Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 23
23. O outro lado de Benjamin


Notas iniciais do capítulo

Quem aí é #TeamBenjamin ou, pelo o menos, adora ele? HEHEHEHEHEHEHE.
Agradecimento especial à Nora Lullaby, que recomendou a fic! Muito obrigada ♥ esse capítulo é dedicado a você! (apesar de você não gostar do Ben, DESCULPA T-T), HAHAHAHAH
Espero que gostem! ♥




CAPÍTULO 23

Felicidade é um pouco mais parecida com bater na sua porta
e você simplesmente deixá-la entrar.
The Fray - Hapiness

Ela, definitivamente, queria me irritar.
   Foi a primeira coisa na qual pensei quando cheguei ao estacionamento naquela tarde, debaixo de diversas nuvens que chuva que haviam aparecido repentinamente. Louise já estava encostada no capô do carro de Daniel, toda sorrisos e cabelos brilhantes. Daniel tinha as mãos dentro dos bolsos do casaco de moletom e conversava com ela com uma expressão exausta no rosto. Eu sabia que ele estava cansado por causa dos treinos e eu também estava cansada, já que havia virado a última noite escrevendo um artigo para o jornal da escola.
   Tudo bem que ela reencontrou o velho amigo e provavelmente eles sentiram falta um do outro, mas ela não se toca do quanto está sendo inconveniente?
   Eu arrastei os pés até eles, tentando retardar aquele momento, mas ela logo me viu e sorriu toda animadinha.
— Ally! – ela exclamou. – Aonde vamos hoje?
   “Em porra de lugar algum”, senti vontade de responder, mas me controlei.
— Eu não vou hoje. – falei, sorrindo fracamente. – Estou muito cansada.
— Ah, imaginei. – ela riu. – Eu não disse, Danny? Vamos apenas nós dois mesmo!
— Err... – ele enrolou, jogando o peso do corpo para outro pé e olhando de mim para ela. – Eu também não vou, Lou. Tive treino ontem e hoje, estou exausto.
   Dessa vez ela ficou chateada. O olhou como uma criança que teve um pedido negado. Daniel pareceu ficar sem graça e eu não entendia o motivo de ele sentir tanto receio em negar as vontades dela. Qual é, qual foi a última vez que saímos apenas nós dois? Ela já tem amigos, que ficam mandando mensagens para ela o tempo inteiro! Por que ela não faz algo diferente, ao invés de nos cercar todo momento?
— Ah, Danny, você me prometeu que iria me mostrar a cidade! – ela insistiu. – Só porque a Ally não quer ir também?
— Não é isso, eu realmente estou cansado, Louise. – ele disse. – Por que não sai com seus amigos hoje?
— Porque quero sair com você. – ela cruzou os braços.
   Daniel suspirou, cansado, e eu senti vontade de agir como Eve e sacudi-lo para ele tomar uma atitude. Ele não era obrigado a sair com ela porque ela quer.
   Ele me olhou como se me pedisse ajuda.
— Daniel, vem cá, preciso falar uma coisa com você. – pedi calmamente. – Pode esperar, Louise?
   Ela olhou para nós dois e assentiu, a contragosto. Senti o olhar dela sobre nós dois enquanto nos afastávamos um pouco, para que ela não nos ouvisse.
— Vai fazer todas as vontades dela? – perguntei baixinho.
— Como assim? – ele me olhou confuso. – Eu estou tentando fazê-la desistir, não estou?
— Agora. – falei. – E porque está cansado, apenas. Senão lá estaria você a levando de um canto para o outro, como se ela fosse uma criança.
— Olha, eu também estou cansado, ok? – ele suspirou. – Eu adoro Louise, ela é minha amiga, mas já faz duas semanas que...
— Que ela não larga do nosso pé. – resmunguei. – Tudo tem limite. Eu já engordei uns cinco quilos nesses últimos dias.
— E o que isso tem a ver? – ele me olhou como se eu fosse louca.
— Todos os dias comendo sorvete, hambúrguer, crepe, panqueca, hot dog e milkshake. Você acha que o meu corpo agüenta? – arqueei uma sobrancelha e ele riu.
— Agora a culpa de você engordar é culpa da Louise, é?
— É. – cruzei os braços.
