Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 45
[2ª T] 7. O retorno


Notas iniciais do capítulo

PRIMEIRAMENTE: FELIZ NATAL!!! ♥
Desejo muita felicidade, amor e coisas boas pra todxs vocês, gente. Conseguimos passar por esse ano Ó-T-I-M-O que foi 2016, não é mesmo? HAHAHAHA.
Mas a melhor parte de 2016 foi ter passado ele aqui, juntinho com vocês, escrevendo essa história que eu amo tanto e lendo as coisas lindas que vocês comentam para mim em todos os capítulos! Fora as recomendações, que ao todo são 21 (Obrigada pela recomendação no último capítulo, My! E obrigada por sempre acompanhar, desde o comecinho). Vocês me matam de tanta felicidade. Obrigada. ♥
Espero muito que gostem dessa capítulo. Talvez tenha algumas leitoras que estão desgostando do Daniel, HAHAHAHAH. Mas eu gostei bastante e acho que o final dele (que é um pouco diferente do que eu planejava) passa o que estamos passando agora: aquele sentimento de renovação e de portas abertas para coisas melhores.
MAS SERÁ QUE AQUI VÃO SER MELHORES MESMO? HAHAHAHAHA.
Chega de ladainha, vão ler logo ♥




[2ª TEMPORADA]

CAPÍTULO 7

 

Me sentindo tão pequena, fico olhando para a parede na

esperança de que você pense em mim também.

Roxette - Spending My Time

 

  Eu vou te dizer uma coisa: Eu sou péssima em improviso. Em fingir que não ficou surpresa, sabe? Toda aquela coisa de sorrir animadamente, dar beijinhos no rosto, abraçar e disfarçar. Eu sou péssima. Por isso, quando Daniel surgiu na minha frente com aquele maldito sorriso irritante, tudo o que eu consegui foi gaguejar:

— Bom te... Te rever... Também.

  E então, eu virei-me rapidamente e corri em direção à sala. Apresentei Tanya e Anthony à minha mãe e Vanessa, que até hoje não haviam conhecido eles. Todos se cumprimentaram, se abraçaram, desejaram feliz natal e toda aquela coisa. Pela minha visão periférica, vi Daniel se aproximando sorridente e abraçando a todos. A não ser, é claro, a mim. Sempre que ele ficava a menos de um metro de distância, eu me jogava para o outro lado e me mantia o mais distante possível dele.

  Minha mãe lançou um olhar recriminador à mim e eu fingi que não entendi. Porque a essa altura, com o coração à mil e com os nervos à flor da pele por achar INACREDITÁVEL o aparecimento de Daniel aqui, eu não estava com cabeça para me preocupar em ser educada. Eu não podia acreditar no tamanho da sua cara de pau. Não mesmo.

  Saí de perto de todos disfarçadamente, me enfiando na cozinha e observando tudo o que acontecia no outro lado da bancada que dividia a cozinha  e a sala. A parte boa era que o conceito aberto do apartamento me permitia ver tudo o que ocorria na sala. A parte ruim era que eu não tinha como me esconder. Eve me olhou algumas vezes enquanto conversava algumas coisas com Daniel e eu desviei o olhar do seu, tentando não transparecer meu nervosismo. Tanya e Anthony já haviam engajado em uma conversa animada com a minha mãe e Vanessa. Tudo parecia tranquilo e aconchegante.

  Menos eu.

  O cheiro da minha torta de abóbora já estava convidativo, então tentei me ocupar com isso. Fiquei agachada na frente do forno como uma criança ansiosa, olhando a torta pelo vidro escuro do forno e mordendo os lábios. Respirei fundo três vezes, expirei devagar, tentei pensar em gatinhos bonitinhos e toda aquela coisa que as pessoas nos mandam fazer para ficarmos calmos, mas não funcionou.

  Daniel estava aqui. Em Nova York. No apartamento. Na sala. Bem atrás de mim. Conversando com a minha mãe e Vanessa como há seis anos. Eu conseguia ouvir a sua risada e as palavras saindo da sua boca de forma risonha. Sua voz estava levemente mais grossa e um pouquinho rouca, mas de um jeito bom. Fechei os olhos com força e botei as mãos no rosto, tentando ignorar tudo aquilo, mas era impossível.

