Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 29
29. Portland


Notas iniciais do capítulo

Depois de muito desespero por causa do colégio, aqui estou eu, amorecos. Ah, assisti "Como eu era antes de você" esses dias, já viram? Ri o filme inteiro e no final chorei feito uma condenada, hahahaha. Mas recomendo, é amor demais ♥
Espero que gostem do capítulo ♥




CAPÍTULO 29

 

Se quisermos viver um amor jovem, melhor começarmos hoje.

 Imagine Dragons - Not Today

 

   O dia do SAT chegou.

   Toda a confiança e tranquilidade dos dias anteriores agora pareciam nunca ter existido. Eu juro que tentei manter a calma e dizer para eu mesma que eu não havia passado todos aqueles meses estudando com Daniel à toa. E que eu me sairia super bem, sim, e de quebra ia ser aceita na UCLA e iria viver linda em Los Angeles.

   Mas no meio do nervosismo isso parecia tão utópico que eu me peguei xingando eu mesma.

   Tomei um comprimido de calmante antes de Daniel buzinar na frente do meu prédio. Do alto consegui ouvir e digitei uma mensagem para ele, avisando que já estava descendo. E quando arrumei minhas coisas e entrei em seu carro, ele não estava muito diferente de mim.

   A diferença era que ele era Daniel Sullivan, o cara que me deu aulas particulares. E eu sou Allison Jones, a garota que em certos momentos nem lembra quanto é 2 + 2. Mas, apesar disso, o beijo que ele me deu no estacionamento antes da prova me fez acreditar – ao menos um pouquinho – que eu me sairia, sim, muito bem. E não havia nada para me preocupar.

(...)

   Os quatro pares de olhos se olhavam enfraquecidos e exaustos. Tudo o que ouvíamos era o barulho do milk-shake sendo puxado pelo canudinho, quase uma orquestra sinfônica de sucção ali, na lanchonete, após três horas de prova.

— Eu sinto que a minha vida foi sugada por aquela prova. – Eve lamuriou.

— Eu sinto que errei tudo. – eu gemi de frustração, afastando o copo de milk-shake e encostando a testa na mesa.

— Não pensa assim. – Jack tentou me reconfortar. – Tenho certeza que você foi bem.

— Até porque eu não te dei aulas à toa, garota. – Daniel resmungou. – Não me faça puxar sua orelha.

— Tão delicado. – revirei os olhos, voltando a me encostar no banco acolchoado atrás de mim.

   Daniel deu de ombros, mas sorriu levemente para mim. Eu sabia que ele tinha confiança em mim também. Todos os três ali tinham, só eu que acho o pior. Mas me senti melhor quando, finalmente, os nossos pedidos chegaram e o hambúrguer cheio de cheddar foi colocado na minha frente. Suspirei, aliviada. Mas assim que dei a primeira mordida e o sabor dos deuses me atingiu, veio o susto.

— Vocês! – Mia Campbell exclamou, surpresa e sorridente. – Que coincidência nos encontrarmos aqui!

   Olhei para ela após quase engasgar e vi que Benjamin, Yui e Jane a acompanhavam. Jane tinha olheiras debaixo dos olhos e uma aparência exausta, e Yui tinha aquele sorriso orgulhoso de sempre. Céus, fazia tanto tempo que eu não via elas duas. Eu quase senti saudade delas, admito.

— Nossa, vocês ainda estão juntos. – Yui disse, cruzando os braços e dando um passo a frente, sorrindo para eu e Daniel. – Eu não esperava por isso.

— E esperava o quê, Yui? – Mia riu. – Eles são um casal lindo!

   Eu não sei o que era pior: Yui com suas provocações intermináveis, ou Mia shippando eu e Daniel. Sorri totalmente sem graça para elas e flagrei Benjamin nos observando em silêncio. Ele não parecia bem. Parecia cansado e frustrado, como estivemos há alguns minutos.

— Querem sentar conosco? – perguntei, educada, e tentei ignorar os olhares de Eve e Daniel me trucidando discretamente.

— Não, está tudo bem. – Mia sorriu. – Vamos lanchar rapidinho e logo iremos embora. Como vocês foram no exame?

— Miseráveis. – Eve respondeu, sorrindo falsamente para ela. – Mas já nos acostumamos.

— Até parece, Eveline. – Mia revirou os olhos, com um leve sorriso nos lábios. Acho que ela era a única pessoa que chamava Eve pelo seu verdadeiro nome, acho que pela falta de proximidade entre as duas. – Sei que suas notas são ótimas.

