Justice: Born to Die escrita por Barbara Herdy


Capítulo 25
Exile | Homecoming


Notas iniciais do capítulo

OLA, NINJAS!

Tudo bem com vocês?

Por aqui está tudo maravilhoso ♥

Como foi o carnaval de vocês? Colocaram as leituras em dia? E as séries? E os filmes?
Ansiosos com a estreia de Punho de Ferro no Netflix? Dia 17 está chegando e eu estou contando os dias aqui ♥

• NOTÍCIAS EXTRAORDINÁRIAS:

— Chegamos aos 8K no NYAH! E estamos pertinho de chegar aos 4K no Social Spirit!!! Muito, muito obrigada pelas leituras, pessoal. E por favor, comentem. Eu estou sentindo falta dos comentários de vocês e eles são ESSENCIAIS para o andamento da história. Eu estou bem tristinha por isso e me sinto muito sozinha aqui, viu? :(((

— TEMOS UMA NOVA CAPA. ELA TEM SPOILERS? TALVEZ.
Ela foi feita pela FABULOSA KAMICAT FANFICS e eu recomendo muito esse grupo super atencioso, talentoso e simpático. Se você é escritor e precisa de uma capa, banner, divulgação e trailer de qualidade e feito com muito carinho e atenção, procure pela Kamicat (https://www.facebook.com/kamicatfanfics/). Não tem como errar ♥

VAMOS NOS DIVERTIR POR AQUI?

Eu fiz um Pinterest para criar pastas para os meus personagens (dos meus livros e fanfictions) porque aparentemente eu gosto de me atolar de coisas e eu amo isso e eu quero compartilhar com vocês essas pastas para lá de amor amor:

— Willa - https://br.pinterest.com/imbarbaraherdy/willa/
— Bucky - https://br.pinterest.com/imbarbaraherdy/bucky/
— Pietro - https://br.pinterest.com/imbarbaraherdy/pietro/

OLHA, não deixem de acompanhar o TUMBLR das minhas fanfictions. Sempre rola novidades por lá EM PRIMEIRA MÃO - http://msbarbiebelcher.tumblr.com/

#SPOILER O próximo capítulo é o clímax para o fim desse arco e olha, a cabeça da nossa Willa vai ficar mais doidinha do que a do David em Legion #SeparadosPorUmGeneMutante

Um beijão!
Um bom fim de semana para vocês!

Até o próximo capítulo ♥

P.S: LEIAM AS NOTAS FINAIS, principalmente os leitores do Social Spirit.





Regresso para casa.

TÓQUIO
Japão

Era estranho como a distância podia mudar um lugar. Localizada em um bom bairro de Tóquio, a casa tinha um ar familiar com as suas cortinas cerradas, o carro pequeno estacionado em seu espaço na garagem e o jardim impecavelmente podado. Exigências de Stone. Ele odiava a ideia de uma casa sem cuidados, então semanalmente uma equipe visitava a casa, para limpeza, arrumação dos quartos, podar os jardins, pagamento de contas e renovação da geladeira. Ele garantia que se ele ou Yanagi pretendesse passar uns tempos ali se sentiria em casa novamente. Não era da natureza de um japonês questionar a vida do seu vizinho, então o silêncio e pouco movimento nos redores daquela casa não atraia a curiosidade dos moradores daquela rua. A solidão daquele lar era sinal de paz na família.

Das ruas movimentadas de Nova York a Sokovia, o silêncio da rua residencial de Tóquio remexia o cerne de Pietro. Parecia uma cidade morta. Ele gostava de movimento, barulho, conversas, pessoas, vida... E só para piorar, ainda estava frio. Willa estava com as mãos cobertas por luvas e o pescoço aquecido por um cachecol, admirava reflexiva aquela casa, com boas recordações aquecendo o seu coração. Ela abriu a porta e encontrou o descanso de sapatos, com os chinelos de pano. Ela sorriu e puxou Pietro pela manga da blusa para dentro da casa, surpreendendo o rapaz perdido pela paisagem do jardim.

Ela sentou na escadinha, retirando a bota com pelinho na ponta e Pietro estava encantado pelas paredes de madeira e uma escada reta para um segundo ambiente e uma abertura para o interior do térreo. Ele nunca vira uma casa assim antes. Ela chamou a sua atenção repousando as botas no canto e calçando as pantufas. Ele compreendeu e retirou os sapatos e deixou as pantufas de lado, para correr aquela sola não teria atrito.

A sala era linda. Com sofás em formação circular, com uma mesa de centro enfeitada e revistas expostas. O tapete no chão era para aquecer os pés dos visitantes. A televisão presa à parede era panorâmica e um móvel claro e amplo não possuía porta retratos, o que era atípico em uma casa de família, mas possuía alguns acessórios e fileiras repletas de livros, CDs e filmes. Willa estava em êxtase. Respirou fundo adorando aquele conhecido cheiro de pinho com flores. A sala de jantar era extraordinariamente comum, com um belo arranjo de flores ao centro. Do jeitinho que Fairchild sempre arrumou. Willa largou os seus pertences no sofá e seguiu para outro cômodo. Pietro a imitou, encontrando Willa na cozinha averiguando o conteúdo da geladeira.

— Eu estou pensando em fazer um yakissoba o que voc...? – Ela gritou de dentro da geladeira, segurando um pacote de broto de feijão e um repolho. - Ah, você está aqui. – Ela diminuiu o seu tom de voz, comprimindo um sorriso convidativo. - Você topa?

— Claro. – O sotaque de Pietro era uma lembrança constante e deliciosa das suas origens. Ele correu pela cozinha parando apenas para admirar um ou outro acessório e eletrodoméstico. Aquele lugar era incrível! Parecia montado por um artista. Em Sokovia, a sua família tinha um apartamento compacto e humilde. A cozinha tinha uma geladeira dos Anos 80 e um fogão a prestação; a mesa redonda tinha calços de papel para não balançar com cadeiras avulsas. Eles mal tinham uma cafeteira. Aos olhos de Pietro, ele nunca viu nada igual antes. Todos os eletrodomésticos eram de última geração e tinham alguns que ele nem sabia para o que servia. Os armários estavam fartos com enlatados e alimentos empacotados. Até as louças eram finíssimas! Quem vivia ali tinha uma vida muito, muito boa. - Eu estou morrendo de fome! – Ele revelou abrindo a outra porta da geladeira, pegando por conta dos desenhos no papel laminado um iogurte de morango e um pote de pudim de chocolate, enquanto Willa ainda separava pacientemente os legumes e verduras.

— Acabamos de comer um hambúrguer no aeroporto, Pietro – Ela ralhou com jocosidade cutucando as costelas dele com o cotovelo.

— Se esqueceu do meu metabolismo acelerado? – Ele abriu o laminando do pudim e lembrou que precisava de uma colher.

