Você pode seguir sozinho? escrita por Marianna Santos


Capítulo 6
Reconciliação


Notas iniciais do capítulo

Olá, meus doces! Como passaram essas férias? Bem, sem enrolação, vamos direto ao assunto?
Sim, estive muito tempo longe do Nyah, apenas revisando os capítulos já postados, e por conta da falta de internet repentina, não pude atualizar essa fanfic. Mas, cá estou eu, e o capítulo novo veio comigo! Yay!
Acima de tudo, quero que me desculpem pela demora, e ter deixado esta fanfic criar dengue virtual. Espero imensamente que gostem do capítulo. Deixem sua opinião, para que eu saiba que estão lendo, até um "continua" é o suficiente. Beijos, até breve!



Jeff pov's:

Amanhã se iniciam as aulas. Felizmente (e surpreendentemente), Sumo não nos acompanhará esse ano mais uma vez. Todos os dias, venho me perguntando como ele não foi expulso da West Aberdale High School.
Falando no Sumo... Ele parecia diferente. Muito diferente.
    Minhas roupas estavam impecávelmente lavadas, passadas e dobradas nas gavetas corretas. Minha mochila já pronta, com todo o essencial. O relógio preparado para despertar-me, minutos antes das sete em ponto. Tudo indiscutivelmente perfeito, como eu.
Perfeito...

Autora pov's: 

    Eram exatas duas da manhã quando o celular de Sumo tocou. Ao atender o aparelho, a voz confiante e largada chamou pelo seu nome na linha.

— Sumo, tá podendo falar agora?

— Neh... Tô.

— Não adianta fugir, Sumo. A gente ainda tem que conversar sobre aquilo. – Chelsea dizia num tom agressivo. – Mas não pelo telefone. Nem pela internet. Tem que ser agora e pessoalmente.
Sumo olhou para os irmãos amontoados uns nos outros, roncando alto e babando. Ainda eram duas horas? De qualquer jeito, ele não pretendia demorar muito lá fora.

— Onde?

— Na calçada do pântano da pizza. Não demora muito, não.
    A adolescente de cabelos cacheados desligou o telefone e encerrou a ligação, deixando Ryan um pouco nervoso. Aquela seria a noite em que tudo seria resolvido.
  Sumo passou a mão pelo cabelo que ainda restava na sua cabeça. Tirou da sua gaveta um moletom preto para não passar frio, e calçou um tênis velho que pertenceu à um de seus irmãos de maior idade. Caminhou até a entrada, abriu a porta lentamente. Por muita sorte, todos os cães estavam a dormir, já era algo a favor. Foi embora de casa, com o pensamento pesado percorrendo o trajeto mais que conhecido para encontrar a ex-namorada.
Chelsea esperava sentada na calçada. Usava um short jeans, um suéter púrpura e um casaco verde-fluorescente. Ele não levou muito tempo de casa até o Pântano da Pizza.

— Então... Senta aí. – disse Chel. – Olha, peguei com o filho do meu vizinho – a morena apresentou uma garrafa de vodka pela metade.

— Era isso que você queria falar?

— Claro que não. Sumo, eu sei o que tá rolando, beleza?

— O que tá rolando? – ele parecia se fazer de desentendido. A mais alta suspirou e olhou para o céu estrelado.

— Eu sei que você terminou comigo por causa dele.

— Por causa de quem?

— Sumo, não se faz de idiota! Eu vi como vocês estavam flertando lá no Frangos da Cavalaria, assim como eu vi quando vocês... – ela ficou sem palavras. Aquilo sem dúvida era complicado demais. – Você terminou comigo por causa do Jeff. Não adianta negar, Ryan.

— Mas eu não tô negando nada. – encheu a mão com um punhado de areia e esfregou-a entre os dedos.

— Eu gostava de quando você aparecia com o Clarêncio, pra dar um rolê de skate comigo e com a Rita, mas depois de um dia daqueles da nossa infância, você do nada só andava com o Jeff.

Ele resmungava e rosnava baixo. Com as mãos sujas de areia escondidas nos bolsos do moletom, ele ouvia a ex relatar tudo o que ele já havia feito após a tarde que passara com Jeff quando ainda eram novos. O movimento nas ruas era mínimo. As luzes de alguns postes piscavam e os olhos de Sumo concentravam-se no par de tênis enroscado na fiação.

— Eu ainda gosto de você. – ela disse, tirando a tampa da garrafa de bebida. O cheiro era forte, aparentava enjoá-la um pouco. – Topa?

   Deu uma boa tragada no conteúdo da garrafa. A garganta ardeu e ele não conteve uma crise de tosse, o que arrancou de Chelsea algumas risadas.

— É sério, eu ainda gosto mesmo de você.

— Eu não... Eh, eu não sei. – ele corou levemente. – Acho que eu... Sei lá. 

— Olha, se você não quiser voltar, tudo ok, mas não esconde mais as coisas de mim. A gente é amigo agora, né? – ela deu um soquinho no ombro de Sumo, tirando dos lábios dele um sorriso desconfortável. – Tem uns pedaços de madeira logo ali atrás! Vamos bater nas latas de lixo?

— Lata de lixo! Lata de lixo! – ele se animou. Ela deixou a garrafa lá mesmo na calçada, e no momento de adrenalina, gritou:

— Yeah! Nós mandamos nesta merda!

— Morre, lata de lixo! Morre! Eheh... Heheheh... Eh...

