Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 36
36. Três anos


Notas iniciais do capítulo

Ai, gente, tô TÃO feliz!
A 1ª temporada já tá finalizada aqui no pc e eu já comecei a escrever os capítulos da 2ª temporada!!! ♥
Então bora comentar bastante pra me animar mais e agilizar as coisas, HAHAHAHA.
Espero que gostem do capítulo!

P.S: Não esqueçam de ler as notas finais, por favor! Tenho uma pergunta pra fazer a vocês + um presentinho. ♥




CAPÍTULO 36

 

Eu disse antes e direi de novo,
que eu sempre estarei aqui quando precisar de um amigo.

Carly Rae Jepsen - Roses

 

   Ainda era manhã quando eu retornei para São Francisco.

   Havia mais de dez mensagens acumuladas de Eve, todas sem respostas minhas, e ela estava a ponto de enlouquecer. Então digitei uma resposta rápida, avisando que mais tarde passaria em sua casa, e logo guardei o aparelho novamente. Antes de vê-la eu precisava ir visitar outra pessoa.

   A casa continuava a mesma coisa de sempre: os vidros espelhados nas janelas que refletiam belamente a copa das árvores da rua, o gramado bem aparado na frente, os arbustos bem cuidados e, sobretudo, o cheirinho inconfundível da comida de Tanya. Eu definitivamente sentiria falta disso quando fosse embora. Apertei a campainha com as mãos trêmulas e esperei. A porta não demorou a abrir, revelando Tanya, que sorriu feliz para mim. Ela me puxou e me envolveu em um abraço apertado.

— Oh, Ally! – ela suspirou, sorridente. – Senti a sua falta! O que aconteceu? Faz quase duas semanas que você não aparece, querida.

— Tive alguns problemas. – sorri, tentando disfarçar. Com certeza nenhum dos meninos haviam mencionado nada a ela. – Como você está?

— Muito melhor agora que você chegou. – ela riu, me puxando para dentro da casa. – Eu acabei de preparar uma receita nova e preciso da sua aprovação.

   Não pude evitar a animação que tomou conta de mim. Quem não ficaria animado em ser degustador de comidas?

   Sentei à bancada e logo Tanya botou uma fatia de torta de banana com canela e nozes na minha frente. Parecia muito boa. Cada garfada era um suspiro de olhos fechados, o que animou a mulher à minha frente. Ela me observava em um misto de expectativa e felicidade. Eu não sei como ela ainda poderia achar que algo ruim sairia daquelas mãos abençoadas.

— Está maravilhosa, Tanya. – elogiei. – Sério, me passa essa receita. Por favor.

— Te dou a receita e um pedaço bem generoso dela. – ela piscou para mim. – Aliás, você veio ver Daniel? Porque ele viajou ontem, então...

— Na verdade, eu vim conversar com o Benjamin hoje. Ele está?

— Sim. – ela revirou os olhos, parecendo levemente irritada de repente. – Ele está afundado na cama desde ontem, numa ressaca que não termina nunca. Eu não sei o que se passa na cabeça desses garotos que bebem apenas para passar mal. – ela suspirou, balançando a cabeça negativamente. – Pode subir, Ally. Você conseguiria arrancá-lo de lá para eu poder limpar aquele quarto? Está um chiqueiro!

   Ri do seu nervosismo e ela me acompanhou, olhando-me com carinho. Acho que nem ela percebeu o quão rápido e desenfreadamente ela falou tudo aquilo. Subi as escadas pensando que ser mãe não era algo fácil, mas cuidar de dois meninos como Daniel e Benjamin devia ser pior ainda. Eu, no lugar dela, já teria arrancado todos os cabelos.

   Dei três batidas na porta do quarto de Benjamin e não obtive resposta. Bati novamente. Silêncio. Girei a maçaneta e espiei dentro do quarto. Estava tudo escuro e Benjamin estava deitado de bruços, o rosto afundado no travesseiro e o corpo todo esparramado. Estava sem blusa e vestia apenas uma calça de moletom. Entrei no cômodo furtivamente e fechei a porta atrás de mim. Eu não sairia dessa casa sem falar com ele – mesmo que eu estivesse tremendo dos pés à cabeça desde que cheguei aqui – e havia prometido à Tanya que o tiraria dali, então...

— Ei. – sussurrei, cutucando seu ombro.

   Suas costas eram cheias de pintinhas marrons espalhadas. Pareciam estrelinhas e eu me peguei sorrindo. Ele gemeu, sonolento, e eu o cutuquei de novo.

— Acorda, Benjamin. – falei um pouco mais alto. – Hora de abrir os olhos e acordar para a vida, anda.

