Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 20
20. Surpresa


Notas iniciais do capítulo

VIM CORRENDO PRA DIZER QUE VOCÊS SÃO MARAVILHOSASSSSSS! ♥
AHAHAHAHA, muito obrigada Luisa DM e Cacau Leicam, que fizeram recomendações pra fic! A história já tem 6 recomendações, vocês me matam de felicidade! hahahaha. Esse capítulo é pra vocês, meninas. Muito obrigada, de verdade ♥
Espero que gostem!




CAPÍTULO 19

 

Porque tudo o que eu sei é que nós dissemos "Oi"
e seus olhos são como voltar para casa.

Taylor Swift ft. Ed Sheeran - Everything Has Changed

 

   Eu já havia tomado banho e trocado de roupa quando Daniel chegou ao meu apartamento.

   Eu havia deixado a porta destrancada, então quando o ouvi tocar a campainha apenas gritei para que ele entrasse. Minhas pernas foram a primeira coisa na qual seus olhos focaram, e eu me senti um pouco envergonhada. Eu já havia usado shorts para sair com ele antes, mas nunca usei meus shorts de ficar em casa, que eram quase dois palmos mais curtos que o convencional. Puxei minha blusa larga para baixo, numa tentativa inútil de me sentir mais coberta, e ele sorriu ao perceber.

   Andou até mim e depositou um beijo rápido nos meus lábios, antes de deixar uma sacola de mercado em cima da pequena mesa da cozinha, onde eu geralmente fazia refeições rápidas. Eu já estava batendo a massa do bolo de chocolate e o balcão estava uma bagunça. Encostei a cintura no balcão, enquanto a batedeira continuava fazendo seu trabalho de bater a massa, e fiquei observando-o retirar o conteúdo da sacola.

— Eu trouxe refrigerante e marshmallows. – ele disse. – Faz tempo que não como isso, senti uma vontade absurda de comer hoje.

— Mas eu fiz suco. – fiz um bico de decepção, olhando a atrativa garrafa de Coca-Cola em cima da mesa. – Achei uma receita na internet e resolvi fazer agora a pouco.

— Suco de que?

— Um daqueles sucos detox. – falei, vendo uma expressão de horror se formar em seu rosto no mesmo instante. – Não faça essa cara! Parece ser muito bom. É de maçã verde, couve, brócolis, gengibre e uma pitada de erva doce.

— Você quer me fazer beber suco de brócolis? – ele perguntou, horrorizado, e eu me segurei para não rir. – Você quer me matar?

— Na verdade, sucos detox servem para desintoxicar e...

— Eu quero é ficar bem intoxicado de bolo e marshmallw, Ally. – ele disse, balançando a cabeça como se não acreditasse que eu estivesse mesmo dizendo tudo aquilo.

   Revirei os olhos, sorrindo, enquanto voltava-me para a batedeira e a desligava. A massa já estava no ponto certo. Peguei o tabuleiro já untado e comecei a colocar a massa dentro dele.

— Brócolis. – Daniel resmungava enquanto colocava o refrigerante dentro da geladeira. – Suco de brócolis. Meu Deus, é isso?!

   Olhei para ele e o vi segurando a jarra de suco verde. Eu ri alto da cara de pavor dele.

— Nem você vai querer beber isso, Allison! – ele reclamou, colocando a jarra de volta na geladeira. – Vai por mim, eu já experimentei vários desses. O treinador vive querendo nos fazer beber essas coisas, mas é horroroso.

— Não é, não. – falei mesmo sabendo que aquilo não era exatamente o que eu chamava de gostoso. – Com gengibre fica bom.

— Adoro o modo como você tenta defender algo ou alguém, mesmo sem razão. – ele cruzou os braços, encostando-se na bancada e me observando. – É uma das coisas que amo em você.

— É mesmo? – arqueei as sobrancelhas, risonha. – A lista é tão extensa assim?

   Fui em direção ao forno, abrindo-o e colocando a forma do bolo dentro. Já estava pré-aquecido, então não demoraria para o bolo ficar pronto. Fechei o forno e coloquei as mãos na cintura, olhando-o.

— Na verdade, não. – Daniel sorriu, puxando-me pelo pulso em direção a ele. – Você é a garota mais chata que já conheci, Allison Jones.

   Envolvi seu pescoço com meus braços, enquanto ele me abraçava pela cintura e meu corpo ficava grudado ao seu. Arqueei uma sobrancelha.

— Jura? – perguntei. – Então devo confessar que você também é insuportável. Na verdade, estou com você por pena.

   Daniel jogou a cabeça para trás, rindo alto.

