Dépendance escrita por KarenAC


Capítulo 31
Capítulo 31 - Ruína




Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida.

Platão

 

Marinette abriu os olhos devagar e piscou várias vezes até acostumar a visão ao local. Girou a cabeça devagar, reparando nas paredes brancas intercaladas com azul claro de pintura delicada. Altas estantes de mogno recheadas de livros multicoloridos. Ela sentou rapidamente, atônita com a visão do quarto que não reconheceu, até lembrar do que havia acontecido no dia anterior e suspirar em alívio. Olhou para o lado da cama e viu o lençol bagunçado, porém Adrien não estava mais ali.

A sensação morna aqueceu suas bochechas ao lembrar da noite anterior onde os dois haviam se deitado lado a lado, os olhos presos ao teto esperando o sono chegar. Ela acreditava que por causa da ansiedade de estar tão perto de Adrien não conseguiria descansar, porém conforme seus músculos relaxaram a dor sobre o colchão, o sono a derrubou. No meio da noite seu sono ficou inquieto, e ao abrir os olhos já não encontrara mais Adrien na cama.

Ela jogou as pernas para fora da cama e seu corpo contraiu-se com a dor ao tentar levantar, uma memória física dos eventos sobrevividos. Empurrou o corpo para cima, apoiando-se instavelmente sobre as duas pernas e erguendo-se. Ao dar a volta na cama, percebeu um grande espelho oval maior do que a sua altura próximo à vasta janela, circundado por uma estrutura de madeira retorcida e envernizada que parecia muito caro. Marinette então fixou o olhar na própria imagem, contando as feridas e machucados que a luz do dia realçava.

No meio dos seus devaneios, duas batidas leves fizeram com que ela trocasse a atenção do espelho para a porta.

"Posso entrar?" a voz de Adrien soou do lado de fora como um sussurro.

"Pode, eu tô acordada." ela mancou até a cama e sentou-se na beirada.

A porta abriu-se, mas Adrien ficou parado no batente antes de entrar. Ele vestia uma camisa branca e um par de calças jeans, e as bolsas escuras sob os olhos verdes apenas confirmavam o que o amarrotado da camisa dele dizia: Adrien não havia dormido nada naquela noite.

"O que foi?" ela perguntou ao perceber os olhos dele fixos no dela.

"Só é muito surreal." ela sentiu o colchão balançar quando ele sentou ao lado dela, as mãos cruzadas sobre o colo como em uma prece "Você, aqui no meu quarto." Adrien olhou o quarto como se admirasse uma enorme pintura, tentando memorizar cada detalhe para não esquecer mais tarde "A gente ter dormido juntos." Marinette percebeu que ele sorriu entre as palavras.

"Eu dormi, você quer dizer. Onde você foi?"

"Tive que ir até a Miraculous." Marinette girou os olhos na direção dele "Precisava conversar com o Plagg. Disse que você estava descansando na casa de uma amiga e que eu precisava ficar uns dias fora de ação pra arrumar a Toca." Adrien deu um sorriso torto "Pelo menos essa última parte é verdade."

"Você acha que ele acreditou?" ela perguntou timidamente.

"Não sei, mas pensar nisso não vai resolver nada." Adrien então deixou o corpo cair sobre o colchão ao lado de Marinette que ainda estava sentada.

Marinette esfregava os pés com meias brancas um no outro, tentando focar em algo que não fosse no gostoso cheiro de sabonete que emanava da pele de Adrien. Também não conseguia acreditar na reviravoltas que os dias e as semanas haviam dado para que os dois chegassem até ali, sentados lado a lado no quarto de Adrien, conversando sobre coisas que estavam enterradas no passado.

"Você não dormiu nada depois que veio deitar aqui ontem, né?" Marinette notou as mechas loiras bagunçadas e imaginou quantas vezes Adrien não havia esfregado as mãos nelas nas últimas horas para que elas ficassem naquele estado.

"Não tem como. Ainda não." ele suspirou e os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.

"Há quanto tempo você não vinha aqui?" Marinette não ergueu os olhos dos próprios pés e olhou em volta referindo-se à mansão.

"Desde..." Adrien respirou fundo, mas o ar não deixou seus pulmões, como se ele tivesse medo que o oxigênio escapasse junto com palavras que ele não queria pronunciar.

"Desde o acidente?" ela completou, erguendo os olhos para fitar o rosto dele que retesou-se por um segundo para depois assentir.

