Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 40
[2ªT] 2. New York, New York


Notas iniciais do capítulo

PASSADO O ENEM... Aqui estou eu, hahaha. Quem aí fez a prova? Como se saíram? Eu só chorei antes de fazer, fiquei em choque durante e chorei depois de tudo. Mas vida que segue, agora já foi e é só esperar o resultado, né non? (e torcer pra ele não me fazer chorar DE NOVO)
Enfim, aqui está o segundo capítulo da nova temporada, tá ENORME!
Espero que gostem ♥




[2ª TEMPORADA]

CAPÍTULO 2

 

Noites no centro, é uma nova cidade.
Mas eu continuo pensando que eu vejo seu rosto na multidão.

The Chainsmokers - New York City

 

   Minha mãe, Danielle, me abraçou pela quarta vez. Eu sorri, correspondendo ao abraço e rindo de Vanessa revirando os olhos atrás de nós duas.

— A menina vai para Nova York, Danielle. – Vanessa ralhou. – Não para os confins do planeta.

— Eu sei. – minha mãe fungou, passando os dedos nos olhos e abrindo um sorriso bobo no fim. – Desculpe, querida. Mas sentirei tanto a sua falta.

— Eu também. – sorri para ela e Vanessa. – Mas vejam pelo lado bom! O natal está quase chegando. Poderemos passar todos juntos em Nova York, o que acham? Eve está louca para receber vocês também.

— É uma ótima ideia. – Vanessa sorriu. – Espero que dê tudo certo, Ally. Torço muito para você, querida. Manda um beijo para aquela desnaturada por mim, por favor.

   Prometi que daria mil beijos babados em Eve por ela, fazendo-a rir. Em seguida peguei as mãos da minha mãe entre as minhas e a olhei com olhos suplicantes.

Por favor— pedi. – Cuide bem do Gregory por mim. Eu prometo que voltarei para busca-lo assim que eu conseguir me ajeitar.

   Minha mãe revirou os olhos e jurou que cuidaria bem do meu gatinho, pela sexta vez. Eu não poderia levar Greg porque, inicialmente, ficaria no apartamento de Eve e Jack. Então, como minha mãe havia voltado a morar em São Francisco para montar seu próprio estúdio fotográfico, concordou em ficar com ele enquanto eu não encontrasse um lugar para morar.

   Ouvimos meu voo sendo chamado e peguei minhas coisas. Abracei as duas novamente e passei pelo portão de embarque, sentindo um frio na barriga se apossar de mim. Ao mesmo tempo que pensava no quanto isso era inacreditável e incrível, uma melancolia tomou conta do meu peito.

   Cameron vinha me ignorando desde aquela noite. Tentei ligar diversas vezes, mandei mensagens... Mas ele não retornou. Os dias passaram e aqui estou eu, dentro do avião, indo embora. Eu não podia deixar de me sentir culpada. Cameron foi incrível para mim nesses dois anos. Nos conhecemos um pouco antes de nos formarmos na universidade e tínhamos uma relação muito boa. Talvez não tão boa assim, já que ele possuía alguns pontos que me chateavam as vezes. Mas de qualquer forma, eu o amava. E sei que ele me amava também.

   Eu não queria que acabássemos dessa forma.

   Mas, de qualquer forma, eu não podia deixar essa chance escapar. Não dessa vez. Eu já havia desistido de muita coisa pelo bem do nosso relacionamento, mas dessa vez não podia. E quando olhei o tapete de nuvens que se formava no céu, através da janela do avião, eu sabia que havia tomado a decisão certa.

***

   A primeira coisa que vi quando cheguei em NY foi um cartaz que dizia, em letras garrafais: “ALLISON JONES (ANÃ)”. Revirei os olhos, mas não consegui me conter e pulei em Eve e Jack, que me apertaram em seus braços. Eve encheu meu rosto de beijos, enquanto eu ria. Só então percebi o quanto havia morrido de saudade deles. Nesses oito meses que eles estavam vivendo em NY só nos vimos uma vez, quando eles foram à Califórnia em um fim de semana.