— Eu é que aceito fingir seu namorado, e você é que está comigo por pena. – ele morde o lábio inferior, e eu dei um tapa em seu braço, tentando me afastar.

   Ele continuou rindo quando apertou seus braços na minha cintura e me puxou ainda mais para ele. Eu ri e ia mandá-lo à merda, mas ele segurou meu rosto e tapou minha boca antes que eu tivesse a oportunidade. Suspirei contra seus lábios. Não me importaria de ser calada dessa forma nunca.

(...)

   Depois do décimo exercício de química, eu só queria jogar os cadernos para o alto e matar quem inventou essa merda.

— Vamos parar por aqui. – Daniel pediu, esticando os braços. – Eu também já estou cansado disso.

   Fechamos todos os livros e cadernos e os deixamos em cima da mesinha de centro da sala. Daniel pegou o controle remoto da TV e a ligou, enquanto eu ia até a cozinha. O bolo já havia esfriado um pouco. Havia ficado pronto há cerca de quinze minutos e o deixou descansar em cima do balcão. Como já estava morno, resolvi jogar a cobertura de creme de chocolate que fiz, para podermos comer. Daniel não demorou a aparecer, com olhos curiosos. Sorriu abertamente ao ver o bolo coberto de chocolate. Sorri.

   Achar alguém que gostava de doces e bolos tanto quanto eu era um milagre, e era maravilhoso.

   Daniel colocou refrigerante em copos para nós dois, ignorando totalmente o meu suco saudável e verde, e eu separei pedaços do bolo para cada um de nós. Fomos para a sala e nos largamos no sofá. Passava um episódio de The Big Bang Theory na TV, e sorri ao ver que Daniel gostava. Fazia muito tempo que eu não parava para assistir séries. Passei os primeiros cinco minutos rindo das besteiras que passavam, mas logo fiquei dispersa, observando Daniel.

Ed Sheeran - Kiss Me

   Ele tinha os cantos dos lábios levemente levantados, em um pré-riso, enquanto seus olhos estavam focados na tela da TV. Sua barba estava crescendo um pouco, ele não a fazia há alguns dias. Eu gostava disso. Não sei se era impressão minha, mas ele parecia mais bonito agora do que quando o conheci. Eu nunca havia reparado em como o formato do rosto dele era forte ou em como seus olhos sempre fechavam quando ele ria. Ele brincava algumas vezes comigo, dizendo que eu parecia uma raposa quando sorria porque meus olhos fechavam um pouco, mas ele fazia o mesmo.

   Suspirei baixinho, remexendo os poucos farelos de bolo que estavam em meu prato, enquanto olhava cada ponto em seu rosto. Fiquei tão distraída que não percebi que ele havia percebido meus olhares e me encarava com uma sobrancelha arqueada. Acordei do meu devaneio e desviei o olhar, envergonhada.

— Aproveitou a visão? – ele perguntou, segurando um sorriso. – Parecia estar boa.

— Cala a boca. – resmunguei, tentando não sorrir também. – Tinha um negócio no seu rosto.

   Ele colocou seu prato em cima da mesinha de centro e tirou o meu das minhas mãos, colocando-o na mesa também.

— Um negócio, é? – perguntou, se aproximando de mim. – Aqui?

   Ele apontou para a sua bochecha, com o corpo próximo ao meu, e eu sabia que aquilo estava tomando um caminho diferente. Olhei para onde ele apontava, próximo aos seus lábios, e dispersei novamente. Ele tinha lábios bonitos. E eles se curvaram em um sorriso torto enquanto se aproximavam do meu. Daniel segurou minha cintura firmemente e eu senti meu corpo inteiro responder a ele. Fechei os olhos, suspirando, enquanto minhas mãos criavam vida própria e iam até a sua nuca.

   Não sei ao certo o que aconteceu a seguir, mas quando vi, estava em seu colo. Minhas pernas ao lado de seu corpo, enquanto ele acariciava minhas costas. Sua boca tinha gosto de chocolate e eu sorri contra os seus lábios. Era bom beijá-lo; quase tão bom quanto bolo. E no meio de tudo – das suas mãos percorrendo minhas costas e descendo para as minhas coxas, do beijo, dos choques que se espalhavam pelo meu corpo inteiro – eu cheguei à conclusão óbvia de que não era a carência que me fazia sentir tudo aquilo quando ele me tocava. Era Daniel; puramente ele.

   E me perguntei se eu sentiria aquilo tudo com outra pessoa. Porque nunca havia sentido antes, com nenhum dos caras com quem fiquei. Tudo em Daniel me atraía até ele. Sua voz, seus olhos, seus lábios, o sorriso, o toque, a presença. Talvez por isso ele tenha sido a primeira pessoa para a qual meus olhos me levaram no primeiro dia. Tinha diversas pessoas naquele corredor enquanto Yui e Jane me importunavam – e foi nele que eles caíram. Teria sido assim se fosse outra pessoa?

