Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 50
[2ªT] 12. Toque


Notas iniciais do capítulo

NÃO AGUENTEI, eu ia esperar mais uns dias pra postar esse capítulo, mas eu tava super ansiosa. Sério, HAHAHA. Espero MUUUUUUITO que gostem! ♥




[2ª TEMPORADA]

Capítulo 12

 

 

Eu te quero tanto, me diga o que é tão errado?

(...) Não desista de mim, amor. 

Quando eu tropeçar, 

quando eu agir um pouco louco, 

lembre-se que o meu amor por você não vai desaparecer, 

o mantenha em chamas.

Barcelona - Fall in Love

 

   Eu abri a boca para perguntar o que ele fazia aqui, mas não saía uma palavra. Daniel sorriu para mim e eu dei um passo para o lado, dando-lhe passagem para ele entrar no apartamento.

— Eu soube que alguém estava precisando de mãos extras - ele disse. - Então, eu vim.

   Fechei a porta e o olhei desacreditada, suspirando por fim. 

— Isso é... - engoli em seco. - Não precisava, eu já comecei a pintura.

— Agora já estou aqui. - ele deu de ombros. - Me diga o que fazer e eu farei.

   Sorri e assenti. Ouvimos um miado e olhamos para baixo ao mesmo tempo. Arregalei os olhos ao ver Greg enroscado nos tornozelos de Daniel, esfregando-se contra ele como se ele fosse um belo pedaço de peixe. Daniel riu e se agachou, fazendo carinho no meu gato, que fechou os olhos e aproveitou as carícias. 

   Gregory nunca havia se esfregado em Cameron. E a primeira reação dele ao conhecê-lo foi se arrepiar inteiro e correr para se esconder em meu quarto. O desgosto sempre foi mútuo entre eles.

   E aqui está a bola de pelos se esfregando em Daniel como se o conhecesse a vida inteira. Isso é inacreditável.

— Ele gostou de você - falei baixinho.

— Eu também gostei dele. - Daniel sorriu. - Quem é a coisinha mais fofinha e lindinha? Quem é? - ele fez voz de bebê para o gato, me fazendo rir feito uma idiota. 

— O nome dele é Gregory - falei. - Mas pode chamá-lo de Greg.

— Vem cá, Greg - Daniel sussurrou, pegando Greg no colo e o embalando como se fosse um bebê. - Ele é tão bonitinho, acho que vou roubá-lo.

   Revirei os olhos rindo e tirei Greg dos seus braços, voltando a colocá-lo no chão. Segurei Daniel pelo pulso e o arrastei até a sala, onde estava todo o material de pintura.

— Eu já estou quase terminando essa parede - expliquei. - Mas ainda faltam aquelas duas.

— Então eu cuido delas - ele disse, tirando sua jaqueta e colocando-a no sofá. 

   Tentei ignorar a visão da sua blusa branca em seu corpo.

— Cuide apenas daquela - pedi, apontando para a parede do outro lado da sala. - Essa do meio nós podemos pintar juntos por último, para facilitar.

   Ele concordou e pegou tudo o que precisava, indo até o outro lado. Fiquei um tempo observando ele pintando a parede, enquanto também cantarolava uma música do Nirvana que tocava. Eu não sabia se era todo o sentimento por vê-lo ali, pintando paredes comigo, ou se era a voz do Kurt Cobain ressoando em meus ouvidos. Mas naquele momento eu me sentia feliz. Ridiculamente feliz.

   Passamos um bom tempo pintando as paredes e passando a segunda demão. Quando terminamos, já era quase duas horas da tarde e meu estômago roncava de fome. Meus ombros também pediam por misericórdia. 

— Acho que está na hora de almoçarmos - Daniel disse, deixando o pincel de lado e esticando os braços para alongá-los. - Podemos terminar depois de nos recuperarmos. 

   Eu assenti e também estiquei meus braços, sentindo meus ombros tensos. Aquilo era realmente cansativo. 

— Eu vou preparar algo para nós dois - suspirei, me virando para ir até a cozinha. 

   Daniel segurou meu pulso antes mesmo de eu dar o primeiro passo e me olhou como se eu fosse louca.

— Eu vou pedir algo para comermos - ele disse. - Apenas sente e descanse. 

   Concordei aliviada e ele pegou seu celular. Sentamos lado e lado no meio da sala, em cima do tapete e com as costas apoiadas no sofá. Todos os móveis da sala estavam amontoados ao nosso redor, já que eu tive que afastá-los das paredes. 

— O que você prefere? - ele perguntou. - Comida chinesa, tailandesa, brasileira...?

— Chinesa - respondi. - A não ser que você prefira outra coisa. 

— Pode ser chinesa - ele disse, sorrindo levemente enquanto procurava um número na sua lista de contatos. - Eu gosto. Já estou quase virando chinês de tanto comer yakissoba e rolinhos primavera, aliás.

   Eu ri enquanto ele ligava para o delivery e fazia os pedidos. Ficamos sentados lado a lado, conversando e ouvindo música, enquanto a comida não chegava. Era relaxante, mesmo com todo o cansaço. E quando nossa comida chegou e voltamos a nos sentar no tapete da sala, nos babando com o molho do yakissoba e rindo feito dois adolescentes, eu soube.

