Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 18
18. O que acontece em San Mateo, fica em San Mateo?


Notas iniciais do capítulo

Tão feliz porque vocês gostaram do último capítulo! ♥
Eu também adorei escrevê-lo, como eu disse, já pensava em mostrar um POV do Daniel há um bom tempo. E vocês apoiaram a ideia!!! Então podem deixar que logo terá mais POV dele, ok? hahahaha.
E como prometido, aqui está o capítulo... ♥




CAPÍTULO 17

 

E tudo que você viu com os olhos embaçados

se tornou nossa ruína.

EDEN – Gravity

 

    O domingo passa sem notícia de Daniel.

   Ele havia apenas visualizado minha mensagem de ontem a noite. Eu estava achando aquilo estranho, e logo lembrei a última vez que ele me ignorou assim. Só faltava ele chegar de San Mateo dizendo que a gente precisava se afastar de novo.

— Eu acho que você está se desesperando a toa. – Eve falou, com a boca cheia de cereal e a expressão sonolenta.

— Você lembra como foi na última vez. – suspirei.

   Estávamos deitadas no sofá, cada uma encostada em um dos braços e com as pernas jogadas por cima da outra. Havíamos descido cedo e levamos nossas cobertas quentinhas. Eve abraçava a caixa de cereais. Na TV passava alguns episódios de desenhos antigos – da época em que ainda eram bons – como As Terríveis Aventuras de Billy & Mandy. Às vezes dá uma saudade de ser criança novamente... Era tudo mais simples.

— Na última vez você se desesperou, ele quis um tempo porque estava se apaixonando por você e ficou com medo e depois vocês começaram a trocar saliva de novo. – Eve disse de forma arrastada. – Ou estou errada?

— O que? – perguntei confusa. – Eve, ele não...

— Tá, tá bom. – ela resmungou. – Se engana sozinha, estou tentando ouvir o que o Puro-Osso está dizendo e a senhorita não está deixando.

   Revirei os olhos, vendo-a aumentar o volume da TV. Mas no fundo eu a entendo, afinal, são oito horas da manhã de um domingo e eu já estou surtada porque Daniel não respondeu minha mensagem.

   Voltei a olhar para o celular, ansiosa. Meu coração acelerou quando vi que ele digitava uma resposta. Sacudi minhas pernas, chutando Eve de leve, e ela reclamou jogando cereais em mim. Puxei a coberta para cima de mim, rindo, para que os cereais não me atingissem.

   “Estou bem. Nós ganhamos. Voltamos daqui a algumas horas.”

   “Parabéns!!! Ansiosa para ver o troféu! Deu tempo de se divertir um pouco?”

   “É... Depois a gente se fala. Tenho que resolver uma coisa agora.”

   Fiquei olhando para o celular, amuada. O que ele tem que resolver às oito da manhã, em San Mateo? Suspirei, largando o celular ao meu lado e olhando para o teto. De repente ele foi tomar café da manhã, é isso.

— Você emagreceu. – Eve disse do nada, semicerrando os olhos sonolentos para mim. – Você já comeu algo?

— Comi uns três flocos desse cereal. – indiquei com a cabeça, me sentindo uma ameba ambulante. – Não estou com fome.

— Eu mal te vi comer nessa semana, garota. – ela resmungou. – Não está assim porque sente saudade do Daniel, está?

   Revirei os olhos. Eve chegava a cada conclusão boba, às vezes. Tudo bem, eu realmente não comi direito nessa semana, mas eu realmente não estava com fome. Não fazia muita diferença.

   Eve bufou e ficou de pé, agarrando meu pulso e me puxando do sofá como se eu fosse uma boneca de pano. Eu a segui até a cozinha – sem ter muita escolha – e ela me colocou sentada à bancada. Fiquei observando-a ir da geladeira para o fogão.

— O que está fazendo?

— Minha vez de mimar você. – ela forçou um sorriso fofo. – E você vai ficar quieta e comer.

— Tudo bem. – sorri.

(...)

   Segunda-feira.

   Voei para o colégio com Eve ainda desmaiada no banco de passageiro, como sempre. Quando chegamos, eu e sacudi rapidamente. Jack estava encostado em seu carro, mexendo em seu celular. Quando nos viu chegar, abriu um sorriso do tamanho do mundo e guardou o celular no bolso do jeans, enquanto vinha em nossa direção.

