Dépendance escrita por KarenAC


Capítulo 5
Capítulo 5 - Confiança


Notas iniciais do capítulo

Capítulo novooooooo ♥



O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito, desfaz-se - basta a simples reflexão.

Machado de Assis

 

Ladybug agarrou as mãos de Chat que estavam sobre seu rosto e jogou-as para longe, afastando-se enquanto olhava-o nos olhos como se ele fosse um enigma. Ela puxou o fio do ioiô instintivamente e colocou-o à sua frente em modo de defesa. De um segundo para o outro, a imagem dele havia passado de amigo para inimigo.

“Não, você entendeu errado.” ele começou a falar, levantando as mãos em sinal de trégua.

“Entendi errado?” ela posicionou um pé atrás para firmar a postura, preparando-se para uma investida “Tem uma grande diferença entre entender errado e não entender nada, Chat Noir. E se você não começar a falar agora, não vai ter chance de falar nunca mais!” Ladybug elevou a voz e enrolou o fio do ioiô no punho, preparando-se para o ataque.

“Eu prometo que vou te explicar tudo com calma, mas nós não podemos deixar esse cara sair por aí transformando Paris em uma peneira, e se não nos apressarmos ele vai perder o controle cada vez mais!”

Como se confirmando as palavras de Chat, um estalo arrancou pedaços de um tijolo da parede ao lado da cabeça de Ladybug.

Ela contraiu o corpo e sentiu Chat Noir agarrar sua mão, arrastando-a pelos corredores escuros entre os muros. Ladybug lembrou que ele usava uma máscara de visão noturna e toda a confiança dele andando no meio da escuridão das ruas pareceu fazer mais sentido. Ainda assim, ela não entendia porquê o equipamento dele era tão melhor que o dela se ambos trabalhavam para a mesma agência.

“Eu sei que você deve estar confusa e não deve estar entendendo nada, mas por enquanto vou pedir para que confie em mim.” ele olhou-a por cima do ombro e sorriu de canto “Até porque eu também vou precisar confiar em você.”

Ela sentiu o coração falhar uma batida e baixou os olhos para a mão dele cobrindo a sua. Será que ele estava falando a verdade? Se quisesse machucá-la, já poderia ter feito aquilo há muito tempo. Ou não? Fechou os olhos com força e respirou fundo. Ele tinha razão. Por enquanto, ela não tinha outra escolha.

“Nós precisamos nos separar!” ela falou enquanto ganhava velocidade, soltando os dedos dele de leve e pegando o ioiô para arremessar o corpo para mais longe “Vou seguir por aqui! Você dá a volta e pega ele pela frente!” Chat viu Ladybug afastar-se em rapidamente.

“Não, Ladybug! Ele está atrás de você, não de mim! Isso é perigoso!” ela ouviu a voz de Chat gritar ao longe.

“Perigo faz parte do meu trabalho!” ela gritou de volta, piscando para ele e sorrindo enquanto se afastava.

Chat Noir cerrou os dentes e puxou o curto bastão da cintura, batendo-o contra o punho para acionar o mecanismo de extensão. Ela estava se arriscando demais. Garota teimosa.

Os dois saíram correndo em direções opostas, e pouco tempo depois, Ladybug avistou uma sombra deslocando-se pelo meio das construções. Da maneira que fugia, com certeza era o homem que estava atirando neles. A velocidade dele era impressionante, até mesmo para alguém treinado. Não parecia nem humano.

“Pode parar aí!” ela gritou e viu que ele hesitou e se virou, segurando algo que brilhou com o reflexo da lua. Uma arma de precisão.

“Muito prazer, Ladybug, pode me chamar de Sniper. E agora você está na minha mira.” Ele apontou o fuzil na direção dela, emitindo um fio de luz vermelha que atravessou o espaço entre os dois e parou no peito dela.

Ladybug arregalou os olhos e atirou o corpo para o lado, fugindo da mira a laser do atirador. Sabia que enquanto se mantivesse em movimento não seria um alvo fácil para ele. No momento em que ele virou o rosto na direção de um poste de luz, Ladybug sentiu-se engolir a seco. Oliver. O Sniper era Oliver Dunard? O homem que deveria proteger? O que estava acontecendo? Ela sentiu as sobrancelhas caírem sobre os olhos em um franzido preocupado.

