Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 39
[2ªT] 1. Oportunidades


Notas iniciais do capítulo

TÔ NERVOSA! HAHAHAHA.
Espero muito que gostem! ♥




[2ª TEMPORADA]

CAPÍTULO 1

 

Eu sei que é difícil me ouvir dizendo isso,

mas eu não posso suportar ficar.
Eu só sei que você ficará bem de qualquer jeito.

HAIM - The Wire

 

   Ninguém me contou sobre as decisões difíceis de serem tomadas.

   Mentira, me contaram, sim. Também contaram que na vida adulta nós temos uma infinidade de coisas nas mãos e temos que dar um jeito de equilibrar todas ao mesmo tempo para que tudo desse certo. É claro que nunca dá tudo certo. Algo sempre escapa pelos nossos dedos. Mas ainda assim devemos tentar manter tudo sob controle. Certo?

   Mas Allison Jones ainda está se empenhando para conseguir descobrir o que é manter tudo sob controle. Porque, como de costume, eu sou atingida por várias coisas ao mesmo tempo. Eu ainda não sei por que a minha vida acredita que eu aguento qualquer coisa, porque sendo sincera, eu não aguento. É de praxe.

   Vamos voltar ao início desse dia.

   Eu acordei atrasada, como de costume, e corri para tomar meu banho e me arrumar para o trabalho. Gregory, meu gato recém-adotado que mais parecia uma bolinha de algodão, se embolava nas minhas pernas enquanto eu corria de um lado para o outro. Hora se esfregava em mim, hora pulava em meus pés como se fossem árduos inimigos com quem ele tinha que batalhar na selva em que ele acreditava estar.

   Vou te dizer uma coisa sobre gatos: são as coisas mais lindas que você terá na vida, mas também são ótimos caçadores. Até com o que não é – de fato – uma caça. Isso inclui meus pés e dedos, que ardiam devido aos leves arranhões matinais de Greg. Ainda assim, enfiei meus pés nos saltos e peguei minha bolsa apressadamente. Verifiquei que havia ração e água suficientes para o filhote, e saí do apartamento.

   O caminho até a White Horse Publishing, editora na qual eu trabalho, foi estressante. Eu era paga para ficar sentada lendo e revisando textos. Era o emprego que eu havia pedido aos deuses. O único problema era que eu tinha que acordar cedo, e esse é o meu problema principal na vida.

   De qualquer forma, consegui chegar exatamente três minutos adiantada. Isso era um recorde. Comemorei silenciosamente enquanto entrava no prédio e cumprimentava todos os outros funcionários.

— Alguém caiu da cama na última hora? –Claire, a secretária do editor-chefe, arqueou as sobrancelhas para mim enquanto um sorrisinho se formava em seus lábios.

— Como sempre, mas... – sorri. – Cheguei na hora.

— Graças a Deus, porque o Sr. White quer falar com você. – ela disse, com um ar de seriedade que não era muito comum. – Ele disse que é de “extrema urgência”.

   Não pude evitar uma careta, enquanto Claire me olhava preocupada. Quando Charlie White diz que algo é de “extrema urgência”, é porque algo grande irá acontecer. E naquele momento eu sabia que eu seria demitida, ou...

   Deixei minha bolsa e pasta com textos para revisão em minha sala, e caminhei trêmula até a sala do editor-chefe. Dei três batidas na porta e ele me mandou entrar. Sorri educadamente quando entrei na sala e sentei à frente de sua mesa.

— Bom dia, querida. – ele sorriu amável. Charlie era como um avô, mas não tão velho. Seus cabelos quase totalmente brancos e sua barba bem aparada o davam uma aparência mais nova. – Como você está?

— Bem. – falei, incerta. Dependendo do rumo daquela conversa, eu poderia não estar bem. – Claire disse que o senhor queria conversar comigo.

— Sim, realmente quero. – ele suspirou, juntando as duas mãos sobre a mesa e me olhando profundamente. – Como você sabe, estamos abrindo uma nova filial da editora em Nova York. Como a sede da W. H. Publishing é aqui em Los Angeles, a filial terá um porte menor, mas ainda assim estamos selecionando alguns dos nossos melhores funcionários para irem para lá.

   Oh, meu...

— Você já está há um bom tempo conosco e gostamos muito do seu trabalho, Allison. – Charlie sorriu. – Então, queremos te propor uma promoção.

— Promoção? – lutei para não gaguejar. – Em Nova York?

— Sim. Se aceitar, é claro, você será a nossa nova editora em Nova York. Richard McClean foi escalado para ser o editor-chefe, já que ele seria o meu sucessor aqui, mas ainda estamos resolvendo essa parte com mais cuidado. O que me diz?