   Se eu não tomasse cuidado, tudo voltaria como um tsunami sobre mim. Ter Daniel tão próximo novamente, me ajudando e me fazendo rir, era problemático. Tê-lo aqui, sentado no chão tão próximo a mim e me ajudando a limpar molho de comida da minha bochecha, era o mesmo que assinar um decreto dizendo que eu estava aberta a receber todos os sentimentos novamente. E eu não estava.

   Mas, apesar disso tudo, eu não podia negar aquele fato óbvio: Daniel Sullivan era como um sopro de vida em mim. Suave e relaxante, fazendo todo o meu conflito interno dissipar em segundos. E eu amava isso.

***

   Quando a noite chegou, todas as paredes já estavam pintadas. 

   Eu me joguei no sofá, sentindo-me morta por dentro e por fora. Daniel levantou as minhas pernas e sentou onde elas estavam largadas antes, colocando-as em seu colo. No estado em que eu me encontrava, eu nem me importei. Ele jogou sua cabeça para trás, descansando-a no sofá, e respirou profundamente.

— Isso é realmente cansativo - ele disse baixinho. - Mas ficou bom. Já podemos abrir um negócio próprio.

— Seremos os maiores e mais cansados pintores de Nova York. - sorri de olhos fechados, jogando um braço sobre meus olhos.

Jome - Cinnamon

Pude sentir seu corpo sacudir levemente e eu sabia que ele estava rindo. Ficamos uns bons minutos descansando, apenas ouvindo a respiração um do outro. A música do rádio estava tocando bem baixo e eu estava quase dormindo quando senti os dedos de Daniel massageando meus tornozelos. Tentei mandá-lo parar, mas faltou forças. Eu estava realmente cansada. Acabei esticando mais as minhas pernas e ele continuou com a massagem. Aos poucos senti seus dedos quentes e habilidosos subirem vagarosamente para as minhas panturrilhas e eu não consegui controlar um suspiro. Aquilo era muito bom.

   Engoli em seco e senti meus batimentos cardíacos aceleraram consideravelmente quando os arrepios começaram a subir pelo meu corpo. Aquilo era tortura. Daniel sabia a reação que causava em mim; ele sempre soube. Só podia estar fazendo de propósito.

   Retirei meu braço de cima dos olhos e o olhei disfarçadamente. Ele massageava minhas panturrilhas distraidamente, com o olhar perdido em minha pele pálida. A cada novo apertão que ele dava contra a minha pele, eu sentia um choque suave. Mordi meu lábio inferior, tentando controlar a respiração mais acelerada. E sem conseguir mais, eu puxei minhas pernas rapidamente. Ele me olhou assustado e confuso. Eu suspirei, desviando o olhar do seu e apoiando meu tronco sobre meus cotovelos no sofá. 

— Daniel, é melhor parar - falei num fio de voz, era óbvio que eu estava um pouco ofegante.

   Um sorriso lento se formou em seus lábios bonitos e seus olhos brilharam estranhamente. Eu sentia vontade de gritar todos os palavrões que eu conhecia quando ele fazia isso. Céus, eu não podia. Me remexi onde estava, tentando encontrar forças para ficar de pé, mas ele puxou meus tornozelos para o seu colo novamente. Suas mãos quentes contra a minha pele e eu quis deitar outra vez e nunca sair do seu alcance. Ele apertou minha pele levemente, enquanto permanecia com aquela expressão direcionada a mim. Para quem estava distraído antes, ele parecia ter plena noção do que estava me causando agora.

   Umedeci os lábios, sentindo meu corpo esquentar e a respiração acelerar. Eu não podia permitir aquilo. Pelo amor de Deus, ele estava apenas me tocando nos tornozelos, não era possível que me corpo reagisse dessa forma à isso. Era ridículo. Patético.

   Desesperador. 

— Quero apenas que você relaxe - ele disse, com um tom de voz tranquilo e totalmente falso. - Apenas deite-se e aproveite.

— Você é um... - arfei baixinho, tentando puxar minhas pernas novamente. - Daniel, isso não se faz.

— Isso o quê? - ele me olhou com uma expressão inocente. - É apenas uma massagem.

   Cretino. Eu quis chutá-lo no rosto, mas estava desnorteada demais para isso. Seus dedos continuavam subindo para as minhas panturrilhas. Eu não sabia se era porque aquela área era uma das partes mais sensíveis do meu corpo ou se era apenas ele, mas aquilo estava me matando.

   Em um surto de consciência, eu sentei no sofá rapidamente. Minhas pernas ainda sobre o seu colo. Nossos rostos ficaram mais próximos, mas ainda assim ele era mais alto do que eu. Levantei o rosto, olhando-o nos olhos enquanto tentava parecer o mais séria possível.

— Eu não preciso de massagem - falei, mas minha voz saiu absurdamente rouca. Pigarreei vendo-o tentar prender um riso. - Eu estou ótima, obrigada.

— Precisa, sim - ele disse baixinho e eu pude sentir o seu hálito de menta, do chiclete que havíamos comido há um tempo atrás. - Eu apenas quero cuidar de você, Ally.