   Gemi contra seus lábios quando senti suas mãos frias entrando por baixo da minha blusa, encostando a pele quente da minha cintura. Ele sorriu levemente, ainda de olhos fechados. Suas bochechas estavam levemente coradas e ele parecia ainda mais bonito. Eu queria agarrá-lo nesse momento e não soltar mais. Sentia cada parte do meu corpo pedir por mais daquilo, por mais Daniel. E isso me assustava.

   Senti vontade de rir quando meu quadril automaticamente, sem meu consentimento, mexeu contra ele. Era como se a minha puberdade estivesse chegando agora e isso era ridículo.

— Você está ousada hoje. – ele disse com a voz fraca, risonho.

   Ri um pouco, passando minhas mãos em seus ombros enquanto tomava seus lábios para mim novamente. E explodimos.

   Daniel me segurou com força contra ele e eu podia senti-lo inteiro. Ele me levantou um pouco, ainda em seu colo e me deitou no sofá. Seu corpo veio por cima do meu sem parar de me beijar. Levantei uma das pernas e seu corpo encaixou no meu. Eu sentia meu coração acelerar absurdamente dentro do meu peito, enquanto ele passava a mão vagarosamente ao lado do meu corpo. O desejo me consumia até a ponta dos dedinhos dos pés quando ele separou nossos lábios e me olhou meio confuso. Eu via na sua expressão que ele queria aquilo tanto quanto eu.

— Acho melhor nós... – sua voz saiu entrecortada. – Acho melhor nos acalmarmos.

— Por quê? – minha voz saiu mais triste do que eu queria demonstrar e ele arqueou uma sobrancelha para mim, com ar de riso.

— O que está havendo com você, Allison Jones? – ele riu, os olhos levemente fechados e com um brilho estranho enquanto me observava.

   Lamuriei, quase um choramingo, enquanto empurrava meu quadril contra o seu. Daniel riu alto, balançando a cabeça e segurando minha cintura no lugar firmemente com sua mão forte. Ele mordeu o lábio inferior, enquanto dividia seu olhar entre meus olhos e meus lábios.

— É melhor não.

— Para com isso, Daniel. – murmurei. – Por que não?

— Porque você quer que seja especial. – ele suspirou um pouco. – E não acredito que um sofá se encaixe nisso.

— Então vamos pro quarto. – revirei os olhos, levemente irritada com a sua negação.

   Ele sorriu abertamente com a minha solução e sem eu esperar, me beijou. Segurou meu rosto em suas mãos e me deu vários selinhos seguidos, logo rumando-os para as minhas bochechas e testa. Eu me senti uma criança de 5 anos novamente, sendo mimada pela minha mãe. Bufei, enquanto ele ria.

— Não precisamos apressar isso. – ele disse, ainda segurando meu rosto. – Eu fico feliz que você queira que... Você sabe...

— Queira o que?

— Que seja comigo. – ele disse baixinho. – Não sei, eu pensei...

— Eu não acho que iria desejar que fosse com outra pessoa. – confidenciei baixinho, sendo totalmente sincera. – Eu nunca senti isso antes.

   Ele me olhou nos olhos profundamente por alguns segundos, em silêncio. Por fim, sorriu levemente, assentindo.

— Eu também não.

   As coisas pareciam ter mudado drasticamente de um minuto para outro. Ficamos nos olhando por um bom tempo. Seu corpo ainda sobre o meu, entre minhas pernas. Ambos excitados e ele me parando. Seria engraçado, se eu não me sentisse frustrada, apesar de estar feliz. Suspirei, acariciando seus cabelos calmamente. Ele deitou seu rosto em meu peito e ficou desenhando círculos invisíveis em minha barriga, com os olhos fechados e a respiração mais calma. Aos poucos eu também relaxei e quando menos percebi, dormi.

   Sonhei com tudo o que poderia ter acontecido se ele não tivesse nos parado. Sonhei com mãos, beijos e roupas no chão do quarto. Uma perfeita cena de filme, se não tivesse sido interrompida por um despertador. Abri os olhos rapidamente assustada e confusa. Peguei o celular na cabeceira rapidamente e cancelei o alarme. Ao olhar para o lado, dei de cara com Daniel deitado me observando. Parecia estar acordado há um bom tempo. Olhei ao redor e vi que estávamos em meu quarto.