Correu pela cozinha abrindo gavetas e armários. Willa escutou as gavetas fechando pesadamente e as portas batendo contra os seus móveis. Em outra dimensão, ela acreditaria em estar vivendo com uma entidade maligna.
Aqui era apenas Pietro correndo alopradamente pela sua cozinha. Ela nem se atreveu a pará-lo, ele era acelerado demais até para o seu raciocínio, e quando ela ia apontar para o suporte com talheres, o sokoviano encontrou: na ilha metálica. Bufou pelos milésimos perdidos, pegando uma colherzinha e a ninja mordeu as bochechas segurando a risada.

— Às vezes eu acho que isso é só uma desculpa para você comer mais – Ela brincou pegando um escorredor embaixo da ilha metálica e lavando na torneira da pia. Ela lavaria as verduras e os legumes, então colocaria para ferver em uma panela para matar bactérias e deixar as folhagens e legumes bem molinho para misturar no macarrão.

Pietro não lia mentes, como a sua irmã, mas só Deus sabia como ele conseguia antecipar o que Willa pretendia com maestria. Ele pegou a panela dependurada no centro da ilha e apoiou o corpo contra a bancada da pia, abrindo toda a torneira e contrariado pela lerdeza da água. Largou a panela na pia, para devorar o pudim ou o seu estômago ganharia vida e devoraria ele.   

— Você pensa tão pouco de mim – Ele retrucou com um beicinho mastigando o pudim, o que o levou a desmanchar uma careta nos lábios. – Azedo. Que coisa horrrrivel!

— Vê se não está estragado – Ela sugeriu terminando de cortar alguns pepinos e separando em uma cumbuca. Focou na cebola roxa e no aipo.

— Não, os japoneses não gostam de açúcar. – Ele colocou a língua para fora em uma careta e jogou o pudim no lixo. Desistiu de comer o iogurte. A água quase transbordou da panela, mas a tempo, Pietro fechou a torneira e levou a panela até o fogão, tentando entender os comandos do fogão digital. Willa veio ao seu resgate, ensinando como funcionava e os olhos de Pietro brilharam com tamanha tecnologia. Um dia ele queria um desses na sua casa. - Quando você tem essas missões, os seus mestres sempre te hospedam em lugares assim?

Ela refletiu a questão, lançando um olhar contemplativo pela cozinha.

— Normalmente – Ela separou algumas folhas estragadas de repolho e atirou no lixo.

— Me inscreva na próxima missão – Ele brincou apoiando os antebraços no balcão e jogando um tomatinho cereja na boca. Era bom. Ela sorriu. Lembra, Pietro consegue ler as emoções dela e percebeu com discrição, uma sombra triste nebular nos olhos azuis pálidos de Fairchild.

— Eu passei boa parte da minha adolescência aqui.

— Sério? – Ele questionou com animo. Willa estava dividindo algo da sua história com ele. Isso era tão... Importante para ele, mas aquela nuvem obscura ainda nadava no seu olhar gélido e ele temia pelo seu significado. – Foi bom?

— Era – Ela assentiu embargando nas suas palavras. - Era como ter um lar. – E aí ela perdeu esse lar, perdeu a vida, ganhou poderes, perdeu a sua família, perdeu Bucky, perdeu Pietro, perdeu Elektra.

Não exatamente nessa ordem.

Ela era um imã de perdas contínuas?  
Seria poético, se não fosse trágico.
(No entanto, as melhores histórias eram poeticamente traficas).

Pietro massageou afetuosamente os ombros dela. A sombra desapareceu do seu olhar e isso deixou Pietro cheio de animação e uma energia inquietante em seu peito. E aí, o menino hiperativo encontrou um novo e ótimo assunto no horizonte.

 - Eles sempre dão essas cestas nas missões também? – Ele brincou com um sorriso charmoso - Que gentis!

Pietro apontou para a cesta na beira da ilha. Convidativa e charmosa. Willa tinha reparado nela, só não queria falar sobre isso e acabar por nadar na sua nostalgia. Ela comprimiu um sorriso tímido abandonando a faca no balcão com um ar saudosista e debruçou o corpo na ilha para puxar a cesta e abrir para mostrar tudo a Maximoff. Solicito, Pietro correu e trouxe a cesta para mais perto dela e pegou o cartão entre os dedos, lendo. Era japonês. E o seu sotaque estava longe de ser bom. Ela riu com a sua tentativa falha, porém divertida de falar o idioma. Ele abandonou o cartão na ilha com um bico nos lábios.

— Não, isso é coisa do Stone. – Willa não precisava ler o cartão para saber. Ela conhecia as manias do mestre. E por coisa ela queria dizer: mimo.

Um presente.

A cesta parecia ser enfeitada por um artista. Com um circulo de frutas frescas: maçãs, peras, melancia e melão cortados e presos em palitos para formar desenhos. Saquinhos com framboesas e amoras circundavam a cesta convidativos. Muitas cumbucas com mashmallow, balas ácidas e pacotes das famosas balas em pó japonesas, as quais quem compra precisa preparar o doce com um pouquinho de água e às vezes, com auxílio de um forno. Pacotes gigantes de Kit Kat de morango, rum e wasabi, os favoritos de Willa estavam empilhados no topo da cesta. Alguns DVDs de filmes recém lançado, dois pacotes de pipoca de microondas, um videogame ainda em pré venda nas lojas japonesas e nem com data para lançamento mundial, o novo livro da Jodi Picoult, um cd de uma banda britânica desconhecida por Fairchild e dois vouchers para um jantar reservado e exclusivo no seu restaurante favorito no Japão, para dois. Stone, como sempre, impecável em agradá-la e com um vocação para Eros, talvez.

— Ele é confuso. Um dia luta com você e no outro, te deixa cestas de comida e mimos de presente. Aliás, uma ótima cesta de presentes. Ele parece gostar de você, como o Grey gosta da Anastácia. – Willa arqueou as sobrancelhas, incapaz de concordar com a afirmação, mas também não encontrou palavras para mostrar o outro lado da moeda. Stone gostava de causar sofrimento gratuito a ela? Ele gostava de testar os seus limites, como um mestre ensinando constantemente lições a sua aluna? Ele se importava com ela, ao ponto de testar todos os seus limites para garantir que a sua pupila, a sua filha esteja preparada para o terrível mundo aguardando para devorar a sua inocência e bom coração? Os sentimentos de Stone eram um mistério para Fairchild como as pirâmides do Egito ou a existência de Atlântida. Optou por retornar a cortar os legumes e verduras.

— Pode pegar o que quiser, tá? - Pietro uniu as sobrancelhas emudecendo por alguns segundos por conta da tristeza circundando a aura da amiga.

