A Criação da Luz escrita por André Tornado


Capítulo 1
A súbita consciência do ser


Notas iniciais do capítulo

Um grande olá aos meus leitores!

Nada melhor para comemorar este dia Star Wars (4 de Maio) do que com uma história que tem como palco a galáxia que fica muito, muito distante.

Deixo-vos o primeiro capítulo de uma história empolgante e surpreendente, que vos deixará encantados.

Os capítulos serão publicados todas as quartas-feiras e contarão, nas notas iniciais, com a citação de um livro.

Assim sendo... boas leituras!

"Como duas sombras que trespassam furtivas o telão do mundo e as suas horas,
a leve cortina de tule que separa o ontem do hoje (...)"
in As Lágrimas de Karseb, Llerda, J.M., Ésquilo, 2006



O início de tudo.

Era eu… Era eu que ali estava.

Uma experiência estranha, pois não me recordava do que tinha havido antes de estar ali… Podia-se designar por amnésia ou pura e simplesmente de inconsciência, mas o facto era que não conseguia perceber onde tinha começado antes daquele momento em que uma estranha perceção de estar viva, de existir, de ser alguém ou alguma criatura, se apoderou de mim.

Tratava-se de uma questão pertinente, e de certo modo urgente, saber a razão da minha total falta de memória, do que tinha sucedido antes de me aperceber que era eu que ali estava, mas como todos os seres que procuram a autopreservação em face de um perigo que eventualmente lhes roubaria a vida, estava mais preocupada em superar aquele estado de inação, aquela postura completamente indefesa, aquela confusão de espírito e sobretudo aliviar a parte física que sofria.

Sim, o meu corpo estalava de dor. Uma dor imensa que me cobria por completo, que me tornava a respiração difícil, que me impedia de abrir os olhos ou de mover os braços e as pernas.

Uma onda de calor e de frio assolou-me, fogo e gelo passando sobre mim qual cobertor estranho que zombava da minha ignorância, do que eu era, do que estava a experimentar. Não percebia nada. Estranhava, no entanto, não entrar em pânico. Aceitava a minha condição.

Estava doente e o corpo doía-me.

Queria ser capaz de mover as pálpebras e de contemplar o que me rodeava, classificar o sítio, se me ajudaria a recordar de algo, nem que fosse a razão de eu estar doente e com o corpo a doer-me. Mas não conseguia abrir os olhos, que mantinha fechados contra a minha vontade.

Descobria, aos poucos, que tinha um corpo, com braços e pernas. Um rosto com olhos que estavam fechados, uma boca que desejava falar, de lábios ressequidos pela febre e que soltaram um gemido num tom baixo. Uma cabeça onde estava um cérebro que conhecia uma linguagem, que conseguia articular pensamentos e entender estímulos, como a dor, o calor e o frio. Uma pessoa com uma alma.

Perdi-me num segundo que foi mais longo do que todos os segundos em que eu não estava ali. Uma nesga de tempo que me arrebatou essa alma recém-descoberta, ou recém-adquirida, o que tornava o mistério ainda mais assustador, para recônditos desconhecidos do Universo…



Notas finais do capítulo

E esta foi a introdução à grande aventura, leitoras e leitores!
Como puderam perceber, esta história será narrada na primeira pessoa e por este primeiro capítulo já imaginam quem nos conta o que está a acontecer.

Até quarta que vem.

Próximo capítulo:
Segundo momento.



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