Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 4
4. O começo e o fim


Notas iniciais do capítulo

Meu Deus, duas semanas sem postar e isso porque ia sair um capítulo por semana (no mínimo). Tive problemas com a minha internet, mas agora já está tudo bem!
Adorei os comentários nos capítulos anteriores, to tão feliz!
Espero que gostem do capítulo :D




CAPÍTULO 04

 "E se eu pudesse somente tirar o seu fôlego,

eu não ligo se não tem muito o que dizer."

The Neighbourhood - Sweater Weather

  Devo dizer que estava sendo bem esquisito.

  Mas como eu disse antes: com gente louca não se discute. Por isso eu fiquei quietinha enquanto Daniel ficava naquilo de “cuidar de mim”. Na verdade, a atitude dele foi muito legal, considerando que ele saiu escondido do colégio assim que soube que eu estava doente, foi até sua própria casa, pegou um pouco do macarrão que sua mãe havia preparado para o almoço e trouxe para mim.

  Quero dizer, ele estava perdendo aulas e ainda trouxe o que eu mais gosto de comer. E por sinal, sua mãe cozinhava muito bem.

  Mas quando ele veio recolher a bandeja, com a expressão ainda dura e pensativa, eu comecei a ficar curiosa. Levantei da cama e o segui até a cozinha.

— Você devia ficar deitada. - ele disse, colocando a louça suja dentro da pia.

— Por que está fazendo isso? - perguntei.

  Ele parou o que estava fazendo e me olhou, arqueando uma sobrancelha.

— Como assim “por que”?

— Você não tinha que faltar às aulas e vir até aqui para fazer tudo isso. - falei, jogando o peso de um pé sobre o outro.

— Mas eu quis. - ele deu de ombros, voltando a cuidar da louça.

— Daniel… - murmurei, incerta. - Você está gostando de mim?

  De repente, toda aquela implicância de Eve sobre o que poderia acontecer preencheu a minha mente. Daniel derrubou o copo na pia e soltou um palavrão. Largou tudo e pegou um pano de prato para secar as mãos, enquanto voltava a me olhar com uma expressão surpresa.

— Você acha que qualquer um que se preocupar com você automaticamente está apaixonado?

— Não é isso… - desviei o olhar dele, me sentindo uma idiota. - Mas Eve falou algumas coisas e de repente você aparece aqui, fazendo isso...

  Daniel suspirou, encostando na balcão da cozinha e passando as mãos no rosto.

— Vocês tem cada ideia absurda. Não estou aqui porque estou me apaixonando por você, mas sim porque você está doente por minha causa. Eu te desafiei a comer aquele hambúrguer gigante e vim me redimir de alguma forma.

  Céus, como eu sou idiota. Senti vontade de me trancar no meu quarto e gritar no travesseiro, como uma adolescente revoltada e constrangida. Mas, é claro, eu sou bem controlada. Então só dei uma risadinha nervosa, como quem diz “Ah, claro!” e sem conseguir pronunciar uma palavra, dei as costas à Daniel e voltei para o meu quarto.

  E talvez eu tenha dado um gritinho no travesseiro, sim. Mas foi rápido.

(...)

  Eu dormi durante o resto da tarde. Quando acordei, era cinco e meia e o sol já estava se pondo. Levantei meio grogue e me arrastei até a cozinha, sedenta por água. Mas quando passei pela sala e dei de cara com Daniel sentado no meu sofá, assistindo TV, senti vontade de dar meia volta e me trancar em meu mausoléu novamente.

— Ei. - ele me cumprimentou. - Eu já ia te acordar para lanchar.

  Apenas sorri levemente, assentindo, e voltei a ir para a cozinha. Ele me seguiu, me olhando com curiosidade.

— Que cara é essa? - perguntou.

— Cara de gente doente. - resmunguei.

  Na verdade era cara de irritada mesmo, porque a dor absurda no estômago que eu senti mais cedo já havia parado há um bom tempo. Eu ainda me sentia bem enjoada, mas um pouco melhor. Eu havia ficado um pouco chateada com a conversa de mais cedo, admito. Mas não iria dizer isso para ele. No fundo eu queria que ele se preocupasse de verdade, sim. Caramba, eu nunca namorei na vida e estou há dois anos gostando de um cara maravilhoso que namora com uma garota maravilhosa, enquanto eu assisto tudo de camarote. E agora que tenho um namorado de mentira, - eu pareço cada vez mais patética - eu queria ao menos que ele se preocupasse verdadeiramente comigo. Estou errada?

