Proibido Amar escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 38
Capítulo 37




— É um prazer conhecê-los! Entrem! Entrem!

A casa da família de Remus era simples, comparada às casas dos Potter e Black, mas isso jamais incomodaria a James e Sirius. Pelo contrário, Sirius achava mais aconchegante e confortável.

— Pare com essa cara de enterro — James deu uma cotovelada no braço de Remus.

— A minha casa não é... — ele começou, envergonhado.

— Cale a boca! — aconselhou Sirius.

— Sirius! Isso são modos? — Dorea virou-se para ele, as mãos na cintura.

— Desculpe, mãe — ele coçou a nuca.

— Fico feliz que tenham vindo — Hope, a mãe de Remus, foi falar com Dorea.

— Fico feliz que tenha nos convidado, sei que era só para James e Sirius virem... — disse Dorea, esquecendo da bronca.

— Que isso! Seria um absurdo tirarem a eles da família, justo no natal! — disse Hope — Eu só peço desculpas pelo estado da casa... Não estávamos preparados.

— Eu acho que a casa está magnífica! — interrompeu-a Dorea, sorrindo — É linda! A beleza está nas coisas mais simples.

James cruzou os braços, levantando uma sobrancelha para Remus.

— Tá bom! Já entendi! — ele levantou os braços em sinal de rendição.

— Olhe só isso, querida! — ouviu-se a voz de Charlus, que estava conversando com Lyall.

— Charlus! — a esposa foi para perto dele, um olhar repreensivo.

— Vamos ver o quarto de nosso querido Remito, e deixar os pais socializando — disse Sirius, indo até as escadas.

O que era uma perfeita desculpa, também, para que James e Sirius afrouxassem as gravatas, assim que se vissem sozinhos. Remus riu, ao ver a cena, completamente confortável com o que vestia.

— Eu entendo como Padfoot se sente, vestindo essas coleiras — Sirius fez careta — Será que ele ficará bem?

— Se ele latir, não vai causar tanto alvoroço quanto causaria se estivesse no apartamento — observou James.

— Isso é fato! — disse Remus, olhando nostálgico para o pequeno cômodo.

Ouviu-se passos vindos da escadaria, e Lyall apareceu.

— Querendo fugir da gente? — disse, bem humorado.

— Deixando vocês conversando em paz! — respondeu Sirius.

— Bobagem! Vamos! — ele virou-se para Remus — Sua mãe está te chamando na cozinha, acho que ela precisa de ajuda.

Os quatro desceram.

— Ajeita essa gravata, James Charlus Potter! — Dorea apressou-se para apertá-la novamente.

— Dorea, está sufocando o nosso filho — disse Charlus, tentando salva-lo.

— Precisa se acostumar com a gravata — ela reclamou.

— Estamos perdidos, então! — disse Sirius, afastando-se da mulher, a que considerava sua mãe.

— Eu ainda me lembro de Sirius com a gravata enrolada na cabeça — disse Charlus, fazendo a todos rirem.

— Eu estava... — ele tentou arrumar uma desculpa, mas foi salvo pela chegada de Hope e Remus.

— Vão ajudar, James, Sirius! — ordenou Dorea.

— Não! São nossos convidados! — disse Hope.

— Justamente por isso — respondeu Dorea — Vão!

À contragosto, eles se uniram a Remus. Assim que Sirius conseguiu uma folga, pegou o celular, vendo se tinha mensagem.

— Mãe! Você não sabe! — James correu de volta para a sala, ao vê-lo mexendo no celular — Sirius está namorando!

— Linguarudo! — reclamou Sirius, arregalando os olhos.

— O quê? — perguntou Dorea, chocada — Sirius?

— É verdade! — ele suspirou, carregando os pratos que James abandonou.

— Finalmente! — Charlus murmurou, tentando ser discreto, sem sucesso.

— Oh! Isso é tão bom, querido! — ela pegou os pratos das mãos dele, colocando-os em cima da mesa, e envolvendo-o em um abraço — Parabéns! É uma mulher de sorte!

— Mãe — disse James, rindo do desconforto do amigo.

— Desculpe, mas vocês crescem tão rápido — ela afastou-se, limpando os olhos.

— James encontrou a ruivinha dele — Sirius soltou.

— Ei! Somos só amigos! — ele defendeu-se, indignado.

— Um Potter e uma ruiva? Amigos? — zombou Sirius — E outra: desde quando amigos jogam cantadas?

— E o Remus... — começou James.

— Opa! Opa! Opa! Não me metam nas discussões de vocês! — protestou Remus.

— O que tem Remus? — perguntou Hope, perspicaz.

Os três se entreolharam, gaguejando.

— Nada — disseram, por fim.

Os adultos presentes entreolharam-se, desconfiados, mas resolveram deixar o assunto de lado. Aqueles três, quando se uniam, não diriam nada.

— Certo! Eu vou trazer as panelas — decidiu Hope, por fim.

Lyall a seguiu sem dizer uma palavra.

— A sua mãe parece um pouco frágil... — Sirius comentou.

— Ela tem anemia falciforme — disse Remus — Às vezes inventava de esquecer de tomar o remédio, nos deixava loucos.

— Sirius, não seja indiscreto — sussurrou Dorea, apertando levemente o ombro dele.

— Só queria puxar assunto... — ele murmurou, cruzando os braços, como se fosse uma criança.

James e Remus sorriram, divertidos com a cena.