— Eu vou dar um jeito. – ele disse, e nós dois olhamos para Louise, que tinha um bico de insatisfação nos lábios e olhava as próprias unhas, balançando o pé ansiosamente. – Mas acho que vai ser difícil. Ela é bem insistente quando quer.
— Então vai, Daniel. – bufei. – Vá, leve a pobrezinha para passear. O problema é seu.
— Vai ficar irritada comigo? – ele perguntou chateado. – Eu só não gosto de me estressar e isso sempre acontece quando ela é contrariada.
— Já estou irritada. – resmunguei. – Mas você sabe o que faz com a sua vida, eu não tenho nada com isso.
   Daniel me segurou pelos pulsos e aproximou seu corpo do meu. Olhei para cima, em seus olhos, ainda emburrada. Ele sorriu levemente e me beijou. Senti cada parte do meu corpo relaxar instantaneamente.
— Vamos ou não?! – Louise gritou, estourando totalmente a nossa bolha.
   Daniel respirou fundo e me olhou profundamente. Eu sabia que ele queria que eu fosse junto, mas eu me recusava. Balancei a cabeça em negativa e ele assentiu, contrariado. Deu um beijo em minha testa e voltou-se para o carro, onde Louise esperava-o ansiosa. Ela sorriu satisfeita ao vê-lo e sentou no banco de passageiro do carro, acenando para mim. Acenei fracamente para ela, com um sorriso forçado no rosto e suspirei ao ver o veículo saindo do estacionamento. Vi um relâmpago no céu e olhei para cima, temerosa. Eu odeio raios e trovões, morro de medo do barulho. Abracei a mim mesma e caminhei até meu carro, ansiosa para ir embora. Havia poucos carros no estacionamento, a maioria dos alunos já haviam ido embora.
   Apenas alguns meninos do time estavam próximos ao carro de Benjamin, já que eles estacionavam próximos uns aos outros. Entrei em meu carro e joguei minha bolsa no banco de passageiro. Mas assim que tentei ligar o carro... Nada.
   Rodei a chave novamente, já pedindo aos céus para que o carro ligasse. Ele fez menção de ligar, mas engasgou e morreu novamente. Tentei outra vez. E outra, e outra, e outra...
    Nada.
   Isso deve ser praga, não é possível. O carro estava totalmente morto. Tentei mais algumas vezes, mas comecei a sentir cheiro de combustível queimado. Larguei a chave dentro da bolsa rapidamente e peguei meu celular. Tentei ligar para Daniel duas vezes, mas caiu na Caixa Postal. Bufei, irritada. Saí do carro enquanto tentava encontrar o telefone de algum carro de reboque próximo, quando ouvi meu nome ser chamado. Olhei para trás rapidamente, vendo Benjamin saindo do meio dos meninos e vindo até mim.
— Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou, me olhando preocupadamente.
— Sim. – suspirei. – Meu carro morreu, eu não sei o que houve. Comecei a sentir um cheiro de combustível queimado... Mas não sei o que pode ser.
   Benjamin largou sua mochila ao lado da roda da frente e se posicionou na frente do meu carro, levantando o capô dele. Guardei meu celular no bolso e cruzei os braços, ansiosa e preocupada. Benjamin analisava toda a frente do carro e eu estiquei o pescoço para dar uma olhada também, mas não entendia bulhufas do que havia ali. Só sabia onde colocava água.
— A parte elétrica parece estar danificada. – ele disse, minutos depois. – E o cheiro de combustível queimado pode ser algo relacionado ao escapamento. Você não pode sair com ele daqui de jeito nenhum, tem que chamar o reboque.
   Suspirei, assentindo fracamente. Benjamin ficou me olhando por alguns segundos, sério, até que tirou seu celular do bolso.
— Eu tenho um amigo que cuida disso tudo, posso falar com ele e conseguir um desconto pra você. – ele disse, sorrindo para mim de forma tranqüilizante. – Tenho o telefone de um reboque também.
— Obrigada, Benjamin. – falei, agradecida. – Mas não se preocupe, eu posso cuidar disso...
   Ele levantou um dedo no ar, para eu ficar quieta, já com o celular no ouvido. Não demorou para alguém no outro lado da linha atender a chamada. Ele andou alguns passos para longe de mim enquanto falava ao celular e eu encostei minha cintura no capô do carro. Quase caindo raios na minha cabeça e isso acontece. Excelente.