"Nós nunca conversamos de verdade sobre o que aconteceu, não é?" as palavras de Adrien saíram murmuradas e hesitantes.

"Não, esse sempre foi um assunto tabu pra você, então eu preferia não insistir." Marinette trocou o olhar da expressão dele para o teto "Mas parece que a gente tem quebrado vários tabus ultimamente." ela ouviu o riso dele soar ao seu lado, concordando sem palavras "Seria um bom momento pra acabar com mais um."

"É, acho que tá na hora." Adrien disse suspirando enquanto colocava o braço sobre a testa, e Marinette também deixou o corpo cair sobre o colchão para ouvir o que o garoto tinha a lhe contar.

 

*****

 

Os longos cabelos dourados flutuaram no ar e caíram sobre os ombros dela, o vestido azul claro sacudindo ao redor dos pés enquanto o salto contava os degraus que eram descidos em corrida. Adrien viu que a porta da mansão continuou aberta atrás dela, mas o desespero no rosto de sua mãe era tão aterrador que ele não teve tempo para pensar em outra coisa qualquer que não fosse regado por pavor.

"Mãe, o que houve!?" ele correu na direção dela, as pernas agindo por conta própria.

"Eles estão vindo, Adrien! Vão chegar aqui a qualquer momento! Vamos! Rápido!" os dedos dela se entrelaçaram aos do filho em pleno ar, e Adrien se deixou levar até o carro azul escuro da família.

"Cadê o Gorila?" Adrien perguntou, se referindo ao motorista de seu pai.

Ele havia dado o apelido ao homem enquanto ainda era criança, devido ao tamanho robusto do francês e sua expressão facial sempre carrancuda. O termo acabara pegando na família por ser uma daquelas piadas que faz tanto sentido quanto é inocente, e Adrien sinceramente nem lembrava mais o nome real dele.

"Não sei! Acho que seu pai deu despensa pra ele hoje. Não sei, Adrien!" Amélie respondeu impaciente, irritando-se consigo mesma por não saber a resposta exata "Senta atrás, nós vamos passar para pegar seu pai na BioSans!"

Adrien obedeceu sem pestanejar jogando-se sobre o banco de trás enquanto via sua mãe fechar a porta do carro e girar a chave na ignição. Ele percebeu que os dedos dela apertaram o volante com força na tentativa de parar os tremores, até que os nós dos dedos ficassem brancos. O motor do carro rosnou e segundos depois eles já viravam a esquina.

"Escuta, filho" Amélie começou enquanto passava a mão no cabelo, jogando uma mecha para trás, juntando-a às outras "Nós vamos sair da cidade por um tempo, tá bem?"

Adrien ficou em silêncio, percebendo pelo reflexo do espelho retrovisor que os lábios de Amélie se apertavam em uma linha fina e dura. Ele sabia que ela tinha mais a dizer, e que não eram coisas boas, então agarrou-se na beirada do banco e cravou as unhas no couro, tentando manter a calma. Já parecia estar sendo difícil o suficiente para ela.

"A Bio Sans... O seu pai fez um acordo que não deu muito certo." Ela parecia escolher as palavras cuidadosamente, mas bastou aquela frase para Adrien entender o que havia acontecido.

"Foi a Papillon. Eles queriam renegociar e o papai negou." Amélie direcionou o olhar de esmeralda surpreso pelo retrovisor na direção do filho ao ouvir a voz de Adrien "Eu disse que não era pra ele ter aberto as portas pra esses desgraçados!" Adrien deu um soco no banco "Eu avisei!"

"Ele não teve outra escolha-"

"Não vamos discutir isso de novo, mãe!" Adrien passou a mão no cabelo "Ele me pediu ajuda e eu fiz tudo o que eu pude, mas cada vez que eu tinha uma sugestão ou ia contra algo, ele me cortava. Não funciona desse jeito, mãe. A senhora sabe que não."

Amélie parou em um sinal vermelho e suspirou pesadamente. Ela sabia que Gabriel era bastante ortodoxo em seus métodos e que pouco aceitava opiniões vindas de fora. Quando abriu as portas da BioSans para Adrien, ela acreditara que o marido havia mudado um pouco, que talvez ficara menos duro em suas decisões, mas a verdade foi que Adrien era tratado como apenas mais um subordinado.