— O que estamos fazendo aqui? – perguntei um pouco arfante. Meu corpo estava um pouco suado. – O que houve?

— Dormimos no sofá ontem. – ele tinha um sorriso contido nos lábios, e me perguntei qual seria o motivo dele. – Acordei no meio da madrugada e te trouxe para cá. E já faz alguns minutos que você suspirava, gemia e se revirava um pouco. O sonho foi bom?

   Fechei os olhos, sentindo o meu rosto pegar fogo. Quando olhei para Daniel novamente, ele não agüentou. Riu alto, me fazendo querer cavar um buraco para me enfiar. Aquilo era vergonhoso demais.

   Levantei da cama num pulo, enquanto ele me chamava entre risos. Revirei os olhos, indo até o banheiro. Eu ainda lembrava cada detalhe do sonho, mas já queria esquecer. Eu sabia que ele iria me importunar com isso. Escovei os dentes, lavei o rosto e escovei os cabelos. Logo entrei debaixo do chuveiro e tentei pensar em unicórnios e gatinhos, para ver se esquecia os detalhes da noite passada e do que havia sonhado. Aquilo era tortura e ter Daniel rindo de mim e me negando aquilo era o cúmulo.

   Saí do banheiro enrolada na toalha e voltei para o quarto. Dan ainda estava sentado na cama, com as pernas esticadas sobre o colchão e os braços encostados. Ele tinha um sorrisinho idiota nos lábios, mas seu olhar escureceu quando viu como eu estava. Sorri disfarçadamente para mim mesma, enquanto abria o closet e procurava algo para vestir.

— Você sabe que isso é injusto. – ele resmungou.

— Você que é. – resmunguei de volta.

— Você nem parecia saber o que era sexo e agora está aí desfilando de toalha na minha frente. – ele riu. – Allison, você está se tornando outra pessoa...

— Sai daqui! – gritei, jogando uma blusa contra ele, fazendo-o rir alto. – Já está me irritando, some!

   Ele ficou de pé, indo até a porta do quarto. Bufei, mas sentia vontade de rir. Ele parou no batente da porta e sorriu sugestivamente para mim, piscando um olho. Semicerrei os olhos para ele e ele mandou um beijinho, enquanto encostava a porta do quarto. Suspirei, voltando meu olhar para as roupas no closet. Sorri.

   Sim, Daniel. Eu me sinto outra pessoa.

(...)

— Vocês definitivamente transaram. – Eve falou, olhando cada ponto do meu rosto. – Você está muito diferente.

— Cala a boca, Eveline. – sussurrei, olhando ao redor e vendo o corredor lotado. – Nós não transamos, eu já disse.

— Mas ele está esquisito também. – ela semicerrou os olhos, observando Daniel no outro lado dos armários, conversando com alguns amigos. – Alguma coisa rolou entre vocês...

   Revirei os olhos.

Coisas rolaram. – resmunguei. – Mas não isso.

— Ah. – ela disse, sorrindo. – Entendi.

   Tentei não rir dela, mas era difícil. Eve ficou me olhando com uma expressão sugestiva por um bom tempo, enquanto eu tentava ignorá-la pegando meu material da próxima aula. Daniel logo se aproximou, beijando o topo da minha cabeça e cumprimentando-a. Eve riu para ele, misteriosa, e fechou seu armário. Em seguida nos deu as costas e foi para a sua aula.

   Eu e Daniel ficamos olhando-a se afastar confusos, e eu suspirei. Minha próxima aula seria de matemática e eu já sentia o desespero se aproximando. Daniel segurou minha mão enquanto íamos até a sala e eu o olhei. Ele sorriu levemente para mim, abaixando seu rosto um pouco para me beijar. Foi rápido e leve. Mas aquilo serviu para me fazer perceber que independente do que fizéssemos, seria bom se fosse com ele.

   Mesmo que essa coisa fosse assistir duas horas ininterruptas de matemática.

(...)

   Os dias passaram tranquilamente.

   Eu e Daniel estranhamente parecíamos mais próximos. Voltamos a sair mais vezes juntos, antes ou depois das aulas particulares. Eu percebi que ele ainda trocava mensagens várias vezes com Louise, mas tentei ignorar. Se eu ficasse me preocupando com isso seria pior, eu sei. Eu nem a conheço e ele me garantiu que eram apenas amigos, então eu confiava nele. Eu não confiava era no meu radar de problemas.

   Quando eu sentia que tinha algo errado, ou que algo iria acontecer, eu sempre estava certa. E meu pressentimento quanto a essa menina não me deixa pensar com racionalidade às vezes. Eu tenho vontade de arrancar o celular das mãos dele e jogar aquele aparelho na baía de São Francisco.

