Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 48
[2ªT] 10. Flagrados


Notas iniciais do capítulo

AÊ MEU DEUS DO CÉU, POSSO OUVIR UM ALELUIA?
Eu sei, quem devia dizer isso são vocês, porque eu tô demorando a beça pra postar (o que é um capítulo a cada 2 semanas para quem postava uma vez por semana? desculpa, gente). Mas o capítulo ficou bem lindinho, eu acho. Tem uma cena no final que eu AMEI escrever e espero muito que gostem! ♥
Perdoem a demora a não desistam de mim, HAHAHAH. O capítulo ficou bem grandão!

P.S: No último capítulo que teve música, eu coloquei a letra original e a tradução junto. Esteticamente eu não gostei tanto, mas acho que fica MUITO melhor para vocês verem a tradução e entenderem o contexto das coisas, etc. A maior parte das leitoras concordou, então deixei assim mesmo, tá? Espero que gostem!




[2ª TEMPORADA]

Capítulo 10

 

E se você quiser, você me terá para sempre.
Não é só por esta noite, querida.

Smokey Robinson - Cruisin' Together

 

   POV Ally

   Às 19:30 da noite eu estava em frente ao pub. Se você me perguntasse o que eu estava fazendo, eu não saberia responder.

— Vamos lá, não vai ser tão ruim. - Eve deu de ombros. - Ao menos ele canta bem.

   Respirei fundo enquanto Eve rodeava seu braço no meu e entrávamos juntas no estabelecimento. O lugar já estava bem cheio e o palco estava montado para a banda. Passei meus olhos por todo o local e avistei Daniel com os rapazes da banda próximos ao palco, conversando algo. Eve me puxou de leve e percebi que ela me guiava até o balcão do bar, onde Benjamin estava sentado e nos olhando com um grande sorriso. Eu o abracei apertado e ele deu um beijinho em minha bochecha. Enquanto ele e Eve se cumprimentavam, meu olhar voltou-se na direção de Daniel. Ele parecia distraído, bebendo água em uma garrafinha de plástico, enquanto um de seus amigos lhe dizia algo.

— Jack não veio? - Ben perguntou. 

— Não, ele tinha trabalho para terminar em casa - Eve falou. - Mas ele disse que na próxima ele virá.

   Nós nos sentamos nas banquetas altas, uma de cada lado de Ben, e pedimos bebidas. O homem alto e forte nos atendeu com um sorriso e piscou um olho para mim. Eu o olhei confusa enquanto Ben ria divertido. Ele mais parecia um viking, com toda aquela corpulência e barba enormes. 

   Não demorou muito para os rapazes subirem no palco e o burburinho entre as pessoas ficar mais alto. Passei meus olhos pela platéia, todos sentados nas mesas e sorrindo a toa, enquanto bebia um gole da minha cerveja. Fiz uma careta discreta, estremecendo um pouco. Céus, eu odiava cerveja. Aquela era mais leve e suave, e com um gostinho diferente por ser artesanal, mas ainda assim era cerveja. Era refrescante no primeiro gole e logo em seguida eu queria jogar aquilo longe. 

   Mas quando Daniel subiu ao palco, o gosto amargo na minha gargante desapareceu. Ele sorriu para todos e sentou em uma cadeira alta, com um violão no colo. 

— Hoje o repertório será um pouco mais tranquilo - ele disse, com um leve sorriso enquanto suas mãos já se posicionavam sobre as cordas do violão. - Ah, não esqueçam que na semana que vem teremos a noite do karaokê. E será a vez de vocês passarem vergonha aqui na frente. - ele riu, acompanhado de todo o pub. Um homem gritou algo no fundo do local e Daniel riu alto. - Sim, Larry, foi indireta para você!

   Ele se ajeitou melhor sobre o banco, olhando para o violão com um sorriso suave nos lábios. Meus olhos acompanhavam cada movimento seu. E quando os rapazes da banda começaram a tocar seus instrumentos e Daniel começou a dedilhar no violão, levantando o rosto e percorrendo o local com o olhar, nós nos encontramos. 

 

The 1975 - Robbers

 

   O sorriso de reconhecimento brotou em seus lábios e seu olhar cravou no meu. Engoli em seco, me sentindo pega no flagra, mas sorri de leve e levantei um pouco o copo de cerveja cumprimentando-o. E quando seus lábios se aproximaram mais do microfone e ele começou a cantar, seus olhos não desviaram dos meus.

 

She had a face straight out a magazine

God only knows, but you'll never leave her

Her balaclave is starting to chafe

When she gets his gun he's begging

"Baby, stay, stay, stay, stay, stay"

 

I'll give you one more time

We'll give you one more fight

Said one more line

Will I know?

[Ela tinha um rosto saído de uma revista

Só Deus sabe, mas você nunca vai deixá-la

Sua balaclava está começando a se desgastar

Quando ela pega a arma dele, ele está implorando

"Querida, fique, fique, fique, fique, fique"

 

Vou lhe dar mais uma chance

Nós vamos lhe dar mais uma luta

Disse mais uma frase

Eu vou saber?]

