Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 19
19. A beira do precipício


Notas iniciais do capítulo

Depois de muitas ameaças de morte direcionadas à mim... AKSHAUSAKSAH. Resolvi trazer esse capitulo logo, antes que vocês aparecessem aqui na minha casa com uma faca. ♥
Capítulo dedicado à Manu (BrancaLua), que recomendou a fic no último capítulo e me deixou pulando de felicidade. ♥
Espero que gostem!




CAPÍTULO 18

 

E nesta noite e nesta luz,
acho que estou me apaixonando. Estou me apaixonando por você.

The 1975 - Falling For You

 

  De longe percebe-se que Daniel Sullivan é um rapaz muito tranqüilo e pacífico.

   Apenas de longe.

   Eu não sabia ao certo o que fazer; se levantava e dava uns tapas nele, ou se lhe dedicava o meu melhor olhar de nojo e ia embora nesse momento, jurando nunca mais olhar para a sua cara e mandando-o ir procurar a sua amante de San Mateo. Porque chegar aqui e ainda levantar a voz para eu e Ben, como se estivemos fazendo algo abominável (e eu acredito que fazer qualquer coisa com Benjamin seja muito improvável de ser abominável) era demais. Ele queria extrapolar o limite da minha paciência, e estava conseguindo.

— Não interessa. – falei delicada como um cavalo. – Vamos descer, Ben? Sua mãe já deve estar nos esperando.

   Benjamin não parecia saber o que fazer, também. Ele parecia querer rir de nós dois, mas se segurava. Então, se limitou a assentir e ficamos de pé. Daniel nos olhava como se tivesse nascido mais duas cabeças na gente. Eu passei por ele e Ben me seguiu, mas foi barrado na metade do caminho. Daniel colocou uma mão no outro lado da porta, impossibilitando sua passagem. Dessa vez, Benjamin pareceu ficar irritado. Os dois ficaram de olhando de forma dura, e eu fiquei observando sem saber o que fazer.

— Vai me explicar que merda é essa? – Daniel falou, entre dentes. – Ou eu terei que arrancar à força?

— Quem deve explicações aqui é você, não? – Benjamin arqueou uma sobrancelha, e um sorrisinho torto e misterioso se formou em seus lábios.

    Daniel arregalou um pouco os olhos e olhou para mim de relance. Logo voltou sua atenção para seu primo, que abaixou seu braço e passou por ele. Benjamin veio até mim e me conduziu até as escadas. Olhei para trás rapidamente e tive tempo de ver Daniel passando as mãos no rosto nervosamente.

   Senti meu coração afundar. Eu esperava que tudo aquilo fosse um mal entendido, esperava mesmo. Porque eu gosto de Daniel. Eu gosto de estar com ele, eu gosto do que sinto quando estamos juntos, eu gosto da forma como nos entendemos mesmo brigando, e se isso for tirado de mim... Se ele estiver com outra pessoa e perdermos isso... Eu não sei.

   Ao mesmo tempo, me sinto uma boba. Uma idiota. Porque se eu não estou apaixonada por ele, se eu realmente amo Benjamin – que nesse momento me dedica um sorriso acolhedor enquanto me guia até a cozinha, e que me contou a verdade – eu não devia me sentir assim em relação a Daniel. Não devia querer que ele não se envolvesse com mais ninguém além de mim. Não devia querer que ele fosse meu.

   Mas eu quero.

(...)

   Dizer que o jantar foi totalmente agradável seria uma blasfêmia.

   Eu ainda tentei fugir. Falei para Tanya que estava tarde e era melhor eu ir para casa, mas ela e Antony se recusaram a me deixar sair daquela casa sem antes jantar com eles, e eu não pude negar mais quando vi uma travessa de frango com batatas. Sério, foi impossível.

   Mas apesar do gosto divino da comida, o clima estava esquisito, e o casal percebeu isso assim que Daniel desceu e entrou na sala de jantar com cara de quem tinha visto um fantasma. Ele olhava nervosamente para mim, ao mesmo tempo em que parecia irritado e pensativo. O clima pesou e Tanya percebeu isso enquanto olhava para mim, Daniel e Benjamin, os três lado a lado na sua frente. Então, ela começou a puxar assunto e perguntou como foi a viagem dos meninos. Antony fazia perguntas sobre as estratégias usadas por eles no jogo, e eu fiquei comendo distraidamente, enquanto apenas os ouvia. Peguei Daniel me olhando diversas vezes pela minha visão periférica, mas não tinha coragem de olhá-lo diretamente.