  Ele não devia ter feito isso. Não devia ter invadido o nosso espaço - o meu espaço - dessa forma. Não depois de tudo o que aconteceu, não agora. Eu devia saber que as chances de ele aparecer com os tios e Benjamin eram grandes, mas caramba, ele tem a mãe dele, certo? Até onde eu sabia a relação dele com a mãe e o padrasto não era das melhores, mas ainda assim ela também vivia em NY. Eu acho.

— Espero que não esteja planejando se enfiar dentro do forno. - Eve disse, passando por mim e indo direto até a geladeira. - Seria uma tragédia de natal para a família.

  Fiquei em silêncio. Não a olhei, mas pude perceber que ela pegou uma garrafa de vinho tinto na geladeira e tirava algumas taças bonitas do armário. Colocou tudo em cima da bancada e mirou seu olhar em mim. Continuei quieta, enquanto ela me analisava. Logo pude ouvi-la suspirar e se agachar ao meu lado. A essa altura eu já estava sentada com as pernas esticadas e as costas apoiadas na bancada, de frente para o forno, escondida de todos. Da sala ninguém conseguia me ver.

— Você sabe que isso é patético, certo? - ela sussurrou.

— Eu sou patética.

— Não, não é. - ela revirou os olhos. - A situação é chata, ele é um provocador e você é melhor do que isso. Levante desse chão e vamos voltar para a sala.

— Eu não consigo. - murmurei, passando as mãos no rosto.

— Consegue sim.

— Não, Eve... - engoli em seco, levantando os olhos para olhá-la. - Eu realmente... Isso é uma merda. Eu não consigo. Eu sinto vontade de estapeá-lo e ao mesmo tempo...

  Eve ficou me olhando em silêncio por alguns segundos, até que respirou fundo e assentiu. Ficou de pé e me olhou de cima, enquanto pegava a garrafa e as taças.

— Todo mundo está disfarçando e fingindo que você não está se escondendo aqui. - ela disse baixinho. - Se você levantar agora será ainda mais vergonhoso. Então, eu vou te dar dez minutos. Você tem dez minutos para se recompor e botar um sorriso nessa cara chorosa, enquanto isso eu tento entreter todo mundo para aliviar o clima.

  Assenti fracamente, enquanto ela dava um pulinho por cima das minhas pernas esticadas e voltava para a sala falando alegremente sobre Jack ter ido comprar a árvore apenas hoje cedo para que pudéssemos montar.

  Estiquei meus braços à minha frente, deixei duas lágrimas saírem dos olhos rapidamente, enxuguei-as, respirei fundo cinco vezes, fiz uma massagem no rosto com a ponta dos dedos e sorri diversas vezes, para meu rosto se acostumar com o movimento e se tornar mais natural.

  Pensei em gatinhos, nuvens, árvores, estradas, o mar da Califórnia, a Golden Gate. Pensei na minha mãe e no sorriso dela, nas piadinhas que Vanessa estava contando na sala e no cheiro da minha torta.

  Daniel não importa. Ele está aqui e isso é algo que não pode ser mudado. Ele não vai estragar o meu natal.

  E então, o leve tilintar do relógio que marcava o horário de preparo da torta soou e eu fiquei de pé rapidamente, excluindo todos os pensamentos negativos e o nervosismo do peito. Botei um sorriso no rosto, como Eve havia mandado, e retirei a bandeja do forno. Coloquei sobre a bancada da cozinha, de frente para todos, e levantei o olhar para eles.

  Todos olhavam na minha direção. Senti vontade de me esconder atrás da bancada novamente, mas engoli em seco e mantive o sorriso.

— Ficou pronta! - falei animada. - Só espero que esteja boa como a da vovó.

— Pelo cheiro... - minha mãe suspirou, levantando do sofá e vindo na minha direção. - Está igualzinha. Obrigada, querida.

  Sorri carinhosamente para ela, feliz por ver os seus olhos brilhando. Vanessa nos olhava sorridente da sala e eu sabia que a primeira a atacar a torta de abóbora seria ela. Comecei a desenformar a torta e a coloquei sobre uma travessa de prata bonita que Eve havia separado para mim, levando-a para a mesa da ceia em seguida. Então, minha mãe pegou minha mão e me levou até onde todos estavam conversando. Sentei entre Eve e Benjamin, cruzando minha perna e tentando manter os nervos sob controle. Daniel estava sentado em uma poltrona no outro lado, bem de frente para mim, conversando animadamente com Jack e Anthony sobre algo relacionado a tecnologia.