   Abri a boca diversas vezes, mas a voz não saía. Eu me sentia entorpecida. Charlie arqueou uma sobrancelha para mim, com um leve sorriso nos lábios.

— Digo que... – falei baixinho, tentando organizar meus pensamentos. – Eu seria louca se não aceitasse.

   Charlie riu e eu o acompanhei, ainda desnorteada.

— Isso é muito bom! – ele esticou suas mãos em minha direção sobre a mesa e eu as segurei, ainda sem acreditar direito no que acontecia. – Você irá adorar a mudança, Allison. Eu te passarei todas as informações necessárias e agilizarei o processo. Se tudo caminhar como planejamos, você poderá ir daqui a duas semanas.

   Agradeci pela oportunidade e saí cambaleante de sua sala. Claire levantou os olhos par mim do balcão e me observava curiosa. Andei até ficar na sua frente e segurei no balcão com força.

— Eu vou para Nova York. – sussurrei sem conseguir evitar um sorriso.

   Ela arregalou os olhos, me segurou pelos ombros e me sacudiu, enquanto nós duas dávamos gritinhos de felicidade. Ela me fez mil perguntas, mas só pude responder algumas, já que ainda não tinha certeza sobre muita coisa. Mas quando o Sr. White a chamou em sua sala, ela teve que voltar ao trabalho e eu também.

   Entrei em minha sala, nostálgica, pensando que logo ela não seria mais minha. Passei a ponta dos dedos pela minha mesa e sentei na cadeira respirando fundo. Rodei onde estava, ficando de frente para a janela de vidro que dava vista para o centro de Los Angeles. O sol queimava quem se atrevesse a entrar em seu caminho.

   E logo eu não estaria mais. Em seu caminho, quero dizer. Ou estaria, sim, mas sob outro chão. Meu Deus, Nova York...

   Só então lembrei de contar para Eve. Meu coração pulou de felicidade quando eu finalmente me dei conta desse fato: Eve estava há quase um ano em NY, morando em um apartamento com Jack. Ele havia conseguido um emprego em uma empresa de jogos e, quando disse que teria que se mudar, Eve largou tudo para ir com ele. Ela não demorou a conseguir um emprego em uma escola. Eu não via como ela conseguiria ser delicada sendo psicóloga de uma escola cheia de crianças, mas para tudo tem uma primeira vez.

   Agarrei meu celular afoita e digitei mensagens rápidas para ela, contando tudo resumidamente. Não demorou dois minutos para ela me responder, eufórica.

   “FINALMENTE!!! Deus ouviu minhas preces? Amém! Quando você vem?”

   “Daqui a duas semanas, talvez. Ainda não é certo, mas é bem provável. Estou tão feliz!!!”

   “EU TAMBÉM!!! E o Cameron, o que disse?! Já contou para ele?”

   E minha história acaba aí. Quero dizer, não exatamente a história, mas a do dia. E a moral da história de hoje é: se você não sabe como lidar com algo...

   Eu também não sei, sou péssima com morais. A questão é que eu não sei lidar muito bem com as coisas quando elas envolvem mais alguém além de mim. E lidar com um namorado é muito, muito pior. Principalmente quando envolve você em outra cidade. Basicamente, no outro lado do país.

   Por isso, aqui estou eu, afundada na minha poltrona, às nova horas da noite com uma xícara de café nas mãos e pensando em como eu irei contar para Cameron Hayes que eu irei embora. Fui acordada dos meus devaneios quando a campainha tocou. Respirei fundo olhando para Greg, que estava deitado no sofá se lambendo como se nada mais importasse nesse mundo.

   Bom, para ele realmente não há nada mais que importe. Queria eu ser um gato.

   Quando abri a porta, dei de cara com Cameron encostado no batente, exausto e afrouxando a gravata vermelha que usava. Ele sorriu para mim, me beijando rapidamente nos lábios e entrando, enquanto retirava a gravata e o paletó preto. Fechei a porta devagar, com a mente mil enquanto tentava encontrar uma forma de contar a novidade.

— É ótimo estar aqui com você. – ele suspirou, sentando-se no sofá e retirando os sapatos. – Estive em uma audiência com um casal em processo de divórcio hoje e só tenho uma coisa para dizer: quando nos casarmos nem pense em se separar de mim, porque é a coisa mais estressante que existe.

— Imagino. – sorri um pouco, indo até a cozinha e pegando um copo de suco.

   Levei a bebida até Cam e ele agradeceu, encostando-se melhor no sofá. Os olhos escuros cansados e os cabelos ondulados levemente bagunçados. Greg miou baixinho ao seu lado e Cam fez um carinho rápido no topo de sua cabeça peluda e branca.

— Esse gato é tão esquisito. – torceu o nariz, mas logo voltou sua atenção para mim. – Mas enfim, como foi seu dia?

