Indômitos escrita por Lady Morgana


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

I'd use you as a warning sign
That if you talk enough sense,
then you'll lose your mind
And I'd use you as a focal point
So I don't lose sight of what I want
And I've move further then I thought I could
But I missed you more than I thought I would
[...] And I found love where it wasn't supposed to be
Right in front of me, talk some sense to me

"I Found", do Amber Run






As bandeiras da Grifinória flamulavam a metros de distância das cabeças dos alunos, que dividiam o último café da manhã antes que o Expresso de Hogwarts os levasse embora. Tudo era vermelho e dourado, com o indomado leão de Gryffindor, rugindo em sua glória. Da mesa da Lufa-Lufa, Edward Tonks remexia os ovos já mexidos e ignorava os colegas de casa, que comentavam sobre as futuras profissões que teriam. O seu último ano encerraria em algumas horas e tudo o que tinha em mente era a bela jovem sentada à mesa próxima da entrada do Salão Principal.

Os cachos castanhos estavam devidamente arrumados, com uma tiara prendendo os fios que costumavam cair em sua face. Seu semblante permanecia imperturbável, diferente dos colegas de casa, casmurros graças à derrota. As reclamações eram muitas, mas Andrômeda Black não os escutava. A irmã mais nova, Narcissa, aguentava os protestos de seu namorado, Lucius, fingindo interesse.

Por um instante, o olhar de Edward cruzou com o de Andrômeda e ambos sentiram a tristeza da partida se intensificar. A jovem, sempre guiada pela boa educação, terminou de comer para só então se levantar. Ninguém prestou atenção, à exceção da irmã.

— Aonde pensa que vai? — Narcissa a segurou pelo punho, impedindo-a de deixar o Salão.

— Eu sou a irmã mais velha, Cissy, não você — respondeu, soltando-se.

— Espero que não vá encontrar aquele... — As palavras não saíram, mas o olhar direcionado a Edward foi o suficiente para terminar a frase. — Se papai souber que anda confabulando com sangues-ruins, seu nome será apagado de nossa árvore genealógica como traidora — sibilou, temendo que alguém a ouvisse.

— Então mantenha essa boca fechada! — Por um instante, o autoritarismo dos Black destilou em suas palavras, como se a própria irmã mais velha tivesse falado por ela.

Na mesma hora, arrependeu-se e Narcissa deixou que o espanto transbordasse em seu semblante. Nunca vira a irmã tão transtornada a ponto de falar daquela maneira. Até mesmo Lucius dignou uma olhadela na direção da cunhada, antes de voltar a conversar com os amigos. A caçula desviou o olhar, magoada, mas Andrômeda tinha certeza que ela não contaria nada a ninguém.

Ainda surpresa com a própria reação, deixou o Salão sob o olhar preocupado de Edward.

— Ei Tonks, aonde você vai? — Um dos colegas perguntou, mas o rapaz deixou o local tão rápido que só não notou o motivo quem não quis.

Encontrou-a sentada em um banco, com os cotovelos apoiados nas coxas e rosto escondido atrás das mãos. Edward sentou ao seu lado, permanecendo calado. Ele a ouviu respirar fundo antes de olhá-lo; aqueles olhos sempre sonolentos e gentis. Andrômeda encostou as costas contra o espaldar e continuou observando-o por alguns segundos.

— Essa escola não será a mesma sem você aqui — disse ela, fazendo-o sorrir.

Não, não havia felicidade naquele sorriso, mas o rapaz sabia que naquelas palavras residia uma verdadeira declaração de amor. Andrômeda não era dada a demonstrações efusivas de afeto. Introvertida, um simples segurar de mãos era motivo de exultação para Edward. Tudo começou no quinto ano, quando a viu passar com uma pilha de livros nos braços e se ofereceu para ajudá-la, afinal, tinha que pegar alguns que ajudariam nos trabalhos de Herbologia; sua matéria favorita.

Mesmo um pouco arredia a princípio, logo deixou o jeito monossilábico de lado para interagir de forma carismática com o rapaz de cabelos claros, voz suave e piadas sem graça. Andrômeda era longilínea e elegante, sempre bem alinhada e amável demais para uma sonserina. Quando começou a reparar de verdade na menina, notou seu afastamento em relação aos colegas de casa e isso foi o mais surpreendente. Ainda assim, não fora nada fácil para ele se declarar; não quando a reciprocidade de sentimentos era tão misteriosa. Mas conseguiu, apesar dos pesares que acompanhavam o relacionamento.

— Um ano, Dromeda, um ano. — Ela desviou o olhar, cansada de ouvir a mesma história.

Com Edward sendo um ano mais velho, sabia muito bem que ficariam separados, mas não conseguira se acostumar à ideia. Precisava aguentar as férias sem ele, com o pai insistindo para que namorasse um brilhante rapaz da Sonserina. “Não importa qual, apenas faça”, dizia ele, já desconfiando do envolvimento da filha do meio com um sangue-ruim, porém, orgulhoso demais para admitir.

— Arranjarei um emprego no Ministério da Magia e juntarei dinheiro para nós dois — continuou, tomando a mão da namorada nas suas, soando sonhadoramente feliz. — Teremos uma casa e ninguém da sua família irá se meter na nossa vida. Estarei esperando assim que desembarcar de seu último ano em Hogwarts.

Andrômeda, enfim, deu um sorriso e deitou a cabeça no ombro dele. Quando produziu Amortentia pela primeira vez, foi o perfume de Edward que sentiu. Manteve isso para si, pois não havia novidade alguma sobre seus sentimentos em relação ao rapaz, tanto que estava disposta a ser riscada da família Black por ele. Tudo bem, talvez não só por Edward, mas pelo o que também representava; um ato de extrema bravura ao se libertar de séculos de tradição, em busca da própria liberdade. Sentia-se agraciada por ter alguém como Ted ao seu lado quando, finalmente, conquistasse o que queria.

— Terá que usar roupas finas no Ministério. Não combinam com você — brincou ela, fazendo-o rir.

— Posso cuidar da limpeza. — Edward deu de ombros. — A senhorita não se importa de ter um marido faxineiro, certo? Acho que o uniforme cairá bem em mim. Sem contar que minhas notas no N.I.E.M.s não foram muito boas, então vai se preparando.

— Você sempre foi muito bom com limpeza — disse Andrômeda, olhando-o com carinho. — Será o melhor faxineiro do Ministério.

— Ah sim, meu nome será mencionado para sempre na história da magia e bruxaria. O indômito faxineiro Edward “Ted” Tonks, marido da magistral Andrômeda Tonks.

— Pai da imbatível Ninfadora Tonks — completou a jovem e ganhou um olhar fulminante.

— Não mesmo. Nossa filha não terá esse nome e ponto final.

Andrômeda riu e deu um beijo na ponta do nariz de Edward, antes de descansar — novamente — a cabeça em seu ombro e ali ficar, prometendo a si que aquele seria o último momento de despedida entre ambos.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado e não esqueçam do review ♥



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