   Eu me sentia confusa, chateada e envergonhada. Confusa pelo que sentia e não entendia, chateada por ele esconder tudo aquilo de mim e eu ainda continuar no escuro quanto aquilo e envergonhada por sentir todas essas coisas sem poder. Porque eu não tenho poder algum sobre a nossa relação; se é que temos uma.

   No fim do jantar, ajudei Tanya a levar as louças sujas para a cozinha. Fiquei um tempo com ela conversando para ver se me acalmava um pouco, e por fim decidi ir embora. Estava ficando tarde e eu precisava ficar sozinha, definitivamente.

   Eu a abracei e prometi jantar com eles novamente. Fui para a sala e encontrei Antony e os meninos no sofá, assistindo a um jogo de futebol americano que passava na TV. Acenei para eles e avisei que iria embora. Abracei Antony rapidamente e surpreendentemente Benjamin ficou de pé para se despedir de mim. Engoli em seco ao sentir o cheiro de seu perfume. Quando nos separamos, vi Daniel de pé, me olhando.

   Desviei o olhar do dele e fui para a saída. Ele me seguiu. Eu esperava poder chegar ao carro antes que ele abrisse a boca para dizer qualquer coisa, mas quando ele percebeu que eu fugia dele – o que era bem óbvio, já que eu corria pelas escadas como um duende, agarrando minha bolsa contra o meu peito e sentindo o ar gelado congelando o meu nariz – ele apressou o passo e agarrou meu braço num aperto firme.

      Fui puxada para trás e quase me desequilibrei, mas ele me segurou, virando-me para ele. Prendi a respiração, olhando-o de olhos arregalados e com o cabelo caindo sobre o rosto. Senti meu coração acelerar, enquanto ele me observava.

— Nós precisamos conversar. – ele disse lentamente. – Por que está fugindo de mim?

— Eu não estava. – puxei meu braço e passei a mão no rosto, retirando as mechas que caíam sobre os olhos. – Só estou com pressa para chegar em casa, porque... Porque tenho coisas para fazer.

— Jura? – ele arqueou uma sobrancelha, ficando irritado. – Tipo o quê? Dar comida para o seu gato?

— Eu não tenho gato. – resmunguei. – Me deixa em paz.

   Eu ia dar as costas novamente, mas ele me segurou outra vez e agora parecia mais tranqüilo. Arrependido, talvez.

— Eu juro que não é o que parece. – ele disse. – Tudo aquilo, seja lá o que Benjamin disse... Eu garanto que não é o que parece ser.

— E o que parece ser?

— Que eu... – ele engoliu em seco, suspirando. – Traí você, ou algo assim.

— Mas nós não namoramos de verdade, não é? – falei, com a voz quase sumindo e sentindo meus olhos arderem. Oh, não. Eu não posso chorar. – Você não me deve nada, Daniel. Pode fazer o que quiser.

   Ele ficou me olhando por um tempo, digerindo o que eu havia dito, e pareceu achar um absurdo. Balançou a cabeça negativamente, suas mãos ainda firmes em meus braços, me segurando próxima a ele. Estávamos no meio da calçada, estava frio. Eu queria minha casa.

— Eu te devo respeito, Ally. – ele disse. – E apesar do namoro ser de mentira entre nós, perante todo mundo ele é real. E se acharem que eu traí você, então...

— Eu vou parecer mais patética do que já sou. – sorri sem vontade, desviando o olhar do dele e com a vista turva. Meu Deus, não me faça chorar. Não agora. – Acho melhor acabarmos com isso.

— Para! – ele ficou irritado. – Para de ser absurda, Allison! Me deixa explicar o que houve, por favor.

   Ouvimos um barulho e olhamos para a casa ao mesmo tempo. Tanya apareceu na entrada, nos olhando com preocupação.

— Vocês estão bem? – ela perguntou.

   Assentimos ao mesmo tempo, fracamente. Olhando de fora, nossas caras não deviam ser das melhores. Daniel parecia agoniado, e eu não devia estar muito diferente disso.

— Nós vamos dar uma volta, tia. – ele disse. – Eu volto daqui a pouco, tudo bem?

   Ela assentiu, sorrindo fracamente, e acenou para nós. Daniel me guiou até seu carro, deslizando sua mão até meu pulso e segurando-o delicadamente. Sentei no banco de passageiro e ele atrás do volante. Respirei fundo, sentindo que não apenas eu estava confusa com tudo aquilo, mas ele também.