— Ally... - Benjamin cochichou próximo ao meu ouvido, me cutucando de leve com o cotovelo. - Me desculpe, eu juro que...

— Chega de desculpas. - sorri um pouco. - Está tudo bem. Eu sabia que isso poderia acontecer.

— Sério?

— Na verdade, não. Eu quase enfartei. - olhei nos seus olhos e ele fez uma leve careta de desconforto. - Mas está tudo bem.

  Benjamin pegou a garrafa de vinho e encheu uma taça para mim. Sorri diante do seu gesto e flagrei o olhar de Daniel em nós dois. Sua expressão séria e seus olhos avaliativos. Olhei para baixo, aceitando a taça de Benjamin, que não havia percebido nada. Engatamos na conversa das mulheres e Benjamin ria das coisas que dizíamos. Aos poucos, com o passar do tempo e dos assuntos, eu fui me sentindo mais leve e tranquila. A presença de Daniel mal era sentida por mim. Talvez o vinho tenha ajudado, já que o familiar formigamento subindo pelas minhas pernas já estava presente. Eu sempre sentia isso quando a bebida começava a fazer efeito.

— Vamos começar a comer? - Jack perguntou. - Eu estou com fome, gente.

  Todos nós rimos e concordamos. Nos sentamos ao redor da mesa e começamos a nos servir, ainda conversando. Era engraçado o modo como todos se entrosaram rápido. Quem olhasse de fora poderia jurar que, realmente, éramos uma única família.

  Eu só esperava que o clima familiar permanecesse e eu conseguisse passar por essa noite sem grandes emoções.

(...)

  O mundo me detesta.

  E eu não digo isso porque eu odeio a minha vida ou porque eu tenho ódio de mim mesma, nem nada do tipo. É que às vezes a vida te dá algumas rasteiras que você não espera. Assim, de repente, devagarinho. Não importa se é seu aniversário, se você ganhou uma grande promoção, venceu na loteria ou se é Natal.

  Quando você vê, já está no chão. Literalmente. Com o rosto na frente de um vaso sanitário e vomitando tudo o que comeu e bebeu, porque você também é uma idiota que não sabe se controlar e bebe uma garrafa de vinho praticamente sozinha, porque quer fugir de momentos e sentimentos ao invés de encará-los de frente. Como eu sou, como eu fiz.

  Não façam isso em casa. Nem em lugar algum. Por favor.

— Você é uma idiota. - Eve puxou meus cabelos para trás enquanto eu despejava no vaso tudo o que havia no meu estômago. - Eu nunca mais deixarei você beber.

— Eu nunca mais vou beber. - gemi, tentando respirar com calma. - Eu juro, a partir de hoje eu...

  Virei-me rapidamente e lá se foi mais um pouquinho. Senti pena da Eve, que ao invés de aproveitar a ceia de natal estava ali, no banheiro, segurando o meu cabelo na frente de um vaso sanitário. Eu duvido que ela consiga comer qualquer coisa depois disso. É assim que você sabe quem são os seus amigos de verdade.

  Depois que não havia restado mais nada em meu estômago, Eve deu descarga e me ajudou a ficar de pé. Me guiou até a pia como se eu fosse uma criança e me ajudou a lavar meu rosto. Escovei meus dentes com todo o afinco possível para uma pessoa bêbada e de mãos trêmulas. Eve secou meu rosto com cuidado e eu podia ver a preocupação presente nas suas sobrancelhas franzidas.

  Rodeei sua cintura com meus braços e encostei minha cabeça em seu ombro. Ela riu baixinho e me abraçou de volta, dando um beijinho na minha cabeça.

— Eu te amo. - murmurei.

— Eu também amo você. - ela me apertou um pouco. - Amo muito. Mas agora vamos sair daqui, porque o cheiro de vinho está absurdamente horroroso.

  Saí do banheiro rindo como uma idiota, enquanto andava a passos lentos e embolados. Eve me segurava pelos ombros. Paramos no meio do corredor e ela me olhou seriamente.

— Quer mesmo voltar para lá? - ela perguntou. - Não prefere deitar um pouco?