   Jack é tão bonitinho, atencioso e preocupado. E quando vê Eve – mesmo desnorteada, sonolenta, levemente descabelada, com cara de ressaca e cumprimentando-o com um “Fala aí” – os olhos dele brilham. Seu sorriso resplandece. Já não podemos dizer o mesmo de Daniel Sullivan, não é mesmo? Que quando me viu no corredor nessa manhã, depois de uma semana sem nos falarmos direito, apenas sorriu, me deu um beijinho e disse:

— Que touca legal.

   Eu senti minha flor interior murchar lentamente, enquanto alguns amigos dele passavam por nós, cumprimentando-o, e ele me deixava totalmente de lado para falar com eles animadamente. Suspirei, virando-me para meu armário e o abrindo.

— Melhora essa cara, Ally. – Eve cochichou, com a feição preocupada, mesmo que a cara dela estivesse pior do que a minha.

   Mas considerando que a cara de derrota dela é por causa do sono, e não por falta de amor e atenção, ela esta bem melhor do que eu. Dei de ombros, procurando pelo meu livro de biologia. Meu armário estava uma zona, precisava de uma limpeza urgentemente. Tinha mais papéis de bala do que material.

   Os amigos de Daniel foram embora e ele voltou-se para mim novamente. Ele estava esquisito. Tinha alguma coisa nele, alguma coisa que...

— Como foi o jogo? – perguntei, ignorando a voz no fundo da minha mente que me deixava paranóica.

— Foi pesado. – ele suspirou. – Mas ganhamos, no final. Fomos comemorar em uma lanchonete e chegamos ao hotel bem tarde.

— Que legal. – sorri levemente. – E fizeram mais o quê?

— Er... – ele deu de ombros, desviando o olhar de mim rapidamente. Alerta, alerta. Esquisito. – Mais nada. Foi tudo bem corrido, então...

— Entendi.

   Ficamos nos olhando por alguns segundos. Eu tentando arrancar o que ele parecia esconder, e ele paralisado, parecendo querer dizer algo. Então, nosso contato visual foi quebrado por Benjamin. Novamente. Ele chegou sob os olhares e sorrisos de todo. O grande e vencedor capitão dos Lions, em toda a sua pose. Ele sorriu para nós e se aproximou.

— Ally Jones! – ele disse, me envolvendo em um abraço de urso tão repentino que eu arregalei os olhos e paralisei. – Devo dizer que seu namorado também foi incrível no sábado! Você tinha que estar lá para ver!

   Ele me soltou e eu engoli em seco, desnorteada, enquanto apenas balançava a cabeça positivamente. Daniel o olhava de forma dura.

— E fez mais sucesso do que nunca, hein? – Benjamin riu, dando dois tapinhas nas costas de Dan. – Até aquela sua amiga aparec...

— Sua aula de biologia é agora, não é? – Daniel o interrompeu rapidamente, voltando sua atenção para mim.

— Sim, é... – falei confusa. – Na verdade ainda faltam uns cinco minutos, mas...

— Mas é melhor correr para não se atrasar. – ele sorriu, mas o sorriso não chegava aos olhos. – Não quero te dar mais aulas extras, moça. Já temos muita coisa para revisar.

   Benjamin o olhava de forma estranha, com um leve sorriso nos lábios. Então, desviou o olhar do primo e virou-se para mim.

— Nos falamos mais tarde, Ally? Quero te contar cada detalhe de como Daniel se comportou nesse fim de semana. Ele me surpreendeu muito.

   Ok, eu estou bem confusa. Senti a mão de Eve no meu pulso e ela me puxou levemente para que eu a acompanhasse. Apenas acenei para Dan e Ben, vendo-os se encararem profundamente contanto que eu me afastava.

   Isso foi muito, muito estranho.

   No intervalo, ele se juntou a nós. Eu, Eve, Jack e Mark – o melhor amigo bonitinho de Jack, que parecia um elfo – já estávamos em uma das mesas do pátio aberto, aproveitando o friozinho que fazia próximo às árvores, quando Daniel chegou. Ele sentou-se ao meu lado, cumprimentando todo mundo. Eu já havia comprado lanche para mim e havia o suficiente para dividir com ele, então empurrei a bandeja em sua direção. Ele pegou uma maçã e pegou o celular no bolso de sua calça, mexendo no aparelho distraidamente.

   Eu me distraí prestando atenção ao que os meninos diziam e me peguei rindo das palhaçadas deles. Jack e Mark eram bem divertidos, era bom tê-los conosco.

— Eu tenho que ir resolver umas coisas. – Daniel disse de repente. – Depois a gente se vê?

   O olhei confusa. Ele já estava de pé, colocando a mochila em um dos ombros.

