Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 26
26. Decisões


Notas iniciais do capítulo

Meus amores ♥
O capítulo demorou um pouquinho pra sair porque as coisas andam meio corridas por aqui, e estou com uns projetinhos novos (além dessa minha preciosidade chamada Collide, hahaha). Mas aos pouquinhos tudo se ajeita, hahaha.
Espero que gostem!




CAPÍTULO 26

 

Despedidas continuam me arrastando para baixo.

E eu estou lutando com a gravidade.

EDEN- Gravity

 

   Os dias passavam rápidos e tranquilos.

   Minha mãe vinha me deixando mais animada estando em casa. Eu realmente sentia falta da presença dela. Todos os dias ela ia buscar eu e Eve no colégio, como fazia quando éramos pequenas. Acabei saindo menos com Daniel após as aulas, mas ele entendeu, já que minha mãe ficaria apenas uma semana e meia em casa. Porém, as aulas particulares continuavam. Minha mãe cismava de ir me buscar quando elas acabavam, e assim conheceu Tanya e Antony. Era engraçado ver todos se conhecendo e conversando animadamente.

— Gostei bastante deles. – minha mãe disse já no caminho de casa. – São ótimas pessoas.

— Aham. – murmurei, encostando minha cabeça no encosto do banco do carro.

   Ela me olhou quando parou o carro no semáforo vermelho.

— Você está bem, querida? – ela perguntou. – Está muito quieta.

— Só estou cansada. – suspirei. – Está quase na época do SAT.

— Você já decidiu o que vai cursar? E aonde? – ela perguntou, colocando o carro em movimento quando o sinal ficou verde.

— Ainda não. – murmurei. – Eu estou bem confusa.

— Você sempre está. – ela sorriu. – Sabe que te apoiarei em qualquer que for sua decisão, não sabe?

   Sorri levemente, assentindo. Ela esticou uma mão para segurar a minha, levando-a a seus lábios e beijando-a suavemente.

   Pensei em mandar uma mensagem para Daniel quando chegasse em casa. Fazia um tempo que não saíamos, apenas nos víamos nas aulas particulares. Como minha mãe marcou de sair com Vanessa amanhã a noite, para ter uma noite de mulheres, eu podia chamá-lo para ir lá em casa ver um filme ou algo do tipo.

    Quando chegamos em casa, minha mãe foi para a sala assistir TV e eu tomei um banho quente, tentando aliviar a mente. Nesses últimos dias, tudo o que era dito no colégio era sobre o SAT e as universidades. Todos já estavam decididos sobre o que fariam, para onde queriam ir... E eu ainda nem havia escolhido o professor para fazer minha carta de recomendação. A única certeza era sobre o curso que eu queria, mas de resto...

   Coloquei meu pijama e sentei na cama, com o notebook no colo. Abri a página inicial do Google, no mesmo momento em que meu celular vibrou sobre o colchão. Eve havia mandado uma mensagem.

   “Já fez a pesquisa?”— ela perguntou.

   Suspirei, digitando uma resposta rapidamente.

   “Vou começar agora.”

   Eve apenas visualizou minha mensagem e não respondeu nada, sinal de que me deixaria fazer o que eu pretendia. Suspirei, deixando o celular de lado e pesquisando pelas universidades que havia na Califórnia.

   Pensei muito em pra onde poderia ir, e até pensei em tentar a NYU. Mas NYU me lembrou Nova York, que me lembrou de Louise, que me lembrou que eu não quero correr o risco de dar de cara com ela lá. Lembro vagamente dela dizendo em uma das nossas conversas – quando ela ainda saía conosco – que pretendia voltar para Nova York para estudar na NYU, pois o coração dela estava lá ou algo assim. E eu gostava do meu estado; gostava do clima da Califórnia, das paisagens, das pessoas daqui. São Francisco é o meu lar, e apesar do meu sonho ser viajar o mundo eu quero permanecer por aqui por mais um tempo.

   Vaguei pelos diversos resultados que apareceram para mim, procurando por uma boa opção. Acabei deixando três abas abertas: uma no site da Universidade de Stanford, outra no da Universidade de Santa Clara e outra na UCLA. Mordi o lábio inferior, indecisa. Passei as mãos no rosto e suspirei.

   Bem, eu tentaria para todas elas. Seja o que Deus quiser. E o que minha sorte permitir.

(...)

— Você seria aceita em qualquer universidade, Ally. – Eve falou, com a boca cheia de bolinho. – Qual é, seu currículo é ótimo. Você é a queridinha do jornal e não podemos esquecer o serviço voluntário que você fez no ano passado.

