Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 15
15. A Noite


Notas iniciais do capítulo

OLHA QUE CAPÍTULO RÁPIDO! HAHAHA.
Primeiramente, eu gostaria de agradecer à Lady Angel pela RECOMENDAÇÃO LINDA que ela fez pra fic!!! Muito obrigada, de verdade, esse capítulo é dedicado à você! Eu pulei feito uma idiota enquanto lia, fiquei feliz demais, hahahaha. Ah, e agradeçam a ela também, porque eu só resolvi postar esse capítulo agorinha por causa dela, tá? Senão eu ia postar daqui a alguns dias, hahaha. ♥
No final tem novidades sobre a fic, fiquem de olho! E espero que gostem do capítulo. :D




CAPÍTULO 15 

E se você gosta de ter pequenos encontros secretos, se você gosta de fazer as coisas que sabemos que não devemos...
Amor, eu sou perfeito para você.

One Direction - Perfect

 

   Quando Daniel chegou do mercado, eu já havia tomado banho e colocada minhas roupas sujas na máquina de lavar. Aproveitei para arrumar a casa, rapidinho, já que eu havia passado dias fora. Só deu tempo de varrer e organizar a sala antes de ele chegar, cheio de sacolas. Parecia ter comprado muito mais coisa do que havia na lista.

— Assaltou o mercado? – perguntei, seguindo-o até a cozinha.

   Ele revirou os olhos, enquanto equilibrava todas as sacolas nas mãos e braços e colocava-as sobre a mesa, suspirando no fim.

— Não, moça. Eu comprei comida suficiente para você sobreviver durante essa semana. – ele respondeu. – Eu já te conheço o suficiente para saber que você não vai lembrar de fazer compras amanhã.

   Esse era um bom ponto. Ele estava certo. Então me resumi a agradecer a gentileza, enquanto retirava as compras das sacolas para guardá-las na geladeira e armários. Ele havia comprado um monte de coisas. Eu havia pedido que ele trouxesse apenas macarrão e coisas para fazer o molho, mas ele havia trazido até feijão enlatado. Eu não faço idéia de quando irei cozinhar esse feijão, sinceramente.

   Após guardar tudo, ele foi tomar banho. Só então percebi que a mochila dele estava cheia, e não era de material escolar. Ele havia trazido roupas e toalha de banho. Ou seja: já planejava vir dormir aqui desde que saiu de casa, antes mesmo de eu permitir.

   Deixei para arrancar a verdade dele após o jantar, então me distraí preparando a comida. Por sorte eu escolhi fazer macarrão, que era rápido e fácil de fazer. Preparei tudo em 40 minutos e decidi arrumar a pequena mesa de jantar da sala. Geralmente ela ficava coberta de revistas e coisas inúteis que eu largava lá, pelo fato de nunca usá-la, mas hoje eu decidi mudar as coisas. Tirei tudo de cima dela, sob o olhar curioso de Daniel, que assistia TV no sofá.

   Limpei a mesa e coloquei os jogos americanos, pratos, talheres e copos.

— Vai vir mais gente pra cá? – Daniel perguntou, divertido. – Sabe que não precisa disso tudo.

— Eu sei, mas hoje iremos comer civilizadamente. – falei, colocando as mãos na cintura. – Ok?

   Ele deu de ombros, com um sorriso contido nos lábios, e eu fui pegar a travessa do macarrão. Daniel prontamente sentou à mesa.

— Hmmm... – ele sorriu, suspirando exageradamente. – O cheiro está ótimo.

— Mesmo se estiver ruim, você vai comer tudo. – falei me fingindo de séria, mas por dentro ria.

   Na primeira garfada, Daniel arqueou as sobrancelhas para mim, surpreso, e assentiu positivamente. Não sei por que, mas vibrei por dentro de felicidade. Meu objetivo de vida não era cozinhar bem para agarrar um homem pelo estômago, mas saber que minha comida era boa me deixava feliz. Eu havia aprendido tudo com a minha mãe, e como agora vivia sozinha, havia aprimorado para conseguir sobreviver. Cozinhar era algo que eu gostava bastante, assim como escrever. Assisti Daniel comer sentindo vontade de rir das expressões deleitosas que ele fazia. Ele exagerava para me divertir, eu sabia disso, mas parecia ter gostado realmente.