 

   Sorri para mim mesma enquanto fechava os olhos e passava uma mão no rosto. The 1975 era uma das bandas que mais ouvíamos no passado, juntos, em seu carro ou no meu. 

 

Now if you never shoot, you'll never know

And if you never eat, you'll never grow

You've got a pretty kind of dirty face

And when you're leaving your home

She's begging you stay, stay, stay, stay, stay

 

I'll give you one more time

We'll give you one more fight

Just said one more line

Be a riot, 'cause I know you are

[Agora, se você nunca atirar, você nunca saberá

E se você nunca comer, você nunca vai crescer

Você tem um bonito e meio sujo rosto

E quando você está deixando a sua casa

Ela está implorando para que fique, fique, fique, fique, fique

 

Vou lhe dar mais uma chance

Nós vamos lhe dar mais uma luta

Disse mais uma frase

Vai haver uma revolta, porque eu conheço você]

 

Ouvíamos "The Sound" a caminho do Píer 39. Ouvíamos "Chocolate" e cantávamos juntos sempre que rodávamos a cidade a toa de carro, fazendo caras e bocas quando parávamos nos sinais vermelhos. Lembro de cair no sono a caminho de Carmel, quando ele me levou para reencontrar meu pai, ao som de "fallingforyou". Ouvimos "Robbers" na noite em que concordamos com a "amizade colorida".

 

Well, now that you've got your gun

Itg's much harder now the police have come

And I'll shoot him if it's what you ask

And if you just take off your mask

You'd find out that everything's gone wrong

[Bem, agora você tem a sua arma

É muito mais difícil agora, a polícia veio

Agora atire nele, se é o que você pede

E se você tirar a sua máscara

Vai descobrir que tudo está errado, errado, errado]

 

   Daniel fechou os olhos, respirando fundo e se entregando ao último trecho da música. Tentei prender um sorriso, enquanto sentia meu coração acelerar um pouco com todas as lembranças bombardeando a minha mente. Ele estava fazendo de propósito, eu sei disso. E mesmo sabendo disso, eu sentia tudo aquilo entrar fundo na minha alma e gostava da sensação. 

 

Now everybody's dead

And they're driving past my old school

And he's got his gun, he's got this suit on

She says: "Baby, you look so cool"

 

You look so cool, you look so cool, cool, cool, cool

You look so cool, you look so cool

You look so cool, cool, cool, cool, cool

[Agora todo mundo está morto

E eles estão dirigindo para a minha antiga escola

E ele tem a arma dele, ele veste o terno dele

Ela diz: "Querido, você parece tão legal"

Você parece tão legal (x5)]

 

   Ao fim da música o local inteiro aplaudiu e Daniel sorriu, parecendo um pouco tímido. Bebeu um gole de água e voltou à posição inicial, ajeitando melhor o microfone na frente de seu rosto. Bebi dois goles da minha cerveja voltando à realidade e me ajeitando onde estava. 

— O rapaz é bom, não é? - uma voz masculina disse ao meu lado.

   Virei-me rapidamente e vi que era o homem de antes, que nos serviu, olhando para mim no outro lado do balcão. Ele estendeu uma mão para mim sorrindo gentilmente e dizendo:

— Sou Bill, mas pode me chamar de Viking. - sorri, achando engraçado a coincidência do seu apelido com a primeira impressão que tive dele. - Sou o dono dessa pocilga e amigo daquela estrela do rock.

— Eu sou Alison - falei, apertando sua mão. - Mas pode me chamar de Ally.

— Ela também é conhecida como a "musa inspiradora" - Benjamin falou, se intrometendo na nossa conversa e dando uma piscadinha para Bill. - Se é que me entende.

— Oh, entendo - Bill riu.

   Eve olhou para mim, eu olhei para Eve. Vimos nos olhos uma da outra que preferíamos não entender o que havia sido aquilo. Outro cliente chamou Bill e ele se afastou. Daniel voltou a dedilhar o violão, enquanto Ben falava algo com Eve. Percebi que ambos estavam engatados em uma conversa desde que chegamos, parecendo me deixar quieta em meu canto propositalmente. Eu agradecia internamente por isso, apesar de sentir tudo em conflito dentro de mim.

— Essa música é especial - Daniel disse ao microfone, sua voz levemente rouca reverberando por todo o local. - Quando eu voltei para Nova York, ela foi tema de muitas noites mal dormidas. Meu corpo estava aqui, mas eu havia deixado uma grande parte de mim na Califórnia. - ele sorriu um pouco e mirou seu olhar no meu, enquanto minha respiração ficava presa. - Isso parece uma bela ladainha romântica, mas não é tão bonito quanto parece.

 

The Script - Nothing

 

   Ele começou a música no violão, apenas o som das cordas e a sua voz em todo o local. 