— Ele te vê como uma filha, não é? – Se você perguntasse a Pietro o porquê dele ter questionado isso, ele não saberia responder. Era um jeito estranho de tratar uma filha. Lutando, brigando, ensinando e aliciando para cometer assassinatos. No entanto, Willa não levava desaforo para casa de ninguém. E ela abandonou a Casta não uma, mas duas vezes. Ela não retornaria para lá se não fosse por alguém, por honra, por respeito, por afeto. Aos olhos de Pietro, ela não voltou para Casta em busca de reencontrar-se, mas em busca do sentimento de casa e esse sentimento ela só conhecia naquelas paredes, naqueles jardins, na meditação diária acompanhada de Stone ou de um dos alunos da Mansão.

O sentimento de repetindo um padrão, era na realidade, saudades de um tempo em que ela tinha um lar.

E agora, sem a Casta, sem Os Vingadores, o que era o seu lar? Uma lembrança ou um sonho?

— Nunca consegui ver a nossa relação desse jeito. Eu e Stone. Não que eu não buscasse por essa relação paternal – Willa não era de falar sobre a sua relação com Stone. Na realidade, Willa se expunha os seus sentimentos era rápido, desconcertante e quase imperceptível pelas pessoas, como uma brisa em dia de verão ou um band AID sendo arrancado rapidamente do joelho de uma criança distraída. Ela era muito cuidadosa quanto a isso. Era como se ela tivesse medo de que o pior acontecesse quando ela dissesse o que sente, como se ela fosse perder tudo por entre os dedos ou talvez, ela só não quisesse falar sobre essas coisas com ele. Ele afastou delicadamente uma mecha do rosto dela, comprimindo um sorriso afetuoso ao perceber os lábios dela crisparem. Não era desconforto, era autocontrole. E era a cebola tentando fazê-la chorar. - Acho que de certa forma, ainda busco por isso. – Ela colocou a cebola na cumbuca e pegou o repolho, o último ingrediente para cortar. - Existe uma linha tênue entre o Sensei e o homem e ao longo dos anos eu pude separá-las, mas em pouquíssimas oportunidades eu pude perceber nele um sentimento de afeto por mim. E quando eu sinto que ele se importa eu não sei se é manipulação ou ilusão minha.

Pietro esmoreceu. Ele nunca imaginou. Nunca passou pela sua cabeça como Willa era carente de uma família. Ela nunca transpareceu isso. Ele sempre viu a relação dela com Steve como uma amizade nascida naturalmente por conta da confiança, respeito mutuo e o próprio dia a dia. Na realidade, Steve era uma segurança a qual Willa sempre buscou ter e a qual foi retirada quando o seu irmão morreu. E Stone não estava longe de ser essa imagem de pai que ela perdera muito jovem... Pietro encolheu os ombros se sentindo as piores das criaturas ao se dar conta de tão egoísta e imaturo tem sido, por nunca ter se colocado no lugar dela. Ele perdeu os pais. O luto foi doloroso. Só que ele sempre tivera Wanda e muitos amigos em sua cidade natal. Agora, quem Willa tinha? Quem ela tivera? A mãe, pai e irmão morreram em um assalto num beco em Los Angeles. A sua figura de pai é um mestre frio, calculista e taciturno. Quem era a sua prima não é mais. A sua amiga mais próxima foi morta. E Steve, quem ela tem mais próximo como um irmão estava do outro lado do mundo, tentando sobreviver e não ser capturado pelo governo e com isso, tendo que viver longe dela.

Como deveria ser solitário ser Willa.

Ele estava longe de saber metade do que era ser Willa Fairchild.

E talvez nunca saberia.

Ela comprimiu o sorriso, sentindo o olhar de Pietro adornar o seu corpo. Ela fungou o nariz, sentindo uma lágrima descer pelo canto do rosto e os olhos arderem. Abandonou a faca em um resmungo.  

— Maldita cebola, me fazendo chorar... – Ela abafou uma risada triste e Pietro afastou a mecha do rosto dela, e secou a lágrima com carinho.

— Sabe, o Clint tem tentado se aproximar de mim e da Wanda. – Willa assentiu, suspeitava que isso aconteceria. Clint tinha um carinho especial pelos irmãos Maximoff, ela não esperaria diferente dele. - Ele tem aquele jeitão relaxado, mas ele tem um coração de pai. Fica preocupado, questiona se estamos nos alimentando bem, se estamos seguros... – Pietro coçou a nuca, pensativo. - Eu acho que é a maneira dele de superar a perda da Laura. Cuidando dos filhos e adotando a gente no processo.

Willa manteve a cabeça abaixada. O rosto escondido por trás dos cabelos dourados desabados em ondas delicadas e brilhosas. Ela mexia a colher na panela com água fervendo sem ter necessidade disso.

— Ele disse algo sobre mim?  – Willa proferiu sem atrever olhar para o sokoviano. Ela suspirou, sentindo o olhar preocupado de Pietro nela. Encontrou o rapaz com um galhinho de aipo no canto da boca e um olhar pesaroso sobre ela. Ele meneou a cabeça, buscando afastar aquele clima para ela não se fechar. – Nada sobre a Laura e os filhos?

— Está sendo difícil para ele superar a morte da Laura, mas ele não fica falando sobre esse assunto, nem te culpa, se é o que você está achando.

— E ele deve me culpar sim, ele só não quer te colocar na berlinda por isso – Ela proferiu com firmeza, colocando o repolho e os pepinos na água fervendo.

— Não.

— Eu sei que ele me culpa aqui – Ela largou as cumbucas na pia apenas para apontar para o coração e respirou fundo, lançando um olhar cuidadoso para Maximoff. - E se não culpa agora, em algum momento me culpou ou irá. Eu culparia. – Ela deixou essas ultimas palavras escapar em um sussurro quase inaudível e a sua cabeça pendeu com um nó embargando em sua garganta.

Pietro zappeou ao seu encontro. Repousou as mãos em sua cintura e a puxou para um abraço confortável e carinhoso, apoiando o seu queixo em seu ombro.

— Você pensa muito pouco dos seus feitos, sabia? – Ele sussurrou em seu ouvido, afagando as suas costas com carinho. - Você salvou os filhos dele.

— Não salvei o amor da vida dele – Ela proferiu com pesar. Uma lágrima escapou dos seus olhos e agora, a cebola estava distante de ser a culpada. - Não duvido que ele pense que eu mereço ter perdido o Bucky.

O abraço de Pietro afrouxou. Ela uniu as sobrancelhas, percebendo a mudança nos batimentos cardíacos de Pietro de calmo e equilibrado para instável e pesado. Ela se virou e encontrou o velocista com as mãos apoiadas na ilha metálica, os ombros tensos e o pé batucando contra o azulejo, impaciente, nervoso, emputecido.              
 
— E o que você acha que ele pensa sobre eu ter voltado? – Ele trincou os dentes proferindo tal suposição. - Que Deus seria benevolente em tirar a esposa dele e punir você tirando um amante, mas devolvendo o outro? – Ele pendeu a cabeça olhando para Willa com frieza e uma emoção nebulosa transparecendo nos seus olhos elétricos. Ah, não! Ele retornaria a esse ponto das suas operas? - Seria um timing ruim? – Ele meneou a cabeça negativamente sem desprender o seu olhar dela. O seu coração parecia capaz de implodir do seu peito por conta daquele sentimento de incompreensão, de frustração, de um ciúme possessivo. - O mundo não funciona assim, Willa.