   Eve deu de ombros e continuou comendo seu hambúrguer, mas eu percebi que ela queria mais era que todos eles sumissem dali. Mas, estranhamente, eu queria conversar mais um pouco com eles.

— O que pretendem fazer depois? – dei continuidade. – Quero dizer, depois da formatura.

— Eu pretendo ir para a Europa. – Mia disse, animada. – Meu pai mora lá há anos e eu optei por ir morar com ele agora, já estou ajeitando tudo para estudar lá.

   Wow. Fui baqueada. Como assim Mia iria embora? Meu olhar foi parar em Benjamin automaticamente e eu vi o momento em que ele engoliu em seco e desviou o olhar, focando sua atenção nos quadros da lanchonete. Como ele estava se sentindo em relação a isso?

— Eu vou voltar para o Japão. – Yui disse, olhando para as próprias unhas. – Meu tempo aqui já deu, sinto falta do meu país.

— E eu pretendo entrar em Harvard ou Yale. – Jane disse, finalmente dando um ar de que ainda estava viva debaixo de toda aquela expressão semi-morta. – Se Deus quiser, entro nas duas e não me preocupo com mais nada.

— E você, Benjamin? – perguntei, e todos os olhares caíram sobre ele. Ele pareceu ter sido pego de surpresa e deu de ombros.

— Ainda estou pensando. – respondeu.

   Eu, Eve e Jack respondemos vagamente o que pretendíamos fazer e logo o grupo foi para a sua própria mesa. Daniel suspirou em alívio ao meu lado. Mas mesmo enquanto eu comia e ouvia as conversas aleatórias dos meus amigos ao meu lado, não pude deixar de me pegar observando Benjamin, no outro lado do local. Eu não fazia ideia de que Mia ia embora e me perguntava como Benjamin estava reagindo a isso.

   E então, o questionamento foi aplicado a mim. E quando Daniel fosse embora? E quando ele fosse para Nova York, no outro lado do país?

   Procurei não pensar muito nisso; não agora. Logo terminamos de comer e decidimos ir para casa descansar. Nos despedimos de Eve e Jack, e cada casal foi para um lado. Assim que eu e Daniel entramos em seu carro e eu liguei o rádio, colocando o cinto de segurança em seguida, vi um sorrisinho se formar em seus lábios.

— O que foi? – perguntei curiosa. – Por que esse sorriso bobo?

— Porque eu quero que você arrume uma bolsa de viagem assim que chegar em casa. – ele respondeu, me deixando ainda mais confusa. – Amanhã eu irei te levar a um lugar.

— O quê? – eu ri, desacreditada. – Enlouqueceu, Dan? Para onde você vai me levar?

— É surpresa. – ele sorriu abertamente. – Apenas arrume a bolsa, ok? Sem perguntas.

   Olhei para a rua, para a calçada, para as pessoas; tentei entender o que diabos estava acontecendo, mas nada. Voltei a olhá-lo e ele ainda tinha uma expressão risonha e satisfeita no rosto.

— Está falando sério? – perguntei novamente.

— Céus. – ele suspirou. – Não estou brincando, Ally. É sério, arrume uma bolsa de viagem porque eu passarei bem cedo na sua casa amanhã.

— Ok. – sorri. – E o que eu devo levar?

— Roupas normais. – ele deu de ombros. – Mas leve algumas peças quentes, também. Pode fazer frio.

   Suspirei, concordando. De certa forma, isso acendeu algo dentro de mim e mudou meu dia. Ficamos ambos sorrindo feito dois idiotas dentro do carro durante todo o caminho até a minha casa, e mesmo que eu ainda não fizesse a mínima ideia do que ele pretendia, eu estava feliz. Idiotamente feliz.

(...)

   No dia seguinte, Daniel tocou minha campainha às 5:30 da manhã. Não posso dizer que foi uma surpresa para mim, porque eu mal dormi. Passei toda a noite em um sono leve, acordando várias vezes, de tanta curiosidade para saber o que ele planejava. E quando ele me mandou uma mensagem às 5:00 me avisando que logo passaria para me buscar, eu pulei da cama e fui tomar um banho.

— Uau. – ele disse assim que abri a porta, na segunda vez que ele tocou a campainha. – Isso tudo é ansiedade?

— Óbvio. – arqueei uma sobrancelha, abrindo espaço para ele entrar no apartamento. – Você lança um mistério no ar e acha que eu dormirei bem?

   Ele riu de mim e me segurou firmemente pela cintura, abaixando o rosto até alcançar meus lábios. Rodeei seu pescoço com meus braços e fiquei na ponta dos pés. Senti ele sorrir entre o beijo, me apertando mais contra ele.

