Recomeçando escrita por Larissa Oliveira


Capítulo 9
Escolhas




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—Espera um pouquinho aí Clarissa – Simon disse, pausando o jogo, o que eu gostei, pois não estava muito atenta- você tem uma prima?

—Foi isso o que eu acabei de dizer, Lewis – revirei os olhos- Lydia Branwell, uma parente distante

—Mas Jace me disse que a sua família foi morta pelo seu pai.

Aquilo doeu, senti um calafrio reverberar pela minha espinha e, foi inevitável lembrar do meu irmão, Sebastian, que chegou ao ponto de tentar me estuprar, por mais que me doa assumir, minha família me machuca, e muito, Simon percebeu o meu desconforto e soltou um grunhido

—Me desculpe Clary, eu não sei a hora de calar a boca, sério, foi mal

Eu sentia falta do velho Simon, mas ele desmemoriado também era fofo e atencioso, assim como ele era antes do Edom, e o melhor, ele nem ao menos tentava, nem ao menos sabia o quanto estava próximo do ''velho Simon''.

—Cara, não há nada demais nisso, realmente a minha família gosta de matar e destruir – eu disse isso de maneira sincera, mas ele pareceu se sentir mal então tentei desviar o assunto – Como está o seu lance com Isabelle?

Meu amigo ficou com uma cor muito próxima a do meu cabelo

—Err, bem, e-eu não sei direito o que está acontecendo entre a gente

Sorri maliciosamente

—Ah

—Não me olhe assim, Fray

Eu gargalhei, o que deu início a uma guerra de travesseiros.

                                                                                                             ++++++

—E é assim que se faz uma lasanha

Meu rosto provavelmente se contraiu em uma careta, pois a minha mãe fingiu uma tosse para esconder o riso, revirei os olhos

—Eu não entendi nada desde a parte que você falou ''pega o molho de tomate'', vamos falar a verdade, mãe, eu sou terrível na cozinha, completamente sem salvação, eu provavelmente ia conseguir queimar o molho branco

—Como é que você vai casar se nem sequer sabe cozinhar, Clary? Ao menos tente antes de se dar por vencida

—Qualquer dia desses eu tento, prometo

Foi a vez dela de revirar os olhos

—Porque a lasanha mãe? Temos algo especial para o dia de hoje?

—Hoje é o aniversário de Amatis, Clary, senti a culpa se infiltrar pelos músculos da minha mãe, afinal, o filho dela era o assassino da irmã do meu padrasto.

Eu arfei

Enquanto eu estive em Idris, Amatis me acolheu, me deu o que vestir, a irmã de Luke perdeu a vida na guerra maligna, eu vi ele transformá-la em uma escrava, utilizando uma arma muito poderosa, o Cálice Mortal, ele obrigou-a a tomar do cálice, tornando-a assim uma crepuscular, quando matei o meu irmão, matei também a ela, e, embora ela não fosse mais a mesma pessoa o peso da morte dela ainda recaía sobre mim, eu era culpada pelo fim da vida dela, e pela vida de muitas outras pessoas também, graças a mim, o número de caçadores de sombras diminuiu, e muito. Senti os braços de minha mãe me envolverem, talvez, seria melhor eu não voltar a ser uma caçadora de sombras, assim como a minha mãe fez, assim eu não machucaria mais ninguém.

—Clary, a culpa não foi sua, você nos salvou, a todos nós, Amatis não era ela mesma desde que tomou do cálice infernal, você tem que parar de se culpar.

Parar de me culpar, aquilo devia ser uma piada de mal gosto, também fui a responsável por Simon não se lembrar de mim, mas não era para eu me surpreender tanto assim, era? Afinal, eu era filha de Valentin, e irmã de Jonathan Morgenstern, eu deveria me acostumar a ter o nome associado a pessoas mortas.