— Não exagera. – resmunguei, cutucando meu sanduíche com um garfo de plástico. – Eu até fiz coisas legais durante esses anos de high school, mas não sou uma aluna exemplar no quesito notas. Isso também conta muito.

— O que estraga é matemática, física e química. – ela revirou os olhos. – No restante você é ótima.

— Olha quem fala, a aluna nota A. – joguei um biscoitinho nela, que sorriu convencida. – Me ensina a ser como você, Eve.

— Desleixada e sortuda? – ela riu. – É fácil. É só sentar perto dos mais inteligentes.

   Revirei os olhos com a sua modéstia. Eve era do jeito que era, mas naquela cabeça os problemas mais complicados eram resolvidos com uma facilidade incrível. Ela sempre teve muita facilidade para aprender, talvez seja graças aos chás “fortificadores de memória” que Vanessa vivia dando para nós duas quando éramos pequenas. Para Eve, aparentemente, funcionou. Para mim não, e com certeza era porque eu jogava tudo no vaso de plantas quando Vanessa virava as costas.

   Eu não devia ter jogado os chás de Vanessa nas plantas.

— Você pretende mesmo ir para Yale? – perguntei, apoiando meu queixo em uma mão.

   Eve balançou a cabeça, franzindo o nariz.

— Não, eu desisti disso. – ela disse.

— Por quê? – fiquei surpresa. – Eve, é uma chance incrível, por que vai desistir assim?

— Eu tenho cara de estudante de Yale? – ela revirou os olhos. – Qual é.

— Querida, eu não sei você, mas qualquer um viraria um “estudante de Yale” em instantes se conseguisse entrar lá. – arqueei as sobrancelhas para ela, totalmente confusa. – Qual é o seu receio?

— Nenhum, juro. – ela sorriu. – Eu apenas não me vejo lá. Eu gosto da Califórnia, não quero ir para longe. Quero continuar próxima à minha mãe, quero levar uma vida tranqüila por aqui. Alugar um apartamento ou coisa assim, como eu e você sempre planejávamos quando éramos pequenas, lembra? Fazíamos muitos planos juntas.

   Sorri levemente, lembrando de quando éramos pequenas, em nossos quartos. Sempre íamos para a casa uma da outra e quando nossas mães nos mandavam ir dormir, ficávamos quietinhas a noite inteira para elas não descobrirem que ainda estávamos acordadas, olhando para o teto cheio de estrelinhas coladas que brilhavam no escuro e imaginando como seria nossa vida quando fôssemos adultas.

— Maiores e bem vestidas. – falei nostálgica. – Era o que dizíamos que íamos ser.

— Bem vestidas já somos. – Eve sorriu, balançando as sobrancelhas e me fazendo rir. – Mas você parou no tempo no quesito altura, então...

   Ameacei jogar mais biscoitos nela e ela riu, colocando as mãos na frente do rosto como escudo.

— Quando foi que paramos de fazer planos como esses? – perguntei levemente chateada com nós duas. – Não seria uma má idéia morarmos realmente juntas, não acha?

— Eu vou para qualquer lugar com você. – ela deu de ombros, pegando alguns dos meus biscoitos. – Contanto que não seja para fora da Califórnia.

   Eu não pude evitar rir de nós duas. Todos naquele pátio estavam conversando animadamente sobre grandes universidades, intercâmbios na Europa e coisas do tipo. E nós duas aqui, sem querer sair da Califórnia. Eu e Eve temos espírito livre, mas sinceramente, eu tenho vontade de continuar os estudos aqui mesmo e ir mais longe depois. Não vejo mal algum nisso.

   Seu olhar caiu sobre mim segundos depois e sorrimos cúmplices uma para a outra. O futuro estava cada vez mais próximo.

(...)

   Daniel estava deitado ao meu lado, ambos em sua cama. Alguns livros e cadernos estavam espalhados debaixo de nossos pés. Resolvemos interromper os estudos para uma sessão de “nada”, que consistia em deitarmos para olhar fixamente para o teto, em silêncio, com nossos pensamentos. E vez ou outra a mão boba de Daniel passeava sobre a minha barriga e coxas, também.

— O ano letivo já está quase acabando. – ele murmurou de repente. – Passou rápido.

— Sim. Quando nos conhecemos ainda era novembro. – suspirei. – Aliás, o que houve com Yui e Jane? Eu nunca mais as vi.