   Meu Deus, não. Meus olhos desviaram para os seus lábios e eu engoli em seco. Voltei a olhá-lo nos olhos, sentindo minha mente atordoada. Eu não sabia mais o que estava fazendo. Talvez por isso eu tenha feito o que fiz. Fazemos coisas idiotas quando estamos em certo estado de torpor. Como, por exemplo, pular para o colo do cara que massageou suas panturrilhas como se ele fosse o maldito último homem do planeta. Ou um belo pedaço de chocolate.

   Eu juro que estava totalmente fora de mim e sem noção do que estava fazendo quando pulei em seu colo e agarrei seus cabelos. E quando sua mão quente veio para  minha nuca e puxou meus lábios na direção dos seus, eu estava fora de mim. Éramos mãos e línguas, e eu sentia seu aperto forte em minha cintura. Minhas pernas dobradas ao lado de suas coxas e meu corpo querendo estar cada vez mais próximo ao dele. 

   Ele passou a ponta de sua língua suavemente pelo meu lábio inferior, enquanto seus dedos infiltravam-se nos meus cabelos. Suspirei, segurando seus ombros com força enquanto ele apertava minha coxa com a outra mão e me puxava contra ele. Eu pude sentir o seu volume pressionar minha virilha. Pude sentir minha alma sair do meu corpo, também. Mas os sentidos ainda estavam ativos. Porque quando ele me agarrou com força e me jogou contra o sofá, ficando sobre mim enquanto nos beijávamos avidamente, eu enlacei minhas pernas em sua cintura como se nunca fosse soltá-lo.

   E eu realmente queria mantê-lo ali, por quanto tempo fosse possível. Queria que todas aquelas sensações absurdas tomassem conta de mim de forma cada vez mais profunda... Se eu não tivesse um noivo.

   Minha mente estalou e eu arregalei os olhos, tentando não gemer com a sensação de seus lábios quentes contra a pele do meu pescoço, beijando e mordendo levemente toda a área. 

— Meu Deus... - suspirei, ofegante, segurando seus ombros e empurrando-o fracamente. - Daniel, não...

   Ele não me ouviu. Seus lábios foram descendo em direção aos meus seios. Eu fechei os olhos sentindo tudo se revirando dentro de mim. Era uma sensação tão boa, tão plena... Eu não sentia aquilo havia muito tempo. Talvez desde a última vez que estivemos juntos. Céus, eu nunca mais havia sentido aquilo. Não daquela forma, tão forte e tão quente. Daniel incendiava cada parte minha e eu não sabia lidar com isso. Eu me sentia minúscula diante de tudo aquilo. Era como se eu perdesse a consciência de tudo e se formasse uma bolha ao nosso redor.

   Seus dedos desceram a alça da minha blusa e seus lábios se arrastaram sobre o topo dos meus seios. Minha pele pegava fogo. Eu engoli em seco. Minhas mãos, que haviam tentado afastá-lo pelos ombros, agora agarravam seus cabelos escuros fortemente. Eu precisava desse homem de todas as formas possíveis. Olhei para baixo, os lábios levemente separados sem conseguir emitir uma palavra. Ele levantou seu olhar rapidamente para mim. Seus olhos verdes estavam mais escuros e seus lábios avermelhados. Os cabelos bagunçados e alguns fios caindo sobre a testa. Ele era bonito e quente como o inferno. 

   E quando ele segurou meu rosto e seus lábios pressionaram fortemente os meus novamente, meu celular tocou. 

   De início eu achei que estava acordando de um sonho, de tão repentino que foi o estouro da nossa bolha. Mas seu corpo ainda estava sobre o meu e o volume pressionado contra mim mais abaixo definitivamente não era imaginação. Meus sonhos nunca foram tão vívidos assim. Pisquei rapidamente, confusa. Daniel ainda olhava para mim como se nem houvesse escutado o toque do celular. Coloquei minhas mãos em seu peito e o afastei suavemente. Ele suspirou pesadamente, se jogando para o lado com uma mão no rosto enquanto eu levantava com as pernas trêmulas. Olhei a sala inteira, desnorteada, à procura do aparelho. Logo o encontrei em cima da poltrona. A foto de Eve fazendo careta piscava na tela do celular e eu me controlei para não xingá-la até sua décima geração.

   Assim que atendi, ela perguntou:

— Qual cor você acha que fica melhor em mim? 

   Fiquei quatro segundos em silêncio, fechando os olhos e suspirando sem saber se ela estava falando sério. Não era possível.

— Alô? - ela disse no outro lado da linha. - Você está aí?

— Sim - falei num fio de voz, tossindo em seguida para ela voltar ao normal. - Eu não sei, Eve... Quais são as opções?

— Preto e vermelho - ela disse rapidamente. - Aconteceu alguma coisa?

— Vermelho - respondi rapidamente, desligando na sua cara em seguida.