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Eu estava pintando o desenho que havia feito do meu irmão, porém não de um jeito normal, um olho era preto, o outro, era verde, um lado de seu rosto estava sorrindo, feliz, como se tivesse vendo algo que gostava muito, a outra parte do seu sorriso era sombria, ele estava em busca de algo para fazer, obviamente, não era algo bom. A pintura era para retratar o que ele era, e o que ele deveria ser, senti uma respiração frustrada atrás de mim.

Jace encarava o desenho de um jeito estranho, parecia até mesmo culpado.

—Você não deveria ficar se martirizando com isso, Clarissa

Levantei da cadeira com uma fúria que eu não sabia ter dentro de mim

—E o que você sugere? Que eu passe uma borracha em cima de tudo o que eu passei? Quer que eu esqueça de tudo Jace? É isso o que sugere?

Meu namorado respirou fundo, e me puxou de forma violenta para os seus braços, ali, abraçada a ele eu me senti segura, tremi em seus braços, não de frio, de frustração, Jace me carregou e me deitou em minha cama, depois se sentou na mesma, seus olhos não deixando os meus por um segundo sequer

—Eu admiro você – ele disse e examinou o meu rosto, uma mecha ruiva caiu sobre os meus olhos, ele a tirou com delicadeza e a colocou atrás de minha orelha, de um jeito delicado, o toque de sua pele na minha me causou um formigamento, mais, era o que o meu corpo pedia – você passou por muita coisa, coisas pelas quais nenhum de nós passou, ou saberia lidar, você foi criada como uma mundana, sua vida foi ocultada de você e, quando você soube de sua verdadeira identidade se agarrou a ela como se você fosse um imã. Simon escolheu estar ao seu lado, eu não sei se eu teria um amigo que fosse comigo numa aventura como essa, mesmo ele sendo bem desengonçado e estranho, ele tentava te proteger, e eu tinha ódio dele por isso.

Franzi o cenho, confusa, porque Jace teria ódio de Simon?

—Não sei se eu faria o que ele fez por você, ao menos não quando te conheci, eu sentia ciúmes pois, apesar de eu saber que ele não tinha chances com você eu sabia, que vocês passariam a vida inteira juntos. Você me protegeu, Clary, quando enfiou aquela espada em mim eu só voltei porque ouvi a sua voz, você esperou que eu acordasse, ninguém acreditou que eu estava vivo mas você sim, foi a sua voz e apenas a sua voz que me fez voltar a superfície.

Senti lágrimas manchando a minha visão, porém o meu namorado não parou de falar

—Você fez tudo para que Valentin parasse, foi responsável pela queda dele e de Sebastian, se não fosse por você , provavelmente todos nós estaríamos perdidos, não se trate desse jeito, por favor, por você, por mim, por Simon, por Jocelyn, por Alec, por Magnus, por Isabelle, a lista é imensa, Clary, não se culpe por ter salvado todos nós, não se culpe pelos crepusculares, Valentin minou a chance deles misturando sangue de demônio ao sangue de Jonathan, a culpa não é sua, jamais diga isso, se não fosse por você, Clarissa, muitos, muitos mesmo estariam mortos.

Jace estava certo, eu não precisava ficar me culpando sobre tudo, Simon sempre esteve comigo e, eu sabia, com memória ou sem memória ele estaria lá, eu entrei no universo dos caçadores de sombras porque eu quis, e, se eu não tivesse feito isso ainda me sentiria aquela garota incompleta, que não se encaixava em nada, minhas escolhas me levaram a Jace, minhas escolhas me levaram a muitos amigos, e a verdade, e eu tenho que aprender a lidar com isso, essa sou eu, não Clary Fray, a menina de Nova York, mas sim Clarissa Fairchild, a caçadora de sombras com sangue de anjo, limpei as minhas lágrimas, e puxei o meu namorado para junto de mim, eu estava chorando, mas foda-se, aquela era a minha forma de agradecer por ele ter aberto os meus olhos.

 

 


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