Correntes do Destino escrita por Maresia


Capítulo 1
Correntes do Destino




Caos, pânico, gritos, dor, descrença, sangue quente, luz, culpa, inconsciência, escuridão, frio, vozes, Ikki, Hades, memórias incertas, esta é a catadupa de emoções, sentimentos, pensamentos que varrem terrivelmente a minha confusa mente, o meu espírito desfeito, o meu penoso e culpado coração. Sinto o meu corpo baloiçar perigosamente entre o mundo das trevas cegas pelo medo e a luz brilhante das almas carinhosas dos humanos, ergo a cabeça latejante, abro os olhos lacrimosos, afogados em vozes de súplica, de persistência indomável, de amizade mais forte do que os próprios Deuses caprichosos, as trevas do Inferno aguardam-me silenciosas, predadoras, gélidas, mortas, prontas para derramar sobre mim o seu imundo sangue gritante, escuro, arrependido. O meu coração treme, sangra, grita, arde, súplica por perdão, por esperança, por coragem.

                Mágoa, tristeza, raiva, perda, onde estás tu Ikki meu irmão, minha estrela guia, protetora inquebrável, levanta-te desses confins de gelo e carência, alcança o meu espírito, ilumina-o com as tuas chamas da coragem, faz com que ele voe de novo nas asas brancas da fénix de luz quente, e da esperança cristalina, perdoa-me meu irmão, perdoa-me por ter sido sempre fraco, a minha impura fraqueza traçou a tua injusta e cruel morte. Perdoa a minha incontrolável e imprestável bondade, perdoa a minha triste fragilidade, perdoa a minha insolente compaixão, perdoa o meu corrompido coração. Escuta este lamento ingrato e insano de alguém que tudo perdeu, que tudo derramou nas terras negras, que tudo desfez num turbilhão de luz, maldade e escuridão, que tudo entregou a Hades o cruel mestre da delicada morte.

                O sangue quente de Atena refresca-me a alma ardente, alimentada pelos famintos remorsos e pela arrogante vergonha, Atena minha querida Deusa, a tua voz invade o meu destruído ser, melancolicamente preso á vontade dos Deuses manipuladores, preces de coragem, esperança, amor e luta irrompem pelos teus sagrados e sábios lábios de carinho doce e amistoso, o perdão percorre cintilante as tuas maravilhosas melodias de paixão, obrigado Atena.

                Amigos, companheiros, irmãos, nada mudou, nada mudou, fracassos, devaneios, perdas, tudo isto nos tornou mais fortes mais unidos, mais brilhantes, nada apagará a nossa fome incessante de justiça, nada secará a nossa luminosa fonte de amor, nada extinguirá as nossas chamas da esperança solar. Os vossos fracos, lutadores, determinados e indomáveis cosmos despem-me de toda a culpa, remorsos, penitências ou perdição, almejando-me com a frescura verde do perdão estelar.

                Quatro luzes descem dos céus eclípticos, sangrentos, esvoaçantes, almejando triunfantemente a minha alma, Andrómeda, Cisne, Dragão Fénix e Pégaso serão para sempre prisioneiros das correntes sagradas do destino, da amizade e da justiça, este é o magnífico prelúdio da brilhante aurora do tempo infinito e jamais poderá ser apagado do imenso livro celestial, estará para sempre encerrado num pequeno pendulo de bronze, guardado por doze poderosas constelações de ouro e valentia. A luz dos nossos espíritos será para sempre a incontestável rainha das trevas.





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