Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 31
31. Decepções


Notas iniciais do capítulo

Lembrem-se que eu amo vocês, tá? Hahahaha.

P.S: Muito obrigada à quem desejou melhoras ao meu gatinho no último capítulo. Ele já está em casa, continuando o tratamento aqui e está bem melhor ♥




CAPÍTULO 31

 

Me ajude a te ajudar a começar, você está acomodada

demais para saber. Você fica falando essas coisas,

mas você precisa sentir por conta própria.

Chet Faker - Talk is Cheap

 

   Depois de ter me feito detalhar cada detalhe da minha primeira vez com Daniel, Eve finalmente me deu descanso. Ela foi a primeira a cair no sono, ao meu lado, com a boca aberta e um fio de baba escorrendo. Sorri, me aconchegando debaixo do edredom e olhando para ela. Era engraçado como os anos passavam, mas eu e Eve continuávamos as mesmas. Ficamos tão acostumadas a dormir juntas quando íamos para a casa um da outra quando éramos pequenas, que isso continua até hoje. Senti meu celular vibrar debaixo do travesseiro e o peguei rapidamente. Sorri ao ver que era Daniel.

   “Sinto sua falta, moça.”

   “Eu também sinto a sua. Não consigo dormir.”

   Suspirei, colocando o celular sobre meu peito e olhando para o teto. Eu comecei a sentir saudades de Daniel a partir do momento que coloquei os pés fora de seu carro, quando chegamos na casa de Eve. Ela não me deixou passar na minha própria casa antes, insistiu para que eu fosse direto para a dela. E eu fui, obviamente, porque não aguentava em mim de tanta animação e precisava contar tudo para alguém. Parecíamos duas menininhas de 13 anos.

   Outra mensagem de Daniel chegou.

   “Se ajeita, vou passar aí para te buscar.”

   “E aonde vamos?”

   “Decidimos na hora.”

   Sorri. Pulei da cama e andei na ponta dos pés até a minha mala, que ainda estava arrumada. Olhei para Eve, com medo de acordá-la, mas do jeito que ela estava babando eu sabia que não acordaria tão cedo. Peguei um vestido azul-marinho macio e bonitinho de mangas longas, que era o meu preferido, e fui para o banheiro para me trocar. Fiquei um tempo me olhando no espelho, admirando as bochechas rosadas e os olhos brilhantes. Eu me sentia mais bonita.

   O celular vibrou sobre a bancada da pia, enquanto eu colocava um cordão e os brincos.

   “Estou chegando. Me espera na frente da casa, senão vou acordar todos os vizinhos com a buzina.”

   Apenas visualizei a mensagem e corri para calcar minhas sandálias. Guardei o celular na bolsa e escrevi um bilhete rápido para Eve, avisando que havia saído com Daniel e logo voltaria. Enquanto descia as escadas, pude ouvir o barulho baixo do carro de Daniel. Saí de casa e o avistei parando na calçada. A vizinhança estava totalmente silenciosa. Eu me sentia uma adolescente rebelde fugindo de casa no meio da noite.

   Só Daniel me fazia sentir essas coisas.

   Entrei no carro e o flagrei tão acordado quanto eu. Nos beijamos rapidamente e ele logo voltou a colocar o carro em movimento.

— Então, aonde quer ir? – ele perguntou. – Eu estava pensando em irmos comer algo e ficar dando voltas de carro.

— Parece uma ótima ideia. – sorri. – Eu voto em batatas-fritas com bastante cheddar.

   Ele riu, me olhando de cima a baixo.

— Eu juro que não sei como você consegue manter esse corpo. – ele suspirou. – Então, vamos à caça de batatas.

— E cheddar, por favor.

(...)

   Crissy Field estava se tornando nosso segundo lar.

   Caminhamos pela faixa do gramado, indo para a área mais próxima da areia da praia. Daniel havia achado um pano qualquer largado no porta-malas de seu carro e o pegou para que pudéssemos sentar na grama sem molhar nossas roupas de sereno.

   Quando achamos um lugar ideal, ele forrou o pano e sentamos lado a lado. Coloquei a caixa de batatas-fritas com cheddar entre nós dois e o cheiro nos atingiu em cheio.

Cheddar é a melhor coisa que existe. – suspirei. – Depois de bolo de chocolate.

— E de sorvete. – ele sorriu. – Na verdade, nada é melhor do que bolo com sorvete.

— É por isso que nos damos tão bem. – falei, olhando-o emocionada, enquanto colocava uma batata na boca e ele ria.