  Daniel podia ao menos ter mentido sobre se preocupar comigo. Nosso namoro é uma mentira mesmo, então não faz diferença.

— Eu comprei algumas torradas e geleia. - ele disse, parecendo meio sem graça. - Eu imaginei que seria algo mais leve para você comer nessa situação.

  Como ele sabia que eu gosto de torrada com geleia? Abri a sacola do mercado que estava em cima da mesa, enquanto ele puxava uma cadeira e sentava, olhando para mim. Dentro da sacola tinha torradas, geleia de framboesa, - a minha preferida - e sachês de chá de camomila.

  Não se compra a geleia preferida de uma garota se você não quer que ela tenha ideias.

— Obrigada. - murmurei, sem coragem de olhar para ele.

  Peguei pratos e copos e coloquei sobre a mesa. Daniel começou a dizer que também gostava daquela geleia e que imaginou que eu também gostaria. Depois começou a falar que também ficou em dúvida sobre o chá, mas que optou por camomila pois faria bem ao meu estômago. E depois disse que não me levaria mais para comer no Píer até que eu estivesse totalmente desintoxicada. E depois disse que…

  Ele disse muitas coisas, enquanto eu apenas o olhava e assentia, sorrindo um pouco vez ou outra. Na verdade, acho que ele estava meio nervoso e queria preencher o silêncio, porque era visível que por mim eu só abriria a boca para comer. Talvez ele tenha percebido que a minha cara não era de doente, e sim de chateada. Tanto faz.

  Por fim, quando eu estava passando geleia em outra torrada, Daniel pegou minha mão. Paralisei onde estava e olhei para ele, sem entender. Ele me olhava com uma expressão de dar dó.

— Me desculpe. - ele disse. - Aquilo chateou você, não é?

  Engoli em seco. Admitir ou não? Acabei assentindo e ele soltou a minha mão devagar.

— Podia fingir que estava preocupado. - sorri levemente. - Dizer que só veio até aqui e fez tudo isso porque “a culpa foi sua” é meio…

— Mas é óbvio que eu me preocupei, Ally. - ele me olhou como se eu fosse idiota. - Eu não viria até aqui ficar de olho em você só por me sentir culpado. Mas você não me acusou de estar preocupado, e sim de estar apaixonado por você.

  Oh, sim. Sobre isso… É, realmente foi isso. Ficamos nos olhando, eu com cara de idiota e ele com uma expressão neutra. Voltei a passar geleia na torrada.

— É, eu estava meio desnorteada pelos remédios, eu acho. - que ótima desculpa. - Eu sei que não tem nada a ver, sinto muito.

  Ele deu de ombros e voltou a beber seu chá. Ficamos em silêncio, mas dessa vez foi mais confortável. Tudo bem, ele estava preocupado comigo, e não apaixonado. É normal, afinal nós realmente viramos amigos nesse tempo. Eu acabei me apegando a ele como sou apegada à Eve, e provavelmente ele sente o mesmo.

  O silêncio foi quebrado quando a porta da frente abriu, revelando Eve e várias sacolas de mercado. Ela sorriu ao nos ver e deixou as bolsas sobre o balcão, largando sua mochila num canto.

— Está melhor, Ally? - ela perguntou, sentando ao meu lado e pegando uma torrada.

— Sim. - murmurei.

  Os olhos de águia de Eve me olharam, depois olharam para Daniel que fez cara de paisagem e depois voltaram para mim.

— O que houve?

— Nada. - dei de ombros. - Como foi no colégio?

  Ela me olhou de uma forma que deixava bem claro que eu não escaparia daquela conversa, mas que por hora ela me deixaria quieta.

— Surpreendentemente, Yui e Jane vieram perturbar a minha paz. - Eve revirou os olhos, dando uma mordida na torrada. - Queriam saber onde você e Daniel estavam.

— O que você disse? - Daniel perguntou.

— Falei que vocês estavam tirando o dia para transar loucamente.

  Eu engasguei com a torrada e Eve riu alto, sendo acompanhada por Daniel, enquanto dava tapinhas nas minhas costas. Ela pegou a xícara e levou à minha boca, me fazendo beber um gole de chá para a torrada descer. Meus olhos lacrimejavam e eu dei um tapa no braço dela. Ela continuou rindo.

— É óbvio que eu não disse isso! - ela sorriu. - Mas depois eu me arrependi de não ter dito. Eu só mandei elas tomarem conta da própria vida.

