Você pode seguir sozinho? escrita por Marianna Santos


Capítulo 7
Imprevistos podem acontecer


Notas iniciais do capítulo

Olá para quem ainda vive!
Well... Já faz um ano. Pessoal, venho trazer as minhas mais sinceras desculpas. Durante todo esse tempo que a história não havia sido atualizada aqui, eu passei por momentos muito difíceis da minha vida, além de não conseguir manter um foco. Confesso que quase cogitei realmente abandonar essa história, mas estou aqui. Acabei criando um afeto por ela, e espero que vocês possam entender que eu não a abandonei por querer.
Enfim, sem mais delongas... aproveitem o capítulo, se ainda estiverem na espera por ele. Novos capítulos serão adicionados em breve. Obrigada pela sua atenção!



Jeff pov's:

Depois de nossa última aula de biologia, Clarêncio e eu paramos um pouco na entrada da escola com alguns amigos. Minha cabeça ainda estava nas nuvens, pensando no Sumo.

— Jeff? Jeffrey? U-huh, planeta Terra chamando Jeff, tchhhh – Clarêncio oscilou a mão na frente do meu rosto. Seu chiado irritante me puxou de volta para a realidade.

— O que foi, Clarêncio?

— Você pode ir na frente? Eu vou em casa, eh... Fazer xixi – sussurrou, escondendo a boca com a mão esquerda. – E também vou conversar com a Bella!

Ah, ótimo. Era só o que me faltava. Isso é mesmo um motivo? Ou mais um pretexto bobo para nos deixar sozinhos por um tempo na casa da árvore?

— Tudo bem, Clarêncio. Eu... vou esperar você lá.

Por que concordei? Uau, que excepcional, minha cabeça não está no lugar, mesmo.

Ficamos mais alguns minutos em frente ao colégio, antes de Clarêncio ir embora para sua casa, da mesma maneira que fui para a minha.

—-//--//--

Assim que cheguei em casa, tirei meus sapatos, calcei minhas novas sandálias de velcro e caminhei até meu quarto. Pus os sapatos no canto, junto às minhas meias. Encarei o maldito dedo extra do meu pé, que, embora anormal, acabei por me acostumar aos poucos. Tirei meus livros da mochila e guardei-os em seus respectivos lugares, em ordem alfabética e de tamanho. Me sentei na cama, vestido com uma camiseta bege e uma calça jeans escura.

Ainda posso sentir os dedos do Sumo acariciando meu queixo. É uma sensação indescritível, vinda de um sentimento muito confuso. Quando eu tinha uma pequena paixonite pela Malésica, não me senti dessa maneira. Claro, o coração acelerava, mas... Quando estou próximo demais do Sumo, parece que tudo desaparece, e meu corpo e mente entram em colapso.

Tiro do criado-mudo uma velha fotografia. Onde eu tinha cortado o Sumo, pois estava com raiva do que ele tinha feito. Wow. Isso tinha sido mesmo necessário?

Mamãe bateu na porta. Com a mão pesada que tinha, era difícil não escutar.

— Jeffrey, está ocupado? – questionou, do lado externo do meu quarto.

— Oi? Não não estou – rapidamente, guardei a foto novamente na gaveta. – Algum problema?

— Sue mandou dizer para não voltar muito tarde, já que disse que vai sair com seus amigos.

— Tudo bem. – respondi baixo. Alguns minutos depois, não ouvi mais a voz dela do outro lado da porta.

Apenas respirei e deixei que minha mente relaxasse por um momento. Arrumei a mochila para fazer a lição na casa da árvore, e pus entre a capa do caderno, uma foto minha com o Sumo, bem na frente da West Aberdale High School. Gosto de admitir que Ryan fica muito bem no uniforme.
Saí de casa sem cerimônias. Com minha mochila nas costas, caminhei pela calçada tranquilamente. Atravessei a rua, segui pela rota habitual.

   A interminável trilha de árvores aparecia aos poucos, conforme andava mais adiante. Adentrei a floresta, pisando nos gravetos caídos no chão. Repentinamente, comecei a ouvir passos.

E não eram só os meus.

— Aí, moleque! Tá andando aqui por quê? – perguntou um garoto moreno. Ele parecia baixo, mas ainda assim, devia ser alguns centímetros mais alto que eu. – Clandestinos na nossa área, hein? Precisa tomar umas porradas!

O jeito como gesticulava enquanto me dirigia ameaças era intimidador. Apertei as alças de minha mochila e dei dois passos para trás. Fui surpreendido por mãos firmes e frias segurando meus braços.

— Eca! Robalo, esse aqui tá fedendo à sala de aula! Irc! – zombou. Quando olhei para trás, não consegui ver muito de seu rosto. Mas identifiquei uma cicatriz no seu olho direito, o que o deixou muito mais assustador para mim.

— E aí, Cooter? O que vamos fazer com ele, hã? – o tal "Robalo" se aproximou, mostrando os dentes amarelados num sorriso excêntrico.

— Arranca a mochila do garoto. Vê se tem alguma coisa que valha uma grana boa.

Assim que Cooter me empurrou, minhas costas se chocaram contra o peito do amigo dele, que puxou a minha mochila com toda a força que tinha.

   Vasculharam tudo. Atiraram meus materiais ao solo, manchando as capas com a terra suja. Lutei para tentar recuperar minhas coisas, mas Cooter continuava me segurando para que Robalo pudesse mergulhar sua mão suja cheia de bactérias dentro da minha mochila limpa.

Quando Robalo pôs a mão no meu caderno, a foto caiu.

