Você pode seguir sozinho? escrita por Marianna Santos


Capítulo 8
Acerte as contas


Notas iniciais do capítulo

Trago mais um capítulo para vocês. Espero que gostem!



Sumo pov's:

O Jeff segurava a minha mão como se a gente estivesse namorando oficialmente. E ele ainda tava vermelho, por causa do beijo que eu dei nele. Foi até engraçado, porque ele ficou com a boca fechada, e eu não tinha conseguido beijar ele direito por causa disso.
Mas não é com isso que eu tô preocupado. O Cooter e o Robalo tão pra armar alguma coisa, porque quando aqueles dois estão por perto eu sempre sinto cheiro de encrenca. Eu os conheço bem até demais.

— Sumo. – Jeff me chamou, soltando as nossas mãos com rapidez. – O Clarêncio. Ali.

Ele acenava alegre pra gente do alto do Ninho de Homem, com aquele sorrisão que dava sempre que nos via.

— Sem corpo mole. Sobe aí! – empurrei Jeff, enquanto via ele subindo na árvore pela escadinha. Ao olhar pra cima, fiquei encarando a bunda do Dono da Razão. Sempre foi uma parte do corpo do Jeff que me deixava muito sem graça quando tinha uns 12 pra 13 anos. Depois que ele chegou lá em cima, eu fui atrás. O Clarêncio estendeu a mão pra mim, até porque ele sempre gostou mais de mim que do Jeff. Nós dois sempre fomos como manteiga de amendoim e geléia.
Sentamos perto da janela. O Clarêncio olhou ao redor da casa da árvore todinha e riu quando viu que a placa da corrida de lagostas ainda tava pendurada na parede.

— Vocês lembram de quando fazíamos as corridas aqui? – ele comentou, tirando o casaco roxo e amarrando com força na cintura. – Eu gostava muito do Cicatriz... Sumo, sabe o que aconteceu com ele?

— Não sei. Acho que ele foi pra panela há, sei lá, um tempão. – respondi. – E você, Jeff? Lembra das histórias nojeeeentas que a galera contava aqui?

— Ah, nem me lembre. – ele tapou a boca. – Eu devo ter passado mal por 3 dias inteiros.

    Dei uma gargalhada alta. Ele pareceu bem constrangido, mas aquilo era engraçado. Quando parei de rir, voltamos a nos lembrar das coisas boas que fazíamos quando crianças.

— Sumo! Sumo! – me chamou Clarêncio, com entusiasmo. – E você lembra quando você e o Jeff brigaram? E eu fiquei pendurado na árvore?

  O Jeff ficou bem quieto depois que o Clarêncio falou aquilo. Acho que a gente teve o mesmo pensamento, quando quebramos ovos com minha cara desenhada. Tentei dar uma risadinha pra quebrar o gelo, mas ele continuou quieto.

— Por que a gente não muda de assunto, amigão? – empurrei uma pedrinha até ela rolar e cair no buraco da saída. Na mesma hora, tive uma ideia. – Clarêncio, fecha os olhos.

— Hein? Por quê? – ele perguntou, mexendo os dedos de um jeito esquisito. – É alguma surpresa, Sumo? É um presente??

— Er.... Isso! Um presente muito legal, que você vai gostar bastante, Clarêncio! Só fecha o olho. – falei. Ele colocou as duas mãos na frente dos olhos grandes e abriu um sorriso de orelha a orelha. – Não vale espiar!
   

Assim que ele finalmente parou de perguntar e concordou, finalmente pude fazer o que eu queria fazer. Passei a minha mão por cima da mão do Jeff e peguei no cabelo dele. E o jeito que ele tava me olhando me deixou com um formigamento na boca do estômago.
    Okay.. Na verdade, foi mais embaixo.

— Sumo, o Clarêncio tá aqui. – ele sussurrou, quase chiando.

— É só não fazer barulho, Jeff. – cheguei um pouco mais perto. Dava pra ouvir a respiração dele, igual nas novelas que a minha mãe assistia, onde o cara e a moça demoram uns 10 minutos pra se beijar, e tocam umas músicas melosas bem chatas. Depois de falar várias vezes que o Clarêncio não ia ver, ele aceitou dar uns beijos, mas nada demorado.