 

Am I better off dead

Am I better off a quitter

They say I'm better off now

Than I ever was with her

As they take me to my local down the street

I'm smiling but I'm dying trying not to drag my feet

 

They say a few drinks will help me to forget her

But after one too many I know that I'm never

Only they can see where this is gonna end

But they all think I'm crazy but to me it's perfect sense

[Eu sou melhor morto

Eu sou melhor como um desistente

Eles dizem que eu estou melhor agora

Do que eu jamais estive com ela

Enquanto eles me levam para meu lugar na rua

Eu estou sorrindo, mas estou morrendo

tentando não arrastar meus pés

 

Eles dizem que alguns drinks irão me ajudar a esquecê-la

Mas depois de beber muito eu sei que nunca irei

Só eles podem ver onde isso vai acabar

Todos eles pensam que sou louco,

mas eu sei que isso faz sentido]

 

    A banda inteira acompanhou o ritmo ao se aproximar do refrão, enquanto a voz de Daniel ficava mais forte e ele fechava os olhos enquanto cantava. 

 

And my mates are all there trying to calm me down

'Cause I'm shouting your name all over town

I'm swearing if I go there now

I can change our mind, turn it all around

And I now that I'm drunk but I'll say the words

And she'll listen this time even though they're slurred

Dialed her number and confess to her I'm still in love

But all I heard was nothing

[E meus amigos estão todos lá tentando me acalmar

Porque eu estou gritando seu nome por toda a cidade

Eu juro que se eu for lá agora

Eu posso mudar seus pensamentos e dar a volta por cima

E eu sei que estou bêbado, mas direi mesmo assim

E ela me ouvirá desta vez mesmo que seja tudo luxúria

Vou discar seu número e confessar a ela que eu ainda a amo

Mas tudo o que eu ouvi foi nada]

 

   Virei o restante da cerveja e engoli num gole só, tentando controlar minhas mãos trêmulas. Fiz um sinal para Bill, pedindo outra bebida.

 

So I stumble there, along the railings and the fences

I know if I'm face to face that she'll come to her senses

Every drunk step I take leads me to her door

If she sees how much I'm hurted

She'll take me back for sure

 

And my mates are all there trying to calm me down

'Cause I'm shouting your name all over town

I'm swearing if I go there now

I can change our mind, turn it all around

And I now that I'm drunk but I'll say the words

And she'll listen this time even though they're slurred

Dialed her number and confess to her I'm still in love

But all I heard was nothing

[Então eu tropeço, ao longo das grades e cercas

Eu sei que se ficarmos cara a cara, ela vai voltar a si

Todo passo bêbado que eu dou me guia até a sua porta

Se ela ver o quanto estou machucado

Ela com certeza me aceitará de volta

 

E meus amigos estão todos lá tentando me acalmar

Porque eu estou gritando seu nome por toda a cidade

Eu juro que se eu for lá agora

Eu posso mudar seus pensamentos e dar a volta por cima

E eu sei que estou bêbado, mas direi mesmo assim

E ela me ouvirá desta vez mesmo que seja tudo luxúria

Vou discar seu número e confessar a ela que eu ainda a amo

Mas tudo o que eu ouvi foi nada]

 

   Engoli em seco, enquanto pegava a cerveja que Bill havia colocado sobre o balcão. Flagrei Eve me olhando com uma sobrancelha arqueada e um sorriso cretino no rosto. Semicerrei os olhos, enquanto ela ria. Suspirei profundamente, bebendo minha bebida e tentando ignorar tudo o que Daniel cantava. Mas era impossível. Eu vim até aqui para ouvir isso, afinal. Era como um soco no estômago.

 

Oh sometimes love are intoxicated

Oh you're coming down your hands are shaking

When you realise there's no one waiting

 

Am I better off dead

Am I better off a quitter

They say I'm better off now

Than I ever was with her

 

And my mates are all there trying to calm me down

'Cause I'm shouting your name all over town

I'm swearing if I go there now

I can change our mind, turn it all around

And I now that I'm drunk but I'll say the words

And she'll listen this time even though they're slurred

Dialed her number and confess to her I'm still in love

But all I heard was nothing

 

She said nothing

Oh I wanted words nut all I heard was nothing

Oh I got nothing, I got nothing

Oh I wanted words but all I heard was nothing

Oh I got nothing

[Algumas vezes o amor é tóxico

Você vem vindo, suas mãos estão tremendo

E você percebe que ninguém está ali esperando

 

Eu sou melhor morto

Eu sou melhor como um desistente

Eles dizem que eu estou melhor agora

Do que eu jamais estive com ela

 

E meus amigos estão todos lá tentando me acalmar

Porque eu estou gritando seu nome por toda a cidade

Eu juro que se eu for lá agora

Eu posso mudar seus pensamentos e dar a volta por cima

E eu sei que estou bêbado, mas direi mesmo assim

E ela me ouvirá desta vez mesmo que seja tudo luxúria

Vou discar seu número e confessar a ela que eu ainda a amo

Mas tudo o que eu ouvi foi nada

 

Ela não disse nada

Eu queria palavras, mas tudo o que ouvi foi nada

Eu não consegui nada, não consegui nada

Eu queria palavras, mas tudo o que consegui foi nada

Eu não consegui nada]

 

   Bati palmas freneticamente, nervosa, assim como todos os outros no local. Bebi um gole da cerveja e fiquei de pé, sob o olhar de Eve. Olhei ao redor fui na direção de um corredor com a placa "banheiros", sentindo tudo rodar levemente ao meu redor. Vi uma moça saindo de uma das portas do pequeno corredor e entrei, indo direto até a pia. Liguei a torneira, enchendo minhas mãos de água e me abaixando para jogá-la em meu rosto. Ouvi a porta do banheiro ser aberta e mesmo sem olhar eu sentia que era Eve.