   Ele se sentia como eu? Com todas essas sensações estranhas?

   Daniel dirigiu até Crissy Field, o mesmo lugar onde fomos quando voltamos da casa do meu pai. Onde selamos os “benefícios”. Estacionou o carro de frente para a baía e eu me senti mais tranqüila ao ver a Golden Gate iluminada e todas as luzes da cidade.

— O nome dela é Louise. – ele disse após alguns segundos de silêncio. – Ela morava em Nova York, no mesmo prédio onde eu vivia com a minha mãe e George. Nós nos tornamos muito amigos, mas quando eu vim para São Francisco nós perdemos o contato um com o outro. Quando eu cheguei ao hotel em San Mateo, encontrei com ela no saguão. Eu não esperava vê-la lá. Fazia muito tempo que não nos falávamos, então a convidei para o jogo e para ir à lanchonete conosco. Ela me contou que os pais dela se divorciaram e agora ela viverá com a mãe. Estavam passando um tempo em San Mateo antes de... – ele me olhou de canto, parecendo receoso em continuar falando. – Antes de vir para cá.

   Magnífico!

   Continuei com o olhar focado na ponte, porque era a melhor coisa que eu poderia fazer nesse momento. Ok, eles são amigos de longa data. Perderam o contato e agora ela virá para São Francisco. Quem sabe não estudará na mesma escola que nós? Isso sim seria excelente.

— É... – murmurei aérea. – Será bem cômodo para vocês.

   Daniel revirou os olhos e bufou, passando as mãos no rosto. Parecia mais nervoso do que antes.

— Eu já disse que não temos nada, Ally. – ele repetiu. – Acredita em mim.

— Então por que não me contou? – falei rapidamente. – Eu percebi que você escondia algo. Não quis deixar Benjamin me contar, queria manter em segredo. Por quê?

— Por que eu sabia que você iria ficar com ciúmes.

— Eu não estou com ciúmes! – minha voz aumentou oito oitavas. – Eu só acho ridículo você não me dar o mínimo de atenção e depois voltar escondendo algo, plantando dúvidas na minha cabeça! E está bem claro para mim no que isso vai dar, Daniel. E eu não quero assistir de camarote e sair como a namorada patética da história, obrigada.

— Eu não estou enganando você. – ele falou lentamente. – Louise é minha amiga, apenas isso. Eu a vejo como uma irmã caçula birrenta ou coisa assim. Fiquei feliz por ela vir para São Francisco, sim, admito. Mas porque ela já passou por muitas coisas e...

— Oh, não. – passei as mãos no rosto, definitivamente eu sabia onde aquilo tudo iria dar. – Agora você vai querer bancar o salvador e fazer de tudo para ajudar a sua velha amiga?

   Daniel bufou e ficou em silêncio. Eu me sentia insuportável. Eu apenas abria a boca e as palavras saíam, e eu não tinha ideia do que dizia. Mas aquela agonia no peito, aquele incômodo tomavam conta de mim. Eu não sabia o que era isso, e queria que parasse. Daniel me fazia sentir todo tipo de sentimento ao mesmo tempo; ele me levava do céu ao inferno em questões de segundos, e eu não sabia como lidar com isso. Respirei fundo, sentindo-me uma idiota.

— Me desculpe. – falei baixinho. – Eu estou sendo insuportável.

— Não, você tem razão. – ele suspirou.

— Não tenho, não. – encostei minha cabeça no banco, olhando para o teto do carro, enquanto sentia os olhos dele sobre mim. – Você faz o que quiser com a sua vida, Dan. E se você diz que ela é sua amiga, então eu não posso fazer nada além de acreditar em você. Sinto muito por estar sendo tão...

— Tudo bem. – ele disse. – Eu também não gostei de vê-la com Benjamin, sentada na cama dele, em seu quarto. Para mim aquilo foi...

— Não estávamos fazendo nada. – o olhei confusa. – Apesar de eu gostar dele, ele não corresponde, vai por mim. Ele me trata como se eu tivesse cinco anos. É frustrante.

— Você não percebe nada mesmo. – ele disse baixinho. – Você é realmente tão inocente assim ou se faz de idiota, Allison?

— Como assim?

   Sua expressão mudou de séria para risonha em segundos, e ele riu, enquanto voltava seus olhos para mim. Ele se aproximou e segurou meu rosto delicadamente em suas mãos, enquanto encostava sua testa na minha.