   Eu havia jurado para Eve que torcia para que tudo desse certo para eles na nova cidade e que ia conseguir me virar sozinha – e falei a verdade -, mas era difícil. Viver sem Eveline Walker por perto era complicado. Eu sentia uma falta absurda dela.  

   Os dois me arrastaram para o carro, ambos tagarelando sem parar e me fazendo milhares de perguntas. Eu mal respondia uma, e vinha outra. Jack colocou minhas bagagens no porta-malas e eu sentei no banco de trás.

— Jack, o que é... – murmurei, confusa, apontando discretamente para o seu rosto. – isso?

   Eve riu alto e Jack revirou os olhos, alisando a penugem que havia se alastrado pelo seu rosto. Parecia uma barba, mas não era... Era quase um projeto de barba. Mas de certa forma ficava bem nele, o fazia parecer mais velho. Mas não deixava de ser esquisito e engraçado.

— Ele quer deixar a barba crescer. – Eve disse, com um tom de ironia. – Eu já tentei arrancar isso enquanto ele dormia, mas ele me aplicou um golpe ninja.

— Eu fico mais másculo de barba. – ele disse, totalmente convicto. – Todo mundo no trabalho me elogiou.

— Claro, um bando de nerds como você. – Eve revirou os olhos.

   Os dois ficaram discutindo divertidamente enquanto eu os observava. O cabelo de Eve havia crescido e ela parecia muito mais madura. Sorri um pouco, orgulhosa. Ela parecia uma mulher decidida e responsável, era lindo vê-la assim. E Jack continuava do mesmo jeito de sempre: tranquilo e divertido. Com exceção daquele pompom despenteado em seu queixo, é claro.

   Eles foram apontando e me mostrando tudo durante o caminho. Cada lugar pelo qual passávamos era me dito o nome. Esqueci o nome da maioria deles, mas era incrível estar aqui. Nova York tinha um ar realmente único.

   Eve e Jack viviam em Greenwich Village, em Manhattan – ou West Village, como era mais comumente chamado – e eu fiquei apaixonada pelo lugar. Era um bairro bem rústico e tranquilo, cheio de pequenos prédios lindos e ruas muito arborizadas. Olhei a fachada de cada prédio pelo qual passávamos e cada barzinho. Eve apontava para tudo que via e falava animadamente sobre onde queria me levar.

— Gente, eu juro que posso ficar em algum hotel. – falei, preocupada. – Não quero incomodar vocês.

— Fica quieta. – Eve beliscou meu nariz. – Você sabe que é totalmente bem vinda em nossa casa, garota.

— Você pode ficar pelo tempo que quiser, Ally. – Jack disse, me olhando pelo espelho retrovisor. – Nossa casa é sua casa também, boba.

   Suspirei, assentindo. Eu sabia que seria totalmente bem recebida por eles em seu apartamento enquanto eu não encontrava um lugar para morar, mas ainda assim me preocupava. Eles viviam uma vida de casados, praticamente. Estavam noivos e vivendo sob o mesmo teto há meses. Eu não queria atrapalhá-los ou algo do tipo. Ainda nessa semana eu começaria a procurar por locações para alugar, aproveitaria o dinheiro que eu tinha guardado para começar minha nova vida por aqui.

   Quando finalmente chegamos ao prédio deles, fiquei um bom tempo admirando a sacada de tijolinhos vermelhos. Fiquei encantada com o clima do lugar e a quantidade de árvores que havia ao longo da rua.

   O apartamento deles era simples, mas lindo e bem espaçado. Entrava muita luz pelas janelas, principalmente pela janela da sala, de onde tínhamos vista para algumas árvores da vizinhança. Eve me mostrou cada cômodo, animada, até que enlouqueci com a sala de jantar.

— Estou apaixonada. – coloquei uma mão sobre o lado esquerdo do peito. – Isso ficou lindo, Eve!