  Olhei na direção da sala e de onde estávamos eu conseguia ouvir a conversa de todos. A voz de Daniel se destacava entre as demais e meu coração se agitou dentro de mim. Eve pareceu entender o que eu pensava e me guiou ao meu quarto. Nem acendi as luzes, apenas fui até a cama e me joguei de qualquer jeito nela. Eve ficou um tempo parada na porta, uma mão na maçaneta, me observando. Até que saiu em silêncio e fechou a porta atrás de si.

  Fiquei um bom tempo ouvindo apenas o som abafado dos carros passando na rua e as risadas de todos na sala. O relógio marcava uma hora da manhã e meu estômago  doía como o inferno. Eu não sei se era a melancolia habitual do Natal - em todos os anos eu ficava deprimida nas comemorações de fim de ano, sempre me senti estranha sem motivo aparente - ou se era o convidado surpresa que vinha causando tanta aflição em mim.

  Talvez fosse uma mistura dos dois, ou talvez eu esteja tentando mentir para mim mesma. E Daniel é um cretino por aparecer aqui e causar tudo isso em mim. Há alguns anos eu costumava dizer que ele me levava do inferno ao paraíso rapidamente e isso era constante. Eu pensei - eu esperava - não voltar a sentir isso novamente. Mas aqui estou eu. Deitada na minha cama com o rosto enfiado no travesseiro, sozinha, em um quarto escuro e me sentindo péssima.

  Passei todos esses anos repetindo para mim mesma, e para todos, que eu havia superado e estava tudo bem. Tudo corria perfeito, eu tinha Cameron, um bom emprego e quem era Daniel, mesmo? Ah, sim, aquele cara que me deu um pé na bunda em pleno baile de formatura. Lembro vagamente dele, sim. Mas não significa mais nada.

  O que fazemos quando tudo o que você acredita perde o sentido e o nada passa a significar tudo? Você encara de frente ou corre?

  Suspirei profundamente virando meu corpo na cama e encarando a janela. O céu estava com uma cor estranha por causa das nuvens pesadas e, vagarosamente, a neve começou a cair. Fraca, de início. E com o passar dos minutos minha mente foi processando que aquilo, de fato, estava acontecendo. Acordei do transe e sentei na cama devagar, me aproximando da janela. A empurrei para cima para abri-la e o ar gélido veio de encontro ao meu rosto. Sorri colocando uma mão para fora. Algumas pessoas andavam pelas calçadas, a quatro andares abaixo de mim, e ficaram paradas olhando para o alto assistindo os pequenos flocos caindo ao redor delas.

  Era a primeira vez que eu via neve.

  Saí da cama ainda levemente cambaleante, mas me mantive firme. Peguei um par de luvas que estava em cima da minha escrivaninha e as vesti, saindo do quarto em seguida. Quando entrei na sala, todos estavam agarrados nas janelas observando a neve cair. Estavam de costas, ninguém notou a minha presença. Passei rápido pela sala e a cozinha, saindo do apartamento. O elevador do prédio estava ocupado, então desci os quatro lances de escada agarrando-me ao corrimão e sem saber muito bem o que estava fazendo.

  Tropecei duas vezes nos degraus, mas consegui me segurar a tempo de cair. Fui idiota por não ter chamado aos outros, mas talvez ninguém me deixasse sair pelo estado em que eu me encontrava. Então, desci as escadas com o máximo de atenção possível e fui para a rua. Ainda não havia neve no chão, mas os flocos caíam lindamente. Sorri quando alguns pousaram no meu cabelo e bochecha. Fiquei olhando para cima até me sentir tonta e sentei em um dos degraus da entrada do prédio. Apoiei meu ombro no corrimão e encostei meu rosto na barra de ferro gelada, respirando fundo.

— Espero que não esteja pensando em virar um boneco de neve. - uma voz disse atrás de mim. Senti meus braços se arrepiarem. - Nossa, essa piada foi péssima. Desculpa.

  Não virei para olhá-lo. Fingi que não o ouvi, na verdade. Continuei olhando para o alto e tentando voltar à sobriedade antes de ter que encará-lo de verdade. Acho que isso não aconteceria.  

  Daniel desceu dois degraus e sentou-se ao meu lado. Três palmos de distância. Olhei-o de canto e vi suas mãos nos bolsos da jaqueta e o olhar no céu. Meus olhos se perderam na sua barba curta e no ar de despreocupado que ele mantinha. Como ele podia estar lidando com isso tão tranquilamente? Ele não percebia o que estava acontecendo?