— Até que você aguentou bem - ela disse calmamente, apoiando a cintura na pia ao meu lado e cruzando os braços. - Eu não sei se teria essa estrutura. Aquilo foi um soco atrás do outro.

   Não respondi. Fechei a torneira e peguei vários pedaços de papel no compartimento da parede para secar meu rosto e mãos. Fiquei olhando meu reflexo no espelho enquanto passava as folhas suavemente no rosto, tentando não borrar a maquiagem dos olhos. Eu parecia assustada e levemente alcoolizada. 

— Ally - Eve me chamou baixinho.

   Continuei olhando para o espelho, secando as mãos.

— Alison - Eve chamou, um pouco mais alto. Olhei para ela. - É só o Daniel.

   Assenti fracamente e ela se aproximou de mim, me olhando de forma preocupada.

— É sério, eu estou começando a ficar realmente preocupada com você. - ela suspirou. - Isso tudo é charme ou você realmente...

— Eu realmente não sei o que fazer e nem o que sentir - falei rapidamente, despejando tudo em cima dela de uma vez. - Parece que vai ficar tudo bem quando eu penso nisso longe dele, mas é só estar próxima a ele que tudo desanda e eu perco o controle do que sinto e penso. Eu quero estar perto, mas ao mesmo tempo meu corpo não aquieta e quer fugir. 

   Eve me segurou pelos ombros, olhando-me atenta. Por fim eu suspirei e ela sorriu um pouco.

— É só o Daniel - ela repetiu baixinho. - Mantenha isso em mente. Você o conhece muito bem, não tem por que ter medo. Se algo der errado eu cuido do problema.

   Assenti e Eve começou o exercício da respiração comigo no meio do banheiro. Me fez respirar e expirar profunda e calmamente diversas vezes, até ter certeza de que eu estava falando a verdade quando dizia que já estava mais calma. E eu realmente estava. Quando saímos do banheiro, eu me sentia melhor e mais relaxada. Voltamos ao balcão e Ben me olhou preocupado. Apenas sorri para ele e balancei a cabeça. Ele entendeu que eu não queria falar e pediu uma água para mim, alegando que minha cota de bebida havia sido batida. Eu concordava.

   Eve sentou ao meu lado dessa vez e eu fiquei entre ela e Benjamin. Daniel continuou tocando, todos ouviam e cantavam junto. Mas Ben e Eve focaram suas atenções em mim e engatamos em uma conversa sobre a cidade, eu sabia que ambos estavam fazendo isso para me distrair dessa vez. Mas estava tudo bem. Vez ou outra, quando eu olhava na direção de Daniel por cima do ombro de Ben, eu sabia que Eve tinha razão. Era só o Daniel, afinal.

   E eu tive plena certeza disso quando o show acabou e Daniel veio em nossa direção com um grande sorriso no rosto. Cumprimentou Benjamin, abraçou Eve e, quando virou-se para mim, eu estendi meus braços meio sem pensar e o abracei. Levou dois segundos para ele processar a situação e envolver seus braços na minha cintura, me segurando contra si como se fosse a primeira vez. E era, em seis anos. Eu senti uma falta danada disso.

— Eu adorei o show - falei, separando-me dele e o olhando com um sorriso. - Não sabia que no fim de tudo você viraria cantor, foi uma surpresa.

   Ele arqueou uma sobrancelha, brincalhão. Seus olhos brilhavam para mim.

— "Cantor" é uma palavra forte. - ele riu. - Somos só um bando de caras meio desocupados...

   Um dos rapazes da banda apareceu e cortou sua fala, dando continuidade:

— Cantando músicas de outras pessoas para conseguir bebida de graça com o nosso grande amigo Viking. - ele apoiou um braço no ombro de Daniel, me olhando sorridente. - Olá, gracinha. Sou Carlos.

   Ele estendeu uma mão para mim e eu a apertei, rindo.

— Eu sou... - comecei, mas ele me cortou.

— Alison Jones, da Califórnia. São Francisco e passeios noturnos de carro. - Carlos piscou para mim, com um sorrisinho. - Eu sei.

   Abri a boca para responder, mas não havia o que dizer. Olhei para Daniel, que sorriu sem graça e empurrou o braço de Carlos do seu ombro. O rapaz riu, sentando-se no banco ao meu lado e pedindo uma bebida a Bill. Logo o outro integrante da banda, que parecia mais velho que Carlos e Daniel, apareceu sorrindo gentilmente para mim.

— Olá, sou Emmett - ele disse. - É um prazer conhecê-la. 

   Sorri agradecida e o cumprimentei. Não falei meu nome, já que pelo o que parecia todo mundo já sabia mais do que isso. Olhei para Daniel e ele jogava seu peso de um pé para o outro, inquieto. Os rapazes estavam apoiados no balcão de um lado, conversando com Bill, enquanto do outro estavam Ben e Eve cochichando um para o outro com expressões cômicas. 