— Eu sabia que você ia gostar. – ela riu. – Um dos motivos pelos quais resolvemos alugar esse apartamento foi essa estante. Eu havia trazido vários livros e precisava de um lugar para eles. Você pode colocar os seus também.

   Assenti, ainda admirando a estante embutida. Ela era de madeira clara e tomava toda a parede, de um ponta a outra. A parede de tijolinhos na outra extremidade e o chão de madeira do local fazia um contraste incrível. E para complementar, eles haviam colocado uma mesa de jantar pequena e simples de madeira no meio do cômodo aberto.

   Depois de ver tudo o que havia para ser visto, Eve me levou ao quarto de hóspedes que haviam separado para mim. Coloquei as malas lado a lado em um canto e me joguei na cama. Eve se jogou ao meu lado, com um sorriso bobo no rosto. Demos gritinhos uma para a outra e nos abraçamos.

— Estou tão feliz por você estar aqui! – ela suspirou. – Senti tanto a sua falta, Ally. Foi difícil começar aqui sem você, de verdade.

— E foi difícil para eu continuar sem você em Los Angeles. – lamuriei.

   Sorrimos uma para a outra e nos abraçamos novamente. Logo Eve pulou da cama e mandou-me arrumar as coisas e tomar um banho enquanto ela preparava algo para comermos. Fiquei um bom tempo olhando a vista pela janela – as árvores, os carros passando, as pessoas passeando com cachorrinhos e crianças – e senti uma pontada de medo no peito.

   Eu sabia que seria incrível estar aqui e estava realmente feliz por isso, mas aquele medo bobo sempre me apunhalava. Porém, eu sabia que seria questão de tempo para perde-lo. Olhei meu celular sobre a cama e suspirei ao ver que não havia nenhuma mensagem ou chamada de Cameron.

   Eu me pergunto o que será de nós dois, afinal.

***

   Os dias passaram como um borrão.

   Eu já estava prestes a completar 3 semanas em Nova York e mal senti. Meu celular vibrou dentro do bolso do sobretudo e o peguei rapidamente, enquanto pendurava minha bolsa no braço e caminhava tranquilamente até o elevador. O trabalho já havia terminado e tudo o que eu queria era me afundar no sofá macio de Eve.

   “Onde a senhorita está? Jack comprou bolo e aqueles salgadinhos horrorosos que só você gosta (mas corra pra cá antes que eu os coma também).”

   Revirei os olhos e sorri, digitando uma mensagem rápida para ela enquanto entrava no elevador. Logo enviei uma súplica para que ela não comesse meus salgadinhos e apertei o botão do térreo. Fiquei alguns segundos vendo os andares passando e logo o celular vibrou novamente. Sorri, já imaginando que era outra mensagem de Eve. Mas paralisei ao ver que eram duas mensagens de “Cameron Hayes”.

   Senti meu coração acelerar e a respiração ficar presa. Cheguei ao meu andar. Engoli em seco e cliquei nas mensagens.

   “Ally, me desculpe. Eu preciso conversar com você.”

   “Vou entender se você não quiser falar comigo.”

   Saí do elevador sentindo minhas pernas trêmulas. Olhei ao redor, vendo o hall de entrada do prédio cheio de pessoas passando de um lado para o outro. Me esgueirei até um canto mais tranquilo, longe da passagem das pessoas e voltei a olhar a tela do aparelho.

   “Pode falar.” – digitei. A resposta não demorou a chegar.

   “Vou tentar ser o mais direto possível. Me desculpe por aquela noite, eu não queria ter agido daquela forma. Eu pensei muito nesses últimos dias... E eu sinto a sua falta. E se você me perdoar e ainda me quiser, eu faço qualquer coisa pra consertar tudo isso.”

   Respirei fundo, com os dedos indecisos sobre a tela do celular, incerta sobre o que responder. Eu sentia falta dele, também. Muito. Então, sem pensar direito no que dizia, eu respondi.

