Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 17
17. Um conto de Collide | Ally pela visão de Daniel


Notas iniciais do capítulo

Sabe aquela sensação de desejar fortemente abraçar pessoas que você nunca viu pessoalmente? Então, é a que eu sinto agora. Eu leio cada comentário de vocês e me sinto muito, muito feliz. Porque essa fic é importante para mim, e ler o que vocês dizem sobre ela importa MUITO. E hoje, "Collide" recebeu mais duas recomendações. Muito obrigada, Milena G e Licalilica! ♥
Eu iria postar o capítulo 17 hoje (o de verdade), mas já avisei no último que ele será o começo de uma "treta" nova, hahaha. Então, eu resolvi dar esse presente pra vocês.
Eu acabei de escrever e tô muito feliz com o resultado. Espero do fundo do coração que vocês gostem. Dedico esse capítulo à Milena G, Licalilica e Lady Angel também, que foi a primeira a recomendar a fic. Amo vocês. ♥

P.S: O trecho da música de hoje é da música tema da fic, também chamada "Collide". Se vocês clicarem no nome dela, irão abrir o vídeo da música, então se quiserem ler esse capítulo ouvindo-a, fiquem a vontade. ♥




UM CONTO DE COLLIDE

ALLY PELA VISÃO DE DANIEL

 

Fora da dúvida que enche minha mente,

eu acho de alguma maneira você e eu colidimos.

Howie Day - Collide

 

   Eu estiquei os braços para frente, olhando o grande jardim que rodeava a casa de Leonard, sentindo todo o meu corpo dolorido pelas horas passados dentro do carro à caminho de Carmel. Respirei fundo o ar puro do local e me permiti relaxar. Era meio difícil realizar essa proeza, já que eu estava na casa do pai de Ally, passando-me por namorado dela. Eu fui idiota em dizer aquilo, devia ter dito que éramos apenas amigos, mas talvez fosse pior. Ia plantar a dúvida. E a última coisa que eu quero é o pai da minha suposta namorada me olhando torto e se perguntando o que diabos um cara está fazendo ao lado da filha dele sendo apenas “amigo”.

   Sentei em um banco feito de madeira em um canto do jardim, onde tinha uma boa vista do alto. O mar de Carmel era incrível, todo o lugar era, com seu ar de cidade pequena. Ouvi as risadas de Lucas vindas de dentro de casa e sorri. Não sei por que, mas eu via muito de Ally no menino, mesmo eles não sendo muito parecidos fisicamente, já que ele era bem loiro e tinha olhos claros. Mas algo no jeito dele, talvez o modo divertido e infantil...

   Suspirei, cruzando os braços e me encostando melhor no banco. Joguei um pouco a cabeça para trás e fiquei olhando os galhos das árvores sobre mim que balançavam por causa do vento.

   Eu não sei o que faço aqui. Não sei o que faço na casa de pessoas com as quais não possuo nenhum laço, não sei o que faço fingindo ser namorado de Ally, não sei o que diabos eu estou fazendo perto dessa garota. Mas era impossível não fazer tudo isso. Fechei os olhos, lembrando da expressão assustada dela no primeiro dia, no corredor. Sorri. Eu estava tão confuso quanto qualquer um ali, ouvindo Yui dizendo que eu era namorado de uma menina que eu havia notado algumas vezes. Sempre rindo com a sua amiga loira e com um eterno ar de sarcasmo.

   Na verdade, era meio difícil não notar Allison Jones. Ela tinha pontos marcantes, e um deles é a sua inocência e ingenuidade. Ela não percebe os olhares que atrai, tampouco se acha digna deles. Não percebe que toda vez que ela ri pelos corredores, todos percebem e sorriem junto – mesmo que pouco. Que o modo desajeitado e tímido dela lidar com os professores os fazem adorá-la. Que o olhar que Eve lança para ela, a todo momento, é de adoração e fica claro que ela faria qualquer coisa por Ally. Allison não percebe o modo como o mundo inteiro reage a ela, ela apenas vai lidando com a vida e deixando tudo rolar, sem se preocupar em aparentar algo que as pessoas querem, e essa é uma das coisas que eu adoro nela.