   No fim, ele me ajudou a arrumar a mesa e se ofereceu para lavar a louça. Nem insisti para que não o fizesse, porque eu já estava bem cansada. Enquanto ele colocava tudo na lava-louças, eu revirava a geladeira à procura de algo doce.

— Eu comprei uma fatia de torta de chocolate naquela confeitaria próxima ao mercado. – ele avisou, esticando o pescoço para olhar dentro da geladeira também. – Está ali na segunda prateleira.

   Olhei bem e só então avistei a torta. Suspirei, sorrindo abertamente. A fatia era enorme, daria para dividir entre nós dois tranquilamente. Fomos para a sala, cada um com sua sobremesa em mãos, e nos jogamos no sofá. Havia acabado de começar o primeiro filme do Capitão América – que eu também já havia assistido milhares de vezes – e resolvemos assistir novamente.

   O dia em que passar um filme novo na TV será memorável.

— Agora pode falar. – comecei, colocando uma colher de torta na boca. – Por que quis dormir aqui hoje?

   Daniel ficou em silêncio, enquanto mastigava o doce com o olhar fixo na TV. Por fim, deu de ombros. Parecia chateado.

— Eu só ando um pouco cansado das coisas lá em casa. – ele disse. – Quero dizer, eu me dou muito bem com meus tios. São como os pais que nunca tive. Mas...

— É por causa de Benjamin? – joguei na lata.

   Ele não respondeu. Ficou um tempo em silêncio, e eu esperei. Depois mudou de posição no sofá, sentando um pouco mais virado para mim, com uma expressão séria.

— O que você mais gosta nele? – ele perguntou. – O que há nele que te faz suspirar ou qualquer merda assim?

   Arqueei uma sobrancelha, estranhando sua pergunta.

— Isso está parecendo conversa de meninas de doze anos, Dan...

— Apenas responda.

   Assenti, pensando no que diria. O que eu mais gostava em Benjamin? Hm...

   Mordi o lábio inferior, tentando pensar em algo, mas não me vinha nada à mente. Comecei a estalar os dedos distraidamente, sob o olhar insistente de Daniel, e por fim achei uma resposta.

— O sorriso dele. – respondi confiante. – E os olhos. Também o acho muito talentoso.

— Resumindo, ele é um ótimo pedaço de carne. – ele afirmou, mas com um tom interrogativo.

— Claro que não! – falei rapidamente. – Ele é lindo, sim. Mas é mais do que isso. Eu acho.

— Você acha.

   Lancei um olhar cansado a Daniel, e ele parou com a ironia. Ele sorria levemente, mas me olhava de forma afetada. Eu não entendia tudo aquilo.

— Ele não é tudo isso, Ally. – Dan disse com uma voz mais macia, o que eu estranhei. – Quando você vai enxergar isso?

— Ah, não. – bufei. – Não me venha com esse papo novamente, por favor. Você e Eve estão me tirando do sério com essas conversas.

— Tudo bem. – ele deu de ombros, finalizando o assunto. – Enfim, o meu problema é esse. Eu gosto de Benjamin, nós nos damos bem geralmente, mas brigamos muitas vezes. Ele me faz perder a paciência. Então, eu prefiro manter certa distância por um tempo.

   Fiquei observando-o por um tempo, tentando ler algo em sua expressão, mas não adiantou. Quando ele me pegou olhando para ele, eu desviei o olhar e voltei a assistir ao filme. Não tocamos mais no assunto.

(...)

   Na hora de dormir, decidi deixar Daniel no meu quarto e fui dormir no quarto da minha mãe. A cama dela era bem maior e mais aconchegante, então me enrolei toda nas cobertas, como uma criança. Fechei os olhos, sentindo o cheiro do perfume dela ainda nos travesseiros. Suspirei. Eu sentia muita falta dela.

   Só então lembrei que o meu celular havia ficado em meu quarto. Ela devia ter mandado mensagens e eu não vi. Fora que se ele tocasse, iria incomodar Daniel. Eu me arrastei pela cama para ir até meu quarto resgatar meu celular. O apartamento estava silencioso e meu quarto todo apagado. Daniel já devia ter dormido.

   Entrei de fininho e fui até a minha escrivaninha, tateando as mãos no escuro sem conseguir enxergar nada. Quando finalmente achei meu celular, ouvi uma movimentação na cama.