— Provavelmente elas estão pensando que passamos o dia inteiro em um quarto, mesmo sem você ter dito. - Daniel deu de ombros. - Saberemos amanhã.

— Elas não irão dar sossego nunca? - resmunguei.

— Não enquanto não tiverem certeza de que você está perdidamente apaixonada por Daniel, e não pelo Benjamin. - Eve sorriu de forma sugestiva. - Dar uns beijinhos talvez ajude.

— Dar beijinhos em quem? - perguntei confusa.

— No seu namorado, é óbvio.

  Eu e Daniel nos olhamos. Ele sorriu como Eve e balançou as sobrancelhas para mim, enquanto levava a xícara aos lábios. Idiota.

— Nós já nos beijamos. - falei.

— Aquele beijinho sem graça do primeiro dia? - Eve me olhou com descrença. - Me poupe, Ally. Elas nunca vão acreditar de verdade se vocês agirem como amigos o tempo inteiro. A não ser que vocês digam que estão fazendo voto de castidade e até o beijo é proibido. Só pode mãos dadas.

— Deus me livre de voto de castidade. - Daniel estremeceu. - Eu voto a favor da ideia de Eve.

  Olhei para Daniel com os olhos semicerrados por longos segundos. Não se compra geleia e não se diz que quer BEIJAR uma garota, se você não quer dar ideias à ela. Qual é a sua, Daniel?

  Parando para pensar, provavelmente ele quer me usar. Já que, de certa forma, estou usando ele. Então é isso? Vamos ficar nos pegando para ficar justo para os dois e convencermos aquelas duas insuportáveis?

  Meu Deus, no que eu fui me meter?

— Ok. - murmurei. - Mas só no colégio.

(...)

  Devo dizer que não era nada ruim.

  Beijar Daniel, quero dizer. No dia seguinte, a primeira coisa que vi no corredor do colégio foi Benjamin e Mia trocando saliva encostados nos armários. Ele sorria entre os beijos e falava coisas baixinho para ela. E aí eu me peguei imaginando como seria estar no lugar dela.

  Mas, é claro, sem ter aquelas longas pernas e aquele cabelo longo e bem hidratado. Eu nunca pareceria a Pocahontas moderna que Mia Campbell era, mas acho que dava para me imaginar no lugar dela. Enfim, eu me imaginei. E comecei a me sentir meio deprimida, porque lá estava ela ganhando o que eu nunca ganharia. Não de Benjamin. Na verdade, se nos beijássemos eu acho que seria um pouco problemático, considerando que ele é bem alto assim como ela, não é à toa que ela trabalha como modelo. E eu, bem…

— Você está tão bonitinha com essa touca verde hoje, sabia? - foi a primeira coisa que Daniel disse quando me viu. - Parece um duende.

  Desviei o olhar do casal mais bonito do colégio e olhei para Daniel, fazendo a minha melhor cara de desgosto. Ele sorria abertamente, mexendo na minha touca. Bufei, saindo do alcance das mãos dele e pegando o livro de matemática dentro do armário.

— Preparada para a prova? - ele perguntou casualmente.

  Paralisei.

— O que? - arfei. - Que prova?

— A prova de matemática. - ele arqueou uma sobrancelha. - É hoje. Você esqueceu?

  Enfiei minha cabeça dentro do armário e fiquei lá dentro, no escuro, querendo morrer. Daniel me cutucou algumas vezes e por fim, vendo que eu não sairia dali a menos que fosse arrastada, ele segurou minha cintura e me puxou, fechando o armário em seguida.

— Eu posso te ajudar. - ele disse. - É só me dizer no que você tem dificuldade.

— Em tudo. - choraminguei, realmente sentindo vontade de chorar.

— Como assim? Alguma coisa você sabe.

— Eu só consigo gravar a matéria quando estudo antes da prova, mas eu não estudei nada, nem lembro o que ele passou na última aula.

  Daniel me olhou com pena, enquanto eu respirava fundo e segurava o choro. Acalme-se, Allison. Não é o fim do mundo. Um meteoro pode cair no colégio bem na hora da prova, ou você pode acabar tendo muita sorte e tirar nota máxima!

  Que absurdo. Era mais provável um meteoro cair nesse lugar.