Ladybug sentiu um pulso de adrenalina ser injetado pelas veias e aumentou a velocidade, apertando o iôiô com firmeza no meio dos dedos. Pulou por cima do telhado em que estava e sentiu outro tiro estalar atrás de si. Jogava o peso alternado entre os pés, desviando na maior velocidade que conseguia, até que notou uma dor lancinante no braço esquerdo. Um dos tiros a havia acertado de raspão, mas o pulso de adrenalina anestesiou a dor.

Ela correu os olhos pelo local. Se continuasse naquela perseguição, ele não erraria o próximo tiro. Logo atrás dele, viu a luz da lua refletir em uma torneira de ferro, iluminando-a, e sentiu os lábios se curvarem em um sorriso.

Desde que nascera, seus pais sempre diziam que Marinette havia sido abençoada com uma sorte sobrenatural. Ela sempre tivera dificuldade em acreditar. Estava sempre tropeçando nas coisas e perdendo a concentração por motivos absurdos, mas com o passar do tempo, percebeu que aquilo não era só ela sendo desastrada. Era a sorte agindo por meios nebulosos. Como na vez em que ela levara um tombo de bicicleta na calçada e ficara no chão agarrada no joelho ralado enquanto à sua frente um carro perdia o controle e batia contra o exato muro onde poderia estar no minuto seguinte caso não tivesse caído. Ou da vez em que ficara doente e perdera a excursão da escola, para depois ficar sabendo que o temporal atolara o ônibus no meio da viagem e todos tiveram que voltar para casa.

Conforme aquelas coisas foram acontecendo uma atrás da outra, ela não pôde mais chamá-las de coincidências. Talvez ela realmente tivesse uma sorte infundada. Talvez, quando nascera, algo achara que ela seria digna daquela fortuna. Daquele talismã.

E ali estava seu Talismã, mais uma vez indicando o caminho que ela deveria percorrer enquanto a luz do luar brilhava contra a torneira de ferro.

Ladybug correu por cima do telhado à esquerda do Sniper, flanqueando-o e atirando o ioiô contra a torneira de ferro, vendo-a explodir em uma torrente de água na direção do rosto do homem.

No momento em que ele baixou a guarda para se proteger do jato de água, Chat Noir caiu à frente dele e o imobilizou com uma chave de braço.

“Chega, Oliver! Você está cercado!” Ladybug gritou e a voz retumbou pelo meio do estreito corredor de paredes.

“Meu nome não é Oliver! É Sniper!” Oliver gritava e se debatia nos braços de Chat Noir. Ele parecia completamente fora de controle, como se estivesse louco “Sniper!” Ladybug viu Oliver erguer o braço na direção da cabeça de Chat Noir e percebeu que ele ainda estava armado.

Chat Noir arregalou os olhos em pânico. Rapidamente, Ladybug atirou o iôiô e puxou o objeto da mão dele, desarmando-o. No exato momento em que a arma caiu no chão, Oliver parou de se debater e perdeu a consciência. Chat largou-o vagarosamente no chão enquanto Ladybug se aproximava correndo.

“Você tá bem?” Ladybug e Chat gritaram ao mesmo tempo, olhando um nos olhos do outro, com a respiração ofegante e o coração acelerado. Chat desceu o olhar para o braço de Ladybug e percebeu o sangue que escorria.

“Desgraçado.” Chat Noir levou a mão até o braço de Ladybug, checando a profundidade da lesão.

“Não é nada, foi só de raspão.” ela sorriu para tranquilizá-lo. Sabia que aquilo doeria muito mais no dia seguinte.

“Ladybug...” Chat baixou a cabeça e ela percebeu que ele tinha a mão enluvada estendida na sua direção “Pode me emprestar o seu iôiô?”

Em um reflexo, ela notou que os dedos se fecharam ao redor do objeto com mais firmeza. Confiar nele era uma coisa. Ficar desarmada era outra completamente diferente.

“Aqui, pronto.” ele pegou o bastão e o estendeu na direção dela “Pode ficar com ele se isso faz te sentir mais segura. Eu também não iria ser desarmado por alguém que não conheço.”