— Eu quero ficar com você. – ele disse baixinho.

   Senti meu coração acelerar. Não esperava por isso. Sorri, sentindo toda a tensão de antes evaporar. Inclinei meu rosto para mais perto do seu e não demorou para que sua boca viesse de encontro com a minha. Envolvi seu pescoço com meus braços, enquanto ele me abraçava pela cintura. O carro parecia pequeno para nós dois. E quando eu senti o gosto de bala de cereja em seus lábios, eu desejei que aquilo perdurasse por um bom tempo.

   Mas, no fundo, eu sabia que logo cairia do precipício. E uma hora o chão chegaria.

(...)

   Eve arqueou as sobrancelhas depois que lhe expliquei tudo da noite anterior. Ela deu de ombros, enquanto bebia um gole do seu suco.

— Bem, nenhuma história de romance está completa se não houver a rival, certo? – ela disse, tentando conter um sorriso.

   Revirei os olhos.

— Você não está ajudando, Eveline. – resmunguei. – Eu estou tentando manter a mente aberta aqui.

— O Daniel gosta de você, Ally. Eu não tenho nada a ver com isso, mas confio nele. – ela disse, olhando-me nos olhos. – Mas vamos ficar de olho nessa Lauren.

Louise. – corrigi. – O nome dela é Louise.

   Eve torceu um pouco o nariz, em claro desgosto pelo nome, e eu ri. Não demorou para que Jack aparecesse com Mark, seu melhor amigo, para nos fazer companhia no intervalo. Fui surpreendida quando Jack sentou-se ao lado de Eve e deu um selinho nela rapidamente. Ela sorriu um pouco, envergonhada. O sorriso na minha cara devia estar do tamanho do mundo. Mark riu e eu balancei as sobrancelhas para ele, rindo junto. Eve bufou e Jack ficou todo vermelhinho.

   Eles eram o casal mais esquisito e bonitinho do universo.

   Ficamos conversando amenidades enquanto lanchávamos. O dia estava bonito, com algumas nuvens e um vento gostoso. Um típico dia em São Francisco. Eu me peguei rindo verdadeiramente com as piadas e bobeiras que Jack e Mark diziam, e com o sarcasmo de Eve, mas por dentro eu ainda me sentia esquisita com tudo o que houve ontem.

   Passei os olhos pelo pátio, observando as outras mesas e os grupinhos de alunos espalhados. Não muito longe de nós estava Mia, Yui e Jane rindo como jovens colegiais, junto com outras meninas e alguns garotos do time. Estava distraído olhando-os quando meus olhos detectaram Benjamin sob a luz do sol, passando as mãos nos cabelos e com uma leve expressão de sono, indo de encontro à sua namorada e amigos. Seu olhar cruzou com o meu e ele deu um sorriso torto, piscando um olho para mim.

    Engoli em seco, sentindo meu coração acelerar um pouco. Desviei o olhar do dele antes que parecesse mais idiota do que o normal. E quando olhei para frente novamente, para Eve, vi Daniel parado atrás dela me observando. Seu olhar desviou para onde eu olhava anteriormente e ele flagrou Benjamin ainda me olhando e sorrindo um pouco enquanto me observava, do outro lado. Daniel voltou a olhar para mim e arqueou as sobrancelhas, parecendo um pouco irritado.

   Que ótima menina você é, Allison. Em um dia discute por ciúmes da amiga dele ou o que quer que seja. No outro, fica olhando como uma idiota para Benjamin na sua frente.

   Daniel sentou ao meu lado e cumprimentou todos amigavelmente. Tinha apenas uma lata de suco na mão, e entrou na conversa dos meninos, sem me olhar mais. Vi Eve semicerrando o olhar para mim e revirei os olhos. Eu já estou mal o suficiente por não entender merda nenhuma do que estou sentindo. Se eu for me sentir culpada por olhar Benjamin – de quem Daniel sempre soube que eu gosto – eu vou ter um colapso nervoso.    

   As aulas chegaram ao fim e eu me arrastei para o estacionamento. Eve já havia ido embora com Jack e eu não encontrei Daniel em canto algum. Mas o achei assim que coloquei os pés no estacionamento. Estava encostado em meu carro, com a mochila pendurada em um dos ombros e digitando algo em seu celular.

   Aquele maldito celular, sinto vontade de pegá-lo e jogá-lo longe e nunca mais...