— Que é isso aí? – Cooter indagou, apoiando o queixo no meu ombro, fazendo-me estremecer de um modo bem desagradável.

— Me deixem ir embora, eu… Eu não passo mais por aqui, é sério! E-Eu nem gosto desse caminho! Me devolve essa foto, agora!! – tirei coragem de onde não havia, para falar firme com eles, mesmo que minha voz estivesse a falhar. Uma boa olhada na fotografia. Aquilo foi o suficiente.

— Olha aqui, Cooter! É o fracassado do Sumozski! – exclamou, batendo na foto. – Olha como ele tá ridículo!

— Hahaha, tá mesmo!! E aí? O Sumo é seu namorado, é? Quadradão!

    Ambos começaram a me provocar. Insinuando que estávamos juntos, riam de mim, me chamando de quadradão e CDF, enquanto me empurravam de um canto a outro. Simplesmente tropeçava nos meus próprios pés. Ah, por quê??

   Mais passos se aproximavam de nós. Ergui-me e olhei para frente.
Sumo estava há uns 10 pés de distância, meneando a cabeça, num gesto bem notável de desagrado. O tal Cooter me apertou com um pouco mais de força.

— Saca só quem veio para a festa, Robalo…

— Larga ele, Cooter. – Sumo disse grosseiramente. Sem tirar as mãos de dentro dos bolsos da calça rasgada, ele ficou esperando os dois se afastarem.

— Qual é, Sumo… Vai me dizer que o quadradão aqui é seu amigo? Porra… – fez uma pausa para me soltar. Toquei o chão, sentindo os galhos e a sujeira na minha palma. – Você ainda tem aquele cheiro ruim de escola!

 Era um momento real de tensão. Sumo olhou para os dois meninos, rolou os olhos e levantou a sobrancelha. Se aproximou de mim e estendeu a mão para me levantar.
Tirei a terra dos joelhos e fiquei de pé, recolhendo meus materiais.

— Fica atento, Sumozski – Cooter disse, antes de ir embora com seu amigo. – Da próxima vez, essas mãos aqui vão estar prontas pra acertar sua cara.

    Os dois foram sumindo entre as árvores aos poucos. Pude finalmente respirar tranquilo.
Mas tive paz por muito, muito pouco tempo.

— Falou alguma coisa pra eles? – perguntou com indiferença, me confundindo.

— O que? Sumo, do que você tá falando?

Ele hesitou. Logo em seguida, pôs a mão sobre o meu ombro.

— Nada. Vamos, o Clarêncio tá esperando a gente.

— De onde você conhece eles?

O Sumo ficou quieto, do nada. Segurou na minha mão e fez um carinho chato nos meus dedos antes de falar.

— Velhos amigos. – soltou um suspiro pesado.

— Isso não vai te causar problemas? – perguntei. – A fotografia, e aqueles meninos... Eles podem falar coisas ruins de mim.

Sumo me encarou com uma expressão muito séria. Aparentando estar nervoso, ele soltou minha mão e se afastou.

— Sempre preocupado só com o próprio nariz, não é? Sr. Dono da Razão? – falou, exaltado. –  Argh, que idiotice!

— Sumo, estou preocupado com nós dois! Mas, diferente de você, eu tenho uma reputação para manter. – retruquei. O que eu tô fazendo??

— Que reputação? Hein? Você tá fazendo de novo, Jeff! É por isso, por isso que eu não te suporto!

— Eu não sou obrigado a ouvir você. Já chega, estou indo para casa. Fala pro Clarêncio que depois, ele pode passar na minha casa quando quiser.

Minha cabeça ficou muito confusa. Entre o meu orgulho e o meu sentimento, parecia que o primeiro falara mais alto. Mas ainda estava numa guerra interna. E ele ficou parado!
    Assim que atravessei seu caminho, ele agarrou meu pulso e me puxou para perto. Perto demais.

— Você sabe que eu detesto você. –  ele sussurrou. – Eu detesto... Ugh... Gostar de você.

    Minha respiração ficou acelerada e meu coração batendo forte. E não era nenhum problema de saúde, acho que era algo que nunca senti verdadeiramente por ninguém.

Sumo passou os dedos pelo meu cabelo e segurou minha nuca com uma firmeza impressionante. Eu sentia sua mão suando, e eu conseguia ouvir a respiração dele. Afastei um pouco o rosto, mas... Quando ele pegou no meu queixo outra vez, do jeito que ele tinha pego quando estávamos na escola, eu não consegui resistir.
Nossas bocas se tocaram de novo. O jeito espontâneo de Sumo me beijar fazia com que eu me sentisse incompleto de alguma maneira. Eu não sabia beijar direito. 

— Jeff, abre a boca... – ele cochichou no meu ouvido. 
Ryan parecia ter uma maneira única de beijar. Uma coisa bem... Eu não tenho nem palavras para descrever. Sentindo o calor da boca dele na minha, e os movimentos que ele fazia dentro dela era uma coisa totalmente nova pra mim. 

— Me larga, Sumo... – a minha voz falhou. – S-Sério...
    Os olhos dele tinham um brilho difícil de explicar. Soltou minha nuca e me deixou novamente em pé, e segurou minha mão, como fez antes. 

— Vamos, Jeff. O Clarêncio tá esperando. – ele disse, sorrindo. O meu coração ainda estava acelerado acima do normal. Entrelaçamos os dedos e andamos daquele jeito, até chegarmos na casa da árvore.

Porém, tive a sensação de estarmos sendo observados...



Notas finais do capítulo

O que achou deste capítulo? Sua opinião é valiosa para mim.



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