos excessivos que vinha proporcionando a despesa familiar, vir aqui não tinha a mesma graça. Para ser sincera andava cansada de passar meus dias andando por ai comprando o que não tinha menor necessidade de comprar, estava sentindo muita falta do meu trabalho e da minha velha rotina. Aquela não era eu, não mesmo. Embora adore luxo e dinheiro – não nego- gosto de trabalhar de ter algo útil a fazer.

— Katniss Everdeen! Não acredito! – a ruiva parada na minha frente abriu um largo sorriso. – Não vai dizer que não se lembra de mim?

Apesar do choque e da surpresa eu lembrava muito bem de quem era ela, não tinha como esquecer, mesmo depois de quase 10 anos. Não quando a ruiva havia passado anos andando ao meu lado – ou quase isso – havia sido tempo demais para que me esquece-se dela.

— Fox Emerson! Uau que surpresa. – ela veio me dar um abraço de leve seguido de dois beijos no rosto.

— Só que agora não é mais Emerson. – disse mostrando a aliança chamativa de ouro no anelar esquerdo. – Agora é Watanabe.

— Nossa! – não tinha ideia de com quem ela havia se casado. Embora agora que ela tinha falado me lembro vagamente de ouvir sobre isso há um bom tempo. – Quando foi isso?

— Há bastante tempo na verdade, estamos indo comemorar nossas bodas de cerâmica esse ano. – comecei pensar em quanto tempo isso seria, pensando em por que raios ela achava que saberia todas as bodas de cabeça. – Nove anos.

— Uau! É bastante tempo.

— É sim, te mandei o convite na época, mas você não foi. – agora me lembrava de onde tinha ouvido falar, o convite tinha chegado quando ainda morava na casa dos meus pais e embora Prim achasse educado irmos. Não estava nem um pouco interessada em ir ao Distrito 12 para um casamento.

— É verdade, sinto tanto não ter ido. A faculdade estava me deixado louca.

— Soube que se formou, aliás, vamos tomar um café? Melhor do que conversar no corredor do shopping. - quando a encontrei estava de saída já que tinha um jantar para comparecer, ainda sim acabe seguindo com ela até uma das cafeterias do shopping onde nos sentamos em uma mesa bem localizada e logo fomos atendidas. – A última vez que soube notícias suas foi quando terminou com Gale eu encontrei com ele no Distrito 12. – tentei não parecer surpresa embora saiba que falhei. – Ele estava arrasado quando o encontrei. E confesso que fiquei espantada podia jurar que vocês acabariam casando.

— Queríamos coisas diferentes. – me limitei a dizer enquanto bebericava um pouco do café.

— Ele me disse, embora tenha deixado claro que sentia muito e que se arrependia que queria voltar no tempo, fazer diferente. – jamais iria admitir em voz alta, mas isso era algo que queria também, entretanto não era possível. - Acho que ele teria desistido de qualquer coisa por você.

— Me conta o que te trás a Capital. – mudei de assunto rapidamente e ela entendeu a deixa.

— Meu marido Hiroshi tem alguns negócios para resolver, ele trabalha com importação e exportação então eu aproveitei para vir.

Depois disso foi fácil manter a conversa voltada para ela, Fox sempre gostou de falar de si, então passei os próximos minutos escutando sobre como ela conheceu o marido que era vinte e cinco anos mais velho e de como eles logo se casaram já que ele morava no extremo oriente. De como era a vida por lá e de como sua enteada – dois anos mais nova que ela – e parte da família dele não gostava dela. 

— Que bom que gosta de viver lá. – comentei por educação, no momento em que o celular dela começou a tocar.

— Só um minuto. – pediu para atender. – Fala Yuri, não terminei ainda... – aproveitei para ver meu celular e não me surpreendi com a chamada perdida do Peeta. - Não é possível que você já tenha brincado em tudo que era do seu interesse... Vai comprar algum jogo ou brinquedo... Sei o que seu pai disse, mas eu falo com ele... Não ele não vai ficar bravo eu estou deixando você comprar... Sim diga pra Emi que eu deixei você comprar. – ela desligou e sorriu. - Filhos nos enlouquem as vezes.

— Você tem um filho, que legal.

— Tenho. – ela parecia sem jeito ainda sim prosseguiu. - Ele vai fazer sete anos, confesso que era mais fácil quando não tinha, já que podia viajar mais com Hiroshi, mas depois que ele nasceu as coisas mudaram um pouco, no início nem tanto já que levávamos ele, mas depois que entrou na escola, pronto. Embora meu marido seja rígido com ele às vezes Yuri é o xodó do pai então tenho que ficar e assim ele faz as viagens mais rápido. Só mais um minuto. – pediu atendendo novamente o telefone. – O que foi agora? Passa para ela. Sim, eu sei o que seu patrão disse, mas eu estou mandando comprar pra ele Emi, eu lido com meu marido, compra o que ele quiser e ponto final. – ela desligou e se voltou pra mim. – Essa babá me irrita, ela cuidou dos filhos do primeiro casamento do Hiroshi e acha que sabe mais do que eu. Como se ele fosse reclamar comigo sobre mais um joguinho bobo. Não sou obrigada a aguentar as reclamações de uma criança só porque ele resolveu que o garoto tem jogos demais. Mas e você o que tem feito? – antes que pudesse responder vi Darius parar ao lado da mesa.