  Seu olhar caiu sobre mim e ele sorriu levemente. Seus olhos ficando levemente puxados no cantos. Eles pareciam ainda mais verdes sob a neve e as luzinhas de natal espalhadas por todo o bairro. Ele não era o homem mais bonito do mundo, tampouco o mais arrumado. Seu cabelo meio bagunçado, a barba por fazer e o pequeno rasgo no joelho da calça jeans escura deixavam isso claro. Mas ainda assim, era estupidamente bonito.

  Ficamos sustentando o olhar sobre o outro por alguns segundos, até que eu virei o rosto e voltei a olhar para a rua. Engoli em seco, tentando ignorar o leve aperto no peito que eu sentia. De onde estávamos eu conseguia ouvir Spending My Time, da Roxette, tocando no apartamento do primeiro andar do prédio. Alguém tinha que avisar ao Sr. Barry que Roxette devia ser a última coisa que as pessoas escutam na noite de natal. É tão...

— Isso é tão deprimente. - Daniel sussurrou ao meu lado. - Quem escuta Roxette no natal?

  Eu tentei conter o sorriso que se formou em meus lábios, mas não consegui. Fechei os olhos, encostando minha testa na barra do corrimão gelado e rindo fracamente. Não resisti e olhei para Daniel. Ele sorria olhando para mim e, quando nossos olhares se encontraram, ele arqueou uma sobrancelha.

— Finalmente você sorriu. - ele disse baixinho. - Eu pensei que tinha estragado tudo de uma vez aparecendo aqui.

— E estragou. Isso aqui não é... - falei rapidamente, apontando para nós dois. - Não se anime.

  Eu não podia deixá-lo voltar assim. Não dessa forma. Não poderia ser tão fácil, não devia ser. Mas é estupidamente fácil. Estar sentada com ele aqui, agora, debaixo da neve e com meu bumbum congelando no chão frio, era fácil como respirar. Mesmo com o desconforto e a mágoa, mesmo com toda essa porcaria de sensações se agitando dentro de mim. E isso me deixava aliviada e com raiva ao mesmo tempo.

Roxette - Listen to Your Heart

— Se você diz. - ele deu de ombros, ainda com um sorrisinho contido nos lábios. - Aliás, acho que deveríamos nos apresentar.

  Eu o olhei, estranhando aquilo. Daniel me olhava profundamente quando estendeu uma mão em minha direção.

— Eu sou Daniel Sullivan. - ele disse, sua voz rouca pronunciando cada palavra lentamente. - É um prazer conhecê-la.

  Nesse momento o refrão de Listen to Your Heart, também da Roxette, começou a tocar no apartamento do Sr. Barry. Eu olhei para a mão estendida de Daniel e fiquei um tempo pensando se deveria. Meus dedos formigando dentro da luva e meus batimentos acelerando aos poucos. E antes que eu pudesse voltar à sobriedade e à razão; antes que eu pudesse ter noção do que estava ocorrendo ali; antes que eu pudesse pensar melhor e dizer "não, vá embora daqui"...

  Minha mão segurou a dele em um movimento natural. Encaixou-se como duas peças de lego. E quando eu levantei meu olhar para o dele novamente, eu soube.

  Eu estava perdida.



Notas finais do capítulo

AI MEU DEUSO ♥ HAHAHAHAHA.
Espero que tenham gostado! Me mandem comentários, comentem lá no grupo do facebook, enfim, me digam o que acharam! Por favor ♥
O próximo capítulo vai vir depois do Ano Novo, gente. Espero que vocês tenham uma virada de ano maravilhosa como vocês ♥
BJBJBJBJBJBJBJ
...
P.S: Acho que todo mundo aqui já ouviu Roxette ao menos uma vez na vida, né? hahaha. Super anos 80 e eu adoro ela. E eu tenho a sensação que as músicas dos anos 80/90 são MUITO a cara de Nova York. Talvez eu não coloque muitas na história ao longo dessa temporada, mas vez ou outra deve ter, porque adoro esse clima de antiguinho e nostalgia, hahahaha. ♥
P.S.2: VOCÊ AINDA NÃO PARTICIPA DO GRUPO? Meu Deus, que pecado. Corre pra lá que é só amor, alegria e fotos do Daniel e do Benjamin sem camisa: https://www.facebook.com/groups/209079426170113/ ♥



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