Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 32
32. Perdão


Notas iniciais do capítulo

Segura o coração, gente, HAHAHAHA. Todas surtando por causa do último capítulo ♥




CAPÍTULO 32

 

Mas você pode ir embora se você realmente quiser. E você pode correr se você sentir que precisa. E eu estarei bem se você nunca me perguntar.

EDEN – Gravity

 

POV Daniel

— Vai ficar tudo bem. – murmurei, enquanto passava a mão em seus ombros suavemente. – Você sabe que depois sua mãe irá se acalmar, Louise.

   Ela ainda tinha o rosto afundado em meu peito e eu olhava para cima, desejando que aquilo acabasse. Eu tinha um carinho imenso por ela, mas estava cansado. Realmente cansado. Ela fungou e logo me soltou, passando as mãos nos olhos para limpar as lágrimas. Estávamos sentados em um banco à beira da praia e já estava quase anoitecendo, logo eu teria que ir embora, caso contrário não conseguiria chegar a tempo para o jantar. Ainda teria que ligar para Ally, para saber se ainda tinha chances de ela ir.

— Você é meu melhor amigo. – ela disse, e eu voltei minha atenção para ela. – É a única pessoa que eu tenho, Daniel.

   Céus, essa conversa novamente. Suspirei.

— Isso não é verdade. – falei, sorrindo um pouco para aliviar minhas palavras. – Você sabe que seus pais te amam muito, Louise. É só uma fase.

   Ela suspirou e, de repente, segurou meu rosto entre suas mãos e me puxou em sua direção. Seus lábios cravaram nos meus e eu segurei seus pulsos, tentando afastá-la sem machucá-la. Suas unhas agarraram minhas bochechas e eu pressionei seus pulsos com mais força, e ela finalmente me soltou.

— Desculpe, eu...

— Será que você poderia parar com isso? – falei entredentes, passando a manga da blusa em meus lábios e ficando de pé, irritado. – É para isso que você vem chorando atrás de mim? Para tentar algo a todo momento?

— Por que você não aceita? – sua expressão mudou de sofrida para raivosa em questão de segundos. – Há vários caras que dariam tudo para estar no seu lugar, Daniel!

— Então vá atrás deles! – falei, um pouco alto demais. – O que eu sinto por você nunca vai mudar, eu já diss...

Ally!— ouvi uma voz conhecida chamar, ao longe. Arregalei os olhos. – Ally, espera!

   Virei-me para trás rapidamente, procurando de onde vinha o chamado. Avistei Benjamin no outro lado da rua e o carro de Ally saindo rapidamente pela rua. Senti o ar faltar. Olhei para Louise e ela estava indiferente.

— Era isso que você queria? – perguntei, seco. – Não me procure mais, Louise. Se você aparecer de novo, eu...

— Daniel, por favor...

— Não. – a cortei, olhando fundo em seus olhos. Ela cruzou os braços, se encolhendo um pouco, contrariada. – Chega.

   A deixei onde estava e cruzei a rua. Benjamin passava uma mão nos cabelos e bufava. Quando seu olhar caiu sobre mim, eu pude prever o que viria, mas não a tempo. Seu punho atingiu meu rosto antes que eu pudesse desviar e eu cambaleei para trás, batendo minhas costas na lateral de um carro desconhecido que estava estacionado. Ele veio para cima de mim e eu golpeei sua barriga. Ele arfou, dando dois passos para trás.

— Você é um imbecil. – ele disse entre dentes.

— O que você fazia com ela? – perguntei, irritado. – O que vocês estavam fazendo aqui?

— O que você devia estar fazendo com ela. – ele sorriu com escárnio. – Ao invés de ficar atrás da saia dessa sanguessuga.

   Agarrei a gola de sua blusa, empurrando-o contra o carro e ele riu. Senti vontade de afundar meu punho no meio de seu rosto e parar com o riso. Minhas mãos formigavam e a dor no rosto cessou rapidamente.

— Que merda você quer com ela, Benjamin? – perguntei. – Responde.

— Deixa de ser hipócrita. – ele resmungou, me empurrando com força para longe dele, fazendo com que eu o soltasse. – Você realmente se importa? Então vá atrás dela, porra! Fica mais preocupado em me fazer perguntas imbecis do que em agir. Você é patético.

— Você não sabe de nada.