— Não, funciona assim mesmo – Ela afirmou deferindo um passo a Pietro para estabelecer a sua determinação e ele empertigou o seu tórax com imposição cruzando os braços determinado em contrariar qualquer coisa que ela dissesse para enobrecer a sua ação por aquele cara. - Você tira algo de alguém e eventualmente, o carma punirá você.

— Então, eu sou uma punição? – O seu olhar enegreceu com o seu rosto a poucos centímetros dela e ela odiou como aquelas palavras soaram erradas. - Um lembrete do seu descuido, do seu poder, do que eu represento para você?

— O que você representa para mim? – Ela rebateu com uma risada frouxa desconfortável com o tão imperioso Maximoff tornara.

Ou ele era assim antes de tudo o que aconteceu e ela não teve a infeliz chance de conhecer essa camada imperiosa e possessiva antes dele morrer? Isso desmistificava o Pietro pelo qual, ela idealizou e acreditou ter se apaixonado?

— Você me diz – Ele a desafiou.

Os seus olhos conectaram aos dela: a eletricidade contornando o gelo. Ele delineou um caminho malicioso pelo seu rosto, seu colo, os seus seios, o seu pescoço e retornou para os seus lábios, até reencontrar o olhar pouco amigável e muito ferido de Willa admirada e decepcionada pela prepotência e audácia de Maximoff.

— Se você pensa que eu me arrependo do que eu fiz e fiz a Wanda fazer para salvar a sua vida está errado – Ela ganhou distância dele para mexer na panela e Pietro deixou o seu semblante desabar e a sua mão fechou no cotovelo dela, trazendo-a para si, protetoramente. – Me solta, Maximoff.

— Não me olhe assim, eu tenho direto a ter duvidas – Ele proferiu ressentido e Willa não disse nada, apenas arqueou uma sobrancelha, contemplando o Sokoviano. - Depois do Bucky tudo ficou um pouco confuso entre nós.

— Depois do Bucky? – Ela inclinou a cabeça afastando o seu braço da posse dele, um pouco abrupta. Nem ele na sua condição delicada tinha o direito de exigir algo dela, muito menos segurá-la como se fosse uma posse. Sua posse. Ela não pertencia a ninguém e ela pensava que ele acima de todos, conhecia a sua natureza tão similar a dele. - Pietro, você estava supostamente morto, por quase um ano. A vida te impulsiona a seguir em frente, sabe?

— É, eu percebi – Ele disse ríspido.

— Eu não estou falando do Bucky aqui, eu estou falando da minha vida – Ela explicou cruzando os braços demonstrando não apenas que exigia respeito, como estava muito desgostosa da postura dele.

Eles... Eles viveriam assim agora? Brigando continuamente por conta das escolhas dela, em uma vida a qual ela acreditou que ele nunca mais faria parte e assim ela precisava seguir em frente por estar enredada pelo resto da sua existência a um mundo sem Pietro Maximoff?

— E eu estou falando dele – Ele afirmou o seu ciúme e ela bufou, revirando os olhos. Pietro estava com ciúme de um cara que nem ali estava. Isso não era apenas patético, como também imaturo. Ela esperava mais dele, ela merecia mais dele. - Faz três meses que ele escolheu o rumo da vida dele e você decidiu ser a mártir e encontrar uma solução mágica para torná-lo humano novamente...

— Eu não vou discutir com você sobre isso – Ela levantou o indicador, cortando o seu raciocínio antes dele dizer mais alguma monstruosidade. - Você não entende.

E ele claramente não entenderia porque ele estava cego demais por conta de sentimentos mal resolvidos e Willa desconfiava que não importasse o que ela dissesse, ele não pretendia se desprender deles.

— Me faz entender – Ele pediu. Ele soou sincero. O seu coração soou sincero.

Willa amoleceu, ela não resistia a Pietro tentando ser o seu Pietro. Mas, ela não podia querer que ele a entendesse não quando ela sabia que ele precisava ter uma pouco da sua escuridão para chegar a esse entendimento.

— Eu sinto que preciso fazer isso. – Ela queria que ele compreendesse e apoiasse a sua decisão.

Ela queria a sua ajuda.

— É um senso de responsabilidade. Eu entendo. Só não entendo o motivo para você abdicar a sua vida, quando eu morri e você seguiu com ela bem rapidinho – Willa meneou a cabeça negativamente hipnotizada pela obtusidade dele. - É isso? Você vai me ignorar?

— Você está sendo um machista, hipócrita e burro, eu prefiro te dar um tempo para analisar tudo o que disse e tudo que você ouviu sobre a minha vida sem você e com Bucky – Sua clareza foi adornada por pesar, mas uma firmeza incontornável, mesmo por ele que conseguia mexer com o orgulho e teimosia de Fairchild. - Quem sabe assim, você percebe as asneiras que acabou de falar para mim.

Willa desligou a panela e deixou a cozinha. Quer dizer, ela tentou. Pietro correu e entrou em seu caminho, negando com a mão com um olhar pesaroso e frustrado.

— Desculpe. Eu... – Ele girou a cabeça fechando os olhos com pesar marcando o seu rosto - Eu tenho ciúmes de você. – O coração de Willa gelou e Pietro segurou as mãos dela, com o cenho franzido sem medo em revelar o que sentia abertamente por ela, a ela. - Com ele. Nós não ficamos juntos oficialmente, mas o que eu sinto por você... – Ele se calou, sentindo um nó em sua garganta entrar em confronto com o seu coração. - Não importa. Eu ainda estou colocando os fatos nos encaixes desse quebra cabeça e às vezes sinto minha cabeça fora do tempo. O que foi meses para você, na minha mente foram dias e... É difícil me adaptar a tantas mudanças. Mas isso não justifica o meu comportamento.

— Não, mas eu compreendo – Ela proferiu com firmeza. - E sei exatamente o que você está passando. Eu estive aí, onde você está e se eu tinha duvidas em trazê-lo de volta era justamente por essa experiência claustrofóbica de que você esta aqui, mas perdeu o mundo acontecendo ao seu redor e não sabe como pegar esse ritmo. O que é bem irônico para você – Ela riu abafado e Pietro relaxou acarinhando as mãos dela e beijando elas. - Eu só quero que você saiba que o que eu estou fazendo pelo Bucky é o mesmo que fiz e faria novamente por você. Eu e ele tivemos uma história, só que eu e você também tivemos. Cada uma em seu tempo, cada uma em sua narrativa. Nem uma é melhor ou pior do que a outra, mas cada uma tem a sua importância para mim.- Ela inclinou a cabeça buscando os seus olhos. - Entendidos?