— Então... – ele começou, depois de alguns segundos de silêncio. – Já decidiu para onde realmente quer ir?

— Não sei bem. – respondi, olhando as ondas batendo fracamente contra a areia. – Mas acho que a opção principal é a UCLA.

— Los Angeles. – ele constatou. – É meio perigoso, não?

   Dei de ombros, sem realmente me preocupar com aquilo. Voltei a pegar outra batata, enquanto Daniel olhava a Golden Gate iluminada à alguns quilômetros dali.

— Allison. – eu senti que algo estava por vir, porque ele só me chamava daquela forma quando queria puxar minha orelha ou queria falar de algo sério. – Você iria para Nova York comigo?

   Virei o rosto em sua direção, olhando-o confusa. Ele me observava atentamente. Ele estava falando sério? Engoli em seco, desviando o olhar de seu rosto, mas logo voltando a encará-lo.

— Isso é sério? – perguntei.

— Sim.

   Puxei o ar lentamente, pensando naquela pergunta. Ir para Nova York com ele seria, bem... Tudo mudaria, não? Eu esperava pela separação. Dia após dia, a cada momento que a formatura se aproximava, eu já me preparava para a separação. A nossa relação, ou seja lá o que temos, iria acabar. Eu não imaginava que ele iria me querer por perto, com ele. Isso era...

— Mas nós não... – falei, incerta. – Quero dizer, nós dois não...

— Nós não...? – ele arqueou uma sobrancelha, tentando adivinhar o que eu queria dizer.

— Não estamos juntos. – falei, por fim. – Certo? Quero dizer... Não me entenda mal, Daniel. Mas o que isso significa?

   Ele pareceu congelar onde estava, me olhando fixamente, sem piscar. Eu ficava cada vez mais confusa. Fiquei olhando-o, esperando por uma resposta. Segundos depois ele pareceu sair de seu transe e piscou rapidamente. Balançou a cabeça de leve, desviando o olhar do meu.

— Desculpe. – ele riu fracamente, e eu tive a sensação de que foi um ato totalmente falso. – Esqueça, foi apenas uma... Apenas uma ideia idiota.

— Mas...

— A UCLA é uma ótima opção. – ele me cortou, sua expressão abatida de antes dando lugar à uma expressão indiferente. – Los Angeles é um lugar meio perigoso, mas acho que seria legal. Eve também planeja ir?

   Fiquei observando-o por alguns segundos antes de responder, colocando a batata que estava em minha mão de volta na caixa. De repente, a fome cessou.

— Sim. – falei baixinho. – Queremos permanecer juntas após o colégio.

— Imaginei.

   E acabou. Ficamos em um silêncio desconfortável. Uma brisa gelada passou por nós e eu encolhi minhas pernas, tentando me aquecer.

— Acho melhor irmos embora. – ele disse. – Já está bem tarde e teremos aula amanhã.

   Assenti e ficamos de pé, recolhendo as coisas. Caminhamos até o carro e guardamos tudo. Joguei a caixa vazia de batatas em uma lixeira próxima ao carro e entramos no veículo. Suspirei de alívio ao sentir o interior dele mais aquecido. Daniel colocou as músicas de seu pen drive para tocar, e eu entendi que não teríamos muita conversa. O caminho até a casa de Eve foi rápido, já que àquela hora não havia muito trânsito.

   Quando ele estacionou em frente à casa, eu coloquei a alça da bolsa no ombro e já me preparava para sair, quando senti seu toque em meu pulso. Olhei para ele rapidamente e me deparei com Daniel me olhando profundamente. Seus lábios estavam entreabertos. Ele parecia querer dizer algo, mas nada saía.

— O que... – murmurei, mas fui interrompida por ele.

— Eu amo você.

   Congelei onde estava. Sua expressão era séria e decidida, seu aperto suave e quente em meu pulso. Eu não conseguia mexer um músculo. Senti a respiração faltar um pouco e o coração bater mais forte.

— Não precisa dizer nada agora. – ele disse rapidamente. – Apenas... Apenas pense nisso.

   Assenti fracamente. Ele soltou meu pulso e inclinou o corpo para frente. Senti seus lábios tocarem os meus levemente e em seguida sua testa encostando na minha. Ele suspirou, logo voltando a se encostar em seu banco. Suas mãos foram para o volante e eu tentei fazer meu corpo responder normalmente. Saí do carro desnorteada. Fui andando em direção à entrada da casa e quando entrei e fechei a porta atrás de mim, pude ouvi-lo ligando o carro e indo embora.