— Senhora Mellark, devo lembrá-la do seu próximo compromisso. – não fazia ideia de como ele tinha me achado naquele café, ainda sim sabia que tinha sido uma ordem do Peeta que ele viesse até aqui.

— Obrigada por lembrar, já estou indo. – ele saiu, mas notei que ficou do lado de fora do café.

— Você se casou? – Fox puxou minha mão esquerda e observou minha aliança com um sorriso. – Uau, dessa eu não sabia, e pelo que vejo não foi com qualquer um olha esse anel. Quando foi isso?

— Foi algo recente, no início do verão.

— Incrível, Mellark, esse sobrenome não é estranho. Eu conheço? – parte de mim não queria dizer a ela, afinal Fox tinha conhecido o nerd e pobre Mellark, o garoto bolsista que andava pelo colégio com roupas gastas e que foi zoado nas últimas semanas de aula do último ano do colégio. – Espera, o seu admirador, aquele garoto que te deu aulas de matemática para te ajudar com a prova. Peter Mellark é ele? – fechei os olhos e respirei fundo antes de concordar.

— É Peeta, na verdade.

— Isso! Não acredito nisso, Katniss você se casou com o bolsista do Colégio Einstein. Juro que por essa eu não esperava. Como isso aconteceu? Como sua mãe deixou isso acontecer?

— Foi realmente bom te rever Fox, adoraria contar o que aconteceu, mas tenho que ir. – fiz sinal para que trouxessem a conta.

— Pode deixar essa comigo, mas precisamos nos encontrar com calma. Talvez um jantar com nossos respectivos maridos.

— Claro vamos marcar. – aceitei embora não pretendesse marcar nada.

Nos despedimos e sai o mais rápido possível daquele café, sabia que Fox se encarregaria de contar a todos nossos antigos colegas do meu casamento, assim como sabia que ela estava naquele momento tentando entender o que tinha acontecido.

Assim que passei pela porta da sala encontrei Peeta esperando, o semblante sério e o olhar impaciente. Sabia que tínhamos um jantar com nossos pais. Ideia brilhante da mãe dele que achava que seria adequado manter o contato entre as duas famílias.

— Já estava na hora. Estamos atrasados.

— Já vou me trocar. – avisei sem dar importância.

— Não vai mesmo, você vai ir assim. – disse caminhando em minha direção com naturalidade.

— Como? – não que estivesse mal vestida, mas não ia encontrar minha mãe assim.

— Você sabia o horário do jantar e não veio se arrumar porque quis, agora vai ir assim. – ele pegou as chaves em cima da mesa que ficava próximo a porta.

— Não vou sair assim Peeta!

— Sim, você vai. – ele fez sinal em direção a porta atrás de mim. – Vamos Katniss estamos atrasados e odeio me atrasar. – comentou me virando e me conduzindo sobre protestos até o carro. Queria fazer um escândalo, mas sabia e impedi-lo de me conduzir até o pátio onde o carro dele já estava estacionado não seria bom já que não estávamos sozinhos na casa, os empregados estavam rondando e não ia arriscar.

Mantivemos o silêncio durante todo o caminho, e não me surpreendi quando ele parou em frente a um dos melhores restaurantes da Capital, era o favorito da minha mãe e imaginei que ela tinha sugerido. Um dos manobristas foi até a porta dele e outro veio abrir a minha, esperei que ele desse a volta no carro e entramos juntos. A mão dele na minha cintura e um sorriso no rosto.

Nossos pais já estavam nos esperando e não me surpreendi ao ver o silencio na mesa, os cumprimentamos enquanto Peeta se desculpava pelo atraso.

Que roupa é essa Katniss? Está toda amassada, não poderia estar mais apresentável? Esta parecendo que veio direto da rua.— minha mãe sussurrou no meu ouvido quando a cumprimentei, sabia que ela reclamaria. Ainda sim nada disse e apenas sentei na cadeira que o loiro puxou educadamente para mim. 

O jantar estava transcorrendo normalmente, assuntos corriqueiros nada muito significativo. Estranhei meu pai não tentar abordar em nenhum momento o assunto negócios, ainda sim relevei esse detalhe. Estávamos escolhendo a sobremesa quando Fuhrman apareceu com um largo sorriso.

— Effie, quanto tempo. – comentou se aproximando da mesa e dando dois beijos um de cada lado do rosto da minha sogra.