— Fica muito difícil discordar quando você fala bonito assim.

— E só para encerrarmos esse assunto de vez: eu tenho duvidas sobre você estar aqui. Duvidas sobre o porquê, sobre merecimento, sobre os meus sentimentos, sobre ter sido a escolha certa para você... Viu? – Ele arqueou as sobrancelhas surpreso com a sua revelação - Isso tudo que eu estou sentindo agora é mais sobre mim do que sobre você.

— “Não é você, sou eu” ganhou uma repaginada.

— Eu estou falando sério – Ela riu, cutucando a costela dele.

— Eu sei, eu só quero fazer você sorrir – Ele acarinhou o rosto dela. - Eu sinto falta do seu sorriso.

Ela o abraça e Pietro enlaçada os seus corpos apertadamente, depositando um carinhoso beijo no topo da sua cabeça.

— Eu vou trocar de roupa e você termina de fazer o yakissoba? É só jogar o macarrão na panela e o shoyu está ali, na prateleira de temperos – Pietro engoliu em seco. Ele? Cuidando da comida? Não era melhor chamar os bombeiros? - Pode ficar a vontade e conhecer a casa também. Se sinta em casa. É o que eu tento fazer.  

Ela deixou a cozinha, seguindo para o segundo andar. Não era tão estranho estar naquela casa, como ela esperaria, mas era engraçado reviver memórias de uma Willa menor, mais espoleta e magricela, caminhando por aqueles corredores com livros ou treinando golpes a espera do retorno de Stone de algum compromisso. Era uma vida solitária, mas foi de longe, um dos seus poucos momentos felizes por ela.

O seu quarto continuava intacto. Era simples. Um armário de parede com alguns kimonos, roupas de treinos e algumas peças bem menores para o seu atual tamanho. Uma cama impecavelmente coberta por cores escura, baixa para o padrão americano. Uma estante com livros tornava o quarto caloroso aos olhos de Fairchild, mas foi na mesa que os seus olhos encontraram um motivo para o seu coração descompassar. A escrivaninha tinha alguns cadernos, uma caixinha com canetas e alguns livros. E um envelope pardo, sozinho, destacável e assombroso aos olhos dela. É claro que ela encontraria aquilo ali, era mais seguro de não ser fuxicado por olhos curiosos e atrevidos. Willa estava ali para uma missão, então ela chegaria até si por um envelope ou um telefone. E não era de ontem esse descompasso em seu coração. Ele era recorrente quando ela tinha duvidas ou ela não queria fazer algo. Ela sentou na beira da cama e abriu o envelope, retirando uma pasta contendo alguns documentos e uma pilha de dezenas de fotos, todas de um oriental na casa dos seus 30 anos chamado Lee.

O sucessor da Tentáculo.

Rua Pública
Tóquio

Lee Yoshioka deixou um prédio empresarial no centro de Tóquio, acompanhado por dois seguranças. Olhos mundanos acreditariam que aquele jovem adulto de terno fino e porte vigoroso era um desses milionários jovens herdando tudo de sua família e precisando manter sua vida fácil. Mal sabiam que a sua jovialidade atenuava a sua verdadeira idade, uma das tantas dádivas roubadas pelo Tentáculo. Ele não precisava daqueles seguranças, só que como Stone, Lee portava a sua guarda especial com os melhores guerreiros do seu clã prontos para morrer em sua proteção.

O seu carro parou ao meio fio e um dos seus seguranças questionou o que ele faria a seguir. Após aquela exaustiva reunião para acertar novos acordos com alguns aliados da Tentáculo, Lee estava desgastado e frustrado. Ele não queria aquela vida para si. Ele odiava aquele universo, aquelas pessoas, aquele legado. Os clãs queriam mais dinheiro, mais poder, mais negócios e mais dominação. E Lee ainda tinha que dar uma solução para a situação caminhando para o descontrole com o tal garoto problema, o menino prodígio de K'un L'un. Ele estava virando Nova York de cabeça para baixo, procurando pela sua família, tentando reconquistar os seus direitos e lutando contra a dominação da Tentáculo na sua preciosa cidade. A Casta deu um dane-se para isso e aparentemente, Gao não era tão autossuficiente quanto Nobu acreditava (e temia) que fosse e ela não conseguia controlar em seu menino de ferro. Ou não queria...

Ironias da vida a parte...

Agora isso era problema de Lee e ele não tinha o menor interesse de resolver isso.

Deixa o garoto ser mais um dos tantos vigilantezinhos de Nova York. Se ele não morrer tentando salvar a cidade perdida, ele servia como uma lição para os shinobis do Tentáculo, como o tal Daredevil serviu, a falecida Elektra e até a tal da Justice.

Ninguém estava satisfeito com o que tinha e só queria mais, mais e mais. Lee sempre soube que essa vida não era para ele. Foi ensinado e guiado pelo seu pai para um dia sucedê-lo na liderança do Tentáculo. Quando o jovem Yoshioka alcançou a maturidade, ele percebeu que todo aquele treinamento era uma baboseira e o seu pai não tinha a menor pretensão de perder a sua posição um dia. Nem mesmo para o seu filho. Ele gostava da sua vida no clã. Eles viviam em um lugar paradisíaco no interior do Japão em uma dimensão... Bom, bem distante do que as pessoas conhecem como Japão atual. Emersos aos costumes dos shinobis, Lee era feliz ali, mas almejava mais. Só que era completamente inaceitável que Lee pensasse em ter uma vida mundana no mundo real. Lee Yoshioka sendo apenas um estudante de economia? Com uma família? Vivendo em um subúrbio do Japão ou da França? Era inconcebível. E ele tentou isso. Tudo isso. E pagou por isso.

Pagou duas vezes. Com sangue.

Após a morte de Montserrat, a sua falecida esposa e recentemente, Nobu, o seu pai, Lee vivia os seus piores meses. Ele não almejava liderar o clã. Mas, teria que fazê-lo. Ele odiava o que o tentáculo representava. Mas, ele vivia e respirava aquele clã. Ele precisava tomar decisões de executar pessoas e destruir povos que ele sequer conhecia. Destruir famílias. Sumir com culturas da face da terra. Aumentar o poder do seu clã, do seu sangue. Enegrecer sua alma como seu pai.

O seu pai.
Ele colheu o que plantou.   
Quem colhe morte paga com morte.
Nobu perdeu a sua esposa, o seu braço direito.

Em seu útero ela carregava o primogênito do casal e ela aguentou em coma apenas para dar a luz ao seu único filho, Lee. Isso endureceu Nobu ao ponto de olhar o filho e enxergar apenas uma sombra de sua esposa.
Não havia amor em sua relação. Ele era o seu sangue, o seu herdeiro. Ele precisava estar no seu patamar caso o momento pedisse e se o momento chegasse, ele precisava responder a altura das suas expectativas. O seu treinamento iniciou quando ele alcançara as quatro primaveras do seu nascimento. O rapaz era mestre em distintas lutas marciais e um exímio guerreiro com a Katana. Moldou-se em um homem de caráter dócil como a sua mãe, mas adornado com a dureza e frieza do seu pai.