— Sai, mãe... – ele gemeu novamente, sem abrir os olhos e virando a cabeça para o outro lado. – É domingo...

— Eu não sei em que planeta você está... – falei, pensativa. – Mas ainda é terça-feira. Você precisa ajeitar seu relógio.

   Vi os músculos de seus ombros se retesarem e ele levantou o rosto rapidamente, olhando para mim totalmente confuso. Piscou diversas vezes, os lábios entreabertos e alguns fios loiros caindo sobre seus olhos. Só então sua visão pareceu focar e ele me reconheceu.

— Meu Deus. – ele suspirou. – Ally, o que você...

— Vai escovar os dentes e vestir uma roupa, porque nós vamos sair. – avisei, sem dar tempo para ele pensar direito. – Você tem dez minutos. Te espero lá em baixo.

   Ele ficou me olhando como se não acreditasse que eu estava realmente ali. Arqueei uma sobrancelha para ele, já que ele não havia se mexido mais, e ele ficou de pé rapidamente, totalmente tonto. Controlei uma risada e saí do quarto, voltando para a cozinha. Fiquei conversando amenidades com Tanya e cerca de quinze minutos depois Benjamin apareceu, de banho tomado e vestido. Porém, ainda parecia carregar a cama nas costas. Sua expressão era sonolenta e ele bocejava sem parar.

— Não acredito que você me acordou a essa hora em pleno domingo. – ele murmurou, indo até a geladeira e pegando um copo de leite.

— Terça-feira. – corrigi novamente.

— Agora que eu me formei, todos os dias são domingo. – ele sorriu, ganhando um olhar cortante de Tanya.

— Muito engraçado, Benjamin. – ela resmungou. - Você vai ver o que eu irei fazer se você aparecer bêbado novamente.

   Ele revirou os olhos para mim.

— Ela está assim porque eu quebrei o vaso dela sem querer. – ele disse baixinho, mas alto o suficiente para sua mãe ouvir. – Ficou toda nervosinha.

   Tanya botou as mãos na cintura e olhou dentro da cara do filho, que ainda sorria provocador para ela. Em seguida, olhou para mim.

— Ally, por favor, tire esse menino da minha frente antes que eu o faça engolir o pano de prato.

   Fiquei de pé num átimo e Benjamin riu alto. Peguei em seu pulso e o arrastei em direção à saída, enquanto mandava um beijinho para Tanya e ela mandava outro de volta para mim. Quando chegamos na calçada, soltei seu pulso e ele suspirou. O bom humor de antes pareceu desaparecer do seu rosto.

— Esse é o momento em que você me leva para um terreno baldio e some com o meu corpo por causa do que eu fiz na festa? – ele fez uma careta curiosa. – Porque eu juro que...

— Não. – sorri levemente. – Quero apenas conversar com você. Pode ser?

   Ele assentiu, parecendo curioso e receoso ao mesmo tempo. Entramos em meu carro e ele pareceu surpreso ao ver minhas malas no banco traseiro. Eu havia vindo direto de Carmel para a sua casa, ainda não havia passado em meu apartamento para guardar as coisas.

— Pretende fugir do país? – ele arqueou uma sobrancelha para mim.

— Não. – sorri. – Eu estava em Carmel. Fui visitar o meu pai.

   Ele murmurou um “Oh” compreensivo e o silêncio se instalou entre nós. Liguei o rádio e algumas músicas do meu pen drive começaram a tocar. Benjamin parecia conhecer a maioria, já que cantarolava baixinho enquanto observava a rua pela janela. Dirigi até a praia onde geralmente nos encontrávamos e estacionei. Caminhamos até a areia e sentamos próximos da água. Eu sentia seu olhar sobre mim, parecendo tentar adivinhar o que eu pensava ou o que eu pretendia com tudo aquilo.

— Você falou sério naquela noite? – perguntei repentinamente.

   Ele sorriu fracamente e olhou para as próprias mãos, pensativo.

— Sim. – falou baixinho. – Eu não queria que tivesse sido daquela forma lamentável, mas... Eu não menti para você. Só não posso te dizer com exatidão o que eu sinto, mas eu sei que sinto.

   Semicerrei os olhos, olhando as ondas batendo e absorvendo suas palavras. Céus, isso é tão...

— É tão esquisito. – falei, fazendo-o rir um pouco. – Sério, é tão estranho ouvir você dizer isso.

— Por que?

   Olhei fundo em seus olhos, tentando encontrar algum motivo que me freasse nesse momento, mas não encontrei nenhum. Eu sabia que era a hora.

— Porque eu te amei por três anos, Benjamin.