   Larguei o celular sobre a poltrona enquanto passava uma mão no rosto e respirava fundo. Provavelmente ela me ligaria novamente aos berros querendo saber por que eu tive a audácia de desligar na cara dela. Eu daria uma resposta, mas não agora. Voltei meu olhar para o sofá e vi Daniel deitado de costas, com as duas mãos sobre o rosto e respirando profundamente diversas vezes. Passeei pelo seu corpo com os olhos e vi sua calça jeans mais apertada abaixo da cintura. Tentei controlar um sorrisinho. Era gratificante saber que eu havia causado aquilo. 

   Mas eu não devia. Meu Deus, não.

   Minha consciência voltou me dando um baita soco na cara. Minha mente estalou ao lembrar do que realmente (quase) havíamos feito e eu me senti absurdamente idiota. O que estávamos pensando?

   As alças da minha blusa manchada estavam abaixadas em meus ombros e levantada até metade da minha barriga. Eu a ajeitei rapidamente, sentindo-me envergonhada. Passei as mãos pelos cabelos curtos e desgrenhados, tentando colocá-los no lugar. Daniel grunhiu, parecendo agoniado. Suas mãos caíram sobre o seu peito e ele me olhou com os olhos semicerrados. Ainda estavam escuros e seus lábios úmidos. O desejo ainda estava estampado na sua cara. Provavelmente estava na minha, também.

— Isso foi totalmente... - falei baixinho, quase sussurrando, enquanto sentava lentamente no tapete de frente para o sofá. Dobrei minhas pernas e coloquei as duas mãos no rosto, sentindo-o pegar fogo. - Daniel, o que foi isso?

— Aconteceu o que sempre acontece quando dois adultos sentem muito a falta um do outro e seus instintos querem satisfazer as vontades do corpo - ele disse lentamente. - E as vontades do coração, também.

— Não é hora para baboseira romântica, Sullivan - resmunguei, ficando de pé sob o seu olhar risonho e indo até a cozinha beber água. - Isso não devia ter acontecido, não devíamos ter chegado a esse ponto.

— Queria continuar no ponto do "vamos fingir que nada aconteceu e que não sentimos uma vontade absurda de nos agarrarmos"? - ele arqueou uma sobrancelha, sentando no sofá e olhando para mim. - Qual é, Allison. Até onde eu me lembro, o que você mais queria que eu fizesse com você era exatamente isso.

— Há seis anos atrás! - falei, alto até demais, apertando o copo de vidro em minha mão. - Quando eu era uma adolescente idiota que achava ter meus sentimentos correspondidos! - a expressão de Daniel mudou de risonha para séria em questão de segundos. Bebi dois goles de água, nervosa. - Antes de eu ser largada na noite de formatura, também. A partir dali eu não queria absolutamente nada que viesse de você.

   Ele ficou de pé e veio até o balcão da cozinha, me encarando do outro lado, enquanto apoiava suas mãos sob a bancada de mármore.

— Não foi o que o seu corpo demonstrou há cinco minutos atrás - retrucou.

— Meu corpo é estúpido - sussurrei seriamente para ele, arqueando as sobrancelhas. - Assim como você. Vá embora.

— Ally, por favor...

— Agora - falei rapidamente, interrompendo-o.

   Ele permaneceu onde estava por alguns segundos, me encarando duramente. Os lábios entreabertos prontos para dizer mais alguma coisa, mas nada saía. E era melhor assim. Porque se ele continuasse ali, na minha frente, com aquela blusa amarrotada e aquele cabelo desgrenhado pelas minhas mãos, eu não sei o que faria. Eu achei que seria melhor ele sumir dali. Sair da minha casa, da minha visão. Mas quando ele pegou suas coisas e me deu as costas ao sair do apartamento, eu não estava preparada para a dor que fez meu coração apertar dentro de mim. Respirei fundo, olhando para o alto. Se eu fechasse os olhos poderia sentir todos os seus toques em meu corpo. A sensação das suas mãos em mim ainda era vívida. 

   Balancei a cabeça e joguei o copo vazio de água dentro da pia, correndo para o meu banheiro. Lavei meu rosto e nuca, tentando ignorar tudo aquilo, mas era impossível. Seu cheiro estava em cada parte de mim. Ouvi um miado na porta do banheiro. Gregório estava sentado, me olhando com seus grandes olhos amarelos. Ele havia visto tudo, sabia do meu maior segredo. Me permiti sorrir um pouco para ele, enquanto sentava sobre a tampa fechada da privada e ficava ali digerindo tudo o que havia acontecido.

— Você é o meu parceiro de crime - falei para Greg, que miou em resposta. - Sim, você é. Promete não contar para ninguém se eu te dar alguns sachês de salmão?

   Ele ronronou e veio lentamente até mim, se esfregando em meus pés. Sorri abertamente, acariciando suas orelhas. Mas não demorou para o meu sorriso sumir e dar lugar à preocupação. Cameron jamais poderia saber sobre aquilo. E havia acontecido logo aqui, no nosso apartamento. No nosso sofá. Apenas algumas horas após ele viajar a trabalho.

   Eu sou uma cretina.

***

   Eu jurei para mim e para Gregory que o que aconteceu ficaria apenas entre nós. Mas naquele mesmo dia, às onze e meia da noite, eu não conseguia me aguentar e dirigi algumas ruas até o apartamento de Eve e Jack. Mandei uma mensagem antes de sair avisando que passaria lá e Eve me respondeu com uma foto de um tabuleiro quentinho de cookies. Admito que aquilo me fez dirigir um pouco mais rápido, mas eu não sentia fome. Daniel rondava a minha mente como uma assombração.