Lee não poderia ser tão diferente de seu pai e o jovem líder do clã acreditava que isso era uma espécie de danação, mal sabia ele que era a sua salvação.

Lee só conseguia pensar em um lugar que ele gostaria de estar agora e deu o endereço da escola primária do condado de Kanagawa. O carro seguiu em uma velocidade ponderada avenida acima e atrás de si uma moto amarela com dois passageiros a bordo cortou a avenida em alta velocidade, rente ao automóvel.

Lee não deixou o veículo assistindo através do vidro fume um garotinho de cabelos castanhos arredondados e bem lisinho com um olhar triste contemplando a paisagem, em busca na multidão de pais e babás um rosto conhecido. O novo líder do tentáculo abaixou o seu olhar com a comoção dominar as suas emoções.

— O senhor deseja prosseguir? – O segurança sentado no banco do carona questionou em japonês.

— Não. Ficaremos um pouco. – Só o tempo para ele assistir o filho ser buscado pela sua tutora e guardiã, uma pessoa de sua confiança treinada pelo tentáculo e preparada para qualquer adversidade da vida, como uma dificuldade financeira ou um ataque surpresa de ninjas rivais.

Era ele que o mantinha nos negócios da sua família. Para proteger o seu filho, ele precisava ser o seu pai. Ele não tinha ganância do seu pai, mas certamente, ele tinha a motivação para prosseguir com isso. O pequeno Toshio. E entre contratos e alianças com os maiores clãs do mundo, Lee estava apenas interessado em encontrar com um homem, aquele que assassinou o seu pai a sangue frio nas ruas de Nova York. Stick, líder da Casta. E se todo o treinamento do seu pai serviu para algo foi para esse fim. O fim do Stick. O fim do Tentáculo. O fim dele.

A guardiã de Toshio chegou e o garotinho caminhou até o seu encontro, comportado e sério. O seu olhar não iluminou com a presença da sua tutora. Ele era tão infeliz quanto Lee fora em sua infância. Ele conteve o impulso de deixar o carro e ir ao encontro do seu filho. A guardiã agachou conversando com o menino e após a sua resposta, ela acariciou a sua bochecha. Segurou a mão no menino e guiou ele para o carro, lançando um discreto olhar para o carro de Lee, trocando um olhar significativo com o chefe e desaparecendo entre as pessoas. Ele suspirou deixando o seu olhar vagar com pesar. Ele estava tomando a decisão certa para seu filho? Ele só saberia, quando tentasse.

Willa desconhecia essas questões perambulando a mente da sua vitima. Era procedimento padrão seguir o alvo para conhecer detalhadamente o seu dia a dia, para então, criar um plano de eliminação de sucesso. No caso do seu alvo, a eliminação seria feito com maestria em uma suposta festa. Parecia uma aparente comemoração a um empresário e Lee era um dos convidados especiais. Só que tal boate era conhecida pelos seus negócios escusos com drogas e prostituição. Certamente existia muito mais por trás disso. Nada que fosse relevante e preocupante para Willa. Quando ela queria matar um homem, ela não precisava muito mais do que um lugar, um rosto e uma faca.  
O clique da sua câmera anunciou a foto tirada com perfeição. Ela manejou a câmera para capturar a arquitetura do prédio da rua, conseguindo captar ao canto a placa e o veículo de Lee, como o rosto do seu motorista, um japonês na casa dos quarenta anos. Pietro entregou a ela um mochi e Willa deixou a câmera pendurar no pescoço, arrumando o seu chapéu de turista tipicamente ocidental se protegendo do sol do verão japonês. Se alguém perguntasse (pois sempre existia um inconveniente ou só um curioso) qual era a história da dupla? Era uma viagem de casal; ela era uma psicóloga de férias do hospital, após ser forçada a fazer isso pela sua chefe, a Senhora Grey e Pietro sugeriu que seria um ex-paciente dela diagnosticado com ninfomania. E plot twist: ele não foi curado.

Willa adorou. Nada como causar um pouco de espanto aos japoneses conservadores.

— Já conseguiu o que precisava? – Ele sussurrou mastigando um pedaço generoso do seu mochi de feijão doce. Willa suspeitou que ele fosse gostar do doce e comprimiu um sorriso assistindo a satisfação brincar nos lábios de Maximoff.

O doce não era tão ruim, só que o seu cérebro deu uma leve bugada com o gosto de feijão misturado ao doce e a maciez do pão com ao açúcar era delicioso. Ele nunca comeu nada assim antes em Sokovia, nem em nenhum outro lugar. Maravilhas do Japão.

— Sim. Consegui as placas dos carros dele, os rostos dos guarda costas e motorista – Ela assentiu lançando um olhar amistoso para um Pietro subitamente perdendo o interesse pelo seu delicioso mochi. - E até algo... Inesperado.

Ela conseguiu conquistar o seu interesse.

— O que?

— Olha... – Ela pegou a câmera passando por algumas fotos, até parar em uma e aplicar o zoom. - Reparou?

Na foto, Willa focou na lateral da arquitetura do prédio, o seu foco era a placa do carro e ela conseguiu bem mais. A tutora do pequeno garoto seguia para o seu carro, com o menino guiado pela sua mão. A foto congelada no tempo mostrava o menino olhando para os próprios pés e a mulher...

— Ela está olhando para dentro do carro – Pietro apontou para o cara na foto, cruzando os braços e passando o indicador na base do nariz. Pietro estava refletindo. – Será que ela o reconheceu? Estava paquerando ele?

— Não, não parecia uma paquera – Willa supôs mordendo um pedaço do mochi e Deus, como aquilo era bom! O seu era de morango no recheio com um generoso pedaço da fruta.

— E você entende bem disso, não é? – Pietro sugeriu arqueando uma sobrancelha deixando as suas mãos repousarem na cintura dela.

— Melhor do que você gostaria, Rapidinho. – Ela brincou passando a ponta da língua nos lábios.

— Não me chama assim – Ele retrucou com um gemido, pendendo a sua cabeça para trás. - Quem escuta vai pensar errado!

— Que pensem! – Ela exclamou com um sorriso malicioso e um olhar delineando o corpo de Maximoff com as possibilidades brincando com a sua mente. - Melhor para mim.

— O que? – Pietro engasgou com o ar em sua garganta, ganhando uma mínima distância dela.

— Que? – Willa sorriu, mordendo o mochi e olhando para o ponto oposto da avenida, no instante que o motorista de Lee passeou o olhar pelas redondezas, aparentemente ele acumulava funções. – Eu acho que ele tem alguma relação com o garoto.

— Garoto? – Pietro inclinou a cabeça, surrupiando um pedaço do mochi oferecido por ela.