   Eu faria muito mais, se pudesse. Muito mais do que trazê-la até a casa do seu pai para eles se reconciliarem, fazer companhia e segurar sua mão enquanto ela faz aquela expressão confusa de quem não sabe o que fazer. Eu faria qualquer coisa por essa garota irritante, e a constatação disso me assusta. Porque até algum tempo atrás, éramos nada. Eu era Daniel Sullivan, um dos Lions, com uma vida comum e amigos algumas vezes legais. Ela era Allison Jones, que vivia correndo de um lado para o outro atrás de material esquecido no armário, que saía das aulas de matemática arrastando os pés e que sempre estava escrevendo coisas aleatórias no caderno durante as aulas. E, de repente, nós colidimos. E o impacto foi tão forte que eu não vejo como repará-lo. Não vejo saída para isso, só me vejo precisando entrar cada vez mais na sua vida e talvez, um dia... Talvez...

— EI!

   Abri os olhos rapidamente, assustado, e a imagem dos galhos das árvores foi substituída pelo rosto de Ally. Ela me olhava de cima, com uma sobrancelha arqueada e os curtos cabelos presos em um coque, alguns fios de sua franja solta balançando levemente contra o meu rosto. Ajeitei minha posição no banco, voltando a olhar para frente com o coração acelerado, enquanto ela vinha sentar ao meu lado.

— Esse lugar é incrível, não é? – ela disse, sorrindo. – Eu sentia falta daqui.

— Você vinha muito aqui?

— Sim, nas férias eu e meus pais sempre vínhamos passar alguns dias. – ela sorriu ainda mais, com os olhos brilhando um pouco. – Às vezes eles alugavam uma casa de férias e eu ia à praia todos os dias.

— Parece um bom programa de família. – falei totalmente aéreo. – Não fiz muitos programas assim com a minha mãe.

   Ally ficou me observando, pensativa, e por fim sorriu levemente. Eu gostava do modo como os olhos dele fechavam um pouco quando ela sorria – como olhos de raposa – e suas maçãs do rosto ficavam um pouco proeminentes e rosadas. Ela era tão pequena.

— Pode fazer programas de família comigo. – ela disse como se fosse uma solução simples. – Virei mais vezes e você pode vir junto. Às vezes, eu saio com Eve e Vanessa e fazemos alguns passeios bem legais também. O que acha?

   Senti aquela velha sensação – aquela que eu nunca senti, mas que tem se tornado costumeira desde que essa garota cruzou seu olhar assustado com o meu no corredor – se apossar do meu peito novamente. Aquele arrepio pela espinha e a sensação estranha no estômago. Como se ele se enchesse de ar e não parasse, até que eu estivesse com a sensação de que estava caindo. Caindo por algo que tenho medo de saber o que é.

   Eu me resumi a dar de ombros, assentindo fracamente, enquanto ela sorria ainda mais. Ficamos em silêncio, cada um com seus pensamentos, observando o mar de Carmel. Olhei-a pelo canto dos olhos, disfarçadamente. Ela apoiava suas mãos no banco, com o corpo levemente inclinado para frente, os lábios um pouco curvados nos cantos em um pequeno sorriso e os olhos quase fechados. Era a expressão que ela sempre fazia quando sentia o vento em seu rosto. Eu havia notado isso há um bom tempo, desde que fomos ao Píer 39 pela primeira vez.

   Ally era uma pessoa tão desencanada e tranqüila que eu me perguntava se ela tinha noção da sua profundidade. Se ela sabia o que era, realmente. Ela não era de muitos amigos, mas era adorada por todos que tinha. Era impossível não compará-la com as outras garotas do colégio, com toda a sua obsessão por popularidade e pessoas ao redor.

   Allison vivia sua própria vida quase sozinha, à sua própria maneira e ritmo, e não aparentava se preocupar com isso. Mas eu percebia aquele tom de melancolia. O modo como ela olhava para Eve e Vanessa juntas, a maneira como sorria ao ver Leonard com as crianças no colo. Não era inveja e nem rancor – mas saudade. Talvez do que ela tinha com seus pais sempre por perto, ou talvez pelo o que ela não tem agora. Ela nunca teve raiva, nunca fez birras ou se tornou rebelde por ter sido deixada sozinha. Sempre procurou entender a escolha de sua mãe; agora perdoou seu pai pelas escolhas dele. Quando é magoada por alguém, ela deixa para lá. Quando a irritam, ela suspira e diz “Tudo bem, não importa”. Quando algo não sai como ela planejava, ela dá um longo suspiro e refaz tudo de novo, sem reclamar.