— Enfim, é isso. - Daniel deu de ombros. - Um bando de caras sem muito o que fazer que cantam músicas de outras pessoas em troca de bebida grátis. - sorrimos um para o outro. - Apenas isso.

— Parece bom - falei, encostando um braço no balcão e segurando a garrafinha de água em meu colo. O olhar de Daniel foi direto para ela e eu expliquei: - Já atingi minha cota de bebida por hoje.

   Ele fez uma expressão triste.

— Parece mal - falou.

   Rimos juntos e Bill entregou uma garrafa gelada de cerveja para ele. Daniel agradeceu e levantou-na minha frente. Bati minha garrafinha de água de leve na sua cerveja, brindando silenciosamente, e as levamos aos lábios ao mesmo tempo.

(...)

   No dia seguinte, acordei cedo e bem disposta. 

   Era sábado e o dia havia começado frio e cinzento, mas era o dia da entrega dos meus móveis, então nada me desanimaria. A não ser, é claro, a expressão de abandono que Eve tinha reservado para mim naquela manhã.

— Fica comigo... - ela choramingou, esticando os braços sobre o balcão da cozinha e segurando minhas mãos enquanto eu sentava em um dos bancos. - Eu faço cupcakes de chocolate para você todos os dias.

— Até parece. - sorri. - Eu vou estar aqui pertinho, você vai conseguir viver sem mim.   

   Ela fez mais um bico de tristeza, mas assentiu. Jack apareceu nos dando bom dia e logo enfiou um pedaço de pão com geléia na boca ao mesmo tempo que enchia uma xícara de café.

— Vai trabalhar hoje também? - perguntei, observando sua roupa arrumada. 

— Sim, a empresa está expandindo e eu preciso cuidar do sistema - ele disse, suspirando em seguida. 

— Queríamos a sua ajuda hoje - Eve lamuriou. - Vamos precisar arrumar as coisas no apartamento da Ally.

— Eu queria ajudar - ele disse, nos olhando pesaroso. - Mas só terei folga amanhã, meninas. Por que não chamam Benjamin ou Daniel hoje?

   Eve olhou para mim rapidamente, com um sorrisinho sugestivo. Revirei os olhos, cruzando os braços sobre o balcão.

— Nós duas vamos conseguir sozinhas, com certeza. - sorri com ironia para Eve. - Afinal, somos duas mulheres fortes e independentes, certo?

   Eve e Jack riram. Ele a beijou rapidamente e apertou minha bochecha antes de pegar suas coisas e sair apressado, já estava atrasado. Então, nós duas tomamos nosso café da manhã tranquilamente e logo saímos de casa. Minhas coisas pessoais já estavam arrumadas desde o dia anterior. Era a minha última manhã no apartamento de Eve e Jack, e eu senti uma dorzinha no coração ao passar pela porta. 

   Eve carregava duas bolsas para me ajudar enquanto eu puxava duas malas. Roupas, sapatos, alguns livros e objetos pessoais. Era tudo o que eu tinha antes de ir para a minha nova casa e começar minha vida nova. 

(...)

— Esse lugar é realmente lindo - Eve suspirou, colocando as mãos na cintura e olhando ao redor. - Prevejo nós duas sentadas naquele janelão bebendo vinho, olhando as luzes da cidade e xingando todos que não gostamos.

   Olhei para a grande janela da sala e imaginei o mesmo que ela, com perfeição. Sorri, indo guardar minhas malas e bolsas no quarto em que eu dormiria. Em um canto da sala estavam as bolsas com os utensílios e decorações que eu havia comprado. Eve não demorou a sentar no chão para abrir cada sacola e olhar tudo. 

— Isso - ela disse, levantando um gato de ferro dourado em posição sentada. - com certeza irá assustar o Gregory. 

— Ah, eu achei bonito - falei, pegando-o da sua mão e me sentando ao seu lado, com as costas apoiadas na parede e as pernas esticadas. - Achei bem delicado.

— Delicado vai ser o berro que o Greg vai dar - ela murmurou distraída olhando outras coisas e sorrindo abertamente ao achar o jogo de panelas azul tiffany. - Mas isso é lindo! Meu Deus, imagino você fritando vários ovos e bacons aqui.

   Ri alto, balançando a cabeça e pegando a frigideira da mão dela.

— Não, essas panelas serão enfeite. São lindas demais - expliquei. - As panelas que serão torturadas por mim são aquelas marrons ali.

— Mas essas marrons são bonitas também - Eve lamuriou. - Dá pena de usar tudo. 

   Concordei, pesarosa. Era tudo tão novo, brilhante, cheiroso e colorido que eu tinha dó que tocar. Logo o interfone do prédio tocou e eu corri para atender. O porteiro avisou que o caminhão da loja havia chegado e estavam subindo com todas as coisas. Eve pulou de onde estava e logo nos preparamos para receber todas as coisas.