O Jeff não sabe beijar. Ele deixava a boca fechada, ou então mexia a boca na hora errada, e era bem engraçado ver ele resmungando por não saber beijar direito. E eu gosto disso, não só porque é gostoso eu ter que ensinar, mas também porque posso tirar sarro da cara dele por isso.

Clarence pov's:

O Sumo disse que tinha uma surpresa pra mim. Nunca imaginei que essa surpresa fosse ele e o Jeff estarem namorando!
Ele disse que não era pra eu espiar, mas eu não resisti. Afastei um dedo e abri o meu olho direito pra ver, e eles estavam se beijando de verdade, como namoradinhos! Pra não assustar eles, eu fiquei quieto, olhando bem discreto. Me lembrou a vez em que o Sumo tinha beijado a Chelsea aqui no nosso Arranha-céu, mas agora, com o Jeff! Suas mãos estavam bem juntas, uma fazendo carinho na outra. Quando eles acabaram, eu voltei a fechar os olhos, fingindo que não vi absolutamente nada.

— Sumoooo... – eu chamei. – E minha surpresa??

— Calma aí, amigão! Ela tá na... Na... Mochila do Jeff!
   
Continuei esperando com os meus olhos bem tampados. Quando ouvi um barulho de papel chacoalhando, eu os abri. Era um pôster muito incrível do Sapo Robô!

— Sumo! Isso é – Jeff gritou, e foi quando o Sumo disse pra ele ficar quieto.

— Uau! Que demais!! – gritei, animado. – E olha só quantos detalhes!

— É pra você, Clarêncio! Gostou, né? – perguntou, com os braços atrás da cabeça.

— Gostei! Eu vou pendurar na parede do meu quarto!

Jeff puxou o Sumo para bem perto, falando algo no ouvido dele que não consegui ouvir.

Jeff pov's:

Ele passou dos limites. Dar de presente ao Clarêncio o meu pôster do Sapo Robô, pelo qual tive que trabalhar duro e juntar muitos dólares pra comprar?  Agarrei em seu braço e o apertei com toda a força que poderia transferir para a minha mão.

— Você vai me dar outro, Sumo. – cochichei. – Isso me custou trinta dólares na loja oficial do Sapo Robô!

— Me larga aí, Jeff! Eu vou te compensar...

Enquanto discutíamos, o celular do Sumo tocou. Parecia ser importante, já que era o irmão mais velho dele, o Tanner, quem estava ligando.

— Não enche não. Que é? – Sumo atendeu. Durante a ligação, ele pareceu ficar um pouco mais alerta. Quando desligou o celular, o pôs dentro do bolso da calça jeans e se levantou.

— Eu vou ter que ir embora. – avisou, sem ao menos limpar as mãos sujas com a poeira da casa da árvore. Desceu rapidamente, sem falar mais nada. Correu por entre aquelas imensas árvores. 
    Fiquei sozinho com o Clarêncio. Ele também estranhou essa fuga repentina do Sumo, mas não perguntou nada, até porque eu não saberia responder, de qualquer jeito.

Sumo pov's:

Pro Tanner ligar pra mim daquele jeito, alguma coisa eu devo ter feito. Corri por entre as árvores e os arbustos, ouvindo as folhas secas se desmancharem na sola do meu tênis.

—-///--///--

Quando cheguei, os cachorros estavam arrastando pedaços de madeira na terra e latindo uns pros outros. Por enquanto, tava tudo como foi deixado.

— Sumo. – ouvi o pai me chamar, parado em frente a porta. Ele estava com uma cara torcida, então era provável que eu fosse levar uma puta bronca. – Precisamos conversar.

  Engoli o seco. Quando ele falava naquele tom, era mais do que um sermão que vinha por aí. Cocei o cotovelo, respirei fundo e andei até as escadas devagar, enfim entrando em casa.



Notas finais do capítulo

O que achou deste capítulo? Sua opinião é valiosa para mim.
Até breve!



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