   “Também sinto a sua falta. Mas como vamos resolver isso, Cam?”

   “Há 99% de chances de eu conseguir um emprego em um escritório de advocacia em NY. Se você disser “sim”, ele é meu.”

   Sorri. Cameron sempre conseguia o que queria, independente do que fosse. Ou de onde estivesse. Senti aquela onda de melancolia que me assolava silenciosamente nos últimos dias se dissolver e o respondi rapidamente.

   “Sim.”

   Eu não conseguia tirar o sorriso da cara quando saí para a rua, dois minutos depois. Cameron prometeu conversar melhor comigo mais tarde, pois iria agilizar as coisas. Guardei o celular na bolsa e enfiei as mãos nos bolsos do sobretudo. Nem o frio que fazia em NY conseguia me desanimar agora.

   Seria realmente bom ter Cameron aqui. Agora poderíamos dar início ao que sempre planejamos, talvez...

   Esbarrei meu ombro fortemente em alguém e virei-me rapidamente para pedir desculpas.

Me desculp... – o estranho começou a dizer primeiro, ao mesmo tempo em que virávamos um para o outro.

   E nós dois paralisamos no meio da calçada.

   Arregalei os olhos, sentindo todo o sangue ser drenado da minha cabeça. Ele piscou rapidamente para mim, confuso, enquanto o reconhecimento fazia um sorriso lento se formar em seus lábios.

— Allison Jones... – ele disse baixinho, e mesmo com o formigueiro de pessoas passando ao nosso redor, eu pude ouvir com clareza.

   Benjamin O’Neil estava bem na minha frente. E parecia mais alto do que na última vez que o vi.

— Benjamin... – murmurei, me sentindo em choque. – O que você...?

   Ele riu, balançando a cabeça levemente enquanto me envolvia em seus braços. Pude ouvir alguns resmungos ao nosso redor por estarmos atrapalhando a passagem dos outros. Mas Benjamin os ignorou. Plantou um beijo estalado em minha bochecha gelada enquanto eu correspondia ao abraço trêmula.

— Eu não acredito que é mesmo você! – ele disse, me soltando e analisando-me de cima a baixo. – Você está linda, garota. Tem tempo para um café?

— Agora?

— Agora. – ele sorriu.

   Não pude evitar rir e assenti. Benjamin pegou minha mão e me puxou pelo mar de gente em direção a um café que havia no outro lado da rua. Eu apenas me deixei ser guiada por ele, sem conseguir digerir bem toda aquela informação.

   Benjamin estava mesmo aqui, em Nova York, na minha frente e me puxando para tomar um café.

   Após conseguirmos um lugar para sentar perto da janela, Benjamin trouxe nossos pedidos e sentou na minha frente, com os olhos brilhando e um sorriso bobo no rosto. Segurei meu copo de chocolate quente com as duas mãos e o levei aos lábios, tentando acalmar meus ânimos.

— Você parece tão madura. – ele disse de repente. – Eu não acredito que você está aqui, Ally.

— Nem eu. – sorri. – É inacreditável te encontrar aqui.

— Inacreditável por quê? Eu vim para a NYU, lembra? – ele riu. – Eu até pensei em voltar para a Califórnia quando me formei, mas Nova York tem algo que te prende. Eu não me vejo mais em outro lugar. Mas me conte de você! O que faz aqui?

   Comecei a resumir a minha vida desde o fim da faculdade, até o presente. Benjamin me ouvia com atenção e uma animação sincera. Aos poucos fui acostumando com a sua presença novamente e era como 6 anos atrás. Ele parecia mais alto e adulto. Porém, os cabelos loiros e um pouco bagunçados jogados para trás e a barba continuavam os mesmos. Ele estava ainda mais bonito. Era engraçado vê-lo agora, dessa forma, vestido formalmente e com um ar tão maduro.

   Quando terminei minha história, Benjamin sorriu, apoiando o cotovelo sobre a mesa e o queixo sobre sua mão.