   Cinco minutos depois Benjamin estava de volta.
— O reboque está a caminho e meu amigo nos espera na mecânica. – ele avisou. – Eu te dou uma carona.
— Você já fez muito, Benjamin, está tudo...
   Ele me interrompeu, sorrindo abertamente e arqueando uma sobrancelha.
— Você gosta tanto assim de negar ajuda? – ele perguntou. Sorri levemente, balançando a cabeça. – Está tudo bem, sério. Não vai me atrapalhar em nada. Quero poder te ajudar.
   Suas palavras me fizeram sentir reconfortada. Sorri em agradecimento e ele retribuiu. Os meninos do time se aproximaram para saber o que estava acontecendo e Benjamin explicou. Como ficaríamos ali esperando o reboque e ele me daria uma carona, então os garotos decidiram ir embora. Eu me despedi deles e logo era apenas eu e Benjamin no estacionamento do colégio, debaixo de nuvens cinzas e pesadas.
— A chuva será forte hoje. – ele disse, olhando para o céu com as mãos nos bolsos da calça jeans.
   A blusa azul quadriculada marcava seus braços fortes, ficando um pouco apertada na área dos bíceps. Não pude deixar de perceber os fios dourados do seu braço, aparentes graças às mangas da blusa dobradas até o cotovelo. Sua barba já estava por fazer há alguns dias, ao que parecia. Ele era realmente bonito. Muito bonito.
   Era engraçado olhar Benjamin desse ângulo – casualmente tão próximo de mim, em todos os sentidos. Olhando para o céu cinzento e conversando banalidades, com aquele sorriso espontâneo no rosto. Eu já havia imaginado muitas coisas fantasiosas com a minha mente apaixonada, mas nunca havia imaginado algo como isso. Algo real.
   O reboque chegou logo. Benjamin passou o endereço da mecânica para o homem e logo estávamos indo para seu carro. O interior do automóvel cheirava a Benjamin, era seu perfume puro. Algo cítrico, mas suave e masculino. Controlei a vontade de ficar cheirando o ar como um coelho e ri de mim mesma.
   Você é tão idiota, Allison Jones.
— O que gosta de ouvir? – ele perguntou de repente, enquanto saíamos do estacionamento e ele ligava o rádio. – Tenho The Fray, Lifehouse...
— Por favor. – pedi, sorrindo abertamente e fazendo-o sorrir também. – São os meus preferidos da vida.
— Imaginei. – ele disse, pulando algumas pastas do pen drive e, por fim, deixando uma começar a tocar. – Você tem cara de quem gosta de The Fray.
   Fomos todo o caminho ouvindo Over My Head e Hapiness. Eu me sentia mais tranqüila perto dele, isso era engraçado. Mas o frio na barriga ainda estava presente e toda aquela confusão por não saber ao certo como agir. Benjamin tinha o poder de me deixar desnorteada apenas com a sua presença.
   A oficina mecânica de seu amigo – que agora descobri que se chamava Jonas – ficava próxima à casa de Benjamin e Daniel. O rapaz era um pouco mais velho do que nós e nos recebeu muito bem. Olhou meu carro com bastante atenção e logo constatou que realmente era o que Benjamin havia dito antes: a parte elétrica do carro estava queimada e o calor do escapamento havia queimado a fiação da bomba de combustível. Ou seja: se eu andasse um pouco mais com o carro naquelas condições, ele podia explodir comigo dentro.
   Realmente fazia muito tempo que meu carro não era avaliado. Boa, Ally.
Ele fez o orçamento e me disse quanto ficaria o conserto. Ainda me deu um desconto porque disse que eu era muito bonita e eu agradeci, totalmente envergonhada. Benjamin revirou os olhos e deu dois tapinhas no ombro de Jonas, mandando-o calar a boca.
   A previsão era de que o carro ficaria pronto daqui a 1 semana. Suspirei resignada, mas concordei. Não tinha outro jeito.
— Eu vou te levar para casa. – Benjamin disse enquanto caminhávamos de volta para seu carro. – Senão a chuva te pega no meio do caminho.