— Credo, garota. – Daniel resmungou. – Eu nem te ouvi entrar, quer me matar de susto?

   Controlei a vontade de rir e me virei para ele. Apesar da pouca iluminação que vinha da rua através da janela, era possível vê-lo sentando na cama com os olhos bem abertos. Não parecia ter sono.

— Pensei que já estivesse dormindo. – falei. – Vim pegar meu celular.

— Ele tocou algumas vezes. – avisou. – E eu não consigo dormir.

— Por que? – fui até a cama, me sentando de frente para ele.

   Dan deu de ombros, suspirando com uma expressão entediada. Entrava um pouco de luz da rua no quarto através da janela próxima a cama, o que me possibilitava de ver um pouco do rosto dele.

— Dorme aqui comigo? – perguntou repentinamente, me fazendo arregalar os olhos. – Eu não vou fazer nada com você, não faça essa cara. Só quero companhia.

   Pensei um pouco em seu pedido. Ele estava em um lugar diferente, era natural que não conseguisse dormir direito. Mas se ele tentasse algo, eu o jogaria pela janela. Por fim, concordei, após fazê-lo prometer que não tentaria absolutamente nada. Minha cama era grande, então tinha espaço suficiente para deitarmos juntos sem ficarmos agarrados. Mas apenas quando me cobri com o mesmo edredom que ele foi que percebi que ele estava apenas de cueca.

   Meu corpo quase voou para fora da cama, enquanto ele me olhava confuso.

— Você está pelado, Daniel! – reclamei, dando uma cotovelada nele. – Vai vestir uma roupa agora.

— Eu não estou pelado, estou de cueca. – bufou. – E só consigo dormir assim, acostume-se. Até parece uma virgem indefesa.

— É porque eu sou, idiota. – resmunguei baixinho, irritada, enquanto praticamente socava o travesseiro para amaciá-lo e deitava toda encolhida, tentando não encostar nele.

   Fez-se um minuto de silêncio absoluto, até ele processar o que eu havia dito e se remexer ao meu lado, apoiando-se sobre um cotovelo e olhando para mim.

— Você é virgem, Allison? – ele perguntou, parecendo surpreso. – Mentira.

— Não é da sua conta. – resmunguei novamente, de olhos fechados. – Vai dormir.

— Eu imaginei que você não fosse muito aventureira, mas virgem? – ele continuou, mais falando sozinho do que comigo. – Tipo, totalmente?

— E o que seria alguém parcialmente virgem, Sullivan? – perguntei, começando a ficar irritada de verdade. – Me explique, Sr. Aventureiro.

— Ah, você sabe. – ele deu de ombros, com um sorriso se formando lentamente em seus lábios bonitos. – Uma mão aqui, outra ali e...

   Senti sua mão quente percorrer minha coxa e o chutei, fazendo-o rir alto. Soltei uma série de palavrões, enquanto voltava a me virar de costas para ele e afundava meu rosto no travesseiro. Ele deitou de costas na cama e o ouvi rindo baixinho. Revirei os olhos, com o olhar na janela do quarto. Dava para ver algumas estrelas, bem poucas devido à iluminação da cidade. Fazia muito tempo que eu não as via.

— Isso é bonitinho. – ele disse de repente, baixinho. – Não há problema algum nisso.

— Eu sei, eu me sinto muito bem com a minha atual situação. – resmunguei.

   Eu não me sentia como a pré-adolescente de 12 anos que ficava ansiosa e triste porque todas as meninas do seu grupo de amigas já beijaram e ela não. Não havia mal algum em ter 17 anos e ainda ser virgem. Até porque eu queria que fosse... Especial.

— Está se guardando para o Benjamin? – o idiota soltou, com uma voz fina e sarcástica.

   Sentei na cama num pulo e antes mesmo que ele pudesse processar o que acontecia, joguei meu travesseiro na cara dele. Sua risada soou, e eu acabei rindo também. Ele sentou ao meu lado, com meu travesseiro nos braços, contra seu peito desnudo. Meu olhar percorreu seu peito e braços, e devo admitir que seu corpo era bom de olhar. Quase tão bom quanto olhar o de Benjamin. Meu olhar se encontrou com o seu, e ele parecia relaxado.

— Não. – respondi.