   Ela nunca coloca para fora o que realmente sente, sempre procura relevar e vida que segue. E eu me pergunto o quão fundo está o buraco onde ela joga todas as suas emoções reprimidas. E qual será o tamanho do estrago quando todas elas vieram à tona – quando ela cansar de ser essa garota que deixa tudo para lá, e se tornará a que cansou de reprimir tudo o que sente.

   O coração de Ally é um poço fundo e escuro, coberto por toda essa camada bonita. Eu nunca sei o que esperar dela – talvez, nem ela saiba ainda.

   Ouvimos Lucas correr para fora da casa, vindo em nossa direção com um olhar curioso e um grande sorriso. Ally ficou feliz ao vê-lo e ele rapidamente se pôs no meio de nós dois. Ele pegou em sua mão despreocupadamente, e ela pareceu tocada por isso. Seu olhar encontrou o meu e seus olhos brilhavam. Sorri ao ver sua reação à aproximação de seu irmão mais novo. Lucas virou para mim e começou a tagarelar sobre o jardim, com sua voz enrolada de criança. Ele era uma criança muito inteligente.

   Fui respondendo às suas perguntas sobre as árvores e o mar, e seu olhar se abria mais, surpreso, a cada vez que eu respondia suas perguntas com facilidade. Não demorou para que Leonard aparecesse, chamando-o para ir tomar banho. Lucas correu até o pai, tagarelando sobre tudo o que eu lhe disse sobre a natureza. E logo estava correndo de volta para casa, ao encontro de sua mãe. Leonard nos olhou, com um leve sorriso nos lábios, e eu sabia que era a minha deixa.

   Fiquei de pé e pisquei um olho para Ally. Ela parecia um pouco nervosa, talvez apreensiva pelo que viria a seguir. Senti vontade de abraçá-la nesse momento, mas me contive. Leonard me lançou um olhar de agradecimento e eu apenas assenti discretamente, indo em direção a casa. Mas parei no deque de madeira, próximo à porta de entrada, e fiquei olhando-os por um tempo.

   Leonard sentou-se onde eu estava anteriormente, e eles começaram a conversar. Vi o modo como ele olhava para Ally, e o olhar que ela lhe retribuía. Vi o sorriso nos lábios dela, e senti um nó na minha garganta.

   Leonard sempre a olhava como se fosse capaz de qualquer coisa pela filha. Ele a olhava como se ela fosse tudo o que ele tinha – seu bem mais precioso – do qual ele nunca abriria mão.

   E nesse momento, eu cheguei a uma constatação óbvia e assustadora: Eu também seria capaz de qualquer coisa por essa garota estranha e confusa, e dirigir por duas horas para trazê-la até seu pai era pouco diante de tudo o que ela merecia; de tudo o que eu quero fazer por ela. Respirei fundo, fechando os olhos e sentindo uma pontada incômoda no lado esquerdo do peito.

   Eu não tenho idéia do que ela sente por mim. Não sei como convencê-la de que eu sou uma escolha melhor do que Benjamin. Não sei como fazê-la enxergar que eu estou aqui. Mas ao vê-la limpar o rosto rosado de lágrimas e, em seguida, abraçar seu pai, me fez chegar à conclusão de eu não iria fugir. Não iria lhe dar as costas e correr disso tudo, por mais confuso e novo que seja.

   Eu irei ficar.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado! ♥
Eu já pensava em fazer capítulos na visão de Daniel há um tempo, mas não tinha certeza de quando e como ainda. Vocês gostaram? Se sim, posso fazer mais capítulos assim. ;)
Logo trarei o próximo capítulo (NÃO ME MATEM, sei que estão todas subindo pelas paredes, ahahahhaha).
Bjbjbjbjbbjbj

P.S: Lembram dos links com fotos dos personagens? Aproveitando a deixa desse capítulo, vocês podem ver como o Leonard, a Kate e as crianças são! E ainda tem a Vanessa de bônus, haha. É só irem nos links abaixo:

Leonard: https://goo.gl/nSwd9K
Kate/Lucas/Valentina: https://goo.gl/xV4nmp
Vanessa: https://goo.gl/eSKSQ3



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