   No fim do dia, tudo estava dentro do apartamento e todo o espaço vazio foi preenchido. O sofá, rack, TV e poltrona na sala. A geladeira nova na cozinha, bancos altos para a bancada. A cama e cabeceiras no quarto, a escrivaninha e estante no quarto extra. Tudo estava tomando forma. Eu e Eve já havíamos limpado o apartamento e organizamos tudo o mais rápido possível. Outros detalhes menores, como tapetes, cortinas e decoração, eu iria organizar aos poucos depois de descansar.

    Caímos mortas de cansaço no sofá e suspiramos ao mesmo tempo. 

— Acabamos. - Eve sorriu. - Agora tem que ter uma comemoração, não acha?

— Eu realmente não quero sair... - choraminguei, afundando o rosto no sofá fofo e macio. - Podemos ir ao mercado comprar algumas coisas e trazer para cá.

— Isso também é bom. - ela concordou. - Posso tomar um banho aqui? Porque eu sinto que tem poeira até na minha alma.

   Sorri e concordei. Abri uma das sacolas de compras e peguei duas toalhas novas e dois sabonete. Entreguei um de cada para Eve e ela foi para o banheiro social tomar banho, enquanto eu ia para o banheiro do quarto. Tomei um banho rápido, mas relaxante. Separei uma muda de roupas para emprestar a Eve e vesti as minhas rapidamente. Ainda estava tudo bagunçado no quarto, mas ao menos as roupas estavam organizadas nas malas. Eu sentia mais cansaço só de olhar para tudo aquilo quje eu teria que organizar. 

   Eve veio ao quarto e eu entreguei as roupas a ela. Em dez minutos nos ajeitamos o máximo possível e saímos. Havia um mercado a duas ruas de distância, então seria tranquilo. Cogitamos ir andando, mas estávamos cansadas demais para isso. Eve foi o caminho inteiro mandando mensagens no celular e eu tinha medo do que ela estava planejando, mas não tinha forças para perguntar o que era.

   Como não havia absolutamente nenhum alimento no apartamento, eu aproveitei para comprar algumas coisas básicas enquanto Eve procurava um vinho e coisinhas práticas para comermos hoje. Aproveitei para pegar meus amados biscoitos Pocky e alguns pacotinhos de biscoito amanteigado, que eram meu vício. Eve logo apareceu com as coisas e fomos para o caixa.

   Quando chegamos em casa, já era 20:00 da noite. Arrumamos tudo nos armários da cozinha e na geladeira, e eu aproveitei para organizar os utensílios que ainda estavam nas sacolas. Mandei Eve descansar no sofá, já que ela foi a que mais havia carregado peso na arrumação. A todo momento ela me mandava cuidar de algo mais leve enquanto empurrava as coisas pesadas. Estava a todo momento preocupada comigo, eu não sei o que seria de mim sem ela.

   Alguns minutos passaram enquanto eu organizava as panelas, pratos e talheres. A campainha soou e Eve pulou do sofá no mesmo instante, correndo para a porta. Semicerrei os olhos, parando tudo o que eu estava fazendo e com uma panela nas mãos enquanto me equilibrava em cima de um banquinho de madeira para alcançar as prateleiras altas. E quando Eve abriu a porta e recebeu quem quer que fosse, eu senti que iria despencar de onde estava. 

   Eu devia saber, é claro. Eu sou muito inocente às vezes.

   Respirei fundo enquanto me esticava e colocava os pratos no armário. Benjamin apareceu sorridente com uma garrafa de vinho em mãos e uma sacolinha de presente. E logo atrás dele, é claro... Eu sou um prêmio para quem adivinhar.

— Parabéns, garota! - Benjamin me abraçou apertado, me entregando o vinho e o presente em seguida. - Esse é um presente para a casa nova. O Daniel também trouxe um, mas o meu é melhor.

   Sorri agradecida e Daniel se aproximou, me entregando o presente e me abraçando casualmente. Deixei as coisas sobre o balcão da cozinha e mostrei todo o apartamento para eles. Daniel elogiou a arrumação e mencionou que já havia vindo. Benjamin fez uma expressão de nojinho para ele, de implicância. Era engraçado olhar eles dois agora. Apesar de implicarem o tempo inteiro um com o outro, era nítido que estavam muito mais próximos. Era uma implicância de irmãos. 

   Todos sentaram confortavelmente na sala e eu os servi com o vinho. Eve avisou que logo Jack sairia do trabalho e viria também. Ficamos um bom tempo conversando e quando Jack chegou a primeira garrafa de vinho já havia acabado. 

   Em certo momento fui ao banheiro. Demorei cerca de cinco minutos e, quando voltei, todos haviam desaparecido. Apenas Daniel estava sentado na poltrona azul, com a taça de vinho pela metade e com a cabeça jogada para trás, olhando para o teto.

   Ai meu Deus, ele morreu e todos saíram para chamar uma ambulância.

   Fui até ele e o cutuquei com força. Daniel arregalou os olhos, me olhando como se eu fosse louca e massageando o local atingido. Suspirei aliviada e me joguei no sofá, ao lado da poltrona.

— Mas o quê...

— Eu pensei que você estava morto - suspirei. - Em coma alcoólico ou coisa assim. 

— A mais alcoolizada aqui é você. - ele revirou os olhos. - Acho melhor você parar um pouco, seus olhos já estão fechando sozinhos.