"Eu fui até a Papillon, mãe. Já fiz um novo acordo. Nada vai acontecer." ele coçou o peito em reflexo, sentindo arder a marca em formato de borboleta que ainda cicatrizava.

Desde que Gabriel Agreste fizera o acordo com a Papillon de oferecer amostras do Akuma em troca de apoio, Adrien se infiltrara na organização tentando descobrir tudo o que pudesse ser útil. A princípio lhe fora dito que a Papillon era uma empresa como a BioSans, que produzia medicamentos e outros compostos que fossem úteis à população em geral e os vendia por preços acessíveis às pessoas, porém Adrien nunca entendera porquê seu pai precisaria da Papillon se a BioSans estava indo tão bem.

Até que a verdade, como uma bolha de ar em meio ao oceano, foi à tona, e dentro de uma enorme garagem na beira do cais, trancado a sete chaves, estava o maior segredo da BioSans. E Adrien havia visto com os próprios olhos o horror de uma era inteira.

O sinal vermelho já estava verde há pelo menos uns cinco minutos, mas o carro seguia parado, o ronco baixo e insistente do motor preenchendo o silêncio entre Adrien e Amélie.

"Eles usam isso nas pessoas, mãe. Eles drogam elas com doses altíssimas pra que elas sirvam como teste pro mercado, dessa forma a BioSans não precisa gastar com pesquisa, e a Papillon mantém a base de drogados pra seguir vendendo essa porcaria. Isso não é mais um remédio faz tempo, mãe. Isso é a merda de uma droga. E a BioSans sabe. O papai sabe."

"O que você fez, Adrien?" Amélie virou o rosto na direção de Adrien, o verde dos olhos se tornando cinza em nervosismo, fazendo Adrien perceber a verdade.

"A senhora sabia." Os lábios do garoto ficaram entreabertos. Ele estava sendo carregado o tempo todo, sendo manipulado a cada segundo por seus próprios pais.

"Nós tentamos te proteger, Adrien. Se você não soubesse de nada, não estaria correndo perigo!" Amélie suplicou por compreensão entre as palavras.

"Eu vou trabalhar pra Papillon daqui em diante, e em troca eles vão deixar você e o papai em paz. Chega disso tudo." Adrien murmurou enquanto trocava a visão do rosto de sua mãe para o dia nublado do lado de fora.

 

*****

 

Marinette ouvia em silêncio Adrien lhe contar sobre o passado enquanto girava os olhos pelos detalhes de gesso do teto. Até então não havia proferido uma palavra sequer, mas quando a história chegou no ponto onde ele e Amélie haviam discutido, a voz de Adrien tornou-se mais baixa e lenta, como se fosse doloroso continuar.

"Isso é horrível, Adrien." Marinette tentou conter uma careta.

"Eu sei." Adrien riu sarcasticamente "E eles sabiam o tempo todo, Mari. Meus próprios pais. Eu fui traído pelos meus próprios pais." Ele fez uma pausa curta "Por que você acha que eu não consigo confiar em ninguém?"

"Mas sua mãe disse que só tava tentando te proteger-"

"Aquilo era papo furado! Eles não quiseram que eu soubesse do plano sujo deles, porque sabiam que eu não concordaria." Ele apertou os olho com força "Aquela gente toda, Mari. Gente mais nova que nós dois, cheio até o último fio de cabelo desse Akuma nas veias, pra que meia dúzia de filhos da puta pudessem lucrar com isso." Adrien suspirou tentando controlar a crise de raiva "Tem dias que eu me pergunto se essa porcaria foi mesmo inventada pra fazer bem, se meu pai-"

"Não fala isso, Adrien!" Marinette vociferou "Seus pais podem ter se perdido nessa história toda, mas não deixa que isso faça você duvidar da índole deles."

Adrien gemeu e largou a mão de Marinette, levando ambos os braços para cobrir os olhos enquanto rangia os dentes.

"Só é muito difícil saber no que acreditar." Ele coçou a testa com as costas de uma das mãos "E mais difícil ainda falar sobre essas coisas."

"Você não precisa continuar se não quiser." Ela sugeriu sem olhar para o garoto.

"Eu preciso, Mari. Preciso desengasgar isso. Essas memórias não me deixam descansar, não me deixam dormir, não me deixam relaxar." Adrien respirou fundo ao final das palavras e Marinette sentiu algo morno tocar-lhe a mão, percebendo que Adrien havia trançado os dedos nos seus, buscando coragem.