— Vai pegar suas coisas. – ele disse baixinho. – Precisa de ajuda?

— Não, é pouca coisa. – dei de ombros.

   Fui até o quarto e peguei minha bolsa de viagem, que estava cheia de coisas. Eu não fazia ideia do que ele pretendia, então quis estar precavida. Quando apareci na sala, ele pegou a bolsa para carregar e saímos. O sol ainda não havia aparecido, faltava cerca de duas horas para isso acontecer. Então, a névoa da baía ainda cobria parcialmente a cidade. Me encolhi dentro do meu casaco e entramos no carro. No banco de trás flagrei a mochila enorme de Daniel, ao lado da minha bolsa.

   Meu Deus, a curiosidade estava me corroendo por dentro. O que ele estava tramando?

   Fiquei encarando-o por uns bons minutos, até me convencer de que ele realmente não revelaria nada. Então o jeito era aceitar e esperar. Paramos em uma loja 24 Horas e compramos algumas coisas para comer durante a viagem. Porém, quando o sol começou a aparecer no céu, o sono atrasado me atingiu e eu adormeci.

(...)

   Senti um leve sacolejar em meu ombro e algo cutucando o meu nariz. Gemi de sono, me virando um pouco para o lado. Senti um calor estranho atingir meu rosto e abri os olhos lentamente, dando de cara com o sol me dando bom dia. Virei o rosto rapidamente, flagrando Daniel ao meu lado, me olhando.

— Bom dia. – ele sorriu. – Nós já chegamos.

   Pisquei meus olhos rapidamente tentando focá-los e olhei ao redor. Definitivamente, não estávamos em São Francisco. Me inclinei um pouco para frente olhando os prédios à uma certa distância dali, as ruas e o céu parcialmente nublado.

— Onde estamos? – perguntei surpresa. – Esse lugar parece...

   Daniel arqueou as sobrancelhas para mim, com um sorrisinho contido nos lábios, esperando eu finalizar minha frase.

Oregon? – perguntei, embasbacada. – Estamos no Oregon?

— Em Portland, para ser mais exato. – ele sorriu. – De volta às suas origens, Jones.

   Eu sorri, me sentindo totalmente boba e surpresa. Eu nunca imaginaria que ele me levaria logo ali. Fazia tanto, tanto tempo que eu não pisava aqui... A última vez foi quando eu era bem pequena, antes da minha avó paterna falecer. Apesar de eu ter nascido aqui, as visitas eram esporádicas. Daniel saiu do carro e só então percebi que estávamos em frente a um hotel. Era um lugar simples, mas lindo. O prédio tinha uma aparência antiga, mas era perceptível que era intencional, porque brilhava de novo. Saí do carro e o acompanhei enquanto ele pegava nossas bagagens. Um rapaz se aproximou e Daniel deu a ele as chaves do carro, para que ele o levasse para a garagem.

   Fizemos o check-in rapidamente, pois Daniel já havia reservado um quarto, e eu não parava de me perguntar: “Como eu vim parar aqui?”. Se Daniel queria me surpreender, ele conseguiu. Pegamos a chave do quarto e fomos para o elevador. O sorriso de satisfação não saía do seu rosto, e eu me peguei rindo dele.

— Você conseguiu me surpreender. – falei. – Não acredito que fez isso.

— Nem eu. – ele sorriu. – Espera só para ver a vista que teremos do quarto.

   Quando entramos na suíte, a primeira coisa que vi foi uma cama de casal. Alta, enorme, aparentemente muito confortável para muitas coisas. Tentei apagar a imagem mental que se formou na minha cabeça e foquei em ir até a varanda. Abri as portas de vidro e me deparei com uma varanda pequena, mas aconchegante. Havia uma mesinha e duas banquetas ali. E à nossa frente, Portland. As árvores e parques da cidade estavam todos coloridos de laranja, amarelo e verde. Me apoiei na grade da varanda, admirando a vista. Era realmente um lugar maravilhoso, me senti uma idiota por ter demorado tanto tempo para voltar aqui.

   Talvez, se não fosse por Daniel, eu nunca mais tivesse voltado.

   Senti suas mãos em minha cintura, enquanto ele me abraçava por trás. Sorri ao encostar minhas costas em seu peito, me sentindo em paz. Ele beijou o topo da minha cabeça e ficou admirando a vista, distraído.

— Eu sempre quis vir aqui. – ele disse. – Quando você mencionou que nasceu aqui, vi que era uma boa oportunidade.

— Bem, é como se fosse a primeira vez de nós dois. – dei de ombros. – Faz tanto tempo que não venho aqui. Não lembro de quase nada.