  Mas, como eu dizia, não foi nada ruim beijar Daniel. Porque ali, naquele momento, no meio do corredor lotado de alunos, Daniel abaixou o rosto, - porque meu rosto batia na altura de seu peito - e me beijou. Simples assim. Com direito a mão no meu rosto e um sorrisinho no final. Dele, é claro, porque eu fiquei mais desnorteada do que já estava.

  Não é à toa que os caras não vinham aos montes querendo me beijar. Eu pareço uma idiota. Mas por um milagre, Daniel não parecia se importar, porque me beijou de novo e dessa vez foi pra valer. E mesmo tendo o casal mais bonito do colégio à alguns metros de distância, também se beijando, foi para nós dois que todos olharam.

(...)

  Por fim, a prova não foi tão ruim quanto eu imaginava.

  Não que eu ache que tenha acertado algo, longe disso. Mas eu consegui lembrar de uma coisa ou outra e fui enrolando de uma forma muito bonita. Sou realmente ótima em improvisar e enrolar. Agora resta esperar até a próxima semana para saber se vou ter que me jogar da ponte Golden Gate, ou se posso continuar vivendo em meio à sociedade de forma digna e exemplar.

  Hoje teria treino do time, então eu e Daniel não iríamos sair. Eu estava pensando em ir para a casa de Eve para passar a noite, já que ela ficou praticamente uma semana na minha. Era hora de retribuir. Mas quando estávamos guardando os livros no armário, a dupla de zangões apareceu e Eve as olhou de cima a baixo, enquanto organizava seu armário.

— Vai assistir o treino hoje, Allison? - Yui perguntou, com aquela cara de cretina dela.

— Er… Não. Tenho outros planos. - falei.

— E é mais importante do que ver o seu namorado jogar? - Jane se pronunciou, fazendo uma falsa expressão de incrédula. - Nossa, como você é fria.

— Você devia tomar cuidado. - Yui sorriu perversa. - Há outras pessoas que acham Daniel bem interessante… E não ligariam de roubá-lo de você.

  E elas foram embora em direção ao ginásio do colégio. Simples assim. Jogaram essa intriga em cima de mim, fizeram o clima ficar totalmente pesado e foram embora. Respirei fundo, encostando-me no armário.

— Elas estavam brincando, certo? - perguntei para Eve.

— Elas eu não sei, mas eu não brinco quando digo que morro de vontade de quebrar as duas. - ela resmungou, fechando seu armário com força.

— Antes de nos aproximarmos eu nunca vi Daniel com outras meninas antes. - falei pensativa.

— Eu já vi. - Eve disse, cruzando os braços. - Sempre tem algumas garotas nos treinos que vão só para assisti-lo. E eu já vi ele saindo do colégio com uma menina antes.

  Uau. Então Daniel tem fãs? Pra ser sincera, antes de falar de verdade com ele, eu pensava que ele era gay. Nas poucas vezes em que eu prestava atenção nele durante as aulas que tínhamos juntos ou pelo colégio, ele estava sempre sozinho ou com os caras do time. Mas parece que, na verdade, ele sempre fez as coisas escondido... Isso é bem a cara dele mesmo.

— Vamos lá? - Eve perguntou.

— Vamos, estou louca para comer a torta que sua mãe disse que preparou pra gente. - suspirei, desencostando do armário e me preparando para ir em direção à saída.

  Eve segurou o meu braço e eu a olhei, confusa.

— Eu me referia ao treino. - ela sorriu. - Você tem que convencer aquelas duas, certo?

  Eu realmente tinha que convencê-las?

  Respirei profundamente, olhando para o teto do corredor. Mesmo que eu não sentisse necessidade em ir até lá, eu estava realmente curiosa para ver como as garotas reagiam à ele. Eu nunca tinha pensado nisso antes. Por fim, concordei e Eve me acompanhou até o ginásio.

  Quando chegamos lá os meninos já jogavam. A arquibancada não estava tão lotada e eu agradeci internamente por isso. Achamos dois lugares vagos na última fileira e sentamos. Yui e Jane estavam na primeira fileira nos olhando desde que chegamos até o momento em que sentamos. Elas não têm vida própria? Vivem apenas para sugar a vida alheia?

  Bufei e comecei a olhar ao redor. E, realmente, era como um fã-clube. Um grupo de meninas reunidas no canto direito da quadra, ocupando algumas cadeiras da primeira, segunda e terceira fileiras, não tiravam os olhos de Daniel. Era impressionante. Eu achava que todos iam aos treinos apenas para olhar cada centímetro do peito malhado de Benjamin, que aparecia sempre que ele levantava a camisa para secar o rosto de suor.

