Você pode seguir sozinho? escrita por Marianna Santos


Capítulo 2
Seria melhor relaxar


Notas iniciais do capítulo

Oii, doces! Desculpem tanta demora, mas aqui está!
Espero que gostem c:



Jeff voltou pro quarto, com o mesmo bloco de notas de antes em mãos. Guardei as fotos dentro da gavetinha da mesa de canto, sem que percebesse. Se sentou na cadeira de frente para o computador, ainda escrevendo "bobagens" como tinha dito.

— Jeff. – me levantei, e fiquei em pé atrás dele. 

— Clarêncio.

Ele se virou junto com a cadeira, ficando de frente pra mim. Insistindo em abaixar sua cabeça, tenta esconder que possui um pouco de vergonha em meio a essa conversa. 

— O quê está acontecendo com você?

— Eu já disse que estou bem. Está sendo insistente.

— Consigo ver que você não está nada bem. É alguma coisa com o Sumo? Qual é o seu problema com ele e a Chelsea? – perguntei. Jeff me empurrou, nervoso. Fugindo da questão, ele semicerrou seus olhos claros, e cruzou os braços, arrebitanto o nariz. 

— Não é nada com aquele poço de encrencas! Eu já disse que estou legal, e acho que já é hora de você voltar para casa.

Ele me enxotou do quarto, batendo a porta com força. O tal não adiantou, já que ficou escancarada com uma pequena brecha visível por ela. Pus o olho entre a brechinha da porta, e pude ver Jeff se sentar na cama, com os olhos embaçados por lágrimas, que cismou secar as incessantes que caíam com alguns lenços de papel dentro da gaveta onde escondi as fotos em qual ele cortou Sumo. Tem alguma coisa acontecendo com ele, e receio que Sumo esteja envolvido nisso. Saí, arrumando o casaco. Até mesmo meu senso de felicidade se perdeu quando o vi daquele jeito, sem poder consolá-lo. Está envolvido num casco de segredos, um casco do qual ele não quer sair. Chelsea apareceu mais uma vez, tocando meu ombro. Jogou pra trás o cabelo, seco e volumoso. 

— Precisamos conversar. – ela resmungou, batendo o pé. Será que todo mundo que eu gosto está em crise? Andamos até minha casa, e nos sentamos na calçada.

— Sumo ainda não responde minhas mensagens. E preciso urgentemente falar com ele.

— Então, você quer que eu fale com ele pela internet? – me fiz de bobo. É claro, é o que ela quer. O problema é que Sumo não fica conectado diariamente, nem mesmo de vez em quando. 

— Sim. Faça o possível. Ele não quer me responder. – ela disse, me dando um beijo na bochecha e indo embora em seguida. Entrei em casa, todas as luzes apagadas. Dennis, nenhum sinal do animal. Minha mãe e Chadão estão dormindo. Entrei no quarto, me deitando sobre a beliche. O velho papai noel entre as ripas da cama de cima, que antes me "auxiliava" com algumas questões mais complicadas, agora só me dá um pouco de medo por seus olhinhos esbugalhados, escondidos em meio ao escuro. Mamãe apareceu de repente na porta, em silêncio.

— O quê faz acordado, filho? – ela bocejou, amarrando a fita que fecha seu roupão cor-de-rosa.

— Pensando.

— Tudo bem. Não esquece de apagar a luz quando for dormir.

Ela saiu da porta. Voltou pro quarto, tenho certeza. Liguei o computador, tentando fazer contato com Sumo. Ainda não atendeu. Vai acabar sendo inútil. De repente, uma mensagem dele apareceu.

"Oi, Clarêncio. Avisando que chego amanhã."

Foi só o que ele falou. Depois, ficou offline. Troquei de roupa, e voltei a me deitar. Meus olhos começam a pesar lentamente, me trazendo um pouco mais de cansaço. Mas mal consigo dormir, pensando no Jeff e no Sumo, e no que eles podem estar metidos para um não querer falar com o outro. No bolso do meu casaco, guardei uma foto. Uma foto que ainda está inteira. A foto de quando éramos pequenos... De quando eles finalmente conseguiram se entender. Eu não queria que Jeff cortasse Sumo dessa fotografia. Por uma questão de lembrança. O sono começou a falar mais alto. Amanhã, já é um novo dia, e então verei Sumo. E poderei ajudar os dois, é o que pretendo.

    ////

É cedo. Me levantei e fui direto para a cozinha tomar meu café. Sumo prometeu que chegaria bem cedinho hoje. Bebi um copo de leite, junto com meu cereal. Mordi um pedaço de pão torrado e saí para andar um pouco. Não demorou e encontrei Breen no caminho. 

— Oi, Clarêncio. – ele acenou. Arrumando sua gravata borboleta verde, sorriu sinceramente como uma pessoa que não tem nenhum problema na vida.

— Oi.

Nos distanciamos calmamente. Ele também é meu amigo, mas seus pais acham que sou uma má influência. Por quê? Deve ser pelo jantar onde destruímos o piso do sótão no dia. Que pena, a casa dele era divertida. 



Notas finais do capítulo

Gostaram?
Desculpem se tiver ficado pequeno :c prometo que logo postarei mais um!
Como será que isso vai se resolver? :3