Não demorou muito para que todos estivessem à mesa. Sirius desesperado, olhando de vez em quando para o celular, esperando por alguma notícia. Por fim, ele recebeu uma mensagem, mas não era de quem esperava.

— Sirius, filho, sem celular à mesa — disse Dorea.

— Ai, meu Deus! — a cara dele não era nada boa.

— O que foi, Sirius? — perguntou James, franzindo o cenho.

— É a mensagem da Andy — ele disse.

— Pensei que sua namorada se chamasse Marlene — brincou Charlus.

— É a Andy, Andrômeda, minha prima! — disse Sirius, levantando-se da mesa — Ela disse que a Tonks sumiu de casa.

— O quê? — perguntou Remus, levantando-se também — Como assim?

— Disse que sumiu! Sumiu! Que ela não a encontra em lugar algum — disse Sirius, desesperado.

— Mãe, pai, senhores Lupin, desculpem, mas é melhor a gente ir — James manifestou-se.

— Queremos ajudar! — disse Hope, levantando-se.

— Não! — Lyall parou-a — Vamos ficar. Deixe que eles vão!

— Vocês a conhecem melhor — disse Charlus, antes que a mulher dissesse algo mais — Podem ir! Andrômeda deve estar desesperada...

— Nos mandem notícias! — Dorea abraçou aos três.

Eles colocaram mais um casaco por cima das roupas, e saíram para a noite fria.

— Mas como foi isso? — Sirius perguntava a Ted.

— Nós não sabemos! Fomos sair para pegar as coisas da mãe de Ted e, quando voltamos, ela tinha desaparecido! — disse Andrômeda, desesperada — Liguei no celular dela, mas ela não atende!

— Quais lugares que ela poderia ir? — perguntou James, objetivo.

— Ela gosta de música, mas nenhuma loja está aberta a essa hora — disse Ted.

— Espere! Mas ela levou as coisas dela? — perguntou Sirius.

— Levou! Levou o violão, e algumas roupas! — respondeu a mulher.

— Escutem, o melhor é procurarmos ao redor. Não faz muito tempo que ela se foi, não pode estar longe! — disse Remus, por fim.

— Eu vou com vocês! — Andrômeda levantou-se.

— Não! É melhor ficarmos, caso ela volte! — disse Ted.

— Vamos, gente! — James puxou a Sirius e Remus pelo braço.

Eles caminharam na mesma direção, pensativos.

— Por que vocês acham que ela fez isso? — perguntou Sirius, quase que silencioso.

— Eu não tenho ideia — respondeu Remus, esfregando as mãos enluvadas umas nas outras, olhando ao redor — É melhor que nos separemos. Eu vou pela bifurcação! A gente se vê aqui daqui a umas... Duas horas? Pode ser?

— Eu sugeriria pegar o WhatsApp, mas mal sinto minhas mãos — disse James, concordando com a cabeça, a fumaça de frio saindo de sua boca.

Uma leve camada de neve cobria o chão, e pequenos flocos caíam do céu. Não era um bom clima para resolver fugir de casa. O lago do parque já estava completamente congelado, embora ninguém ousasse patinar por ali, pelo medo de que a camada de gelo se rompesse. As árvores, que ainda tinham folhas, estavam sustentando uma quantidade moderada do nevisco.

Caminhando alguns minutos, Remus já sentia ter se passado horas. A única coisa que ele queria era voltar para o calor de seu lar, com os seus pais, a quem sentia muita falta.

Sentiu seu celular vibrar, passando pela ponte, acima do lado, com cuidado para não escorregar.

— Para quem não conseguiria pegar o Whats... — ele murmurou, procurando, com dificuldade, o celular em seu bolso.

A neve atrapalhava sua visão, então ele caminhou rapidamente até a rua, atravessando a rua deserta, e alcançando uma marquise.

Dora Tonks.

Ele, no mesmo instante, apertou no botão de “atender”, destampando um dos ouvidos.

— Tonks! Onde você está? Estão todos preocupados! — ele disse.

— Uma loja abandonada, do outro lado de Hogwarts — foi o que ela disse.

— Não saia daí! Estou indo! — ele desligou, sem esperar pela resposta.

Ignorando a neve, ele apressou-se, desviando de um solitário carro na estrada.

Parecia uma garagem, olhando de longe, e ele pôde entrar pela pequena fresta aberta do enorme metal, que cobria a parte da frente da loja.

A rosada estava encolhida em um canto.

— Por que você fez isso? Andrômeda está muito preocupada! — ele sentou-se do seu lado.

— Por que ela me escolheu? — perguntou a garota — Eu tenho 15 anos! Daqui a pouco, estou na faculdade. Quando ela engravidar, eu vou ser só um peso morto.

— Não diga uma coisa dessas! — ele interrompeu-a — Ela sentiu que era o certo. Qual é o problema? Idade não significa nada!

— Você não pensa assim — ela retrucou, finalmente olhando para ele.

— Estou falando no sentido fraternal — ele desviou o olhar.

— Não é pedofilia a partir dos quinze — Tonks murmurou.

Ele não respondeu, e eles ficaram em silêncio por um tempo.

— É a primeira vez que eu passo o natal em família... E eu estraguei tudo — disse Tonks.

— Não, não estragou. O natal ainda não acabou — ele sorriu.

— Eu fiquei com medo. Disseram que iam me apresentar a mãe do... Ted.

Remus olhou para o lugar, levantando-se.

— O que acha de falar essas coisas para eles? — ele estendeu a mão para ela.