   Ele pareceu confuso com a minha resposta inicialmente, mas depois entendeu a que eu me referia. Pareceu um pouco surpreso, mas tentou disfarçar.

— Bom... Isso é bom. – ele murmurou. – Pelo o menos você não é tão idiota a ponto de sonhar que sua primeira vez seja com o capitão do time. Isso é bem clichê.

— E ele tem namorada, então... – dei de ombros, com um sorriso contido.

   Daniel revirou os olhos e voltou a deitar. Fiz o mesmo que ele, enquanto colocava meu travesseiro de volta no lugar. Eu me aconcheguei debaixo da coberta, dessa vez com o corpo virado para Daniel, que observava o teto do quarto distraidamente.

— Está pensando em que? – perguntei depois de um tempo.

— Não é da sua conta. – ele disse, mas com uma voz suave e um sorrisinho de canto. – Vai dormir.

   Bufei baixinho e virei meu corpo para ficar de costas para ele, mas antes que pudesse completar a ação, Daniel veio parar em cima de mim. Suas mãos prenderam meus pulsos ao lado da minha cabeça, como quando estávamos na casa do meu pai.

   Senti minha respiração ficar presa, enquanto o olhava surpresa. Seu rosto se aproximou do meu lentamente e soltei a respiração devagar, sentindo a ponta do seu nariz percorrer a minha bochecha. Seus lábios pairaram sobre os meus e eu senti meu coração acelerar dentro do peito, ansiando pelo momento seguinte.

   E quando ele veio, reverberou por todo o meu corpo. Como sempre. Senti o arrepio costumeiro passar pela minha espinha e as minhas mãos afoitas por tocarem em Daniel. Era surreal. Eu nunca havia me sentido tão bem ao beijar alguém antes, nunca havia sentido tantas coisas ao mesmo tempo. Era como se o meu corpo estivesse caindo e o chão nunca chegasse.

   Daniel soltou minhas mãos e elas rumaram sozinhas para as suas costas, enquanto ele encostava mais em mim e uma de suas mãos vinha até meu rosto, acariciando-o levemente. E quando eu aprofundei o beijo, sentindo meu corpo relaxar cada vez mais abaixo do seu, ele nos interrompeu interrompeu. Ficamos nos olhando por um tempo, um pouco arfantes. Fiquei sem entender o motivo da interrupção, até que senti algo... Mais abaixo.

   Fechei os olhos, apertando os lábios e tentando não rir, enquanto Daniel ria baixinho ainda em cima de mim. Seu rosto afundou em meu pescoço e senti sua respiração quente na minha pele. Estranhamente, eu não queria parar. Não que eu quisesse ir até o fim, mas meu corpo ansiava por mais dele. Por mais Daniel.

    Eu não sabia mais o que sentia. Estava tudo formando um redemoinho dentro de mim e ele crescia cada vez mais.

   Ficamos um bom tempo na mesma posição. Seu corpo sobre o meu, seu rosto em meu ombro, respirando contra a pele do meu pescoço calmamente. Aos poucos voltamos à tranqüilidade de antes e eu me peguei acariciando seus cabelos, enquanto fechava os olhos e sentia-me adormecer.

(...)

   Acordei com um alarme estridente soando.

   Sobressaltei onde estava, olhando ao redor totalmente desnorteada. O barulho vinha do meu celular. Estiquei a mão até a mesa de cabeceira e o alcancei, deslizando o dedo na tela do aparelho para cessar o alarme. Suspirei, morrendo de sono. Deixei o celular de lado novamente e só então notei o ambiente ao meu redor.

   Eu e Daniel dormíamos de conchinha.

   Meu Deus, que situação. Suspirei, querendo voltar a deitar a cabeça no travesseiro, mas o braço dele estava no caminho, esticado. Antes que eu pudesse tirar seu braço do caminho, ele me puxou para mais perto e rodeou seus braços e pernas ao meu redor como uma jibóia. Eu me vi presa a ele, desde o pescoço até as pernas.

— Bom dia, mulher. – ele sussurrou sonolento, e eu podia sentir que ele sorria.

   Revirei os olhos, me remexendo para que ele me soltasse. Por fim, ele esticou seus braços e pernas enquanto virava o corpo para cima e eu pude sentar na cama. Olhei pela janela e vi que o sol já havia nascido. Pelo horário, tínhamos apenas quarenta minutos para chegar ao colégio.