— Sim. – murmurei. – Acho que sim.

   Ele me beijou rapidamente e se foi para dentro do colégio novamente. Suspirei, quase desistindo de tentar entendê-lo. Eve me olhava com uma das sobrancelhas arqueadas.

— O que ele tinha?

— Vai saber. – dei de ombros.

(...)

   Tranquei o carro e andei devagar até a entrada da casa de Daniel. Ele não estava nas escadas da entrada, como de costume. Subi cada degrau bem devagar, sentindo meu corpo implorar por uma cama quentinha, enquanto eu me encolhia dentro do casaco. Estava fazendo mais frio hoje, apesar de ser outono e de estarmos na Califórnia. Toquei a campainha da casa, torcendo para que Daniel atendesse logo. Da varanda eu conseguia sentir o cheiro da comida de Tanya. Suspirei, torcendo para que ela me convidasse para ficar para jantar hoje, porque aquele cheiro estava realmente divino.

   Toquei a campainha novamente e a porta abriu no mesmo instante, revelando Daniel.

— Está com pressa para resolver cálculos hoje? – ele perguntou sarcástico. – Que milagre.

— Não enche. – resmunguei, passando por ele e entrando na casa. – Tanya está na cozinha?

   Ele apenas assentiu, enquanto fechava a porta. O deixei lá e fui até o outro cômodo, encontrando Tanya distraída e cantarolando baixinho enquanto cozinhava. Ao me ver, ela sorriu abertamente e abriu os braços. Fui até ela e a abracei. Eu realmente gostava dela.

— Que bom te ver, Ally! – ela me apertou em seus braços, beijando meu rosto em seguida e me soltando. – Senti a sua falta na semana passada, sabia?

— Também senti a sua. – sorri.

— Ficará para jantar conosco hoje? – perguntou. – Por favor.

   Eu assenti, batendo palmas mentalmente, e ouvimos Daniel pigarrear. Ele estava encostado no batente da entrada da cozinha, de braços cruzados e me olhando com uma sobrancelha arqueada. Tanya revirou os olhos e eu fui até ele. Fomos em silêncio até seu quarto, e não sei por que, aquela sensação estranha voltou novamente. Tinha algo errado, definitivamente.

   Sentei na cama e tirei meu caderno e estojo da bolsa, deixando-a em um canto do chão. Daniel sentou na minha frente, e começamos a aula.

(...)

   Já havíamos terminado de estudar há cerca de dez minutos, e eu não parava de pensar no frango que Tanya ainda preparava no andar de baixo. Ela nos pediu para esperar mais quinze minutos antes de descer. Daniel estava sentado à escrivaninha, mexendo em algo no seu notebook, enquanto eu ficava largada de braços abertos na cama olhando para o teto.

   Silêncio.

   O único barulho do quarto vinha do seu celular, que não parava de vibrar e apitar de cinco em cinco segundos, indicando mensagens. Daniel pegava o aparelho, lia, dava uma risadinha vez ou outra e deixava o bendito na mesa novamente, mas ele mal tirava a mão daquela porcaria e ele apitava novamente. E o ciclo se repetia. E eu já estava ficando bem irritada.

   Não é que eu tenha ciúmes, longe disso. Começamos com esse namoro de mentira, mas agora nós somos... Alguma coisa. Eu acho. Não é um namoro de verdade, mas temos algo. Ele mal me deu atenção hoje, só me explicou as matérias rapidamente e depois ficou pensativo. E agora ficar assistindo de camarote ele trocando mensagens o tempo inteiro com quem quer que seja está me incomodando. Ele mal troca mensagens comigo, e nunca trocava mensagens com ninguém antes dessa viagem à San Mateo.

  Daniel mal tocava em seu celular antes dessa viagem.

   Semicerrei os olhos e sentei num átimo, mirando meu olhar em suas costas. Será que Daniel estava me traindo? Meu Deus. Não basta não ter arrumado um namorado em dezessete anos de vida, o que eu arrumo é de mentira, já pediu um tempo e agora me traiu. Allison, você definitivamente tem uma vidinha bem mais ou menos. Fiquei observando o sorriso em seus lábios enquanto ele digitava uma mensagem para sua amante de San Mateo e senti uma coisa esquisita preencher meu peito e crescer cada vez mais, até eu ter dificuldade de respirar normalmente. Engoli em seco e, absurdamente, quis chorar.