   Ele arregalou os olhos, parecendo ter sido pego de surpresa. Em seguida um sorriso desacreditado se formou em seus lábios. Ele abriu a boca para falar algo, mas nada saía. Seu olhar desviou do meu e foi para o mar. Em seguida, voltou para mim. Eu sustentei seu olhar.

— Isso é sério? – perguntou.

— Seríssimo. – suspirei. – Eu não pretendia te contar, mas...

— Como isso aconteceu? – ele estava confuso. – Eu nunca notei isso. Quero dizer, raramente nos falávamos, mas em todas as vezes você me tratava bem da mesma forma que eu te via tratando todo mundo, então...

   E aí eu contei tudo. Contei desde o primeiro momento em que o vi no corredor até o dia em que conheci Daniel e tudo se desdobrou até aqui. Contei do que eu sentia por ele, do que levou ao meu namoro com Daniel, as provocações de Yui e Jane e, por fim, esse momento. Benjamin me olhava atentamente e parecia estupefato com tudo. Sério que ele nunca havia notado meus olhares de peixe morto em sua direção? Eu sempre pensei que os caras populares e bonitos demais notavam cada olhar sobre eles.

— Isso é... – ele murmurou no fim da história. – Eu não sei o que dizer. Eu realmente não imaginava que o motivo por trás do seu namoro com Daniel fosse eu. No início eu estranhei, porque fazia um tempo que eu não via ele com ninguém e de repente todos estavam falando que vocês estavam juntos. Mas depois vocês pareciam tão apaixonados um pelo outro que eu deixei a suspeita de lado.

   Respirei fundo, em silêncio. Nós dois tínhamos nossos olhos cravados nas ondas fracas que batiam à alguns metros de nossos pés, ambos presos em seus próprios pensamentos. Alguns minutos passaram até voltarmos à realidade.

— O que mudou? – ele perguntou.

— Como assim?

— Para você ter me sequestrado para contar tudo isso é porque algo mudou, certo?

   Ficamos nos olhando por alguns segundos e eu acabei sorrindo um pouco. Ele me acompanhou e jogou um braço sobre os meus ombros, dando um beijinho no topo da minha cabeça.

— Ah, Allison Jones... – ele murmurou contra os meus cabelos. – Ainda há tempo, você sabe.

— Eu não sei. – suspirei. – Eu acho que nos machucamos demais. Não tenho muita esperança de que ele aceite me ouvir a essa altura do campeonato.

— Mas ele disse que te ouviria. – Benjamin afastou um pouco o rosto para me olhar, seu braço ainda sobre os meus ombros e sua mão acariciando minha pele levemente. – Quando você soubesse o que dizer. E agora você sabe.

— Sei? – arqueei uma sobrancelha, em dúvida, e ele riu.

— Sabe, sim. E eu espero que ele saiba ouvir, caso contrário eu posso deixar o outro olho dele roxo.

   Sorri carinhosamente para Benjamin enquanto deitava minha cabeça em seu ombro e ele me aconchegava próximo a ele. E eu soube que todas as minhas constatações estavam certas quando não ouve palpitações, coração acelerado e ansiedade. Houve apenas Benjamin me oferecendo o ombro dele e conversando sobre bobagens. E era só.

   Agora eu sabia a quem meu coração realmente pertencia.

(...)

   Dizer que Eve estava me esperando tranquila seria um exagero. Quando estacionei em frente à sua casa, ela já estava sentada na varanda de braços cruzados, os pés batendo no chão e um bico de irritação nos lábios. Ela só sossegou quando me arrastou – quase literalmente, considerando que ela tem pernas compridas e eu sou um toco de árvore ao lado dela – até seu quarto e me fez contar tudo o que aconteceu, onde eu estive, fazendo o que e com quem.

   Quando terminei a história, ela suspirou e ficou em silêncio. Estávamos deitadas lado a lado em sua cama, ambas com o olhar fixo no teto cheio de estrelinhas que brilhavam no escuro e já descolavam.

— Você acha que é uma boa ideia vocês voltarem? – ela perguntou, cuidadosa. – Eu gosto do Daniel, de verdade, mas eu assisti de camarote o quanto vocês se machucavam. Sei que não era proposital, mas...

— Eu também não sei. – murmurei. – Eu o amo, Eve. E parece que admitir isso faz tudo ser pior.

— Por que?

— Porque dói ainda mais. – engoli em seco. – Parece que quando eu empurrava isso para o fundo da minha mente era mais fácil. Eu simplesmente ia levando e fingia que nada estava acontecendo, apesar de me sentir muito confusa.