— Morrer com o carro explodindo ou sendo atingida por um raio. – assenti, enquanto entrava no carro. – Parecem ótimas opções.
— Hoje não é o seu dia. – Benjamin riu, ligando o veículo.
— Não mesmo. – suspirei, passando as mãos no rosto. – Parece que tudo resolveu me passar a perna hoje. – murmurei.
— Quer ir a algum lugar? – ele perguntou de repente.
   Oi?
— Como assim?
— Não sei, podemos sair. – ele deu de ombros. – Você precisa relaxar e eu também. Eu conheço um lugar legal perto da praia, podemos ir até lá para comer ou beber algo. O que acha?
   Benjamin está mesmo querendo sair e passar um tempo comigo? É isso que está acontecendo? Para não parecer mais esquisita do que já sou – com meu olhar arregalado e surpreso sobre ele, e coisa e tal – eu assenti, confusa. Ele sorriu e se pôs a dirigir em direção a praia. The Fray continuou tocando e eu me resumi a ficar olhando pela janela, tentando colocar as emoções em ordem.
   O lugar para o qual Benjamin me levou era bem aconchegante. Serviam de tudo lá, mas eu optei por beber um milkshake, porque não agüentava mais hambúrguer. Ele escolheu o mesmo que eu e resolvemos ir até a areia da praia. A Golden Gate estava bem próxima, mas quase obsoleta devido ao tempo nublado. A névoa típica de São Francisco já estava começando a cobrir a Baía e sabíamos que não demoraria até a chuva cair.
— Qual é o seu animal preferido? – Benjamin perguntou de repente, me olhando de canto com um leve sorriso nos lábios e bebendo um gole de sua bebida.
— Gatos. – sorri. – Apesar de não ter um. E o seu?
— Leões.
   Revirei os olhos e ele riu. Que atípico! O líder dos Lions ter um leão como animal preferido...
— Mentira. – ele disse. – Na verdade, eu gosto muito de cangurus.
— Nossa, essa é uma escolha diferente. Por quê?
— Porque são totalmente distintos de qualquer outro animal. – ele sorriu. – São totalmente diferentes e eu acho isso incrível. Qual é a sua cor preferida?
   Isso estava me lembrando muito o começo da minha amizade com Daniel. Quando fomos ao Píer 39 pela primeira vez e ele começou o jogo de perguntas... E então descobriu por quem eu era apaixonada.
— Azul. – respondi. – E a sua?
— Vermelho.
   Apesar do tempo frio e da areia levemente úmida, decidimos sentar na mesma, próximos à água. Eu me encolhi dentro do meu casaco. Tive sorte por ter vestido calça jeans hoje, caso contrário já teria virado uma pedra de gelo.
— Como estão as coisas com Daniel? – Benjamin perguntou.
— Estão... Bem. – falei incerta. – Alguns problemas, mas está tudo bem.
— O problema se chama Louise? – Benjamin me cutucou levemente com o cotovelo, sorrindo torto para mim e eu ri um pouco. – Ela não sai de perto, não é?
— Pois é. – murmurei. – Ela é legal, eles são amigos, mas...
— Ela é inconveniente. – ele disse bem direto. Abri a boca para defender, mas ele me impediu. – Não, não a defenda. Você também pensa assim.
   Suspirei, dando de ombros. Era verdade.
— Você parece bem incomodada com ela, eu tenho percebido isso. – ele disse pensativo. – Eu acho que você não devia guardar as coisas para você. Nem todo mundo merece a sua bondade, Ally. Não faz mal dizer o que pensa.
— Eu sei, é só que... – coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha, o vento estava ficando mais forte. – Eu não gosto de fazer os outros se sentirem mal, entende? Se o que eu acho irá chatear alguém, então eu prefiro guardar para mim.
— E prefere ficar chateada sozinha? – ele arqueou uma sobrancelha. – Não seja tão boba.
— Todo mundo diz isso.
— Então deve ser verdade.
— O que? – eu ri. – Que eu sou idiota?
— Não. – ele balançou a cabeça. - Que você é boa demais pra tudo isso.
   Engoli em seco. Benjamin me olhava nos olhos, sentado bem próximo a mim. Seus olhos eram de um tom de verde diferente dos de Daniel. Os olhos de Dan eram de um verde vivo e os de Benjamin eram puxados para o mel. Eu nunca tinha percebido isso.