"Isso vai mesmo te ajudar? Tem certeza?" Mari perguntou apertando os dedos ao redor dos dele.

"Nada mais me ajudou. Só falta isso." Adrien girou o rosto e olhou o perfil de Marinette "E eu não conseguiria fazer com mais ninguém."

Marinette sorriu ternamente e voltou o rosto para Adrien, os dois olhares próximos encontrando-se em um momento que Marinette acreditou ser impossível de acontecer. Ele estava abrindo o coração e confiando seus piores demônios para que ela o ajudasse a expulsá-los. La não iria falhar.

"Então vamos fazer isso. Estou pronta quando você estiver."

Então Adrien fechou os olhos e voltou ao passado, rezando para que conseguisse retornar em segurança.

 

*****

 

Amélie girou o volante e dobrou a rua, o sinal do pisca estalando ao fundo no manto de silêncio que havia se erguido. Na próxima esquina, Gabriel Agreste estava parado na beira da calçada, o paletó pendurado em um dos braços enquanto na outra mão pendia uma pasta encouraçada. O perfeito homem de negócios, enquanto a família Agreste ruía aos poucos.

Amélie desceu do lugar onde estava e deu a volta no carro, sentando-se ao lado do banco do motorista enquanto Gabriel postava-se frente ao volante. Nenhum dos dois se olhou. O pai de Adrien respirou fundo, preparando-se para discursar, mas a cabeça do garoto estava cheia de raiva e impaciência. Ele nunca fora impulsivo, porém as últimas atitudes de seu pai o estavam tirando do sério.

"Eu não quero ouvir. Vamos embora de uma vez." Adrien pronunciou com a voz grave enquanto soltava o cinto de segurança. Sentia-se sufocado só em estar lá dentro. Amélie baixou os olhos para o próprio colo, enquanto Gabriel deu um soco no volante com uma das mãos e pisou fundo no acelerador.

Gabriel Agreste não acatava ordens, mas a situação em que se encontravam havia desgastado até mesmo a arrogância do grande presidente da BioSans. Ninguém queria ouvir. Ninguém queria conversar. Estava tudo destruído, e a mente de Adrien girava entre problemas e soluções que parecia nunca se encaixar, não importava quando tempo lhe dessem.

Cerca de meia hora depois, quando estava prestes a sair de Paris, Adrien percebeu que uma van negra emparelhava com o de sua família na estrada. Não havia achado estranho, até que ele começara a se aproximar perigosamente do veículo deles, como se os quisesse atingir.

"Pai, acelera!" Adrien gritou, mas Gabriel estava tão perdido em pensamentos que demorou demais para reagir, e o enorme carro preto acertou-os na lateral uma, duas, três vezes.

Gabriel lutava com o volante, tentando controlar o veículo enquanto Amélia gritava ordens desconexas. Adrien estava com os olhos fixos na lataria brilhante da grande van. Ele sabia que ali, dirigindo do lado de fora, estava a Morte que chegara para ceifar a vida de sua família. Ele soube, em cada célula do seu corpo, que a próxima batida colocaria um fim em tudo, e fechou os olhos pronto para o impacto.

A batida chegou. O carro girou muitas e muitas vezes. Gritos. Gemidos. E depois, o rugido da lataria cedendo sobre os corpos de seus pais e o silêncio. No final, era sempre o silêncio.

 

*****

 

"Quando eu acordei, estava a dezenas de metros do carro. Eu estava sem cinto de segurança, e fui arremessado pra fora do carro enquanto ele capotava." Adrien engoliu a seco "O combustível vazou e a lataria pegou fogo. Eles não conseguiram sair. Os corpos deles ficaram irreconhecíveis."

Marinette trancava a respiração, e o suor acumulava-se entre seus dedos e os de Adrien, mas nenhum dos dois se atrevia a fazer um movimento sequer.

"A van parou e me ajudou. Eles não queriam me matar, me consideravam um aliado, alguém que podiam manipular. Eu já estava marcado. Eles queriam matar meus pais, e conseguiram. Me mandaram para a Itália e me deram o melhor tratamento médico que eu podia receber. E como prometido, eu trabalhei na Farfalle. O resto da história você já sabe."

"E depois de tudo isso você ainda quer se envolver com eles, Adrien." Marinette fechou os olhos em desaprovação "Você devia dar as costas e desaparecer. Eles só se importam com o dinheiro, nem devem lembrar mais de você."