— Então vamos descobrir juntos. – ele piscou um olho para mim. – Quer descansar primeiro? Podemos sair durante a tarde.

    Concordei e fui tomar um banho. Estava morta de cansaço e dormir no carro não ajudou muito, já que fiquei toda torta no banco. Tomei um banho rapidinho, para que Daniel não esperasse muito para tomar o dele, e vesti uma roupa confortável. Eu tinha a sensação de que estava bem mais frio aqui do que em São Francisco, mas provavelmente estava fazendo a mesma temperatura nas duas cidades.

   Saí do banheiro desamarrando meu cabelo e vi Daniel deitado na cama, assistindo TV. Assim que me viu, ele foi tomar seu banho. Me joguei na cama e me cobri com o edredom limpo e macio. Sorri, afundando o rosto no travesseiro. Era estranhamente bom estar ali. Eu me sentia absurdamente feliz, e não entendia bem por quê. Fiquei rolando na cama de um lado para o outro, sentindo cada molécula do meu corpo implorar por descanso, mas sem conseguir descansar.

   Por fim, parei para ver o que passava na TV. Passava um filme bonitinho de romance, que eu já havia assistido um milhão de vezes. Fiquei distraída assistindo e nem percebi quando Daniel saiu do banho. Só notei sua presença quando ele passou na frente da TV apenas com uma toalha pendurada na cintura, e o corpo todo úmido e ainda com algumas gotinhas de água pelas costas.

   Jesus Cristo.

   Ele não pareceu perceber o meu olhar. Foi distraidamente até a sua mochila, a pegou e voltou para o banheiro. Quando a porta foi fechada, eu joguei minha cabeça para trás no travesseiro e engoli em seco. Fechei os olhos com força, jogando os braços sobre meu rosto e tentando me controlar. Com certeza meu rosto devia estar em chamas. Respirei fundo, tentando acalmar os ânimos. Mas era impossível, porque eu sabia o que aquilo significava. Eu sabia o que aconteceria, uma hora ou outra, ali naquele quarto, naquela cidade.

(...)

   Apesar de tudo, não foi difícil dormir quando encostei a cabeça no travesseiro. Fui acordada com algo mexendo no meu cabelo. Me remexi um pouco debaixo das cobertas, abrindo os olhos lentamente. A primeira coisa que vi foi Daniel rindo de mim, com uma de suas mãos afagando meus cabelos lentamente.

— Você baba dormindo. – ele disse. – Que bonitinha.

   Sentei rapidamente, passando as mãos no canto dos lábios, enquanto ouvia a risada idiota dele. Revirei os olhos, olhando ao redor ainda sonolenta. Pelas portas de vidro da varanda eu pude ver que o sol ainda estava no céu, porém escondido entre as nuvens. Devia ser por volta de 15:30 da tarde.

— Nossa, eu dormi bastante. – murmurei. – Por que não me acordou antes?

— Eu acordei há alguns minutos também. – ele disse. – Pode descansar mais, se quiser.

— Não. – gemi, me jogando na cama novamente. – Desse jeito vamos perder o dia inteiro na cama.

— Não seria uma má ideia, também. – ele sorriu sugestivo.

   Senti meu rosto pegar fogo e ele riu alto, enquanto eu me escondia debaixo das cobertas. Daniel sabia mesmo como deixar uma garota sem graça. Dei um soquinho em seu braço e ele segurou meus pulsos, colocando-se um pouco sobre mim. Nossos rostos estavam próximos e ele ainda sorria irritantemente.

— O que você quer fazer? – ele perguntou.

— Vamos olhar a cidade. – falei, sem saber se olhava em seus olhos ou para os seus lábios. – E depois podemos comer alguma coisa.

— Ok. – ele me beijou rapidamente. – Então vá se arrumar, antes que eu te prenda aqui.

   Levantei da cama num átimo, enquanto ele sorria divertido para mim. Peguei minha bolsa de roupas e fui para o banheiro.

   Eu sentia que essa viagem valeria cada segundo.



Notas finais do capítulo

AI ESSA VIAGEM!!!!!!!!!!
Que que vocês acham que vai acontecer? É bem óbvio, hahahaha. AGORA SIM a fic está em reta final, amores. Faltam poucos capítulos para acabar. ♥
Me digam o que estão achando, porfavô. Percebi que a quantidade de comentários caiu um pouco :( vocês acham que a história está chata ou algo do tipo? Me digam tudinho, assim posso melhorar.
Logo trarei o próximo capítulo! ♥
Bjbjbjbbjjbj



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