   Assim que toquei a campainha, Eve abriu a porta mastigando um cookie e me recebendo com um abraço apertado.

— Estou feliz que tenha vindo nos visitar - ela disse enquanto eu entrava no apartamento. - Depois que o seu "queridinho" chegou, você mal responde as minhas mensagens.

   Deixei minha cabeça pender para um lado, enquanto olhava Eve com as sobrancelhas arqueadas. Ela fez careta para mim e foi para a cozinha. Suspirei. Eu realmente não andava respondendo as suas mensagens direito, mas fazia apenas uma semana que Cameron havia se mudado. Estava muito recente, por isso eu andei meio ocupada com ele.

   Segui minha amiga até a cozinha e por cima do balcão vi Jack deitado no sofá. Quando seus olhos bateram em mim, ele sorriu abertamente e levantou para me cumprimentar. Nos abraçamos e ele esfregou meu cabelo, bagunçando-o como se eu fosse uma criança.

— Quanto tempo, Jones! - ele falou risonho. - Conseguiu fugir do calabouço? Achei que havia sido sequestrada ou algo assim.

   Revirei os olhos, enquanto ele e Eve riam. Eu e Jack sentamos nos bancos altos do balcão enquanto Eve tirava os cookies da bandeja e os colocava em um pote de vidro. Consegui roubar dois e suspirei com o sabor.

— Seus biscoitos são os melhores - falei. - Você coloca tantas gotas de chocolate, é divino. 

— Mas os seus bolos ainda são muito melhores. - ela sorriu carinhosamente para mim.

   Fiquei observando seu rosto e notei uma ruga de preocupação entre suas sobrancelhas. Eve ainda sorria levemente pela minha presença, mas havia algo em seu rosto. Havia acontecido alguma coisa. Olhei para Jack ao meu lado e ele sorriu um pouco para mim, indicando Eve com um olhar rápido. Arqueei uma sobrancelha e ele falou baixinho que iria voltar à sala. Assenti e, assim que o ouvi aumentar o volume da TV, Eve terminou de guardar os biscoitos e deixou o pote na minha frente.

— Pode comer o quanto quiser - ela disse. - Vou terminar de lavar a louça e te darei mais atenção.

— Tudo bem - respondi, abrindo o pote para pegar mais um cookie.

   Até a voz de Eve indicava algo. Ela estava falando em um tom mais baixo e parecia um pouco rouca. Era exatamente assim que ela ficava quando estava pensativa e preocupada com algo. Eu me remexia no banco, devorando os cookies, louca para perguntar o que havia acontecido. Resolvi esperá-la terminar de limpar as coisas e, minutos depois, ela acabou. Fomos para o quarto de hóspedes, que anteriormente era o meu, e Eve se jogou na cama. 

— Pode começar a falar - eu disse. - O que aconteceu?

   Eve respirou fundo e fechou os olhos. Sua expressão demonstrava um misto de indecisão e agonia. E quando ela começou a falar, eu entendi o porquê.

— Então... - ela mordeu o lábio inferior. - Há uma menina na escola onde trabalho, seu nome é Hailee. Ela tem nove anos, é muito inteligente. Mas há alguns meses houve uma queda em seu desempenho e a professora achou que seria bom ela conversar comigo. No começo foi difícil para ela se abrir comigo, mas não demorou para ela contar o que acontecia. - Eve suspirou. - Ela sofria maus tratos em casa. Seu corpo era cheio de hematomas. Tive que chamar seus pais para uma reunião e foi horrível. Ambos eram totalmente arrogantes e admitiram que batiam nela, mas por questões "educativas". Eu disse que teria que contatar o conselho tutelar. Eles me chamaram de vagabunda e disseram que se alguém se intrometesse na vida deles, eu seria uma "vadia morta".

   Arregalei os olhos e Eve massageou a testa.

— E o problema maior não é esse, certo? - sussurrei.

— Não - ela murmurou. - Alguns dias depois dessa reunião, eles sofreram um acidente. Hailee estava no banco de trás e usava o cinto de segurança, então teve apenas alguns ferimentos leves. Mas eles dois ficaram internados em estado grave. Os exames revelaram que estavam embrigados. Não havia muita esperança para eles e ontem eu descobri que eles vieram a falecer.

— Meu Deus.

— E Hailee será encaminhada para uma instituição - Eve falou lentamente, seu olhar encontrando com o meu pela primeira vez em minutos. - Seus avós faleceram há alguns anos e seus pais eram filhos únicos. Ela não possui parentes próximos que possam cuidar dela.

   O silêncio caiu sobre o quarto. Eve voltou seu olhar para o teto e eu mantive meu olhar sobre seu rosto preocupado. E naquele momento eu percebi o que a atormentava. Engoli em seco, sentindo um aperto no peito.

— E você quer adotá-la - falei baixinho. Era para ser uma pergunta, mas acabou sendo uma afirmação. - Não é?