— Sei que você é um idiota, irmão. E que você não merece aquela garota. – ele riu sem humor, apontando para Louise, que nos observava ao longe com os olhos arregalados. – Aquela ali, sim, você merece.

   Fechei minhas mãos com força e apertei os lábios, tentando me controlar para não xingá-lo de todos os nomes possíveis. Por sorte, ele me deu as costas e foi em direção ao seu carro, ainda com uma mão sobre a barriga onde eu o havia socado. Agarrei meus cabelos com as duas mãos e respirei fundo. Peguei meu celular no bolso da calça e tentei ligar para Ally, mas caía na caixa postal. Depois da quarta tentativa, desisti. Ela não iria querer olhar na minha cara, não mais. Não depois disso.

   Senti uma raiva descomunal de Louise e desejei que ela desaparecesse. Do planeta, se possível. Eu não a reconhecia mais como a amiga que ela foi para mim por anos. Era como se desde que ela apareceu, tudo desse errado. Todo acontecimento bom era seguido por um momento de merda, eu estava farto disso.

   Decidi ir para casa e deixar Ally em paz. Até amanhã, ao menos. De amanhã ela não me escaparia, eu tinha que resolver tudo.

(...)

   POV Ally

   Meu celular vibrou debaixo do travesseiro. Suspirei, abrindo os olhos fracamente. Cada parte do meu corpo e mente implorava por sono, mas eu não conseguia pregar os olhos há horas. E ter aquele aparelho vibrando não ajudava. O peguei e desbloqueei a tela, vendo que eram mensagens de Eve.

   “Vim para o colégio com Jack. Cadê você?”

   “Aconteceu alguma coisa? Você perdeu a primeira aula... Se correr, ainda dá tempo de chegar para a segunda.”

   “Seu nome está sendo dito pelos corredores. Daniel tem um olho roxo. Boatos. Tem algo que eu deveria saber e ainda não sei?”

   Gemi, frustrada, e afundei meu rosto no travesseiro. Não basta toda aquela merda acontecer, agora todos sabem também. Que ideal. Olhei o horário e realmente daria tempo de chegar se eu corresse. Era a última semana de aulas, eu não queria perdê-las. Mesmo que, aparentemente, o melhor fosse eu ficar em casa.

   Mas Allison Jones não se esconde diante dos momentos difíceis, não é? Não sempre, quero dizer.

   Por isso lavei o rosto, escovei os dentes e passei os dedos nos cabelos para desembaraçar, porque a vida (e o tempo) eram curtos demais para eu perdê-los penteando os cabelos. Vesti uma roupa qualquer e saí de casa às pressas. Olhei para tudo que vi pelo caminho: árvores, nuvens, sol, pessoas, cachorrinhos, gatinhos em muros, flores, bondinhos. Cantarolei as músicas que tocavam no rádio, batuquei os dedos no volante. Tudo, qualquer coisa. Qualquer coisa que me fizesse esquecer aquela merda e conseguir manter a mente limpa, porque... Porque se eu parasse um minuto e lembrasse...

   Quando estacionei no colégio, fiquei cerca de dois minutos parada dentro do carro desligado, com as mãos firmes no volante e o olhar focado nos arbustos que cercavam o local. Eu não queria meu nome nos corredores, não queria passar por isso. O que estavam dizendo? E por que Daniel tinha um olho roxo?

   Respirei fundo, encostando a testa no volante. A imagem dele e Louise se beijando me atingiu em cheio e eu engoli em seco. Eu não esperava isso. Realmente não esperava, e isso era uma merda.

   Mas tudo bem.

   Peguei minha bolsa, pendurei no ombro e saí do carro, disposta a encarar o que viesse.

(...)

   Não era fácil encarar o que viesse.

   Os olhares e cochichos nos corredores estavam me estressando bastante. Aparentemente, a fofoca que rolava pelo colégio era que Benjamin e Daniel havia brigado por causa de mim, mas o motivo era desconhecido. Uma menina ouviu de um amigo que ouviu de alguém do time que Benjamin bateu em Daniel porque o viu com outra, e me defendeu. Outros diziam que, na verdade, Daniel me pegou o traindo com alguém e, por algum motivo absurdo, ele e Benjamin brigaram, mesmo que Benjamin aparentemente não tivesse nada a ver com isso. Mas que, talvez, eu tivesse traído Daniel com Benjamin ninguém comentava, mesmo que fosse mentira.