— Levanta logo, estamos quase atrasados. – avisei, saindo da cama enquanto tentava ver meu reflexo no grande espelho que havia pendurado perto da janela.

Quase. – ele frisou, passando as mãos no rosto. – Você fica uma gracinha quando acorda, sabia?

— Sabia. – respondi, fazendo-o rir. – Vou preparar algo para comermos.

   Ele assentiu, enquanto sentava na cama ainda com cara de sono e com os cabelos escuros bagunçados. Sua barba havia crescido um pouco nos últimos dias, isso o deixava com uma aparência um pouco mais velha, mas nem de longe era ruim. Não pude evitar sorrir com a visão. Fui ao banheiro fazer minha higiene matinal e dei um jeito nos cabelos rapidamente. Eles já estavam nos ombros e isso me irritava um pouco, pois dava mais trabalho para deixar no lugar. Eu tinha que ir cortá-lo novamente. E tinha que comprar comida.

   Eu tinha que fazer várias coisas, mas sempre esquecia.

   Fui para a cozinha preparar algo rápido para comermos e acabei optando por fazer ovos mexidos. Fiz tudo rapidamente e deixei sobre a bancada da cozinha, junto com torradas e outras coisas. Esbarrei com Daniel já de banho tomado e arrumado no corredor. Enquanto ele ia para a cozinha, eu fui tomar banho. Fiz tudo apressada e, por fim, comi meu café-da-manhã.

   Daniel insistiu para que fôssemos em seu carro, e que poderia me trazer de volta no fim das aulas. Eu concordei e passamos na casa de Eve para buscá-la. Ela entrou no carro toda enrolada em seu casaco de moletom e se jogou no banco de trás deitada, fazendo sua mochila de travesseiro, sem dizer nada.

   Chegamos a tempo para a primeira aula e sacudi Eve, que levantou mais sonolenta do que antes. Teríamos a primeira aula de biologia juntas, então fomos direto para a nossa sala enquanto Daniel ia para a sua, no outro lado do corredor.

   Dei de cara com Jack sentado na mesma mesa de Eve, no lugar onde o parceiro dela de biologia geralmente estava. Arqueei uma sobrancelha para ele, confusa, e ele sorriu tranquilamente para mim. Eve abaixou os óculos escuros que usava e olhou para ele, ao lado da mesa.

— Cadê o cenourinha? – ela perguntou confusa.

   “Cenourinha” era o Joe, parceiro dela nas aulas de biologia. Ela o chamava assim desde o primeiro ano do high school porque ele é tão ruivo que chega a doer os olhos. Sorte que o menino levava na esportiva e não se ofendia.

   Nem deu tempo de Jack responder a pergunta de sua amada, porque Joe apareceu no mesmo instante todo feliz com seu cabelo ruivo e suas sardinhas.

— Eve, eu e Jack trocamos de parceiras. Você não se incomoda, né? – ele perguntou. – É que eu estou há um bom tempo tentando me aproximar da Kim e...

   Eve olhou para o lugar onde Kim, - a antiga parceira de Jack – estava sentada. Suspirou, assentindo rapidamente e fazendo um gesto com a mão para que Joe fosse para lá logo, antes que a cabeça dela explodisse.

   Sentei em meu lugar, na mesa à frente deles, tentando conter um sorriso. Jack parecia feliz e satisfeito em estar ali, enquanto Eve largava sua mochila no chão e sentava igual uma troglodita, em seguida deitando a cabeça na mesa e impossibilitando qualquer contato.

   Sorri para Jack, balançando as sobrancelhas, e ele riu baixinho. Ele era esperto.

(...)

   A aula de biologia correu tranqüila. Resolvi alguns exercícios com James, meu parceiro, enquanto ouvia Eve resmungando atrás de nós com Jack. Eu sabia no que isso iria acabar...

   No fim da aula, Eve claramente queria fugir da sala – mais especificamente de Jack; mais especificamente ainda, do que ela sentia por ele – mas eu o convidei para passar o intervalo conosco. Pelo olhar que ela me lançou, eu sabia que iria apanhar cedo ou tarde, mas a ignorei. Nós três fomos para o pátio aberto e encontramos Daniel em uma mesa. Ele conversava com um de seus amigos do time e sorriu ao me ver. Sentamos ao seu redor e ele empurrou sua bandeja em minha direção, enquanto ainda conversava com o outro garoto, e vi que ele havia comprado lanche suficiente para nós dois. Peguei um dos sanduíches e um suco e comecei a comer, enquanto observava Eve de óculos escuros e braços cruzados olhando para o céu e Jack observando-a com cara de apaixonado.