   Olhei para o teto, fechando os olhos com força. Que merda está acontecendo comigo? Deve ser carência, definitivamente. Daniel me acostumou mal. Ele me encheu de atenção – como antes de resolver “beneficiar” a relação de mentira –, me tratou bem, me fez sentir especial e agora troca mensagens com outra. É sempre assim. Aposto que ele está mandando coraçõezinhos para ela nesse momento. E carinhas felizes.

   Ele nunca mandou coraçõezinhos ou carinhas felizes para mim. Apenas frases curtas e secas. E eu estou sendo uma idiota.

   Peguei minha bolsa e fiquei de pé, indo até a porta. Olhei-o de relance. Ele nem se mexeu; mal notou que eu havia levantado e estava quase na porta. Continuava digitando carinhas felizes e coraçõezinhos. Babaca.

   Saí do quarto e pensei em bater sua porta com força, para ver se ele se tocava, mas suspirei e encostei-a para que ele não percebesse a idiota que eu estou sendo. Ciúmes de Daniel. Eu estou sendo absurda e infantil. Eu não poderia privá-lo de se aproximar de outra pessoa, porque mesmo que tivéssemos a imagem de casal perante todos, na realidade não éramos um. E se ele estivesse com outra pessoa... Bem, seja o que for que haja entre nós teria que acabar.

   Ou eu estou sendo muito idiota e paranóica, e ele está na verdade trocando mensagens com seus amigos.

   Revirei os olhos, me encostado na parede ao lado da porta do quarto e olhando para o teto.

   Não seja idiota, Allison. Os amigos de Daniel sempre mandavam mensagens para ele o tempo inteiro, e ele sempre as ignorava, deixava para responder horas depois. E até parece que ele iria mandar coraçõezinhos e carinhas felizes para um bando de marmanjos que só sabiam falar de sexo, sexo, sexo. Festas, festas, festas. Bundas, bundas, bundas. Softwares, softwares, softwares (no caso dos seus amigos do clube de informática).

   O que me surpreende é ele ter ficado uma semana sem falar comigo direito por causa dos treinos e bastar dois dias em outra cidade para arrumar alguém novo para trocar saliva com ele. Daniel Sullivan, você é um...

— Ally? Você está bem?

   Saí do meu transe e só então percebi que estava batendo a cabeça com a parede atrás de mim. Abri os olhos rapidamente e dei de cara com Benjamin O’Neil na minha frente, saindo do banheiro de banho tomado. Seus cabelos loiros estavam molhados e bagunçados e ele me olhava com uma feição divertida enquanto voltava a secá-los com uma toalha. Vestia apenas uma calça de moletom. E mais nada.

   Quase entrei em transe novamente enquanto olhava seu abdômen, então tratei de desviar o olhar para seu rosto rapidamente, antes que parecesse ainda mais louca do que já sou.

— Sim. – falei quase sem voz. – Eu acho.

   Sua feição divertida desmanchou aos poucos e ele me olhou preocupadamente. Oh, não. A última coisa que eu quero agora é desabafar sobre o meu namorado de mentira para o cara que eu realmente gosto, e que ainda por cima está sem blusa. Eu vou explodir.

— Daniel te mostrou as fotos desse fim de semana? – ele perguntou, parecendo querer me distrair. – Eu te prometi que contaria como foi, certo?

   Sim, e eu ainda não entendi o motivo de você querer fazer isso.

 - Sim, você prometeu. – falei, sorrindo levemente. – Mas não sei se agora é uma boa hora...

— Claro que é! – ele sorriu. – Quando é que nós dois temos tempo de conversar de verdade? Somos praticamente da mesma família agora, certo? Vem comigo.

   Quando vi, estava sendo guiada por Benjamin até seu quarto, que ficava ao lado do quarto de Daniel. Ele segurava meu pulso delicadamente. Eu fui no automático, sem ter noção do que realmente acontecia ali. Era surreal. Quando entrei em seu quarto, dei de cara com um ambiente totalmente oposto ao de Daniel.

   O quarto de Benjamin era arrumado, mas não era organizado. As paredes eram brancas, a cama estava toda bagunçada e alguns pôsteres na parede. Havia uma grande janela aberta, por onde entrava um vento frio que me fez abraçar meu próprio corpo automaticamente, e ao lado dela ficava uma poltrona com um violão sobre ela. De alguma forma, tudo aquilo era bem a cara de Benjamin.

— Não liga pra bagunça, ok? – ele disse, sorrindo meio graça. – Não deu tempo de arrumar hoje.

— Tudo bem. – sorri fracamente, sem saber como agir.