   Assenti, totalmente de acordo. Joguei minha cabeça para trás no sofá e massageei minhas têmporas, sentindo uma dorzinha no fundo da cabeça. Puxei meus pés para cima do sofá e o olhei, confusa.

— Onde estão todos? - perguntei.

— Foram comprar mais vinho, eu acho - ele murmurou, levando a taça aos lábios. - Ou cerveja. Eu não entendi muito bem, parte da minha mente já estava dormindo.

— A minha também - sussurrei, abraçando meus joelhos.

   Daniel terminou seu vinho e deixou a taça sobre a mesa de centro. Ajeitou sua postura na poltrona até se sentir mais confortável e me olhou, com um sorriso suave nos lábios. O canto dos seus olhos claros levemente puxados.

— Você não mudou praticamente nada - ele disse baixinho. O apartamento estava silencioso, com exceção da música que tocava bem baixinho no rádio. - Mas está mais bonita.

— Alguma coisa tinha que melhorar - arqueei as sobrancelhas, sorrindo em seguida. - Você também não mudou quase nada, mas está mais...

   Olhei para a sua barba por fazer e seu cabelo um pouco maior e bagunçado. Seu jeans e a blusa quadriculada azul escuro. Aquela barba definitivamente não era mais de três dias - aquilo ali já devia ter uma semana.

— Mais rústico - falei devagar, analisando-o. - Na verdade, você parece mais um universitário agora do que antes.

— Mais largado, você quer dizer. - ele sorriu. - Eu realmente já fui mais arrumadinho, mas hoje em dia eu esqueço de fazer a barba e compro as roupas mais macias que encontro. É libertador.

— Eu podia jurar que no dia em que nos reencontrássemos você seria um médico ou engenheiro - falei, rindo um pouco. - Mas olhando para você agora, jornalismo realmente é a sua cara.

— Foi onde eu me encontrei. - ele deu de ombros, apoiando o cotovelo no descanso da poltrona e colocando o queixo sobre a mão, os olhos sobre mim. - Quando voltei para Nova York, eu entrei em Engenharia, realmente. Mas quando minha mãe começou a me rodear como uma abelha e a comprar ternos e gravatas para mim, eu vi que devia fugir dela e de seus sonhos mirabolantes. Então, me transferi para jornalismo e ela ameaçou não deixar nada para mim.

— E o que você disse?

— Eu disse que tudo o que ela tinha era do marido dela - ele fez uma expressão incomodada. - Agi como um babaca, ela ficou extremamente decepcionada comigo. Mas depois conversamos melhor, eu me desculpei e expliquei toda a situação. Eu não podia ser o que ela queria que eu fosse. Um boneco "bem formado e de futuro promissor" para ela exibir por aí, para competir com os admiráveis filhos do marido dela. - seu olhar ficou perdido na direção da janela da sala, enquanto ele se perdia em pensamentos e lembranças. - Eu queria uma forma de me expressar e ser ouvido. Ter liberdade para... - ele engoliu em seco, me olhando confuso. - Eu não sei. Na verdade, acabei em um jornal escrevendo sobre os crimes mais absurdos que aconteciam nessa cidade e me sentindo um lixo todas as noites. Então, meu chefe me jogou na sessão de casamentos para que eu não acabasse surtando. 

— No fundo, nunca estamos onde queremos - falei mais para mim mesma, distraída e praticamente deitada no sofá, com o olhar fixo nos pés com meia de Daniel. 

— Você, sim - Daniel me olhou com carinho. - Sempre sonhou em trabalhar com livros e agora é editora.

— Eu achei que isso fosse tudo o que eu queria, mas... - suspirei, me mexendo subitamente no sofá e ficando de bruços, me apoiando sobre os cotovelos e olhando para Daniel. - Sabe quando falta algo?

— Sei. - ele assentiu, com uma expressão de cansaço. - Para mim falta tudo.

 

Huey Lewis & Gwyneth Paltrow - Cruisin' Together

 

— Mas você está na profissão que queria - falei, procurando as palavras certas para explicar. Meu estômago revirava um pouco e minha visão estava levemente turva. - Apenas não faz o que esperava. Eu estou na profissão que sempre quis e fazendo o que sempre sonhei, mas as vezes penso se isso realmente é o que eu quero, entende? Eu sempre penso se sei o que estou fazendo com a minha vida, as vezes parece que... - umedeci os lábios, desviando o olhar de Dan. - Que estou vivendo uma vida que não é minha, que essa não sou eu. Fazendo coisas que eu acho que gosto e aceitando diversas coisas que me fazem mal. Aguentando situações que... Eu sei que não deviam acontecer.

— Então largue o que você não gosta e faça coisas que realmente gosta - Daniel simplificou, mas viu minha provável expressão desnorteada e suspirou. - Como, por exemplo... Essa música.