— Normal. – murmurei remexendo-me na poltrona. Coloquei as duas mãos sobre o colo suspirando. – Tenho uma novidade para te contar.

— É algo que possa esperar? – ele sorriu misterioso, enquanto levava uma mão até o bolso da calça social. – Porque tenho uma coisa para você.

— Talvez... – murmurei, confusa. – Mas é algo realmente importante, Cam. Eu preciso que você me ouç...

   Minha voz morreu quando Cam saiu do sofá e parou ajoelhado à minha frente, com um sorrisinho de expectativa nos lábios. Suas mãos se juntaram em minha direção e eu arregalei os olhos.

— Espere aí, Cam, eu...

   Ele me interrompeu, totalmente alheio ao meu desespero.

— Allison Jones, você me daria a honra...

— Cameron, pelo amor de Deus, o que...

— ... de se casar comigo?

   A caixinha de veludo azul foi aberta na minha frente, exibindo um anel que com certeza havia custado uma fortuna. Senti o ar faltar e meu coração bater descompassado. Olhei do anel para Cam, e em seguida para o anel novamente. Cameron me olhava com um ar divertido, talvez se perguntando por que a sua namorada estava quase hiperventilando e demorando tanto para responder. E quando abri a boca para falar, tudo o que consegui dizer foi:

— Eu vou para Nova York.

   Talvez você pense que eu sou uma pessoa bem idiota. Porque eu deveria ter pedido para o Sr. White esperar, certo? Eu poderia ter dito algo do tipo: “Eu poderia ter um tempo para pensar nessa proposta?”, e correr para conversar com Cameron. Estamos juntos há quase dois anos, é de se esperar que eu contasse as coisas para ele ANTES de ele preparar algo absurdo. Tipo me pedir em casamento.

   Por isso, eu entendia a sua frustração. Eu entendi quando ele fechou a caixinha de veludo bruscamente e me olhou em um misto de confusão e raiva. E quando ele ficou de pé e começou a andar de um lado para o outro, também. E quando gritou:

Você enlouqueceu?!

   Não falei nada, fiquei quietinha onde estava, com as mãos juntas sobre o colo e mordendo o lábio inferior, esperando a tempestade passar. Ele bufou diversas vezes e, por fim, sentou no sofá e colocou a cabeça nas mãos.

— Me explique isso direito. – ele disse, mais recomposto. – Que merda é essa, Allison?

— Eu recebi uma promoção. – falei com cuidado, observando-o. – Fui promovida a editora na nova filial que será aberta em Nova York e...

— E você vai? – ele me olhou raivoso. – Simples assim?!

— Era irrecusável. – tentei explicar, com o coração a mil. – É uma oportunidade maravilhosa, Cam. Me desculpe se te chateei.

— Eu pensei que significássemos algo. – ele desviou o olhar de mim, passando a mão sobre os lábios. – Achei que levaríamos isso para frente.

— Mas não estamos terminando! – ralhei, começando a ficar irritada. – Eu apenas vou me mudar para outra cidade.

— E como vamos continuar juntos? – ele sorriu sem humor, me olhando com escárnio. – Por cartas?

— O mundo já avançou o suficiente para cartas não serem mais necessárias, você sabe. Existe Facebook, WhatsApp, Skype...

   Eu mal terminei de listar as diversas formas de comunicação, e ele ficou de pé irritado, pegando suas coisas e calçando os sapatos raivoso. Suspirei, passando as mãos no rosto.

— Espere, Cameron. – pedi, séria. – Nós precisamos conversar.

— Não precisamos conversar quando você aceitou essa oferta. – ele praticamente rosnou, me dando as costas e indo a passos duros até a porta. – Boa sorte em Nova York.

   Tentei ir atrás dele para insistir, mas ele já havia entrado no elevador quando eu cheguei no corredor do prédio. Suspirei, voltando para dentro do apartamento me sentindo um lixo. Tranquei a porta e me joguei no sofá, usando o gato branco como travesseiro. Levantei os olhos para Greg, que mal se mexeu.

— Você tem sorte por ser um gato. – murmurei, ouvindo seu ronronar baixinho. – Não tem que lidar com pedidos de casamento e tudo caindo na sua cabeça.

   Fiquei um bom tempo deitada pensando no que faria para ajeitar as coisas com Cameron, até que caí no sono. Sonhei com uma cidade cheia de luzes e um par de olhos verdes inconfundíveis.



Notas finais do capítulo

E esse é o início da 2ª temporada! ♥
O que acharam? E o que acham que está por vir? hahahaha. Ai, gente, tô tão ansiosa pra mostrar tudo a vocês! HAHAHA.
Me mandem comentários, por favor! Me digam o que acharam, quero muito a opinião de vocês!
Logo trarei o segundo capítulo. ♥
Bjbjbjbjbbj



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