— Você vai gostar daqui, Jones. – ele disse. – Essa cidade é incrível. Caramba, eu estou tão feliz por te ver! – ele riu. – É muito bom te reencontrar, de verdade. Devíamos marcar algo. Eu conheço uns lugares muito bons por aqui. Você está morando com a Eve e o Jack, certo? – perguntou e eu assenti, enquanto bebia mais um gole da minha bebida. – Em qual bairro?

Greenwich Village. – respondi, vendo um sorriso satisfeito se formar em seus lábios.

— É o destino. – ele riu. – Eu estou morando em Chinatown, a uns quinze minutos de distância de vocês.

   Benjamin parecia tão feliz com tudo isso acontecendo que eu me peguei ficando animada junto com ele. Trocamos nossos números de celular enquanto saíamos do café e nos abraçamos apertado na despedida. E então, aquela sensação veio como um raio me atingindo.

   Todas as lembranças de 6 anos atrás que eu empurrei para o fundo da minha mente durante todo esse tempo tomaram conta. E quando Benjamin olhou fundo nos meus olhos depois do abraço e eu forcei um sorriso, senti que poderia fraquejar a qualquer momento. Tentei nublar meus pensamentos enquanto acenávamos um para o outro e cada um ia para um lado. Andei a passos rápidos até o estacionamento onde havia deixado meu carro, tentando me distrair com tudo o que eu via pelo caminho: os arranha-céus, os carros, as buzinas, as pessoas, as vozes. Olhos verdes.

   Quando eu entrei em meu carro e joguei a bolsa no banco de passageiro, soltei todo o ar que havia prendido sem perceber. Respirei fundo, apoiando minha testa no volante e abraçando a mim mesma.

Esqueça, Allison. – sussurrei para mim mesma, engolindo em seco.

   Ver Benjamin havia sido reconfortante e infernal ao mesmo tempo. Parecia que tudo havia voltado, e eu me peguei mordendo a língua em nossa despedida para não perguntar sobre ele. Eu não podia. Não agora.

   Meu celular tocou, indicando novas mensagens. Peguei o aparelho com mãos trêmulas e suspirei ao ver que eram mensagens de Cameron.

   Era nele que eu tinha que focar agora. Apenas ele importava.

***

      Eve ria de mim enquanto jogava alguns legumes dentro da panela. Revirei os olhos, bebendo um gole do meu vinho e olhando-a sobre o balcão da cozinha.

— Eu sabia que isso poderia acontecer! – ela disse, risonha. – Admito que foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça quando você disse que viria para cá.

— E eu admito que isso nem se passou pela minha cabeça. – resmunguei. – A vida é uma cretina.

— Mas olhe pelo lado bom... – ela sorriu para mim enquanto cozinhava. – Benjamin é um cara legal.

— Uau. – arqueei uma sobrancelha, cética. – Há seis anos atrás não era isso que Eveline Walker dizia sobre Benjamin O’Neil.

— Isso foi antes do posto de “babaca da história” ser passado para Daniel. – ela soltou sem perceber, e logo em seguida me olhou em alerta. Desviei o olhar do dela e bebi mais um gole do vinho, fingindo que não havia percebido a menção do nome. – Enfim, de qualquer forma pode ser bom você ter a presença de Benjamin aqui também. Vocês se tornaram amigos, no fim das contas, não é?

— Sim. – falei baixinho. – Eu gosto dele. Me senti feliz por vê-lo novamente.

— Agora, sobre o Cameron... – Eve começou, e eu suspirei. – Por que eu sinto que você está em cima do muro?

— O que? – balancei a cabeça automaticamente. – Não estou em cima do muro, eu apenas...

— Ally, por favor. – Eve suspirou, tapando as panelas e cruzando os braços, enquanto se apoiava na bancada do outro lado da cozinha e me olhava com uma sobrancelha arqueada. – Vamos ser sinceras, tudo bem?