— É, a mulher estava acompanhando um garotinho para esse carro branco – Ela aponta para o para choque de um carro branco e Pietro entendeu a lógica dela. - Eles entraram e o motorista partiu imediatamente, para leste.

— Nossa, você nota tudo – Ele coçou a nuca. Dificilmente ele lembrava o que comeu no café da manhã.

— É parte do meu trabalho – Ela disse com um sorrisinho orgulhoso.

— E o que exatamente você precisa fazer com esse cara? – Pietro se admirou com o cuidado das suas palavras.

— Você sabe – Ela sussurrou lançando a ele um olhar discreto, silenciosamente, pedindo por sua compreensão.

— Eu sei, eu só que eu quero ouvir dos seus lábios. – Ele distanciou os seus braços da cintura dela com pesar lapidando o seu olhar.

Ela não podia fazer isso. Ela não era uma assassina fria movida por uma seita oriental. Ele não conheceu ela assim.Ele a conheceu como o braço direito do Capitão América, como a vigilante destemida e bondosa Justiça.

— Pietro, eu fui bem clara antes de sairmos de casa, você não precisa participar disso se não quiser – Ela proferiu pesarosa. Ele estava longe de entender o que ela era, o que ela representava na Casta. Ela caiu no clichê tolo de que sentir que ele não a entendia e ele não tinha em seu coração o que era necessário para entendê-la.

Ela repousou a sua mão contra o coração dele e crispou os lábios. Ele era tão bom. Ele não conhecia a crueldade do seu mundo. Ela não queria que ele pertencesse ao seu mundo. Ela gostava dele demais para causar nele essa marca irreversível. Ele merecia mais do que o seu mundo. Em primeira instância ele merecia ter um mundo.

Willa estava perdendo o fio da meada.

— E eu não quero fazer parte de um assassinato, independente dele ser um cara bun ou bolnav. – Ela não precisava de tradução para compreender que ele falava sobre o bem e o mal. Mal ele sabia que ela era serpenteada por esse sentimento devastador de pertencer a dois mundos opostos que a levavam a não pertencer a mundo nenhum. Ele não levou em consideração a confusão em Willa, acreditando que ela estava mais uma vez, buscando escapar de falar a verdade para ele. - Mas, se eu não estivesse aqui, como você saberia que tem um grupo de seguranças a poucos metros daqui, guardando o nosso cara?

— Não são seguranças, são assassinos – Pietro fechou os lábios. Primeiro, o olhar gélido de Willa congelou o rapaz e segundo, o seu sussurro, a sua percepção e o jeito que ela segurou o antebraço dele, impedindo ele de olhar por sobre o ombro, era assustador. Era quase como se ela estivesse a um passo de tudo e todos. Era quase como se ela fosse uma arma, como ele fora para a Hidra.

— Como você sabe disso? – Ele nem deu a ela chance de resposta com deboche dominando a sua empatia escassa. - Já sei é parte do trabalho.

Não foi difícil para Willa. Dois carros de alto nível e pretos seguindo rua após rua o carro de Lee e coincidentemente, encontrando uma vaga em distintos pontos da rua, circundando o líder da Tentáculo? Só um leigo não perceberia que havia milho naquele angu. Para completar a opera, cada carro tinha três pessoas armadas com pistolas e se ela não estava errada bombas de baixo impacto. Ela sentiu o cheiro de estrogênio do carro na sua linha reta; era a única mulher da equipe e aparentava, pelos batimentos cardíacos ser a mais calma. E adivinhe só: nenhum deles deixara os seus postos dentro do carro. Incapaz de identificar as suas fisionomias, portes, detalhes extraordinários como uma tatuagem ou um acessórios e as suas roupas, Willa ficou desgostosa com essa presença, quase, fantasmagórica. Pois bem. Suspeito. Eles estavam esperando Lee deixar o seu carro ou eles estavam seguindo comandos rígidos de vigiar o líder antes de tomar qualquer atitude.

E tinha a terceira opção, a qual ela não subestimava aqueles supostos assassinos. E se eles fossem tão bons quanto Willa, em seu trabalho? Aquilo de longe se tornaria um cenário confortável para se estar.   

— É protocolo. – Ela corrigiu cuidadosamente lançando um olhar para o carro de Lee. O motorista questionou se o chefe estava pronto para partir. Lee não respondeu. - Eles estão colhendo informações para então, planejarem um ataque ou talvez, eles tenham um ataque planejado e apenas aguardam a oportunidade perfeita para pegá-lo.

Lugar público. Avenida livre. Pais buscando filhos no colégio. Se eles colocassem o seu plano em prática ali seria um cenário de guerra e eles certamente, conseguiriam escapar.

— E porque a Casta quer dar um fim a ele? – Pietro questionou a pergunta de um milhão de dólares.

— Informação confidencial – Ela buscou trazer um pouco de comicidade para a situação, só que não funcionou.

Pietro revirou os olhos passando a mão na nuca. Ele estava estressado, ansioso, nervoso.

Era culpa dela.  

— Ah, qual é, Willa. – Ele respirou fundo fechando os olhos como se estivesse prestes a enfiar o pé em água congelante. - Eu estou aqui nessa, ao menos você podia me dizer os detalhes sórdidos.

— As informações são confidenciais até para mim – Ela meneou a cabeça negativamente. - Eu não me importaria de dividir com você, se isso acalenta o seu ego tão sensível.

— E você não está incomodada com isso?

— Estou, mas... – Ela perdeu as palavras em sua mente.

— Mas? – Ele gesticulou exigindo um pouquinho mais do que só as suas palavras vagas.

— É meu trabalho – Ela proferiu determinada. - Eu não posso decepcionar o Stone.

— O cara que fez isso no seu rosto? – Ele deixou o seu dedo passar sobre o roxo no canto inferior do rosto de Willa.

— Eu machuquei ele também e eu te garanto, isso não é algo corriqueiro na vida dele. – Ela semicerrou os seus olhos para Pietro, afastando o seu rosto dos seus dedos. - Ele poderia ter me matado por isso.

— Mas não fez, porque ele não é louco de cometer essa insanidade. – Pietro proferiu entre os dentes. Aquele cara tinha sorte de não ter encontrando aquele cara na sua frente. - Se eu tivesse lá, eu não sei o que eu seria capaz de fazer com ele.

— Nada. Você não é pareô para ele – Ela semicerrou os olhos meneando a cabeça em negação. Só dele pensar nisso era uma ofensa a imagem de Stone. - Ele te mataria apenas pelo seu abuso.

— Ele não manda em você, Willa.

— Não, mas eu ainda devo respeito a ele. – Ela proferiu abaixando a cabeça. - Se não fosse por ele, eu não estaria aqui.

— Você e esse seu senso de responsabilidade – Ele revirou os olhos gesticulando as mãos em desistência. - Ainda vai me deixar de cabelos brancos.

