Recomeçar - One Shot escrita por Ana


Capítulo 1
Recomeçar


Notas iniciais do capítulo

A fic é inspirada completamente na música da Taylor Swift - Begin Again.
Eu amo o modo dela retratar perfeitamente como é difícil recomeçar depois de um término ruim de um relacionamento, como ficamos vulneráveis e principalmente a ida a um primeiro encontro.
Espero que gostem!!



 

Taylor Swift- Begin Again

https://www.youtube.com/watch?v=cMPEd8m79Hw

 ♥ ♥

Respirei profundamente em frente ao espelho, olhei para os meus pés e os pensamentos voaram por alguns momentos. Ele não gostava quando eu usava saltos altos, achava que era alta de mais para aquele tipo de sapato e eu sabia, tanto que passei a maior parte da vida me privando disso, simplesmente para agradá-lo. Tinha sido um erro e agora eu entendia.

Analisei meu vestido azul, somente para constatar que ele parecia o céu em uma tarde ensolarada, eu gostava como contrastava com minha pele pálida e me fazia parecer mais mulher. Bem diferente da minha antiga “eu”. Aquela tinha sido uma mudança entanto, muito boa e bem vinda.

Estava pronta. Era isso que a imagem no espelho refletia depois de algum tempo me arrumando.

Peguei meu casaco, tranquei a porta do pequeno apartamento onde eu morava e coloquei os fones de ouvido enquanto saia pelas ruas frias de Paris. Eu amava o clima frio daquela cidade e aquele tinha sido um dos motivos pelo qual eu tinha decidido mudar. A proposta de emprego e o término do meu noivado também contribuíram, devo admitir.

Nunca pensei que ia sair de New York, mas ela havia ficado pequena de mais e parecia que a cada esquina eu o encontrava. Meus amigos de repente não eram somente meus e eu não queria colocá-los em uma situação em que deveriam escolher um lado, não era justo com ninguém se nós não funcionávamos mais. Me sufocava, o modo como me olhavam cautelosamente e com pena, ou quando simplesmente mudavam de assunto quando o nome de José era mencionado. O apartamento que um dia foi nosso tinha passado a ser somente dele, por que, eu não fazia a mínima questão de ficar em um lugar que me acarretava a tantas memórias amargas e que definitivamente não tinha condições de pagar sozinha.

Então, quando Mia ofereceu um trabalho em seu estúdio em Paris, não pensei duas vezes ao aceitar. Eu amava dançar e dançar em Paris parecia um sonho, um pontinho de cor na escuridão que minha vida tinha se tornado. Tinha sido a melhor decisão que eu poderia ter tomado.

Entrei no restaurante ouvindo o sininho na porta anunciar a minha chegada, meu rosto esquentou e eu duvidava que fosse por causa do aquecedor ligado, guardei os fones dentro da bolsa e sorri para a moça na minha frente. Meu sorriso era puro nervosismo e me peguei desejando que ele estivesse atrasado, precisava me preparar internamente para aquele momento, fazia muito tempo que eu tivera um encontro afinal de contas. Mas, Christian tinha chegado cedo e estava ali acenando animadamente para mim com um sorriso ansioso na face.

Me aproximei lentamente, sentindo minha respiração falhar em alguns momentos, enquanto ele se levantava para beijar minhas bochechas e pegar o meu casaco. Aquela camisa fazia com que seus olhos ficassem mais brilhantes e conseqüentemente mais azuis e eu gostava do modo como ele me olhava, me fazia sentir a mulher mais linda que existia na face da terra.

— Você está linda. – Ele disse em seu sotaque cantado, o mesmo que fazia aquecer o meu coração, me fazia acreditar que era possível colar os pedacinhos que haviam sobrado e torná-lo inteiro novamente.

Enquanto eu agradecia envergonhada, ele puxava a cadeira em um gesto cavalheiro, um gesto de cinema, me ajudando. Aquilo era incrível e Christian parecia não ter a mínima noção do quão legal era, mas eu sabia.