— Clove, que bom te ver. Sinto tanto não ter ido ao jantar, as meninas me falaram que estava fabuloso.

— Foi uma pena vocês não estarem lá, foi um evento ótimo. Haymitch você teria abalado na pista. – comentou sorrindo para meu sogro e o cumprimentando em seguida. Claro que ao chegar perto do loiro o sorriso dela se alargou ainda mais. Peeta logo fez as apresentações e vi que minha mãe a observava atentamente, embora tenha sido um poço de simpatia com a herdeira do Fuhrman Club. – Katniss querida é muito bom revê-la. – ela me olhou da cabeça aos pés me analisando, com seu vestido impecável Clove provavelmente estava se sentindo a rainha do baile.

— É bom ver você Clove. Gostaria de se sentar conosco? – perguntei com meu falso tom de simpatia.

— Adoraria, mas vim com algumas amigas. – indicou uma mesa próxima onde duas mulheres estavam sentadas. - Fica para uma próxima. Aparece lá no clube, leve sua mãe.

Ela se despediu e seguiu para mesa dela, e durante o resto do tempo que ficamos ali podia sentir o olhar dela sobre mim, aquela mulher estava me tirando do sério. Abracei o loiro mais forte enquanto saímos do restaurante e confesso que fiquei muito feliz em chegar em casa.

Fechei-me no banheiro para um longo banho e assim que sai deitei no meu lado da cama enquanto o loiro seguia para o banheiro. Desliguei o abajur do meu lado e estava quase pegando no sono quando meu celular tocou. Vi o número da minha mãe e o ícone de chamada perdida – que indicava que ela tinha ligado outras vezes – não estava com a menor vontade de falar com ela, mas acebei atendendo.

Katniss Shrader Everdeen como você ousa aparecer em um restaurante daquele nível vestida como no dia a dia?— suspirei.

— Mãe está tarde. E não era uma roupa ruim.

Sua roupa estava amassada Katniss, como se tivesse usado ela por horas, não era apropriada para um jantar no restaurante que estávamos.

— Esta bem mãe, eu sinto muito. - não havia o que fazer ou o que mudar, no fundo sabia que ela queria ouvir que estava certa.

Você precisa ficar atenta Katniss, aquela mulher a Fuhrman. Conheço o tipo muito bem e ela estava nitidamente de olho no seu marido minha filha, fica de olho aberto.

— Mãe...

Estou falando serio, não confie nela, e fique atenta. Mantenha ela perto de você longe do Peeta.— tudo que precisava para finalizar o dia era dos ótimos conselhos maternos dela, vi Peeta sair do banheiro e caminhar em direção ao lado dele na cama.

— Certo mãe, preciso deligar agora. – nos despedimos e acabei jogando o celular na mesa de cabeceira ligeiramente irritada.

— Algum problema? – ele não parecia interessado ou preocupado.

— Não, minha mãe só queria ver um dia para ir ao clube.

— Ah sim. Tenho certeza que Clove irá recebê-las muito bem lá – havia certa graça em sua voz e me virei em sua direção.

— Com certeza, afinal ela é uma mulher adorável. – desdenhei.

— Sabia que vocês se dariam bem. – senti a ironia na frase - Clove se parece muito com você.

— Não parece não! – aquilo era um insulto.

— Claro que parece, notei isso no momento em que a vi pela primeira vez. – ele ficou de lado o corpo apoiado no cotovelo, o corpo ligeiramente inclinado na minha direção. – Não falo fisicamente, mas em personalidade, suas prioridades são as mesmas e acredito que ambas tem o mesmo modo de pensar sobre as pessoas. – o modo com que ele disse isso me afetou mais do que iria admitir.

— Foi por isso que você teve um relacionamento com ela? Estava em busca de mulheres que do seu ponto de vista tinham semelhanças comigo? – estávamos próximos um do outro, ambos no meio da cama olhando nos olhos um do outro, quebrei o contato visual e deitei as costas no colchão observando o teto por um momento antes de continuar. – Talvez você deva pedir o divórcio e ficar com ela.

Mais rápido do que esperava ele rolou ligeiramente em minha direção apoiando o braço livre do outro lado do meu corpo ficando quase em cima de mim, senti meu corpo estremecer com a proximidade, podia senti a respiração dele de tão próximos que estávamos seus olhos fitavam os meus com intensidade novamente e não desviei, não daria esse prazer a ele. 

— Acredite a última coisa que procuro são mulheres semelhantes a você. – na mesma velocidade que se aproximou ele se afastou, fiquei estática por um momento enquanto ele apagava o abajur na mesa da cabeceira do lado dele da cama.



Notas finais do capítulo

É isso... Fox reapareceu e a Clove também. Espero que tenham gostado do capitulo.
Não é uma promessa, mas vou fazer o possível para não demorar.
Ótimo fim de semana a todos.
Beijos.



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