Ladybug ergueu uma sobrancelha e inclinou a cabeça, estudando a expressão no rosto dele. De fato, ele não parecia estar mentindo, mas Chat Noir ainda era uma interrogação muito grande. Por via das dúvidas, pegou o bastão dele enquanto entregava o ioiô.

Ladybug viu Chat examinar o objeto por alguns segundos e então segurá-lo entre as duas mãos fechadas em concha, girando-o em três direções diferentes, como se ajustasse um botão de volume. Os olhos de Ladybug arregalaram quando um compartimento se abriu na lateral de aço.

“Mas o quê-” ela sentiu as palavras deslizarem em assombro.

“Antídoto.” Chat falou enquanto sorria, puxando uma cápsula branca de dentro do buraco na lateral do iôiô e segurando-a entre o polegar e o indicador, mostrando-a para Ladybug. Ela se aproximou para ver a cápsula mais de perto, sem entender o que estava acontecendo. Usava aquele ioiô há mais de um ano, e nunca tinha percebido aquilo ali.

Chat Noir abaixou-se ao lado do Sniper, colocando a cápsula entre os dentes molares do homem e empurrando a mandíbula dele para cima. O estampido da cápsula se partindo soou e no segundo seguinte até a expressão de Oliver parecia mais tranquila.

“Agora ele vai ficar bem.” Chat ergueu-se e viu Ladybug olhando para o homem deitado no chão. Sabia que ela estaria confusa sobre tudo o que estava acontecendo. Ele estendeu o ioiô para devolver para ela.

“Aqui, isso é seu.” Chat viu ela erguer os olhos na direção dele e pegar o ioiô, devolvendo o bastão.

Chat Noir puxou um aparelho semelhante a um celular do bolso de trás da calça e pressionou um por um os números que lembrava de cabeça.

“Plagg, mostrar as garras.” Ladybug ouviu ele murmurar ao telefone e desligar, voltando o olhar novamente para ela “Vem, precisamos sair daqui. Eles vão vir buscá-lo”

Chat Noir correu pelo meio dos corredores e Ladybug o seguiu, olhando para trás e vendo o homem caído sobre o asfalto molhado.

“Não se preocupa, o Plagg está a caminho para buscá-lo. Não podemos estar aqui quando ele acordar.”

Marinette ouviu o relógio de pulso apitar, indicando a hora. Faltava pouco mais de uma hora para seus pais acordarem, e ela não poderia estar fora de casa quando aquilo acontecesse.

“Precisa voltar?” ela ouviu a voz dele perguntar enquanto corriam de volta por onde haviam chegado.

“Sim, daqui a pouco.” Ladybug respondeu com uma voz baixa. Depois da adrenalina ter baixado, sentiu o cansaço começar a lhe abater e o braço ferido queimava toda vez que ela o usava para se impulsionar com o ioiô.

Chat Noir percebeu que a expressão no rosto dela mudou e que a garota animada e ativa sumia para dar lugar a uma expressão cansada e dolorida. Ela estava com dor aquele tempo todo e não quis contar. E a culpa tinha sido dele por ter concordado com o plano inconsequente dela. Sentiu o ar entrar e sair de seus pulmões em um suspiro. Aquela garota ia ser o fim dele.

“Vamos parar ali.” ele indicou um beco e os dois andaram pelo local escuro, ouvindo os próprios passos ecoarem entre as paredes de tijolos gastos.

Ladybug segurava o braço ferido enquanto olhava os grafites coloridos e cheio de códigos indecifráveis pela parede. Conforme avançavam, ela percebeu que ele apertou algo sobre a mão direita, e um alto ronco invadiu o local, causando tremores sobre o chão. Ela colocou-se em posição de defesa, mas sua postura relaxou quando ela percebeu que algo se movia no fundo do beco. Não era uma parede. Era um enorme portão.

Chat Noir adentrou o lugar escuro e apertou alguns botões na parede, fazendo fracas luzes surgirem em lânguidos tons de azul e verde.

Dezenas de telas de computadores e terminais estavam espalhados sobre mesas de madeira e ferro. Fios, pedaços de peças e ferramentas estavam espalhados por toda parte. Parecia que alguém ali gostava de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, exceto organizar e arrumar as coisas.