   Mesmo que ele merecesse.

   Bati a porta do meu armário com força e olhei para o lado. Um casal que cochichava à certa distância – com certeza sobre mim – sobressaltaram de susto e me olharam sem graça, afastando-se em seguida. Bufei, jogando meus livros dentro da bolsa e caminhando para a próxima aula. Até que uma mão agarrou meu pulso de repente. Olhei para cima, assustada, e dei de cara com Daniel me olhando com uma expressão fechada. Arregalei os olhos e mal tive tempo de manda-lo de soltar, porque ele começou a me arrastar pelos corredores.

   Tentei puxar meu braço, mas ele não me soltava. Quando vi, estávamos atrás do colégio. Não havia ninguém por perto. Ele finalmente me soltou e eu cruzei os braços, dando dois passos para trás. 

— Você tem que me ouvir. – ele pediu, passando uma mão no cabelo. – Eu juro que...

— Não. – o cortei, tentando não olhar para seu rosto. – Eu vi o bastante, Daniel. E eu realmente não quero ter essa conversa agora. Já basta todos esses burburinhos.

— A situação saiu do controle. – ele murmurou. – Me desculpe. Eu tentei esconder isso, mas...

   Engoli em seco, finalmente levantando meu olhar para ele e vendo o círculo arroxeado ao redor do seu olho esquerdo. Era nítido que ele havia tentado passar base e pó compacto por cima, provavelmente maquiagens de Tanya, mas não adiantou muito. Era óbvio que aquilo havia sido resultado de um soco. Ele e Benjamin realmente haviam brigado?

— Benjamin bateu em você? – perguntei baixinho. – De verdade?

— Não importa. – ele fechou os olhos por alguns segundos e suspirou. – Allison, o que você viu ontem...

— Não precisa explicar. – falei, dando de ombros, enquanto uma fisgada capturava meu peito. – Você sabe o que faz.

— Não tente parecer bem.

— E eu devia estar mal? – sorri levemente, forçada.

   Ficamos nos olhando por alguns segundos, em silêncio. Ele deu um passo em minha direção. Eu dei um passo para trás. Eu não aguentava isso.

— Me desculpe. – ele murmurou. – Eu juro que não é o que parece. A Louise forçou a situação novamente, ela me puxou de repente e...

— Mas você foi, de qualquer forma. Mesmo sabendo disso. Mesmo sabendo que ela sempre... – engoli em seco. – Ela sempre tenta.

— Eu sinto muito. – ele suspirou. – Não vai se repetir. Eu sei que disso isso antes, mas agora realmente não vai.

— Tudo bem. – falei baixinho. – Eu desculpo você.

   Ele sorriu parecendo aliviado e me envolveu em seus braços. Continuei com meus próprios braços ao meu redor, abraçando a mim mesma. Meu rosto contra o seu peito e seu queixo no topo da minha cabeça. Fechei os olhos com força e, pela primeira vez, senti vontade de empurrá-lo para longe.

— Mas é melhor acabarmos com isso. – falei.

   Seu corpo endureceu contra o meu rosto. Ele se afastou um pouco para me olhar, enquanto eu permanecia com o olhar cravado em sua blusa azul. Azul era a minha cor preferida e ficava linda nele. Quase tanto quanto branco. Daniel era tão bonito que doía; literalmente. E eu estava cansada disso.

— Como assim? – ele perguntou num fio de voz.

— É melhor acabarmos com isso agora. – repeti. – As aulas já estão acabando, vamos nos separar de qualquer forma e...

— Não é por isso. – ele me cortou, as mãos firmes em meus ombros e a voz amarga. – Você não pode estar falando sério, Allison. Eu sei que tudo isso foi uma merda, mas...

— Não só isso, Daniel. – minha voz saiu mais alta do que deveria, enquanto eu tentava controlar o bolo que se formava em minha garganta. Engoli em seco, sentindo um ardor nos olhos. – Meu Deus, isso está me consumindo. Você não percebe como eu estou? O que você está fazendo comigo?

— Eu não estou te entendendo.

— Nem eu! – solucei e as lágrimas finalmente saíram. Daniel soltou meus ombros como se eu estivesse pegando fogo. – Eu não estou entendendo nada, Daniel. Desde que você apareceu eu estou fora de mim, não percebe?! Eu... Eu sinto todos esses sentimentos e a cada hora me sinto de uma forma. Eu odeio sentir isso, odeio me sentir impotente, odeio não saber definir o que sinto e nunca sei o que esperar de você.