  Bem, pelo o menos eu ia apenas para isso.

  Mas eu também nem sabia que Daniel fazia parte do time. Eve estava certa, eu estava totalmente cega por Benjamin esse tempo inteiro. Isso não era nem um pouco saudável.

  O treino durou cerca de uma hora e meia. Quando acabou, algumas pessoas foram falar com os meninos e outras foram saindo do ginásio. Eu e Eve começamos a descer da arquibancada, conversando sobre o que era melhor: pudim ou pavê. Eu preferida pudim, mas Eve teimou comigo dizendo que pavê era melhor porque pudim desmanchava a toa.

  Vi que as meninas do fã-clube de Daniel o chamaram e agora todas estavam reunidas perto dele, que sorria meio envergonhado enquanto bebia água em sua garrafa e as ouvia falando algo.

  Eu não queria me meter no meio deles naquele momento, então eu e Eve ficamos paradas perto dos bancos onde os jogadores reservas ficavam para esperar a reunião acabar. Estranhamente, eu me sentia um pouco incomodada com aquilo. O que elas viam em Daniel, afinal? Por que formar um clube daquela forma, cercando-o? Eu nunca vi algo parecido acontecendo com Benjamin. Se bem que, até onde eu sei, 98% do colégio tinha uma paixonite por ele ou o admirava, até mesmo os outros meninos. Se fossem formar um fã-clube para Benjamin isso seria um pouco trabalhoso, porque seria basicamente o colégio inteiro.

— Ah, você está aqui!

  Minha mente demorou a processar que isso foi para mim. Olhei para o lado, desviando o olhar de Daniel, e dei de cara com Benjamin. Todo sexy em sua roupa de treino, com a blusa preta colando um pouco em certas partes do seu peito definido e uma garrafinha de água gelada na mão. Ele sorriu para mim, passando as mãos no cabelo loiro e molhado. Rapidamente ele olhou para Daniel, ao ver que eu não tirava os olhos daquela direção, e sorriu.

— Veio ver Daniel? - ele perguntou.

— Sim. - falei, sorrindo levemente, tentando me controlar para não me pendurar naquele pescoço. - O treino foi legal.

— Ele também faz sucesso, hein? - Benjamin disse, indicando Daniel com a cabeça. - Se isso incomoda você, devia conversar com ele, não acha?

— Ah, não! - falei rapidamente. - Não, isso não me incomoda, é só que…

— Benjamin! - uma voz cantarolou.

  Estava bom demais para ser verdade, não é mesmo?

  Até Eve, que estava ao meu lado totalmente ilesa do efeito que Benjamin causava em todos, olhando para as próprias unhas enquanto ele conversava comigo, virou a cabeça para olhar a entrada do ginásio, de onde vinha a voz. E lá estava ela, a Abelha Rainha.

  Mia entrou no ginásio como se fosse dona dele também, - já não bastava ser dona do colégio inteiro - em seu uniforme de líder de torcida. O top e saia azuis com detalhes amarelos faziam um contraste incrível com a sua pele morena. Mas realmente, as saias pareciam ficar cada vez mais curtas. Ela sorria para Benjamin, enquanto desfilava até nós com aquelas pernas enormes. Ela enrolou seus braços no pescoço dele como uma enguia e o beijou.

  Eve fez a melhor cara de nojo do universo e me pegou pelo pulso, me puxando um pouco para o lado para que eu saísse de perto da troca de saliva que estava rolando. Quando as mãos de Benjamin foram descendo da cintura de Mia para a sua bunda, eu desviei o olhar. Aquilo era demais pra mim.

  E quando olhei para o lado vi que Daniel havia visto tudo, mas não tirava seus olhos de mim. Tentei sorrir, mas o sorriso saiu fracamente. Ele voltou a olhar para Benjamin, e depois para mim, ignorando totalmente o que as meninas à sua frente diziam. Quando eu dei um passo em sua direção, ele olhou para o chão, sacudiu levemente sua garrafa de água e passou as mãos nos cabelos, dando as costas a todos e indo em direção ao vestiário.

  E eu fiquei ali, no meio do ginásio. De um lado, o cara que eu amava estava beijando sua namorada. Do outro, o meu namorado de mentira me ignorava e dava as costas.

  Minha vida fica cada vez melhor.

  



Notas finais do capítulo

Como tenho vários capítulos prontos, vou postar o próximo logo, para compensar as duas semanas que sumi! :)



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