   Eve fez um grunhido estranho, colocando as mãos no rosto e sacudindo as pernas. Esperei ela ter seu momento nervoso e segundos depois ela bufou e deitou de lado, ficando de frente para mim.

— Fala a verdade, Alison - ela disse, um tom de desespero em sua voz. - Isso é loucura, não é? Eu estou, definitivamente, louca.

— Não - falei rapidamente. - Isso é nobre, Eve. É uma atitude linda. 

— Mas...?

   Suspirei, olhando-a com preocupação.

— Mas... - falei lentamente. - Você está preparada para ser mãe?

   Ela mordeu o lábio inferior, pensativa. A ruga de preocupação ainda presente entre suas sobrancelhas. Toquei o local com meu dedo indicador levemente e a ruga desapareceu. Eve sorriu um pouco para mim.

— Isso implicaria em tantas coisas - ela murmurou. - Para começar, eu e Jack teríamos que adiantar o casamento. Eu estou tão confusa.

— O que Jack acha disso? 

— Ele disse que estará comigo no que eu decidir. Planejávamos ter um filho depois do casamento, mas ele também se sensibilizou muito com a história e está preocupado com Hailee. - Eve falou o nome da menina com tanta doçura que eu não pude evitar sorrir. - Ela é uma menina tão boa, Ally. Você se encantaria se a conhecesse. É tão inteligente e doce. 

— Eu acho que você tem que pensar com bastante cuidado - falei, pegando uma de suas mãos e a envolvendo nas minhas. - Mas deve fazer o que sentir que deve ser feito.

   Eve sorriu e seus olhos ficaram marejados. Nos abraçamos e ela se aconchegou em mim como uma criança. Sorri, acariciando seus cabelos loiros. Geralmente, em conversas desse tipo, era eu quem me aconchegava a ela. Sempre. Mas vê-la fazendo isso agora, me usando como seu travesseiro tranquilizante, me fez ficar emocionada. Eu me preocupava tanto com Eve, mas acima de tudo a admirava. Ela sempre foi tão amadurecida e incrível. Eu sabia que o que quer que ela fizesse, ela faria bem feito. 

   Ficamos alguns minutos abraçadinhas e eu pude senti-la bem mais tranquila. De repente, ela levantou o rosto para me olhar e semicerrou os olhos, desconfiada.

— Agora quem vai falar é você - ela disse, voltando a deitar ao meu lado. - O que aconteceu?

— Por que acha que algo aconteceu? - perguntei, me sentindo um pouco nervosa. - Nada aconteceu.

— Você nunca viria aqui às onze e meia da noite se nada tivesse acontecido. - ela arqueou uma sobrancelha para mim. - Aquele imbecil fez algo com você?

— Não...

— Porque eu juro que se ele encostou um dedo em você novamente, eu...

— Eve, nada aconteceu - falei rapidamente, interrompendo-a. Seu rosto já estava atingindo todos os tons vermelhos imagináveis. - Quero dizer... Nada aconteceu envolvendo Cameron. 

    Ela me olhou confusa. Eu desviei o olhar do dela. Remexi em meus próprios dedos, sem saber como contar a ela o que havia acontecido. Quando voltei a olhá-la, Eve observava a parede ainda com um olhar confuso.

— Eu não estou entendendo muito bem... - ela disse.

— Cameron viajou hoje, disse que tinha algo importante para resolver em Los Angeles. - ela arqueou uma sobrancelha e sentou na cama, a curiosidade estampada em seu rosto. - E eu precisava pintar as paredes da sala, mas ele não poderia me ajudar por causa da viagem. Então eu liguei para Benjamin, mas ele também estava ocupado.

— Oh, meu Deus... - Eve arregalou um pouco os olhos, duas bolas verdes me olhando surpresas. - Se não foi o Benjamin, então...

— Daniel apareceu para me ajudar - falei, completando seus pensamentos. - E passamos o dia juntos. Pintamos as paredes, conversamos, almoçamos juntos...

— Vocês transaram. - Eve sorriu feito uma criança. 

— Não! - falei rapidamente. - Não, nós apenas... Estávamos descansando e ele começou a massagear meus pés e quando eu vi... As coisas ficaram um pouco intensas demais. E então você ligou e interrompeu.

— Ai, eu sou uma idiota. - lamentou. - Desculpa.

— Você me salvou. - suspirei, passando as mãos no rosto. - Se não fosse a sua ligação, nós teríamos...

— Teriam se divertido muito. - ela sorriu maliciosa e me cutucou nas costelas. Eu me remexi, sentindo cócegas. - Sua danadinha! Eu sabia que isso aconteceria, mas estou surpresa. Achei que levaria mais tempo.

   Suspirei, sentando na cama de frente para ela e segurando seus pulsos, para que ela parasse de me cutucar.

— Pelo amor de Deus, Eve. - eu a olhei séria, enquanto ela continuava com aquele sorriso. - Você não entende a merda que eu fiz? Cameron viajou a negócios e eu...

— Deu a ele o que ele merece - ela me interrompeu novamente, dando de ombros. - Sinceramente, Ally, você devia ter feito isso há mais tempo. Isso se chama "dar o troco".