Fizemos nosso pedido quando a garçonete veio nos atender e ele não me olhou estranho quando eu pedi um Quiche. E eu gosto disso, gosto da forma que toma o seu rosto em aprovação e não de julgamento por meu paladar infantil.

Conversamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo, e é tão impressionante como o assunto surge facilmente entre nós.

— Nunca conheci uma garota que gostasse tanto de James Taylor como eu.

Christian fala tocando a minha mão por cima da mesa e eu sorrio envergonhada.

— Ele sabe fazer música. – Murmuro dando de ombros, colocando mais uma garfada de comida na minha boca. Ele não sabe por que estou ficando meio tímida, mas eu sei, ele tem esse efeito sobre mim.

Christian continua a falar depois do meu repentino silencio, ele conta histórias sobre a sua infância e adolescia e eu me vejo envolvida nas suas palavras, me vejo compartilhando momentos constrangedores da minha vida. Momentos que nunca me senti confortável o suficiente para contar a alguém, mas ele faz tudo ser diferente.

Quando Christian vira a cabeça para trás rindo como uma criançinha, provavelmente de algo que eu tenha dito, aquece o meu coração de uma maneira inexplicável e absurda. É estranho também, estranho que ele me ache engraçada ao ponto de chamar a atenção de todo o restaurante com sua risada rouca e sexy. José não achava, nunca achou para dizer a verdade.

Passei os últimos oito meses pensando no fato de que tudo o que o amor faz é partir, queimar e acabar. E numa quarta-feira em um café eu vi isso indo por água a baixo. Sentir como se as borboletas estivessem comendo lentamente meu estômago não estava nos meus planos por um bom tempo, mas foi inevitável quando Christian sentou na minha mesa.

O café estava cheio naquele dia especificamente. Eu estava sozinha escrevendo um cartão postal para meus pais, eles estavam preocupados comigo depois de tudo, e através das minhas palavras e da bela paisagem desenhada no pedaço de papel eu tentava tranqüilizá-los. Christian aproximou lentamente sorrindo e sentou na minha frente como se nos conhecemos uma vida inteira. Confesso que tremi por alguns instantes e até mesmo pensei em sair correndo, mas algo me impedia me fazendo permanecer no lugar. Meus olhos estavam arregalados quando ele se apresentou... E era bom, era bom sentir novamente o meu coração pulsar forte dentro do peito por alguma coisa.

Nem sei como a conversa começou, só sei Christian me fez rir verdadeiramente depois de meses sem fazer. Me fez sentir que eu era especial e linda  como ninguém. Nós ficamos horas ali tomando café e falando sobre coisas aleatórias e sem importância, eu fiquei ali por horas sentindo que finalmente poderia recomeçar descentemente. Não foi uma surpresa quando aceitei o seu convite para jantar, pelo menos não para mim.

Naquela mesma noite depois do jantar, enquanto andávamos lado a lado eu quase mencionei José e nosso fracassado relacionamento. Mas, Christian cortou o silencio, e minha linha de pensamentos, que se formava me contando sobre a tradição da sua família e como em todos os natais se reuniam para ver filmes antigos. E eu quero falar sobre isso, quero ouvir mais sobre a sua vida e sua família, quero ouvir mais sobre ele.

Vejo o sorriso em seu rosto aumentar quando entrelaço nossos dedos e me aconchego mais ao seu corpo, tentando inutilmente me proteger do vento frio. E pela primeira vez ali com Christian sinto que o que passou, passou.

Passou quando aceitei o seu pedido fofo de namoro. Quando decidi levar ele nas férias de inverno para conhecer meus pais e meus amigos. Passou quando ouvi sua declaração de amor, e quando criei coragem para dizer que o amava também. Quando tomei a importante decisão de finalmente morar com Christian no seu pequeno apartamento. Quando nos casamos no outono em uma cerimônia intima no jardim da casa dos seus pais e principalmente a cada mês, quando minha barriga crescia com o fruto do nosso amor.

 



Notas finais do capítulo

Reviews são sempre bem vinda.



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