— Tarde demais para isso. – Ela apontou para os tufos brancos brotando em pontos distintos da cabeça dele. Ela uniu as sobrancelhas percebendo que havia algo ainda a ser discutido com ele, algo importante demais para não ser ignorado. - Eu não te contei algo, sobre a minha briga com Stone.

— O que?
— Eu derrubei ele. – Ela explicou timidamente.  

— Você derruba muitos homens, Willa. Eu já fui um deles, alguns robôs e uma outra dezena de homens maus com alguns ossos quebrados e membros a menos por conta de você. – Pietro brincou com o seu deboche muito apreciado pelo rapaz. Só não naquele momento delicado.

— Eu não quis dizer nesse sentido. O Stone... – Ela mordeu o canto da bochecha. - Como eu posso explicar, ele é... Intocável. Como o Hulk. Se você tentar acertar um soco nele, ele vai te matar com só um empurrão. Stone é um pouco assim, só que sem ser verde e totalmente humano. Ninguém supera ele em combate e força. Ele superou o próprio mestre e é o melhor do melhor no nosso clã. O único que é pareô para a técnica dele é o Mestre Izo, o fundador do nosso clã.

— E você derrubou ele? – Ele uniu as sobrancelhas entendendo a profundidade da situação aqui.

— Sim – Ela disse submissa àquele sentimento de que existia algo de muito errado em ser melhor do o Stone. Era um desrespeito? É uma honra? É um problema?

— E isso nunca aconteceu antes?

— Nem comigo, nem com ninguém – Ela negou com a cabeça.

Pietro sorriu. Um sorriso largo, orgulhoso e encantado. Suas mãos encontraram o rosto dela e acarinhou com um olhar terno admirando Willa.

— Subitamente fiquei com desejo de te beijar por isso.

— Pietro... – Ela afastou o seu olhar com um sorriso tímido, comprimido.

— O que? – Ele riu surpreso pela timidez abalando Willa. - Você é foda, Will.

— Eu não sei o que isso significa. Ele me deixou ganhar? Ele nunca fez isso antes, porque faria isso agora? Justamente quando eu tenho sido a pior das pupilas?

— Já pensou na possibilidade de você ter superado o seu mestre?  - Ela arqueou a sobrancelha duvidando muito dessa possibilidade. - Willa, qual parte do foda você não entendeu ainda?

— Seu julgamento não é confiável.

— E porque não? – Pietro sorriu com um olhar malicioso delineando Willa. - Porque eu tenho sentimentos por você?

— Porque você nunca viu o Stone, nem o assistiu lutar. – Ela corrigiu e arqueou uma sobrancelha. E também porque Pietro tinha sentimentos por ela. - Como você pode fazer um julgamento justo sem conhecê-lo?

— Sua opinião é suficiente para mim. – Willa deu de ombros inclinando a cabeça com um sentimento estranho formigando em seu interior e tudo isso, por conta da confiança dele por ela. Quando ela conquistou toda essa confiança dele? - Seria tão ruim superá-lo?

— Significa que ninguém é capaz de me parar – Ela levantou um duro olhar para Pietro. - Perder essa linha de controle não é muito confortável, me dá certa ilimitação da minha mortalidade, entende?

— Algo como um deus ex machina.

— Isso – Ela meneou a cabeça negativamente, contemplando a rua com duvida passeando em seu olhar. - Ou é só idiotice minha.

— Não, não é. – A certeza nas palavras de Maximoff levaram Willa a sorrir, grata pelo seu apoio nesse momento de duvida. - Não se preocupa com isso agora. Você é a pessoa mais equilibrada que eu conheço em um raio de sei lá, dez mil quilômetros.

— Novamente, sua comparação é baseado em que? – Ela sugeriu arqueando uma sobrancelha com um sorriso sapeca.

— Você e a outra pessoa equilibrada que eu conheço... – Pietro inclinou o seu rosto, pensativo.

— O Clint? – Ela supôs unindo as sobrancelhas sem surpresa alguma na possibilidade lançada pelo velocista e Pietro choramingou, ela não poderia estar mais certa.

— É – Ele respondeu derrotado.

— Ele vive dopado de café. Não é uma boa comparação, Piet.

Lee pediu para o seu motorista seguir pela avenida principal, em retorno para a sede. Willa consternou pelo súbito pedido.

Ele estava indo embora.
Não saiu do carro, não ligou para ninguém, nem se encontrou com ninguém, nem ao menos recepcionou alguma criança... Ao menos que ele não tinha intenção de encontrar com ninguém ali. Só ver. Aquela moça olhando para o carro com aquele menino não deixava de assombrar os pensamentos da ninja.

— Discordo fervorosamente – Pietro semicerrou os olhos para o carro de Lee, assistindo o veículo movimentar na pista lentamente. Ele crispou os lábios sem perceber que Willa retornara da sua reflexão. - O seu cara está indo embora.

— Tudo bem – Ela assentiu com um sorriso aliviado, essa parte do seu trabalho estava concluída. Agora era a parte divertida do seu trabalho. - Eu tenho tudo o que preciso. – Para matar o cara? Pietro não conseguiu reprimir esse pensamento. - Agora é a hora de me preparar para a festa dele.

— Estranho. – Pietro semicerrou os olhos lançando um olhar discreto para pontos estratégicos da avenida. - Os seguranças não o seguiram.

— Assassinos – Ela corrigiu recebendo um olhar cortado de Pietro. Ele entendeu bem isso, só queria tentar manter as aparências e Willa não era obtusa a ponto de não perceber isso. Ela estava querendo ressaltar algo a ele. - E eles devem estar abrindo distância com ele, para não ficar muito na cara.

— Faz sentido – Pietro inclinou o rosto, refletindo. Não mais sobre o que os assassinos-seguranças planejavam em fazer, e sim no que ela pretendia agora que possuía o que buscou.

Ela pegou o capacete e entregou a Pietro. Subiu na moto, arrumando o capacete e sentiu Pietro sentar atrás dela, repousando delicadamente as suas mãos na cintura dela. Fairchild arrumou os retrovisores, encarando discretamente um dos carros dos supostos assassinos.

O seu estômago se contorceu. E não era fome, nem medo. Era algo desconhecido.
Era uma intuição.

Uma péssima intuição.

Ela ligou o botão automático do motor, a moto ronronou. Willa sorriu, pedindo para Pietro segurar firme e ele não precisava disso, mas ele não deixaria esse momento de ser charmoso e galanteador escapar.
Eles fecharam os visores dos seus capacetes e Willa pilou a sua moto a sua próxima parada, ao Hotel onde ela encontraria as respostas para a importante decisão de exterminar o líder do mal conhecido como Tentáculo.

Mal eles perceberam que os tais seguranças, coincidiram em seguir os seus caminhos também, com a partida do casal.



Notas finais do capítulo

- O que vocês acharam do novo capítulo? Palpites sobre os SUPOSTOS spoilers na nova capa? O que está passando na cabecinha de vocês aí?

Até breve :)))