— Elas aparecem às vezes nos jogos, com Mia, mas andam meio ocupadas com não sei o quê. Acho que Yui vai embora quando as aulas acabarem.

— Embora para onde? – perguntei curiosa. – Sempre imaginei que ela e Jane continuariam com Mia até a faculdade.

— Não, não vão. Acho que Yui vai voltar pro Japão e Jane está se matando de estudar para passar para Yale ou Harvard.

— Cada um seguindo o seu caminho. – murmurei distraída, olhando para o teto.

— E você? – ele perguntou, deitando de lado e olhando para mim. – Para onde quer ir?

— Eu não sei. – suspirei. – Mas pretendo continuar na Califórnia.

— Por quê? Pensei que quisesse conhecer o mundo.

— Não agora. – dei de ombros. – Quero continuar aqui por mais um tempo.

   Daniel assentiu fracamente e foi minha vez de olhá-lo.

— E você? – perguntei. – Para onde quer ir?

   A expressão de Daniel pareceu preocupada de repente. E isso me preocupou. Ele suspirou, levando uma das mãos aos cabelos escuros e bagunçados, puxando-os levemente.

— Talvez... – ele murmurou incerto. – Talvez eu volte para Nova York.

    Oh.

   Senti meu coração acelerar dentro do peito, ao mesmo tempo em que sentia um peso sobre ele. Daniel iria embora. Engoli em seco, tentando me convencer de que isso já era esperado, afinal. Ele não tinha motivos para continuar aqui.

— Minha mãe sempre insistiu para que eu fizesse faculdade por lá. – ele continuou. – Mas ainda não é certo. Eu pretendo ir até lá quando as aulas acabarem para visitar as universidades.

— Entendi. – falei num fio de voz, tossindo levemente em seguida para a voz voltar ao normal. Eu sentia um bolo na garganta, uma vontade irritante de chorar. Isso era totalmente sem sentido. – Nova York é bom.

   Ele olhou para mim e eu retribuí o olhar. Seus olhos percorreram para centímetro do meu rosto, como se me analisasse. Eu esperava que ele não percebesse o que eu realmente sentia naquele momento.

— É. – ele disse. – Eu acho que sim.

   E como se fosse uma preparação para o que viria daqui a poucas semanas, ele me deixou. Saiu da cama e foi até sua escrivaninha, procurando por algo nas gavetas. Abracei a mim mesma lentamente, com o olhar fixo no teto branco, enquanto suspirava e tentava convencer a mim mesma de que aquela informação não mudaria nada. Que uma separação era totalmente esperada e normal, e que viveríamos nossas vidas separadas sem problema algum.

   Nada mudaria. Não faria diferença.

   E eu sou uma mentirosa.

(...)

   Eve jogou sua mochila ao meu lado tão de repente que eu sobressaltei onde estava, olhando para cima assustada. Ela riu da minha cara enquanto eu revirava os olhos. Voltei a folhear as folhas sobre as universidades que eu andava pesquisando que estavam em meu colo enquanto Eve e Jack sentavam ao meu lado na grama, debaixo da árvore do pátio, um de cada lado.

— Adivinha quem vai a uma festa com a gente? – Eve sorriu abertamente, apontando para mim com os dois dedos indicadores. – Parabéns!

— Não. – falei.

   Eve revirou os olhos e Jack me cutucou com o cotovelo.

— Qual é, Ally, vamos! – ele pediu. – Vai ser legal. Uns amigos meus estão organizando uma festa nas colinas de Carmel.

— O que?! – eu ri, olhando para Jack como se ele fosse louco, e realmente parecia. – Enlouqueceram? Carmel é a duas horas daqui.

— Vai ser no sábado. – ele deu de ombros. – Se ficar muito tarde podemos dormir por lá mesmo. O que acha?

— Acho que vocês estão loucos. – voltei a olhar as folhas em meu colo. – Não vou nem se vocês me pagarem cem dinheirinhos.

— Eu pago! – Eve sorriu abertamente. – Quero dizer, eu pago vinte. O restante fica por conta do Jack.

   Ele abriu a boca para retrucar, mas se limitou a sorrir ironicamente para ela. Sorri pros dois e balancei a cabeça negativamente. Eu não iria ficar duas horas enfiada em um carro para ir até as COLINAS de Carmel, só para chegar lá e ficar em pé numa festa cheia de adolescentes embriagados e morrendo afogados em uma piscina. Não mesmo.

(...)

   Na sexta-feira, minha mãe já tinha suas malas prontas.