   Fiquei encostada na porta, uma das mãos apertando fortemente a bolsa contra a minha barriga. Suas palavras rondavam minha mente e eu não conseguia pensar em mais nada. Eu não esperava por isso. Não esperava que Daniel fosse dizer que me amava, porque essa ideia... Essa ideia nunca se passou pela minha mente.

   Respirei fundo, passando as mãos no rosto. O que eu faria?

(...)

   No dia seguinte, eu amanheci como se não tivesse dormido nada.

   Como eu estava sem carro, Vanessa levou eu e Eve para o colégio. Eve insistia que eu estava estranha desde que havíamos acordado e eu tentava me desvencilhar de sua curiosidade. Eu não queria falar sobre a noite anterior. Não agora. Como Eve tinha um sono pesado, não acordou em nenhum momento, então nem ao menos sabia que eu havia saído. Preferi manter o que houve apenas para mim.

   Mas estava me consumindo. Tudo o que eu e Daniel havíamos vivido ficava passando na minha mente como um filme repetitivo. Tudo o que ele fez, tudo o que ele disse que pudesse indicar o que ele dizia sentir, mas que eu não havia percebido. E tudo o que eu sentia, tudo o que ele me fez sentir... Eu estava uma confusão.

   Quando nos vimos no corredor, ele parecia receoso. Sorri levemente e ele pareceu mais tranquilo, se despedindo rapidamente de alguns meninos com quem conversava e vindo em minha direção. Senti meu coração querer pular do peito, mas tentei disfarçar. Ele abaixou o rosto em minha direção e me beijou rapidamente.

— Bom dia. – ele falou. – Bom dia para você também, Eve.

— É. – ela resmungou, com a cara quase enfiada dentro de seu armário. – Não falem muito comigo, está cedo demais.

    Ele deu de ombros. Peguei o livro de biologia em meu armário e o guardei em minha bolsa.

— Quer jantar lá em casa hoje? – ele perguntou. – Tanya não para de perguntar de você.

— Sim. – assenti, sorrindo um pouco. – Sinto saudades dela. Que horas?

— Podemos ir juntos depois da aula. – ele deu de ombros. – Eu vou te esperar no estacionamento.

   O sinal indicando a próxima aula soou e nos despedimos rapidamente. Ele estava normal, não parecia me cobrar uma resposta. Suspirei de alívio. Eu não sabia o que diria. O que eu sentia por Daniel não era algo banal, mas eu precisava pensar direito. Havia toda a questão da formatura, a distância... Eu não queria largar tudo para ir para Nova York com ele sem ter certeza do que sentia, e não queria que ele desistisse do que queria para ficar comigo. Eu não queria tomar decisões precipitadas e erradas, e depois...

   Bem, acabar tudo.

   O dia passou como um borrão. Todo o colégio alvoroçado. As aulas chegando ao fim, a formatura chegando. Finalmente decidiram que o tema do baile seria “Noite de Gala” e a maioria das garotas já conversavam sobre vestidos e maquiagens para a grande noite. Me peguei pensando no que poderia vestir enquanto caminhava para o estacionamento. Eu e Daniel já havíamos combinado que, obviamente, iríamos juntos. Mas eu não fazia ideia do que vestiria, teria que pesquisar depois.

   Quando cheguei ao estacionamento, a luz do sol me atingiu em cheio. Fechei um pouco os olhos, incomodada com a luz. Havia algumas nuvens no céu, mas nada que o escondesse. Suspirei, procurando pelo carro de Daniel, até que o vi.

   Vi o carro. Vi Daniel. E vi Louise.

   Céus, era só o que me faltava. O que mais falta acontecer para minha cabeça ficar mais zonza do que já está ultimamente? Daniel pareceu sentir minha presença, mesmo estando de costas para mim e à metros de distância. Ele virou-se e me olhou nos olhos, enquanto eu me aproximava dos dois. Louise abraçava o próprio corpo próxima a ele, com o rosto vermelho e os olhos cheios de lágrimas.

   Ele olhou rapidamente de mim para ela, e mandou-a esperar onde estava, vindo até mim. Paramos um de frente para o outro, no meio do estacionamento, e eu senti alguns olhares sobre nós dois. Show com plateia, ideal para uma tarde de segunda-feira.

— Ally, ela... – ele começou.

— Qual é a história dessa vez? – sorri sem vontade. – A mãe brigou com ela? Problemas com o divórcio?

   Ele suspirou, passando uma mão no cabelo.

— Allison, você mais do que ninguém sabe como é lidar com problemas familiares, então... – ele umedeceu os lábios, e seu olhar fugia do meu. – Não desdenhe dessa forma.