   Porque eu tinha medo do que aconteceria quando ela chegasse. Tinha medo de como as coisas passarão a ser entre eu e Daniel e, sobretudo, entre ele e ela. Porque eu vi pouco naquela foto do notebook de Benjamin – Dan e Louise estavam no fundo da foto, um pouco desfocados – mas pelo pouco que vi, a garota era linda. Pelo o menos aquele cabelo...

   Céus, aquele cabelo era maravilhoso. Imagine o resto.

   Olhei meu reflexo na tela apagada do celular e fiz careta. Eu definitivamente tinha que cortar meu cabelo, porque já estava ficando um pouco desgrenhado e me deixando com cara de louca, mas nunca lembrava. Eu nunca lembro nada. Só lembro de Louise e Daniel, Louise e Daniel, Louise e Daniel. E pela freqüência que ela mandava-lhe mensagens – o tempo inteiro, praticamente – provavelmente ela já estava vindo para cá. Ou já estava aqui.

   Meu Deus, eu vou enlouquecer.

— Ei. – Daniel se aproximou enquanto eu guardava o celular na bolsa. – Pronta?

— Aham.

   Tentei disfarçar a minha amargura e acho que funcionou. Eve havia ido para casa com o meu carro, porque Daniel cismou de me levar ao Píer 39 novamente para comer sorvete de chocomenta, porque depois que eu disse que nunca havia provado, ele me chamou de maluca e insistiu em me levar até lá. Entramos em seu carro e eu liguei o rádio, tentando relaxar enquanto ouvia Troye Sivan. Daniel revirou os olhos para a minha escolha, mas eu estava nem aí para a sua reprovação em relação ao meu gosto musical.

   Fomos o caminho todo com ele tagarelando sobre coisas aleatórias que aconteceram nos treinos, histórias de seus amigos, fofocas de turma e percebi que ele parecia ansioso. Suas mãos não paravam quietas no volante, estava a todo momento passando-as em seu cabelo ou batucando em sua coxa.

   Suspeito.

   Chegamos ao Píer e ele pegou em minha mão, enquanto íamos até a sorveteria de sempre. O sol já se preparava para se pôr e a paisagem estava bonita. Fiquei distraída, pensando em ir olhar os leões-marinhos na água depois que terminássemos que comer. Mas minha distração foi interrompida rapidamente.

   Porque meus olhos captaram aqueles cabelos longos e ondulados e eles eram inconfundíveis. Mesmo que a única vez que eu os tenha visto tenha sido em uma foto de baixa qualidade. E quanto mais nos aproximávamos e mais os detalhes e características ficavam aparentes, mais eu queria me jogar de cima daquele píer e me juntar aos leões-marinhos. Porque eles, com certeza, não teriam feito isso comigo. Não teriam feito o que Daniel fez nesse momento. Não teriam me puxado até ela – porque a essa altura meu corpo foi travando automaticamente a ponto de eu ter dificuldade para andar corretamente – e, com um sorriso nervoso, dito:

— Ally, essa é a Louise.



Notas finais do capítulo

AI, DANIEL, VEM CÁ PRA EU TE DAR UNS TAPAS e uns bêjo, hahahahaha. ♥
Louise chegou, e já percebi pelos comentários de vocês que todas tem teorias diferentes em relação à ela. Algumas acham que ela será a odiada da história (na verdade, ela já é odiada, hahahaha) e outras acham que ela acabará sendo amiga da Ally e até da Eve. Qual será a teoria certa? Digam pra mim o que vocês acham ♥
Ah, um aviso importante: Eu estarei de mudança durante esses dias, organizando minhas coisas, levando para outra casa e toda essa confusão... Então talvez o próximo capítulo saia daqui a uma semana ou um pouquinho mais. Eu prometo que não demorarei a postar, vou tentar postar até essa sexta-feira pelo o menos, mas se isso não acontecer vocês já sabem o motivo, hahaha. Mas apesar disso, tô muito feliz, meninas. É uma coisa que eu queria há muito tempo, então mandem energias positivas pra mim, pufavô. ♥
Espero que tenham gostado do capítulo! Ah, e lembrando que quem quiser me adicionar no facebook pra me cobrar por lá também, pode ir, hahahaha: http://facebook.com/allie.provier
Amo vocês ♥

P.S: Lembrando também que a minha melhor amiga tá postando a fic dela, gente!!! Depois de eu muito insistir ela resolveu mostrar o talento pro mundo, hahaha. Podem ir lá ver? Garanto que a história é muito boa, eu sou apaixonada. ♥
https://fanfiction.com.br/historia/696872/Defenceless/

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