— Pode sentar onde quiser. – ele disse, enquanto ia até o closet e pegava uma blusa qualquer, vestindo-a rapidamente. – Já passei as fotos para o notebook.

   Eu sentei na ponta de sua cama e fiquei olhando ao redor, prestando atenção em cada detalhe. Os pôsteres na parede, sobre a escrivaninha, eram de bandas. Havia alguns adesivos do sistema solar que brilhavam no escuro, colados no teto, sobre a cama. Pareciam desgastados, e imaginei há quanto tempo já estavam ali. Era engraçado estar aqui. Acho que nunca estive tão próxima de Benjamin, no sentido mais pessoal da palavra.

   Ele pegou seu notebook e sentou ao meu lado, com um sorriso quase infantil no rosto. Abriu uma pasta e clicou na primeira foto, colocando na opção de slide. As fotos abriram em tela cheia e foram passando sozinhas. Fotos do time no ônibus, todos sorridentes e animados. Fotos do treinador dormindo de boca aberta e os garotos fazendo poses bobas ao redor, da chegada no hotel, deles nos quartos compartilhados, no vestiário antes do jogo. Havia fotos do jogo também, que logo percebi que haviam sido tiradas por Mia, já que logo após essas fotos ela havia fotografado a si mesma, com Yui e Jane, todas sorrindo.

   Benjamin falava sobre cada uma e o sorriso não saía de seu rosto. Era estranho vê-lo assim. Ele sempre foi bem animado e divertido, mas eu nunca havia percebido o quanto ele realmente gostava de tudo aquilo, dos jogos, de estar com o time... Só então percebi que eu nunca havia conhecido Benjamin, em todos esses anos. Sempre perto e tão longe, ao mesmo tempo.

   Fiquei distraída enquanto o ouvia falando sobre como o time adversário não aceitou perder, e uma foto quase passou despercebida. Era Benjamin, Mia em seu colo e outros dois rapazes do time, aparentemente em uma lanchonete. Mas o que havia no fundo da foto, não muito distante, foi o que me chamou a atenção.

   Daniel e uma garota morena, de frente um para o outro, conversando próximos ao balcão da lanchonete.

   Senti minha respiração ficar presa, e Benjamin percebeu.

— Ah, isso... – ele pareceu meio sem graça, enquanto olhava da tela para mim.

   A foto mudou, mas eu continuei estática e totalmente confusa. Benjamin fechou o notebook e o deixou de lado.

— Quem era? – perguntei baixinho, olhando-o nos olhos. – Quem era ela?

   Ele ficou me olhando em silêncio, parecendo em dúvida entre me contar a verdade e me contar uma mentira confortadora. E graças a Deus ele preferiu não me enganar.

— Eu não sei bem, na verdade. – ele disse, passando a mão na nuca. – Daniel não falou muito sobre ela. Só disse que era uma amiga.

— Ela estava no jogo?

— Sim. – ele engoliu em seco. – Na verdade, eles se encontraram no hotel, quando chegamos. Pareciam surpresos em se ver. Então, ele a convidou para o jogo e depois ela nos acompanhou até a lanchonete. Foi só isso.

   Assenti fracamente, desviando o olhar do de Benjamin. Ele parecia não saber o que dizer. Eu também não sabia. Não sabia o que dizer, e nem o que pensar. Eu não a conhecia, e no fundo não queria, mas tinha a sensação de que havia mais por trás disso. Mas eu tinha o direito de me sentir assim? Eu e Daniel não...

   A porta do quarto foi aberta num rompante. Eu e Ben olhamos ao mesmo tempo, sobressaltados. Daniel tinha uma mão na maçaneta e nos olhava confuso e aparentemente irritado.

— Que porra é essa?!



Notas finais do capítulo

AI, TÔ NERVOSA!!! E VOCÊS? HAHAHAHA.
Antes que me matem, me xinguem, me ameacem: Podem acalmar o coração, tá baum? Porque eu sou ruinzinha, mas sou muito boazinha também, hahahaha. ♥
O que acharam do capítulo? Esse foi só o começo, e logo terá mais! O que acham que irá acontecer? Será que o Daniel está errado mesmo? Ele merece se explicar? E vemos que há uma certa aproximação do Benjamin... Comentem e me digam o que acham. ♥
Ah, uma coisinha importante: Quem quiser me adicionar no Facebook, pode vir, tá? Assim vocês podem falar comigo, hahaha. É só ir no link: https://www.facebook.com/allie.provier ♥
Logo trarei o próximo capítulo!
Bjbjbjbjbjbjbjbj



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