"Não interessa, você ainda tá envolvida. Eu não vou recuar dessa vez, Mari. Nem pensar. E ainda tem essa história da Tikki e do Plagg que eu quero tirar a limpo." Adrien impulsionou-se para cima, erguendo-se da cama e estendendo a mão para Marinette "Quero que você vá comigo pra Toca. O Nino e a Alya já estão lá. Tenho uma coisa pra te mostrar." Ela arregalou os olhos em surpresa e aceitou a mão dele, seguindo-o para fora do quarto "Além do mais preciso de alguém pra acalmar a Alya enquanto o Nino estiver por perto."

Ambos caíram na risada, mas assim que a graça da piada terminou e eles, o gosto amargo das histórias de Adrien espalhou-se dentro da boca dos dois.

 

*****

 

Após pegarem um táxi, Marinette e Adrien chegaram até a Toca do Gato. O grande portão de ferro estava totalmente erguido e dentro da garagem não se ouvia um ruído sequer. Os dois se entreolharam nervosos, o mau pressentimento bombeando os corações e fazendo com que as pernas respondessem no mesmo instante, correndo garagem adentro com velocidade.

Todavia, ao invés do cenário de caos e destruição que ambos esperavam presenciar, a cena dentro do local era algo bastante diferente do previsto. Marinette levou as mãos à boca e Adrien afundou os dedos nas mechas dos cabelos, ambos atônitos em ver Alya e Nino agarrados em um beijo tão quente que chegava a ser constrangedor.

"Acho que você não vai precisar mais de mim pra acalmar ela." Marinette sussurrou e Adrien mordeu os lábios para não rir.

No momento em que a mão de Nino desceu da cintura de Alya em direção ao quadril da garota, Marinette gritou e Adrien pigarreou, fazendo o novo casal se soltar com tanta rapidez que cada um saltou para um lado, trombando nas mesas que ainda estavam fora de lugar.

Alya agarrou-se em um pano, pondo-se a limpar um monitor que já parecia estar mais do que limpo, enquanto Nino enfiou-se embaixo de uma mesa com uma chave de fenda, girando parafusos que provavelmente nem existiam. Marinette e Adrien cruzaram olhares e seguraram as gargalhadas que estavam presas na garganta.

"Me segue." Adrien fez sinal para Marinette que ainda não acreditava no que havia visto. Com certeza mais tarde exigiria explicações de Alya.

Adrien andou até o armário onde guardava o uniforme de Chat Noir e abriu a porta da direita, mas não havia nada lá dentro. Ele então ergueu-se na ponta dos pés e apertou um botão escondido no topo do armário, abrindo o fundo falso como uma porta de correr secreta. Do outro lado, uma placa de vidro giratória protegia o uniforme de Ladybug mais lindo que Marinette já vira.

A roupa era uma peça única de um vermelho escuro coberto em uma textura encouraçada, bem semelhante ao material do qual era feito o uniforme de Chat Noir. Partes negras cobriam os pés e canelas como botas, bem como as mãos e braços em formato de luva. No peito, um intrincado desenho negro no tórax sugeria uma placa de proteção. Preso aos ombros e pendendo pelas costas encontravam-se duas extensões do tecido encouraçado, porém de um brilho perolado, quase como se fossem asas.

"Que coisa linda, Adrien!" Marinette sentiu os olhos umedecerem de emoção.

"Eu mandei fazer assim que descobri que você era a Ladybug. Não quero te ver pulando por cima dos prédios co aquele pedaço de pano que você chama de uniforme." Adrien ergueu uma sobrancelha com um sorriso debochado no rosto, mas Marinette estava muito feliz para perceber a provocação.

"Muito obrigada, Adrien!" ela jogou-se no pescoço dele e sem pensar duas vezes prensou os lábios nos ele, sorrindo abertamente "Eu preciso mostrar isso pra Alya!" e saiu correndo em busca da amiga, deixando Adrien vermelho como um pimentão parado em frente ao armário.

"Se eu soubesse que ela ia reagir assim, teria dado o uniforme bem antes." Adrien resmungou segurando o sorriso que insistia em lhe trespassar os lábios "Agora vamos terminar de arrumar essa bagunça!" falou alto para si mesmo, tentando distrair-se da sensação morna que os lábios de Marinette deixara sobre os seus, mas algo lhe dizia que aquilo seria impossível.

 

 

 





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