— Sua sinceridade machuca. – fiz uma careta e ela revirou os olhos. Senti que o álcool já estava tomando conta de todo o meu corpo.

— Se machuca, é porque minha sinceridade está correta. – ela disse. – Você não quer ele aqui.

— É claro que quero! – ralhei. – Estamos juntos há dois anos, Eve. É de se esperar que fiquemos juntos, apesar de qualquer coisa.

— Só por que estão juntos há dois anos? – ela arqueou uma sobrancelha. – Você não é obrigada a aturar as atitudes dele só por causa disso, Allison.

— Ele não é ruim, Eve. – falei, suspirando. – Você não o conhece como eu.

— Conheço o suficiente para saber que ele é um idiota e não merece você. – ela andou até a bancada e pegou uma das minhas mãos, enquanto abaixava o tom de voz. – Ally, por favor, pensa direito. Depois do que ele fez com você, quer mesmo aceitar ele de volta?

— A idiota fui eu, que fui embora logo após ele me pedir em casamento. – falei enquanto levava a taça aos lábios. – Fui insensível. Eu devia ter...

— Você sabe que eu não estou falando disso.

   Fiquei com a borda fria da taça encostada em meus lábios, enquanto eu e Eve nos olhávamos profundamente. Ela parecia me analisar minuciosamente e eu comecei a ficar estressada. Eu odiava isso, odiava essas conversas.

— Já faz um ano, Eve. – resmunguei, bebendo um pouco do vinho. – Ele prometeu que não faria novamente, eu o perdoei e tudo voltou a ficar bem. Fim da história.

— É claro. – ela revirou os olhos, soltando minha mão e voltando às panelas. – Porque a promessa de um traidor é, definitivamente, muito confiável.

— Ele estava confuso...

— Allison. – Eve olhou para mim como se implorasse para eu me calar. – Pelo amor de Deus, para de defendê-lo. Você é melhor do que isso.

— Você arruma um jeito de ofendê-lo sempre que é possível! – reclamei, largando a taça sobre a bancada e ficando de pé. – Eu sei as merdas que ele fez, Eveline! Fui eu que aturei cada uma delas, mas eu sei que ele me ama e sei que posso ser feliz com ele! Por que você insiste que não?!

   Eve ficou apenas me olhando, enquanto eu bufava e saía às pressas da cozinha. Esbarrei em Jack no caminho, que vinha ver o que estava acontecendo com uma expressão assustada. Entrei no quarto e tranquei a porta atrás de mim. Fui até o banheiro e lavei o rosto, minhas mãos tremiam miseravelmente. Sequei o rosto e olhei meu reflexo. Meus olhos estavam vermelhos e o lábio inferior tremia um pouco.

   Eu não podia chorar. Se eu o fizesse, só ia confirmar tudo o que Eve dizia e eu não queria isso. Respirei fundo e deitei na cama, sentindo tudo rodar ao meu redor. O silêncio tomou conta do quarto. Tudo o que eu ouvia era o barulho baixinho da comida sendo feita, do jogo de basquete que passava na TV da sala e dos carros passando na rua, à quatro andares abaixo de nós.

   Fiquei observando o teto branco acima de mim, enquanto tentava voltar à sobriedade. Minutos depois, caí no sono e sonhei com as luzes da cidade e com uma mão quente segurando a minha.



Notas finais do capítulo

MUITOS TIROSSSSS, HAHAHAHA.
Finalmente vou poder passar mais tempo me dedicando à fic, aleluia! Espero MUITO que estejam gostando, gente. O que acharam da aparição do Benjamin nesse capítulo? Ele tá maravilhoso, recomendo que abram os links dos looks deles que coloco as vezes, pq na maioria das vezes o capítulo demora a sair pq fico montando eles, HAHAHAHAH. Amo.

Ah, e lembrando: quem ainda não faz parte do GRUPO NO FACEBOOK, corre lá:
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Logo postarei o próximo! ♥



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