Desviei o olhar rapidamente, sentindo meu rosto esquentar. Ouvi Benjamin rir fracamente ao meu lado.
— É só que... – ele começou. – Daniel é meio idiota, às vezes. Ele também não gosta de chatear as pessoas e tem um complexo de herói. Ele já me contou os problemas dessa garota e com certeza vai ficar ao lado dela, independente do quão irritante ela for. Então fique alerta, Ally. Se impõe também, porque você é a namorada dele, e não ela.
— Obrigada. – murmurei.
   Benjamin sorriu e afagou minha cabeça, beijando minha bochecha rapidamente e logo ficando de pé.
— É melhor irmos agora, logo vai...
   Antes mesmo que ele pudesse terminar sua fala, ela veio. Como um balde d’água sendo jogado sobre nós dois. Gritei, ficando de pé num pulo, e Benjamin riu do meu desespero. A chuva caía violentamente e Benjamin segurou minha mão para que eu conseguisse correr mais rápido na areia. Quando chegamos ao carro, já estávamos ensopados. Entramos no veículo desesperados para fugir da chuva e rimos alto ao nos vermos sãos e salvos.
— Tomara que você não pegue um resfriado. – ele disse, esticando um braço para o banco de trás e pegando duas toalhas dentro da bolsa que ele usava para guardar as coisas dos treinos. – Senão eu vou me sentir muito culpado.
    Peguei uma toalha de sua mão e ele ficou com outra. Tentamos nos enxugar o máximo que dava. Passei a toalha nos cabelos, que pingavam água, e eles ficaram estranhamente bagunçados e sexys. Ri do meu pensamento, enquanto me olhava em um espelho do carro e via minha blusa toda ensopada e levemente transparente. Tentei absorver a água da roupa com a toalha, mas não surtiu muito efeito.
— Vou molhar seu carro todo. – lamuriei, chateada. – Desculpe.
— Ele já está acostumado com isso. – Benjamin riu, passando sua toalha no rosto e pescoço. – Ele sofre nas minhas mãos, o coitado.
   Deixamos as toalhas no banco de trás novamente e Benjamin começou a dirigir para a minha casa. Eu já tremia de frio, mesmo com o aquecedor do carro ligado. Estava louca para chegar em casa e tomar uma ducha de água quentinha.
— Aliás, o que pretende fazer no ano que vem? O exame final está chegando... Já pensou para qual universidade quer ir?
— Ainda não. – suspirei. – Para ser sincera, eu já tinha esquecido isso.
— É bom se preparar. Eu ainda estou em dúvida também. – ele sorriu. – Vai cursar jornalismo?
— Não. – mordi o lábio inferior. – Quero cursar Literatura.
— Jura? – ele arqueou as sobrancelhas, surpreso. – Como você faz parte do jornal escolar, imaginei que iria seguir esse ramo.
— É mais para divertimento. – dei de ombros. – Eu quero mesmo é trabalhar no mercado editorial.
   Benjamin sorriu, parecendo gostar do que ouvia.
— Combina com você. – ele disse por fim.
   Não demorou a chegarmos ao meu prédio. Benjamin estacionou na calçada, atrás de um carro que eu não enxergava bem devido ao vidro molhado e embaçado. A chuva já estava um pouco mais fraca, mas ainda caía com vontade. Peguei minha bolsa e posicionei a alça dela no meu ombro. Benjamin se aproximou, me abraçando. Retribuí o abraço, meio desconcertada, e logo saí do carro. Mas quando virei para correr até a entrada do prédio...
   Lá estava Daniel. Saindo de seu carro - que estava estacionado na frente do carro de Benjamin - debaixo da chuva. Ele olhou de mim para o carro do seu primo e eu senti um frio passar pela minha espinha.
   Porque Daniel não parecia nem um pouco feliz.



Notas finais do capítulo

LÁ VEM O ESTRESSADINHO, HAHAHAHA.
Alguém mudou de opinião em relação ao Benjamin? c:
Quase todo mundo odeia ele, mas a raiva pela Louise é maior, né? Hahahahaha.
Mandem comentários, me digam o que acharam ♥
Logo trago o próximo, bjbjbjbjbjbj



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