   Arqueei uma sobrancelha e só então prestei atenção na música que tocava no pequeno rádio, sintonizado em uma rádio de músicas antigas. Era "Cruisin' Together", do Smokey Robinson, mas na voz da Gwyneth Paltrow e Huey Lewis. Eu sabia de cor, pois era a música preferida dos meus pais. Cantávamos juntos sempre que ela tocava no rádio do carro, quando eu era pequena e viajávamos para o Oregon. Sorri, fechando os olhos e me jogando de costas no sofá. Fiquei observando o teto e absorvendo o ritmo. Aquilo me tranquilizou de uma forma que eu não sabia explicar. 

Let the music take your mind...— Daniel cantarolou.

Just release and you will find...— continuei, sorrindo abertamente e o olhando em expectativa pelo refrão.

   Daniel deu uma tossida para afinar a garganta me fazendo rir e logo em seguida continuamos juntos, quase gritando:

You're gonna fly away, glad you're goin' my way... I love it when we're cruisin' together...— Daniel ficou de pé rapidamente e puxou minhas mãos. Cambaleei sobre meus pés e ele me segurou, rindo, enquanto cantávamos: - Music is played for love, cruisin' is made for love. I love it when we're cruisin' together!

   O último trecho começou e repetimos as frases, enquanto Daniel me rodopiava pela sala e eu ria incontrolavelmente tentando manter o ritmo. Pisei em seu pé diversas vezes e ele ria, reclamando da dor. Nos separamos e ele me rodopiou com uma mão, me puxando de volta para si. Quando vi, estávamos em um ritmo lento. Minhas mãos sobre seus ombros, suas mãos em minha cintura e olhando um para o outro. Sorríamos abertamente sem motivo, entre uma risada e outra. E em certo momento, quando sua mão veio até meu rosto para afastar alguns fios ondulados do meu cabelo que estavam bagunçados sobre os meus olhos, a porta do apartamento foi fechada. Pulamos onde estávamos e olhamos na mesma direção, vendo Benjamin, Eve e Jack nos olhando confusos. Benjamin com uma expressão de nojinho, Eve de olhos arregalados e Jack rindo feito um idiota.

   Tossi, colocando as mãos na cintura e dando dois passos para trás. Bati meus joelhos em uma das caixas da mudança e bufei, saindo de perto. Daniel voltou a se sentar na poltrona lentamente, pegando sua taça. Os três espectadores continuaram onde estavam, nos olhando como estátuas.

— Então, trouxeram o vinho? - perguntei, tentando disfarçar enquanto ia até eles e quase tropeçava e ia de cara no chão no caminho. - Quase morro de tédio esperando vocês.

— Percebemos o quanto você estava entediada. - Eve arqueou as sobrancelhas, irônica. - Aliás, se quiser, podemos deixá-la mais tempo aproveitando o seu tédio.

— Cala a boca - resmunguei, passando por ela e pegando a sacola de mercado que ela carregava. - Vou preparar algo para comermos, senão todo mundo vai ficar bêbado rápido.

   Coloquei a sacola sobre a bancada da cozinha, mas não calculei a distância e quase caiu tudo no chão. Segurei tudo com as mãos trêmulas e visão turva. Céus, quem eu queria enganar...

— A mais bêbada aqui é você, Ally. - Jack riu, me ajudando a equilibrar as coisas. - Quer que eu te ajude?

— Não, eu consigo sozinha. - teimei, enxotando todos da cozinha. - Eu estou ótima. Vou cortar um queijinho para comermos - falei animada.

   Peguei um vidro com algo branco dentro mais próximo e separei o queijo. Ben se aproximou de mim e sussurrou em meu ouvido:

— Isso é açúcar - ele disse.

   Parei o que estava fazendo e, semicerrando os olhos, consegui ler "AÇÚCAR" escrito no pote. Suspirei olhando para Benjamin O'Neil, que me observava com uma expressão risonha.

— Eu sabia - falei devagar. - Sai daqui.

   Ele levantou os braços como se se rendesse, indo em direção a sala, e eu revirei os olhos. Deixei tudo em cima do balcão e respirei fundo, fechando os olhos. Aquilo agora a pouco havia sido...

   Nada. Apenas nada.

   Queijos e sal, Alison. Queijos e sal.



Notas finais do capítulo

Ai, gente, gostaram? Que saudadinha de momentos DanAlly ♥
E sobre a vida da Ally estar correndo super linda: calma, que o que a espera tá guardado, HAHAHAHA. Alguém chuta quando os problemas dela começarão? Começa com Cam e termina com Eron. Apenas uma dica.
MAS ainda tem coisa pra acontecer, então vamo acalmar o coração, hahaha.
Espero muito que tenham gostado! Não prometo trazer o próximo bem rápido, mas prometo sempre não ultrapassar o período de 2 semanas pra atualizar, ok? Porque tá tudo meio merda aqui, minha cabeça tá uma loucura, ainda tô na lista de espera da faculdade e roendo os dedos pra ser chamada, super nervosa. Me enviem energias positivas, por favor ♥
E assim que der trarei o próximo ♥

E QUEM NÃO PARTICIPA DO GRUPO? Gente, corre lá, eu sempre posto avisos e fotos lindas dos personagens pra matar a saudade (principalmente do Daniel porque aqui é DanAlly na veia) ♥
É só ir no link: https://www.facebook.com/groups/209079426170113/?fref=ts



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