“Bem-vinda à Toca do Gato.” ele sorriu por cima do ombro, com um ar orgulhoso e Ladybug sentiu a testa enrugar em descrédito.

“ThunderCats? Sério?” ela não achava que ele tinha cara de quem gostava de ThunderCats. Ou de quem assistia desenho. Ou de quem sequer tinha uma vida normal fora dali.

“O que foi? Algum problema?” ele colocou as mãos na cintura, encarando-a com um ar irritado.

“Não, não.” Ladybug elevou as mãos espalmadas em uma pose de trégua “Tudo bem ser ThunderCats.”

Chat Noir bufou e se dirigiu até um alto armário de ferro no canto direito do local. Quando o abriu, o cheiro de materiais esterilizados invadiu as narinas de Ladybug. Chat se abaixou, procurando algo no meio das prateleiras, e ela se aproximou por trás, sentindo os lábios entreabrirem em surpresa enquanto os olhos arregalavam. Lá dentro tinha quase um hospital inteiro. Remédios, bandagens, fios, fitas e todo o tipo de material médico. Baixou os olhos vendo ele puxar uma pequena bandeja de ferro e posicionando coisas lá dentro. Afinal, quem era aquele cara?

“A sua sorte é que eu já fiz isso mais vezes do que você pode contar.” ele falou, virando-se para ela enquanto empurrava a porta do armário para fechá-la atrás de si com o calcanhar.

“Fez o quê?” Ladybug deu um passo para trás e girou a cabeça na direção da bandeja.

 

Tesoura.

Um frasco com alguma coisa líquida.

Fio.

E uma seringa.

Com agulha.

 

“Não, não, não. Nem pensar.” ela sentiu o coração pular até o pescoço no momento em que seus olhos caíram sobre a agulha, levando instintivamente uma mão para cobrir o ferimento no braço que escorria sangue.

“Nada de não, a gente precisa limpar isso aí ou vai infectar.” Chat sacudiu a cabeça, reprovando a atitude dela.

“Eu posso limpar quando chegar em casa.” ela sentia-se tremer. Agulhas eram uma das poucas coisas que lhe faziam entrar em pânico, e depois da quantidade de pontos que ela já tomara quando era criança por causa de tombos e acidentes, sua cota de agulhas havia sido preenchida para a vida toda.

“Quantas vezes você já fez isso sozinha?” Chat carregou a bandeja até uma das mesas de ferro e largou-a ali com um som metálico, puxando um banco alto e sentando-se sobre ele.

Ladybug baixou os olhos até a lesão que sangrava sobre o braço e franziu a testa quando ergueu a mão que usava para a compressão. Ela já havia se machucado muitas vezes, mas a verdade é que aquela era a primeira vez que levava um tiro. E a ferida não parava de sangrar. E no dia seguinte ela tinha aula. E não seria exatamente fácil explicar para os pais como conseguira uma ferida daquela profundidade quando deveria, de fato, estar dormindo na segurança e conforto de sua cama. Ela suspirou e ergueu os olhos confiantes para ele.

Chat Noir conseguia ver que ela estava com medo pela maneira com que contraía o corpo e cobria a ferida com a mão em forma de concha. Enxergava de longe o sangue rolando pelo meio dos dedos dela e sentiu o canto de um dos lábios subir em um sorriso. Ela conseguia pular de prédios no meio da noite confiando no fio de um ioiô, encarava homens armados com o dobro do tamanho dela e mesmo ali, machucada e sozinha no meio de um lugar deconhecido conseguia carregar aquela expressão no rosto. Sentiu-se sacudir a cabeça. De onde aquela garota tinha saído?

Ladybug se aproximou em passos lentos e viu Chat puxar outro banco igual ao dele e colocá-lo à frente, onde ela se sentou.

“Agora me deixa ver.” ele esperou que Ladybug tirasse a mão que cobria o ferimento, mas ao invés disso, ela lançou-lhe um olhar sério, então ele continuou “Eu prometo que não vai doer...” ela franziu a testa olhando para a seringa com agulha na bandeja sobre a mesa ao lado deles “...tanto.” ele completou, forçando um sorriso tranquilizador.

Ela não conseguia definir as linhas do rosto dele. As únicas luzes da Toca saíam das telas dos computadores e ele não havia tirado o capuz. Parecia que ele realmente levava a sério a tarefa de manter a identidade em segredo.