   Bufei, largando seus pulsos e ficando de pé. Cruzei os braços, andando de um lado para o outro. Eve cruzou as pernas na cama, me observando.

— Eve, meu noivo acabou de vir morar comigo há alguns dias e eu me agarrei com outro no sofá da nossa casa - falei, quase sussurrando. - Eu me sinto um lixo. Não estou brincando. Cameron pode ter sido um babaca há um tempo atrás, mas...

— Ainda é - ela sussurrou e eu a olhei confusa. - Ele ainda é um babaca, quero dizer. Mas continue.

    Eu bufei, mas preferi não aprofundar aquele assunto. Eve não entendia, nunca entenderia. E também detestava Cameron, então para ela não importava o que eu fizesse. Sempre seria "justo", na visão dela, considerando que ele já fez coisas piores comigo. Mas para mim isso significava muito, porque eu o havia traído. Eu não via vingança como algo bom. Isso só fazia eu me tornar o que ele havia sido. 

— Esqueça, você não entende. - suspirei. - Eu mandei Daniel embora e acabou. Vou fingir que nunca aconteceu.

   Eve me olhou com um olhar cansado e esticou sua mão, capturando a minha. Me puxou e eu sentei ao seu lado, injuriada. 

— Eu realmente não entendo o que você está sentindo, porque eu nunca passei por algo do tipo - ela disse, segurando uma das minhas mãos. - Mas eu imagino como deve ser. Porém, não fique se achando um lixo por ter feito algo que você quis e que fez bem a você, com alguém que você gosta. A errada da história nunca foi você, Ally. Você sabe bem disso.

— Eu o traí, Eveline. - puxei minha mão da sua, começando a ficar com raiva. - Isso não é sobre o que Cameron fez ou deixou de fazer a mim. Isso é sobre o que eu fiz, pelas costas dele.

— Tudo bem, não foi a coisa mais legal do mundo! - ela jogou as mãos para o alto, de forma teatral. - Nossa, que absurdo, você o traiu! Que desgraça, você é a pessoa mais infiel e não confiável do planeta! Uma vergonha! A escória da humanidade! Coitadinho de Cameron Hayes, um rapaz tão inocente, fiel e de caráter! - Eve revirou os olhos. - Francamente, Allison Jones... Era isso que você queria ouvir? Está satisfeita?

   Respirei fundo tentando me acalmar. Eve bufou e me puxou para me abraçar. Fiquei com os braços soltos em meu colo, enquanto ela me sacudia como se eu fosse uma criança.

— Foi uma traição e eu detesto traições - ela disse baixinho. - Mas nesse caso, eu acho justo. Desculpa pela sinceridade. Você devia mandar aquele idiota embora assim que ele voltasse e se jogar nos braços do Sullivan, que também foi um idiota, mas ainda é um cara honesto e de caráter. 

   Não respondi. Apenas assenti fracamente, cansada daquilo tudo. Daquele dia, daquela conversa, das suas palavras. Era a mesma coisa de sempre. Mas ainda assim, mesmo ouvindo as mesmas coisas, saber que Eve não me julgava me aliviava muito. 

— Acho melhor eu ir para casa.

   Eve beijou minha testa e eu sorri levemente, agradecida. Peguei minhas coisas e ela me acompanhou até a porta. Jack me abraçou no caminho, com uma expressão de sono. Eu sabia que ele ainda estava acordado porque estava esperando eu ir embora para poder se despedir de mim. Eles eram os amigos mais queridos e doces que eu poderia ter. 

— Eu amo você - falei para Eve antes de ir. - Se precisar conversar novamente, me chame. Eu espero que dê tudo certo.   

   Ela sorriu e me abraçou apertado. Eu realmente esperava de tudo corresse bem. Para nós duas.

***

   POV Daniel

   Assim que cheguei em casa, larguei minhas botas em um canto e tirei a janqueta. Meu corpo ainda flutuava e minha mente ainda estava nublada. Tentei evitar o sorriso idiota estampado em meu rosto, mas era difícil. Eu me sentia como uma adolescente de quinze anos após dar seu primeiro beijo. 

   Fui até a cozinha beber água e fiquei olhando o conteúdo da geladeira, procurando algo que desse para comer. Até que ouvi vozes e gemidos. Fechei os olhos, suspirando.

— Outra vez... - murmurei para mim mesmo, bebendo minha água e deixando o copo dentro da pia.

   Como o barulho seria pior em meu quarto, preferi ficar na sala até a sessão de tortura (ao menos para mim) terminar. Me joguei no sofá e apoiei os pés na mesa de centro, enquanto respirava fundo e admirava minha amada Chinatown pela janela ao meu lado. Luzes, pessoas indo e vindo, o inconfundível cheiro de comida bem temperada. Uma pequena rachadura no teto da sala chamou a minha atenção e eu joguei minha cabeça para trás, procurando por outras. Aquele apartamento já estava bem antigo, mas eu gostava dele. 

   Minha mente me levou à Ally. E ao seu noivo. Eu ainda não conhecia o tão comentado Cameron Hayes, mas admito que também não tinha muita curiosidade em conhecê-lo. Sempre que eu pensava nesse cara, as palavras de Benjamin vinham me cutucar: 

   "O cara é advogado, arrumadinho e o tipo que toda mulher sonha ter."