— Eu entendo. Eu sentia o mesmo em relação à Jack. – ela sorriu levemente. – Parecia que se eu admitisse o que sentia, estaria mais vulnerável a qualquer coisa que acontecesse e tudo pareceria pior pelo fato de reconhecer que eu o amava, então se algo desse errado...

    Sua frase ficou no ar e eu suspirei, passando as mãos no rosto.

— Por que somos tão complicadas? – perguntei, exausta, fazendo-a rir. – É sério, somos duas idiotas, Eve.

— Eu admito que eu era idiota, sim. – ela sorriu. – Mas agora a única idiota aqui é você.

   Revirei os olhos, mas deitei de lado e me aproximei dela, jogando um braço sobre a sua barriga e deitando meu rosto em seu ombro. Sua mão pegou e minha e ficou desenhando círculos lentamente.

— Quando pretende contar para ele? – ela perguntou baixinho. – O baile está chegando, falta apenas alguns dias.

— Eu nem sei se ainda tenho par para o baile. – bufei. – Eu vou mandar uma mensagem para ele. Espero que ele volte antes da formatura.

   Logo descemos para a cozinha e enquanto Eve preparava um lanche para nós duas, eu enviava uma mensagem para Daniel. Ele não estava online havia alguns minutos, mas a mensagem chegou em seu celular. Mantive o aparelho em minhas mãos, ansiosa por uma resposta.

   E ela só chegou depois da meia-noite, enquanto eu escovava meus dentes, já em meu apartamento. Ouvi o “bip” do celular vindo do quarto e cuspi a pasta de dente, lavando a boca rapidamente. Corri até a cama e me joguei nela como uma garotinha ansiosa, e agarrei o aparelho.

   “Vou voltar na sexta-feira à noite, na véspera da formatura. Podemos conversar na festa.”

   Ah, que ideal. Se tudo desse certo, teríamos uma noite marcante. Se tudo desse errado, eu ia parecer uma miserável largada em um vestido de festa. É quase uma música da Taylor Swift – tirando o fato de que eu não sou linda de morrer e não tenho um cabelo maravilhoso.

   Pensei em mandar outra mensagem para ele, mas meus dedos ficaram suspensos no ar, indecisos. O que eu diria? Daniel parecia tão distante e eu me sentia uma idiota. Eu estava morrendo de medo. De verdade. Eu vinha ensaiando as palavras na minha cabeça, dizia para o meu reflexo no espelho que tudo iria ficar bem e tudo daria certo... Mas eu não tinha certeza de nada.

   “Nada pode te dar a certeza de que dará errado, apenas a sua mente receosa”— a voz de Kate ecoou em minha mente. Suspirei e deixei o celular de lado, afundando o rosto no colchão. Daria certo. Daniel havia dito que me amava e me deu uma chance de explicar a verdade para ele, e a verdade era que eu o queria. Assim como ele me queria.

   As coisas não poderiam piorar, certo?



Notas finais do capítulo

NÃO PODEM PIORAR, NÉ? HAHAHAHAHA.
Então, gente, como vocês sabem, o final está chegando... Pra ser mais precisa, o próximo capítulo já é o capítulo final. E depois postarei o epílogo e logo em seguida o PRIMEIRO CAPÍTULO da 2ª temporada. Acharam que ia rolar pausa e eu ia tirar umas férias antes de começar a próxima? Não mesmo, hahahaha. ♥

[IMPORTANTE!!!]
Então, como eu mencionei lá em cima, eu tenho uma pergunta pra fazer a vocês. Eu estava com uma ideia de criar um grupo no Facebook pras leitoras da fic. Eu já tive um grupo assim há um tempo atrás, na época em que eu escrevia fics da Saga Crepúsculo, e era bem legal. Eu postava prévias dos capítulos antes de postar, postava fotos, várias coisas assim. Era um modo das leitoras estarem em constante contato comigo, também. Pra fazer perguntas e tudo mais. O que acham? Como vou iniciar a 2ª temporada agora, achei que seria legal :) mas me digam vocês! Se forem a favor, digam nos comentários, ok? Que eu já crio e no próximo capítulo ele já estará na ativa! ♥

[IMPORTANTE!!!²]
Muitas leitoras já falaram que adoram os trechos de músicas no início dos capítulos. Como devem imaginar, essas músicas que coloco sempre tem algo relacionado ao capítulo em questão. Elas acabaram se tornando uma trilha sonora, então... CRIEI UMA PLAYLIST NO YOUTUBE COM TODAS AS MÚSICAS DESSA 1ª TEMP.!!!
Espero MUITO que gostem! ♥
Pra ouvir, é só ir nesse link: https://goo.gl/XAZjtn

Logo trarei o próximo capítulo!



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