“Eu vou precisar cortar isso, tá bem?” ela sentiu os dedos dele tocarem a manga do uniforme rasgado e assentiu com a cabeça, olhando para o chão.

O som de metal raspando contra metal quebrou o silêncio da garagem e Ladybug sentiu o gelado da tesoura encostar-lhe na pele do braço. Ela retesou o corpo e fechando os olhos com força.

“Tá tudo bem, eu só vou cortar o tecido.” ele sussurrou e apenas quando ela sentiu o ar quente da respiração dele tocar-lhe o pescoço foi que ela percebeu o quanto o rosto dele estava próximo.

Ela notou que os lábios dele estavam fechados em uma linha reta e que a testa franzia levemente em concentração. Os olhos verdes sob a máscara estavam focados no braço dela e a respiração dele era lenta e profunda. Ela sentiu o rosto corar quando viu ele erguer os olhos e fitá-la com um meio sorriso. Ela desviou o olhar para o lado.

“Agora eu preciso anestesiar pra suturar.” ele se afastou e murmurou, colocando a mão sobre a seringa com agulha na bandeja e olhando para ela com a cabeça inclinada “Tudo bem?”

Ladybug cruzou os braços na frente do corpo, sentindo uma gota de suor pingar pela lateral do rosto. De todas as formas que ela imaginara aquela noite terminando, aquela era a pior de todas.

“Tudo b-bem.” ela ouviu a voz tremular em um início de pânico e os olhos vagaram pelo ambiente, tentando não focar na seringa que agora ele puxava da bandeja.

“Hey...” ela ouviu ele chamar, mas fechou os olhos com força. Não queria ver a agulha. Sabia que no momento em que enxergasse o objeto, todo o pouco coragem que tinha iria desaparecer “Hey, Ladybug.” ouviu a voz aveludada de Chat chamar de novo e abriu apenas um olho, sentindo a testa crispar com a antecipação da dor “Posso?” ela viu que o olhar dele era de preocupação.

Ladybug respirou fundo e acenou positivamente com a cabeça, trancando a respiração. A agulha entrou na sua pele como uma picada de inseto. Não doeu tanto quando ela lembrava. Porém, conforme o líquido da anestesia começou a invadir o tecido ferido, uma sensação ardente penetrou seu braço. Ela sentiu algo beliscar atrás das pálpebras e percebeu que estava prestes a chorar.

 

Que maravilha, hein, Marinette?

Que beleza de heroína você é.

 

Antes que as lágrimas pudessem rolar, começou a sentir a ardência se transformar em dormência, e a dor desapareceu, levando consigo a vontade de chorar.

“Você vai ser machucar assim.” Ladybug sentiu um toque sobre a mão e abriu os olhos. Ele estava com a testa franzida na direção dela e só então ela percebeu que mordia o lábio inferior com força. Sentiu-se relaxar e baixou a cabeça envergonhada.

“Foi só reflexo.” ela estava se explicando, mas não sabia exatamente porquê.

“Cortou aqui, viu?” Ladybug viu Chat Noir erguer a mão sem luva e tocar-lhe o lábio inferior com delicadeza com a ponta do dedo indicador. O rosto dele estava muito próximo. Ela sentiu os olhos se abrirem em surpresa, mas não conseguiu se mover. O toque era macio e quente, e ela sentiu que todos os pêlos da sua nuca se ergueram no calafrio que subiu pela sua espinha.

“Você precisa ter mais cuidado.” ele disse se afastando e se mexeu novamente na bandeja, pegando os materiais para limpar o ferimento no braço dela e fazer a sutura.

Ela sabia que deveria estar apavorada na hora em que ele levantou o fio com agulha para suturar o ferimento, mas tudo o que conseguia sentir era o tremor dos lábios desejando que o toque não tivesse sido rompido.



Notas finais do capítulo

Meu Deus, essa fic vai me matar!
Os capítulos estão mais longos do que normalmente eu faço, mas o andar da história exige que seja assim, então me desculpem ;___;
Eu vou tentar seguir postando um capítulo por dia, mas se eu não conseguir, me perdoem :~~
Espero que estejam gostando, não esqueçam de favoritar e comentar ♥