   Será que era isso que prendia Ally à ele? Não, eu tinha certeza que não. Allison nunca foi o tipo de mulher que se importava com esse tipo de coisa. Status social e um ótimo partido. Havia algo errado na relação deles e eu não digo isso por querê-la para mim. Eu a conheço, mais do que ela imagina. Eu sei quando ela esconde algo, quando tenta disfarçar. Eu estava muito curioso quanto a isso, mas respeitaria o seu tempo. Quando ela quiser conversar comigo, com certeza irá falar.

   O meu medo era que ela nunca mais quisesse olhar na minha cara. Depois de hoje, eu duvido muito que ela aceite ficar sozinha no mesmo cômodo que eu. Sorri, cruzando os braços e jogando a minha cabeça para o lado. Fiquei olhando a luz e as estrelas no céu, como um idiota apaixonado. E eu, de fato, era.

   Eu havia sentido tanto a falta dela. E tê-la literalmente em minhas mãos novamente, chamando o meu nome... Eu achei que fosse enlouquecer. Tudo aquilo só ajudou a reforçar o meu anseio por reparar tudo. Eu precisava consertar meus erros e fazê-la olhar para mim como olhava há anos atrás.

   Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho de uma porta sendo aberta e sussurros risonhos. Logo Benjamin apareceu na sala vestindo apenas uma calça de pijama e com uma mulher ao seu lado. Os olhos dos dois caíram sobre mim e a mulher ficou vermelha. Forcei um sorriso para os dois, levantando as sobrancelhas.

— Esse é Daniel, o meu primo - Ben nos apresentou, ainda com um sorriso de orelha em orelha. - E essa é...

   Sua fala ficou no ar, enquanto ele olhava para a mulher. Céus, ele nem sabia o nome dela. Ela riu, os olhos virando duas linhas finas em seu rosto oriental.

— Sou Ayume - ela disse. - É um prazer conhecê-lo.

   Apenas assenti, simpático. Ben a guiou até a saída e eu pude vê-la se inclinando para beijá-lo antes de ir. Desviei o olhar quando Ben desceu suas mãos para as nádegas da coitada e as apertou. Meu Deus, onde ele arrumava essas mulheres? Nossas vizinhas eram todas casadas e de idade avançada. Ele devia rodar o bairro inteiro para encontrar uma mulher diferente toda semana.

   Eu não sabia qual era o problema de Ben com relacionamentos. Ele tentou voltar a ter um relacionamento sério duas vezes nesses anos, mas nenhum dois dois vingou. Ele nunca passava mais de quatro meses com uma mesma pessoa, geralmente enjoava rápido e sumia da vida de todas. Não parecia se importar. Enquanto aqui estava eu, tentando dar um jeito de capturar a atenção de Allison Jones e com o coração acelerado até agora. Lembrar dela me fez sorrir novamente.

— Que sorriso é esse? - Ben perguntou ao voltar à sala, sentando ao meu lado e pegando o controle da TV.

— Eu sou um idiota - falei baixo, enquanto ele trocava os canais rapidamente.

— Isso eu sei, mas por que você parece tão feliz com isso?

   Eu queria contar a Benjamin... Mas ao mesmo tempo, não queria. Eu não sabia como dizer o que havia acontecido. De certa forma, eu sentia que era algo apenas meu e de Ally, que eu deveria guardar. 

— Não é nada - falei, levantando do sofá e recolhendo minha jaqueta e minha carteira. - Eu vou dormir, vê se descansa também. Você disse que nos ajudaria a arrumar as coisas na Taberna amanhã, para a noite de karaokê.

— E eu vou - ele sorriu lentamente, desviando o olhar da TV e olhando para mim. - Afinal, você prometeu conseguir o telefone de um certo alguém, lembra?

   Revirei os olhos, rindo da sua insistência.

— Eu já havia esquecido isso - admiti. - Mas não sei se Caroline estará lá amanhã.

— Ela sempre vai nas noites de karaokê - Ben falou rapidamente. - E eu estou contando com você.

   Assenti em silêncio e fui para o meu quarto. Deixei minhas coisas em cima da escrivaninha e me joguei no colchão. Estiquei todo o meu corpo, suspirando de alívio. Pensei em tomar um banho quente antes de dormir, para relaxar mais, mas o cansaço era tão forte que não demorou três minutos para eu cair no sono. Adormeci com o cheiro de Ally impregnado em minha blusa e  acabei sonhando com o que poderia ter acontecido se não tivéssemos sido interrompidos.



Notas finais do capítulo

POSSO OUVIR UM "ALELUIA"? HAHHAHAHAH. Amei tanto escrever o momento deles, ai. Que saudade deles juntos, gente. Mas não vai ficar muito mais fácil por causa disso, hahahaha. Como será que ficarão as coisas agora?
E vocês concordam com a Eve? Acham que a Ally está certa mesmo ou devia fazer diferente? Me digam suas opiniões sobre tudo, quero muito saber ♥
Logo postarei o próximo!
Bjbjbjbjbjbj



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