— Você sabe o que isso significa. – ele disse, engolindo em seco. – E eu já disse o que sinto por você.

— O que você quer dizer? – soltei uma risada curta e amarga, enquanto passava as costas das mãos nas bochechas, tentando limpar os resquícios de lágrimas. – Que isso é amor? Que eu amo você, é por isso que me sinto dessa forma o tempo inteiro?

   Ele pareceu prender a respiração, enquanto fechava e abria as mãos. Aos poucos soltou o ar, desviando o olhar de mim e parecendo tão confuso quanto eu.

— Eu não quero isso. – falei por fim. – Chega. Por favor.

— Você vai desistir de tudo? – ele perguntou, e a forma como a sua voz soou fez meu coração apertar.

   Engoli em seco e balancei a cabeça, sem resposta. E antes que desabasse novamente, dei-lhe as costas e fui embora. Ele não me chamou de volta.

(...)

  Os dias passaram como um borrão.

  Até que, finalmente, a sexta-feira chegou. Último dia de aulas do high school. A formatura seria daqui a duas semanas, mas todos choravam e se abraçavam o tempo inteiro. Quando pisei no estacionamento, avistei Eve e Jack encostados no carro dele, à minha espera. Sorri e abri os braços, enquanto eles cruzavam o pouco espaço entre nós e me abraçavam.

— Oh, meu Deus, como estamos crescidos! – Eve choramingou. – Dá para acreditar que é o último dia?

— Finalmente. – Jack disse baixinho, como um agradecimento.

   Nós rimos juntos, nos separando. Nos olhamos por alguns segundos e eu não podia deixar de me sentir feliz, apesar do meu humor péssimo nos últimos dias. Era o último dia, finalmente. Era quase inacreditável.

   Havíamos combinado de ir comemorar comendo algo bem gigante e gorduroso. Jack havia nos buscado pela manhã na casa de Eve, então íamos no carro dele. E enquanto o casal ia na minha frente de volta para o carro, não pude evitar olhar ao redor a procura dele.

   Busquei a jaqueta vermelha dos Lions pelo estacionamento lotado e não demorei a encontrá-la. Todos do time estavam ao redor do carro dele falando alto, rindo e cumprimentando todos que passavam. Os meninos de ouro, o orgulho do colégio. E lá estava ele. Sentado no capô do carro com as mãos nos bolsos da jaqueta, rindo de algo aleatório. E seu olhar cruzou com o meu.

   Senti minhas pernas formigarem e o coração acelerar. E, em seguida, a fisgada costumeira. Seu sorriso vacilou um pouco, mas ele logo desviou o olhar do meu e voltou a prestar atenção ao que seus amigos diziam. Engoli em seco, voltando a olhar para frente. Fechei os olhos com força enquanto abria a porta do carro de Jack e me enfiava no banco de trás.

   Eu preciso esquecer Daniel. Mas parecia que agora, após dias separados e sem nos falarmos, a dor era maior e mais constante do que antes. Era sufocante. Joguei a cabeça para trás no banco e encarei o teto cinza do carro, enquanto tentava apagar sua imagem da minha mente e a substituía pela imagem de um hambúrguer cheio de queijo cheddar.

   Incrivelmente, nem cheddar resolveu.

   Resolvemos ir ao Píer 39, como sempre. Nossa segunda casa. Eve e Jack não paravam de tagarelar sobre faculdade, mudanças e formatura. Eu apenas ouvia e ria das besteiras que eles diziam. Quando chegamos na lanchonete, escolhemos uma mesa perto da janela de vidro e rapidamente fizemos nossos pedidos. Em certo momento, fiquei alheia ao que eles conversavam e olhei ao redor, prestando atenção nos detalhes do local. Até que o que vi.

   Benjamin estava sentado no outro lado, sozinho, com o olhar fixo no cardápio em suas mãos.



Notas finais do capítulo

Ai, gente, que dorzinha! Eu tô na bad aqui, sério. Muita dó do Daniel e da Ally, hahahaha. O que acharam? Me digam, por favoooor!
Logo trarei o próximo, pra vocês não se desesperarem!
Bjbjbjbjbjbjbj



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