   Se ela continuar fechada desse jeito, eu vou ter que apelar.

— Então, Jack, o que está achando de ter Eve como parceira de biologia? – iniciei o assunto. – Receptiva, né?

— Muito. – ele assentiu, sorrindo, totalmente sarcástico. – É muito bom ter alguém tão comunicativa por perto.

— Concordo. – assenti, bebendo um gole do meu suco de caixinha. – Eu sempre digo: Eveline Walker, você é a garota mais receptiva, comunicativa e doce que eu conheço!

— Ah, calem a boca. – ela bufou, tirando os óculos escuros e deixando-o sobre a mesa, revirando os olhos. – Vocês são tão chatos.

— Nossa, ela estava aqui! – falei, sorrindo abertamente. – Você tinha notado a presença dela, Jack?!

— Não! – ele riu, entrando na minha brincadeira. – Nossa, que surpresa!

   Eve nos olhou como se fôssemos dois idiotas – não posso negar isso – e Daniel se despediu de seu amigo, voltando sua atenção a nós três. Ele começou a contar sobre o próximo jogo e sobre uma viagem de dois dias que ele teria que fazer com o time para San Mateo, a cidade vizinha, para participar de um torneio. Seria no próximo fim de semana e ele perguntou se gostaríamos de ir também. Talvez desse, se não surgisse nenhum imprevisto.

   No fim das aulas eu passei na sala de informática para deixar um rascunho de um artigo pro jornal com o Sr. Harris, para ele avaliar, e corri para o estacionamento. Daniel já me mandava mensagens, me apressando. Ele, Eve e Jack me esperavam ao lado de seu carro, conversando.

— Vamos? – perguntei.

— Ah, eu... – Jack começou, atraindo nossa atenção. – Eu posso levar Eve para casa hoje.

   Eu e Daniel olhamos para Eve instantaneamente, ansiosos, e ela ficou olhando para Jack por algum tempo, parecendo avaliá-lo. Por fim, ela assentiu. Sorri, abraçando-a e dando um beijinho em seu rosto. Ela semicerrou os olhos para mim, já sabendo o que eu estava pensando. Eles foram para o carro de Jack e eu entrei no de Daniel, olhando na direção deles a todo momento.

— Será que hoje ele consegue? – Dan perguntou.

— Eu acho que não. – mordi o lábio inferior, ligando o rádio. – Mas eu acho que vou dar uma ajudinha...

   Daniel fez careta, negando com a cabeça. Revirei os olhos.

— Não adianta fazer essa cara. – falei. – Eu sou boa em juntar casais.

— Imagino... – ele murmurou irônico. Dei um tapa em seu braço e ele riu. – Então, o que planeja fazer, afinal?

— Você logo verá.



Notas finais do capítulo

Ai, gente, quero o Daniel. Só isso, hahahaha. Vocês acham que a Ally vai conseguir juntar a Eve e o Jack? Hein, hein?
Agora, a novidade que mencionei lá em cima! Para quem nunca clicou nos links que coloco vez ou outra nos nomes deles (onde mostra a roupa que estão usando, é bobinho, mas adoro fazer isso, hahaha) ou não consegue "visualizar" bem os personagens, resolvi fazer um compilado com fotos de cada um para vocês verem! ♥
É só clicar nos links abaixo:

Ally Jones: https://goo.gl/T5aeoH
Daniel Sullivan: https://goo.gl/MV2w4v
Eve Walker: https://goo.gl/v7QoN2
Jack Smith: https://goo.gl/qY0QVH
Benjamin O'Neil: https://goo.gl/PCiOvC
Mia Campbell: https://goo.gl/G3TlRz
Yui: https://goo.gl/JIKDgj
Jane: https://goo.gl/dQdmI5

E aí, eles são como vocês imaginam? Ou vocês os imaginam de outro jeito? :D
E não esqueçam de dizer o que acharam do capítulo ♥ logo trarei o próximo!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Collide" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.