Chelsea ergueu a mão para o ex. No fim, as latas de lixo da rua ficaram amassadas e irreconhecíveis, e ambos foram embora de mãos dadas, contando piadas e discutindo sobre quem era mais nojento.

— Amigos? – ela sorriu com dentes livres, sem mais uso daquele aparelho de quando era mais nova.

— Amigos!!
 

(DIA SEGUINTE, 08:45H)

Jeff pov's:

— Jeff! Jeff! Aqui, aqui!! – Clarêncio acenava para mim, e apontava para uma carteira vaga onde ele queria que eu sentasse. É claro... 
Depois que o Sumo foi transferido, mesmo o encontrando todos os dias após todas as aulas, o Clarêncio não parecia mais o mesmo. Ele quase teve um ataque quando o aluno novo, um australiano chamado Marlin se sentou na cadeira vazia que era do Sumo.

— Ô, Jeff! – ele chamava a minha atenção. – Jeff, o Sumo e eu vamos lá pra casa na árvore... Vai ser muito divertido! A gente vai levar balões de mostarda, pra jogar nas árvores!

— Eu acho que dispenso essa brincadeira.

— Nã-ah! Não vou aceitar um não como resposta, mocinho! Você vai comigo, e vamos encontrar o Sumo, e vamos subir na casa da árvore, e vamos... Jeff! A gente pode ver esquilos, e vacas, e leões e dinossauros! Será que as vacas gostam de... "Moostarda"? – Clarêncio riu alto, como sempre fez. Se eu dissesse que aquilo foi um pouco sem graça, eu estaria mentindo.

— Vai mais alguém? – perguntei, abrindo o meu caderno. 

— Não, só nós três. Como nos veeelhos tempos!

— Ah, certo. Tudo bem, eu acho.

— Jeff, o Sumo mandou entregar isso pra você, ó. – aproximou-se Nathan, jogando nas minhas mãos um bilhetinho amassado com cheiro de molho de carne. 

"Tá na hora da gente resolver o que nós vamos fazer. Me encontra no horário do recreio, atrás do ginásio da sua escola. Tô te esperando lá. -Sumo".

Resolver o que vamos fazer. Ora, droga...

— É do Sumo? Eu posso ler?

— Não, Clarêncio. É melhor... deixar aqui. Não é pra ler.

****

O sinal tocou mais rápido do que eu esperava. A multidão saiu em disparada da sala. A professora Richiman (nossa nova professora de inglês) suspirava e ajeitava o cabelo ruivo meio bagunçado. 

— Vamos, Jeff!
Eu estava nervoso, e suava frio. Eu ainda não estava pronto pra encarar o Sumo de novo, e além do mais, Clarêncio também não sabia o que fizemos.

Chelsea passou por mim sem dar um oi, como de costume. Mas, diferente das outras vezes... Ela não fez cara feia. Olhou pra mim por alguns minutos, e saiu de sala.

— Jeff! Vamos! Jeff! Jeff!!

— Calma, eu já tô indo! Só tenho que ir no banheiro. Será que pode esperar?

Ele se retirou torcendo o rosto. Respirei fundo, li o bilhete outra vez. Onde ele disse que estaria? Atrás do ginásio da escola?

Tirei da mochila meu bloco de notas, escrevendo nele três nova linhas sobre o Sumo. As folhas já estavam acabando, de tanto que eu escrevi. Esfreguei os olhos, guardei o bloquinho e saí.
    Eu precisava ir até o ginásio sem que ninguém me notasse. Principalmente, o Clarêncio. Andei rápido, sem parar por nada nem ninguém. Meu cabelo estava desarrumado? E se o suéter estava amarrotado?
Sumo realmente estava no lugar que combinou. Estava com o uniforme da West Aberdale, a camisa verde e a calça creme. Aquele visual... Nunca combinou muito bem com o Sumo.

— Achei que não ia vir. – ele estava sentado no chão, com os joelhos cobrindo o peito.

— Sumo, eu... – antes que pudesse falar mais alguma coisa, ele me cortou.

— A Chelsea e eu conversamos. Ela não vai mais te incomodar. – falou, coçando a única mecha de cabelo da cabeça. Levantou-se do chão e apoiou a mão nos meus ombros.

Meu coração batia rápido, como nos dias de concurso de comida da feira anual. Sumo ia perceber, pois estava um verdadeiro silêncio lá atrás. Ele olhava fixamente pra mim.

— Jeff...

— Ryan. – retruquei, olhando para baixo. Senti os dedos dele segurarem o meu queixo.

— A gente pode... Sei lá, tentar de novo?

    Eu fiquei muito nervoso. Fechei os olhos e respirei bem fundo.

— Eu não sei. Ainda não me sinto seguro...

— Er... Ah.. Então tá, mas... Bom, eu te espero na casa da árvore, então. – ele sussurrou e me deu um beijo leve no canto da boca. Eu corei, estremeci, fiquei mais nervoso do que já estava.

— T-Tudo bem.

Ele apertou minha mão e me deu um abraço meio desajeitado. Baixou a cabeça, alisou o braço direito e soltou meu ombro.

— Você está tão... Qual é a palavra adequada pro seu gesto, hein, Sumo? – perguntei, sorrindo.

— Gay?

— É... Você está tão gay.

— Você também.
O sinal tocou. O recreio tinha acabado, e não passei tempo suficiente com o Sumo. Talvez eu esteja bem mais seguro sobre ir até a casa da árvore com ele e o Clarêncio agora.





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