— Não estou desdenhando. – dei de ombros. – Só estou cansada disso. Caramba, Daniel, nós dois estávamos ótimos e novamente ela aparece. E aparentemente você vai me deixar aqui, outra vez, para ir atrás dela.

— É minha amiga.

— E depois do que ela aprontou na última vez, aparentemente, você não se sentia mais à vontade com ela? – era para ser uma afirmação, mas saiu como uma pergunta.

   Daniel suspirou, parecendo confuso. Senti um aperto incômodo no peito e um bolo na garganta. Eu me sentia uma tremenda imbecil por estar criando essa situação, mas tudo aquilo realmente me chateava num nível que eu não entendia. Eu não o queria com ela, não queria ela próxima ele.

— Me desculpa. – ele disse. – Ela realmente precisa de mim. Quando você precisou, eu estive com você.

   Ótimo, Daniel. Jogue esse jogo.

   Mordi o lábio inferior, tentando controlar a vontade de chorar. Ele me olhou sentido e tentou tocar meu rosto. Eu dei um passo para trás na hora, desvencilhando-me do seu toque, e apenas assenti fracamente. Ele engoliu em seco e me deu as costas, indo em direção à Louise, que estava encostada no carro chorando. Meu egoísmo e orgulho não me deixou sentir pena dela, e eu me senti um lixo.

   Respirei fundo, olhando para o alto para que as lágrimas voltassem para o seu lugar e me deixassem em paz. Eu não queria aquilo, não queria sentir esses sentimentos ruins.

   Voltei para o meu carro a passos rápidos e me tranquei dentro dele. E antes que qualquer pessoa aparecesse para falar comigo, eu fui embora. Dirigi por algum tempo por algumas ruas aleatórias, sem prestar atenção por onde ia, e por fim resolvi parar na praia para respirar direito. Caminhei até a areia e sentei na mesma, observando as ondas quebrando e algumas crianças brincando à alguns metros de distância. Encolhi minhas pernas e as abracei, respirando fundo.

   Eu não gostava de sentir essas coisas, não gostava de sentir raiva e ciúmes por alguém. Não gostava de desejar que alguém desaparecesse. Me sentia uma pessoa horrível.

   Passei alguns minutos observando tudo ao redor, mas sem realmente prestar atenção, até que algo foi jogado ao meu lado e eu sobressaltei assustada. Ao olhar para o lado, vi que se tratava de uma mochila familiar.

— Finalmente eu te encontrei, Jones. – Benjamin disse, caminhando até mim. – Desculpe pelo susto, era brincadeira.

   Eu fiquei olhando-o desnorteada, sem saber o que dizer. Ele tirou a mochila e a jogou para o lado, sentando-se no lugar. Seu ombro quase tocava o meu e eu finalmente acordei.

— O que você...? – minha voz sumiu e eu o olhei confusa.

   Ele sorriu fracamente, empurrando seu ombro contra o meu levemente.

— Eu vi o que aconteceu. – ele disse. – E decidi te procurar, apenas isso. Depois da nossa última conversa eu percebi que somos bons juntos para desabafar.

   Arqueei uma sobrancelha, ainda mais confusa, mas resolvi deixar isso de lado. Era engraçado Benjamin vir atrás de mim. Preocupado, talvez? Ele era um bom amigo, afinal.

   Amigo. Benjamin.

   A palavra veio à minha mente de forma espontânea. Engoli em seco, sentindo certo alívio. Benjamin era meu amigo? Essa era a primeira vez que eu ligava essa palavra a ele; era a primeira vez que eu pensava nele dessa forma, e não como...

    Bem, como antes.

— Mia vai embora. – ele disse de repente, com o olhar perdido na paisagem à frente. – É estranho pensar nisso. Costumávamos planejar uma vida além... Além do colégio. Não sei quando os planos dela mudaram.

— Ela simplesmente disse que iria? – perguntei baixinho.

— Sim. – ele mordeu o lábio inferior. – Um dia ela chegou animada dizendo que o pai já estava ajeitando tudo para ela ir morar com ele, como se isso fosse esperado, como se... Como se eu já estivesse a par de tudo.

— E o que você disse?

   Ele ficou em silêncio por um tempo e, por fim, deu de ombros.

— Nada. – suspirou. – É a vida dela, ela sabe o que faz. Eu não posso me meter no que ela quer.

— Entendo.

   Ele passou as mãos no rosto, como se para espantar os pensamentos, e olhou para mim. Seu olhar me avaliou por alguns segundos e eu fugi de seu olhar, olhando para a areia que meus dedos dos pés remexiam fracamente.