   Eu a abracei apertadamente no aeroporto, desejando que aquilo perdurasse. Ela sorriu carinhosamente para mim e beijou minha testa.

— Tenha juízo. – pediu. – E não deixa aquele menino bonito escapar.

— Mãe... – resmunguei, revirando os olhos. – Se cuida, por favor.

   Ela me abraçou novamente enquanto seu vôo era anunciado. Eu a ajudei com uma mala até o portão de embarque e mantive o sorriso forçado no rosto até ela desaparecer da minha vista. Bastou isso para eu enfiar as mãos nos bolsos do casaco de moletom e suspirar, olhando para o teto. O vazio sempre batia forte nessas horas.

   Voltei para o carro a passos lentos. Assim que entrei no veículo e joguei a bolsa no banco e passageiro, ouvi meu celular tocar. Revirei a bolsa à procura dele e vi que se tratava de uma mensagem de Daniel.

   “Não vai dar para eu sair hoje. Podemos marcar outro dia?”

   “Podemos, sim. Aconteceu alguma coisa? Tá tudo bem?”

   “Sim. Só um imprevisto de última hora. Depois conversamos.”

   Arqueei uma sobrancelha, estranhando aquilo. Havíamos marcado de nos encontrarmos assim que ele saísse do colégio. Como eu tinha que trazer minha mãe ao aeroporto, eu havia saído mais cedo e o encontraria quando saísse de lá também. O que aconteceu para ele desmarcar tão em cima da hora? Aquela sensação esquisita novamente, de que tinha algo errado. Na primeira e ultima vez que senti isso em relação ao Daniel, era por causa de Louise, no final. Fechei os olhos e suspirei, tentando não pensar nisso.

   Porque se mesmo após o que ela fez, ele voltar a vê-la... Bem, teremos um problema. Ou eu terei um problema, considerando que eu sou uma tapada que não sabe reconhecer os próprios sentimentos e sente um ciúme inexplicável dele, mesmo que ele não seja de fato o meu namorado. O dia de hoje parece ficar cada vez melhor.

   Joguei o celular na bolsa novamente e fui para a casa de Eve. Já que meu namorado-de-mentira-mas-amigo-com-benefícios não estaria disponível, eu iria perturbar minha melhor amiga e seu namorado. Assim que cheguei lá, encontrei os dois sentadinhos no sofá com um balde de pipoca no colo e um monte de chocolates e outras porcarias na mesa de centro da sala.

— Então é isso que vocês fazem quando eu não estou por perto! – falei alto, assustando os dois e ouvindo Vanessa rindo atrás de mim, a caminho da cozinha. – É muito cruel da parte de vocês não me chamar para as noites de sexta, sabiam?

— Nós sempre chamamos, idiota. – Eve jogou uma pipoca em mim, enquanto eu me sentava na poltrona do lado do sofá. – Mas você está sempre com o seu amorzinho.

   Revirei os olhos, esticando uma mão até uma das barras de chocolate e encolhendo as pernas na poltrona.

— Bem, hoje o meu amorzinho preferiu fazer qualquer outra coisa e desmarcou comigo. – dei de ombros. – Espero que não tenha sido praga sua.

   Estranhei o silêncio que se fez e levantei o olhar para eles dois, curiosa, enquanto colocava um pedaço do chocolate na boca.

   Eve e Jack se olhavam estranhamente e, quando perceberam meu olhar, disfarçaram. Jack encheu a boca de pipoca e eu arqueei uma sobrancelha para eles. Eve bufou, parecendo irritada repentinamente.

— Olha, eu vou contar porque você é minha irmã e eu não te escondo as coisas. – ela começou e um arrepio percorreu minha espinha.

— O que houve?

   Eve suspirou, mordendo o lábio inferior antes de jogar a bomba.

— Louise esteve no colégio hoje, no fim das aulas. – ela começou, e eu já queria que não terminasse. – E Daniel saiu com ela.



Notas finais do capítulo

AI DANIEL, NÃO ACABA COM O AMOR, NÃO!!!!!!! HAHAHAHAHA.
Haja paciência com ele, né não? Ou com a Louise, que é a praga do shipper.
O que acharam do capítulo? Ficou mais curtinho, mas prometo que os próximos voltarão a ser maiores! Como eu disse, a fic está quase em reta final, então fiquem de olho!
Logo eu também direi pra vocês qual é a "surpresa" que estou preparando, hahaha. Doida pra contar logo ♥
Logo trarei o próximo!
Bjbjbjbbjbjbjbjbj



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