— E aí. – murmurei assim que me aproximei, apertando o botão da chave para destravar o carro.

— Oi. – ele disse, finalmente guardando o celular no bolso do jeans. – Te vejo mais tarde lá em casa?

   Suspirei, negando com a cabeça. Ele me olhou alarmado e confuso, enquanto eu abria a porta do carro e jogava minha bolsa no banco do motorista.

— O que acha de ser lá em casa hoje? – perguntei, e pude ver seus ombros relaxarem visivelmente. – Aproveito e faço aquele bendito bolo que estou te devendo há séculos.

   Ele sorriu meio contido, com os olhos brilhando de uma forma diferente. Assentiu, enquanto se aproximava de mim e segurava minha cintura. Suspirei disfarçadamente, sentindo os choques percorrerem meu corpo. Deslizei minhas mãos pelo seu peito, até elas chegarem em seus ombros, e fiquei na ponta dos pés para alcançar seus lábios. Daniel pareceu ser pego de surpresa, já que eu quase nunca tomava a iniciativa de beijá-lo – o fiz pouquíssimas vezes – mas ele retribuiu o beijo com fervor. Acariciei sua nuca enquanto ele envolvia sua língua na minha e apertava um pouco a minha cintura, puxando-me para ele, e eu sentia o gosto de bala de cereja de seus lábios. Era o meu sabor preferido e eu me perguntei se ele sabia disso.

   Eu não sei quanto tempo ficamos nos beijando, mas senti o ar faltar em certo ponto e separei nossos lábios um pouco arfante. Ele estava da mesma forma, mas manteve os olhos fechados enquanto encostava sua testa na minha e tentava normalizar sua respiração. Suas mãos ainda seguravam minha cintura firmemente, como se não quisesse que eu desse um passo para fora da nossa bolha.

   Como era possível Daniel me segurar assim, de todas as formas possíveis, e eu não desejar que me soltasse por nada? Depois de todo esse tempo gostando de Benjamin, desejando que ele me segurasse dessa forma e murmurasse meu nome de olhos fechados enquanto tomasse o ar de volta, Daniel simplesmente aparece e me faz repensar tudo – tudo— o que eu achava que sabia e sentia.

   Mas eu não sei absolutamente nada, e admito que sinto medo de descobrir. Porque quando descobrir o que é realmente isso, quando isso acontecer, eu...

   Daniel abriu os olhos e me olhou profundamente. Pareciam mais verdes do que nunca. Ele sorriu um pouco e suas mãos largaram minha cintura, rumando para o meu rosto. Ele segurou meu rosto delicadamente, acariciando minhas bochechas e se curvando um pouco para ficar da minha altura. Sorrimos um para o outro e ele beijou-me novamente, com calma, antes de depositar um beijinho na minha testa.

— Eu vou passar em casa para trocar de roupa e depois te encontro. – ele disse, parecendo mais recomposto. Eu, por outro lado, não estava nem um pouco. – Quer que eu leve algo?

— Você que sabe. – dei de ombros, lutando para a minha voz sair normal, porque minha mente estava tão nublada que eu não conseguia pensar em nada com clareza. – Eu fiz compras, então acho que já tem tudo lá.

   Daniel arregalou os olhos e levantou as mãos para o céu. Revirei os olhos, mas não consegui evitar rir de seu exagero.

— A gente se vê. – ele piscou um olho. – Vai com cuidado.

   Assenti e entrei no carro. Não fiquei surpresa ao vê-lo aparecer na minha janela, de braços cruzados, analisando-me. Olhei para ele totalmente confusa, mas depois lembrei. Bufei, puxando o cinto de segurança, e o flagrei sorrindo satisfeito. Forcei um sorriso, fazendo-o rir, e liguei o carro. Ele caminhou até o seu, no outro lado do estacionamento, e eu suspirei para mim mesma no espelho retrovisor.

   Eu só espero que dê tudo certo.



Notas finais do capítulo

Daniel é aquele cara que a gente quer encher de beijo e tapas, né non? HAHAHAHA. Mas ele está sendo sincero e a Ally já está sentindo coisinhas... Como será a chegada da Louise? Vocês já imaginam como ela é? :3
Comentem e digam o que acharam/acham! Adoro ler cada review de vocês, fico com vontade de abraçar todo mundo, hahahaha. ♥
Logo trarei o próximo capítulo!
Bjbjbjbjbjbjbjbjbjbj



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