— Isso está acabando com você. – ele disse baixinho. – Eu nunca te vi tão desnorteada como agora, garota.

   Engoli em seco, puxando o ar com a boca e tentando controlar o bolo na garganta e aquela vontade... Irritante... De expressar tudo pelos olhos.

— Eu não sei o que está acontecendo comigo. – eu sorri fracamente, sem vontade. – Mas o Daniel, ele... Tivemos um fim de semana maravilhoso e agora ele...

— Louise ataca novamente. – Benjamin disse, com uma voz de locutor de rádio. Ri um pouco, mordendo o lábio inferior e fechando os olhos. – Daniel tem o péssimo complexo de super-herói. Eu te disse isso.

— Sim, você disse.

   Engoli em seco, passando as costas da mão no canto dos olhos, por onde uma umidade escapava. Senti os olhos de Benjamin sobre mim e, de repente, uma de suas mãos capturou a minha. Olhei as nossas mãos juntas sobre o meu joelho, e em seguida olhei para ele.

— Não se martirize, Ally. – ele disse. – Eu sei que nós dois não somos as pessoas mais próximas do mundo, mas eu juro que não aguento ver você assim.

   Minha respiração ficou presa enquanto eu me via impossibilitada de desviar o olhar do seu. Sua mão quente segurando a minha. Aquelas palavras, aquela situação...

— Por que? – perguntei. – Nós nunca nos falamos direito, Benjamin. E de repente você...

   Minha frase ficou no ar e ele sorriu abertamente, parecendo achar engraçado.

— Gosto de você. – ele disse, direto e simples.

   E acabou.

   Ele não prolongou o assunto e eu também não me vi com forças para insistir nisso. Não faria diferença. De alguma forma estranha e natural, eu e Benjamin nos aproximamos de uma forma que eu nunca imaginei que seria possível. Ficamos mais alguns minutos sentados, conversando banalidades e ele me contando sobre seus planos para o futuro. Juntando todos esses poucos momentos juntos, eu enxerguei em Benjamin coisas que eu não havia enxergado antes. E não digo características físicas, porque essas eu já sabia de cor. Mas características interiores – como a sua admiração ao falar dos pais e do basquete – haviam passado despercebidas por mim. Benjamin era doce. Sinceramente doce.

   E estranhamente, agora, ele não parecia excepcionalmente bonito como antes. Ele parecia normal para mim. Um cara lindo, mas extremamente normal, que gostava de esportes, de assistir vídeos idiotas na internet, que podia passar horas falando de cangurus e sua impressionante forma, que via nuvens com formato de caranguejos e lêmures e que achava incrível o fato de o mar ser tão vasto, misterioso e profundo, e ainda assim não nos engolir de uma vez – e que por vezes deseja que isso acontecesse, porque todos os dias aconteciam coisas ruins demais.

   Era engraçado olhar para ele agora e saber tudo isso. Porque eu não conhecia esse Benjamin. Não foi por ele que eu me apaixonei.

   E para falar a verdade, eu nem sei quem era aquele Benjamin por quem eu me apaixonei. Eu não faço ideia de quem ele era, de como era ou o que vi nele. Porque o que eu vejo agora, aqui, é totalmente diferente daquilo.

   Decidimos ir embora quando o sol começou a se pôr. Logo anoiteceria e eu me sentia exausta psicologicamente. Fomos caminhando tranquilamente de volta para a rua e eu ria das coisas que ele via nos formatos das nuvens. Ele era mais criativo do que eu.

   Eu passava as mãos nas pernas e pés para retirar a areia que havia grudado em minha pele, ao lado do meu carro, quando ouvi Benjamin arfar. Olhei para ele, sem entender, e vi que ele tinha o olhar grudado em algo no outro lado da rua. Segui seu olhar e senti minha respiração ficar presa.

   No outro lado da rua, em um quiosque próximo à praia, estavam Daniel e Louise.

   Se beijando.



Notas finais do capítulo

AI GENTE, NÃO ME BATE, HAHAHAHA.
O que vocês acham que realmente aconteceu, hein? Será que o Daniel beijou a Louise mesmo ou Louise atacou novamente? Aiai.
Tô tão feliz pela felicidade de vocês pela 2ª Temporada!!! Eu já tenho tudo planejado e tenho certeza que vocês vão gostar muito, prometo ♥
Então, me digam o que acharam e o que esperam pro final dessa 1ª Temporada, amores. Logo trarei o próximo capítulo!
Bjbjbjbjbjbbj



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Collide" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.