Lembre-se escrita por amanda gomes


Capítulo 30
Capítulo vinte e nove




Sentada sozinha na poltrona virada — estrategicamente — para a porta dupla de vidro com vista para os fundos da casa, Hermione fitava o gramado e as árvores do quintal enquanto sua cabeça voava longe. A xícara de chá fumegante em sua mão estava pela metade, mas não era tocada fazia um bom tempo.

Hermione lembrava-se de tudo o que acontecera em sua vida desde que conheceu o verdadeiro Draco Malfoy. Foi quando tudo começou a mudar, viu-se numa situação que simplesmente não conseguiria reverter por mais que se sentisse em queda livre. Ele a transformara numa pessoa diferente, mesmo que insistisse no contrário. Draco foi quem mostrou-lhe outras maneiras de viver, de ver o mundo, de se divertir e de sentir. Os beijos que recebia ressaltavam o quanto ele a desejava e a amava, faziam-na se sentir a mulher mais linda do mundo, como se não houvesse espaço para mais ninguém em seu coração. Entregou-se de livre e espontânea vontade às borboletas frenéticas que habitavam seu estômago, deixou-se levar pelo tum-tum ­ritmado do coração e ignorou o que as más línguas cochichavam.

Logo que a maior revista bruxa de fofocas publicou uma imagem dos dois durante um passeio em Hogsmeade não havia ninguém que não a olhasse pelo canto dos olhos quando passava pelo Ministério. E quando estavam trabalhando juntos havia sempre alguém por perto observando-os por cima de relatórios ou dos óculos, esperando ver qualquer tipo de contato que os delatasse. Mas eram discretos, a não ser quando conseguiam se esgueirar para salas vazias e trocar um ou dois beijos para matar a saudade.

Harry e Rony ficaram surpresos, mas reagiram bem depois de uma longa bronca de Hermione que em quase trinta minutos disse que estava feliz e não queria saber de desavenças por causa do namoro. Depois de algum tempo os rapazes se tornaram amigos.

A Londres bruxa parou quando Draco socorreu Hermione depois de uma missão no meio do Átrio do Ministério e beijou-lhe nos lábios quando ela finalmente abriu os olhos. No dia seguinte os jornais estavam estampados pela imagem que se movia do ex-comensal da morte Draco Malfoy beijando a heroína de guerra Hermione Granger. Foram as piores semanas da vida de Hermione, que evitada os jornalistas todos os dias quando entrava ou saía do trabalho. Num desses dias acabou por estuporar um fotógrafo que impedira sua passagem, enviou-lhe uma carta de desculpas junto de uma nova câmera fotográfica.

Desde então passaram a aparecer cada vez mais juntos, fosse em bailes beneficentes ou durante um passeio, e até mesmo no Ministério, quando almoçavam juntos.

Casaram-se num belíssima cerimonia, onde Narcisa tornou-se amiga íntima de Molly Weasley.

Em dois anos de casados haviam brigado mais que animais selvagens, numa das brigas Hermione apontara a varinha para Draco, mas caíra em lágrimas e antes que conseguisse pensar já estava sendo abraçado pelo marido que a mantinha sobre os pés. Nas noites que tinha pesadelos sabia que Draco estaria lá para abraça-la até que conseguisse se recompor das imagens excruciantes da guerra e fazia o mesmo quando ele remexia-se inquieto na cama e acordava com dor no pulso esquerdo.

As marcas que carregavam na pele não passavam de uma história que acontecera há anos, e não significavam mais nada.

***

Deixou a xícara de chá, agora gelado, no chão. Vestiu o casaco, pegou a bolsa e entrou na lareira com chamas verdes, saindo em questão de segundos, na sala de Ethan.

O médibruxo levantou o rosto e abriu um breve sorrisinho. Não estava surpreso.

— Estava me perguntando quando você apareceria, mesmo eu tendo mandado que ficasse em casa descansando! — Olhou-a com uma sobrancelha erguida.

Hermione mexeu nos dedos e olhou-os, como uma criança pega no flagra.

— Não posso deixa-lo sozinho. — Respondeu com o rosto em súplica.

— Ele não pode ficar sozinho ou é você quem precisa estar do lado dele? — Levantou-se e jogou o jaleco para trás, como uma capa.

— Não diga isso à ele, Draco já tem o ego grande demais. — Sorriu e acompanhou Ethan para fora da sala. — Prometo que voltarei para casa, só preciso ter certeza de que ele está bem. Isso está me corroendo!

Ethan anuiu e sinalizou para que Hermione entrasse no quarto.

— Me avise se ele acordar.

Entrou no quarto com a respiração presa, como se pudesse fazê-lo piorar se inspirasse com brusquidão. Mas Draco continuava adormecido, as bochechas coradas sinalizavam alguma melhora, tinha de ser. A cadeira continuava ao lado da cama, então sentou-se ali e segurou a mão fria do marido.

Dessa vez não deixou que soluço algum escapasse-lhe pelos lábios, tinha certeza de que tudo acabaria bem. Passou a mão livre pelo ventre e esboçou um sorriso. Agora era tudo ou nada, e quando Draco despertasse daquele terrível sono, começaria a vida que um dia sonhou.

— Eu devia ter te contado isso antes, Ethan já me repreendeu e acho que deve saber que vamos ter um filho... Ou filha! Tive medo de que acontecesse o mesmo que na primeira vez e preferi guardar esse segredo, mas parece que nosso bruxinho já passou pelo primeiro duelo e saiu sem nenhum ferimento! — Mordeu o lábio. — Aquilo no Ministério me deixou extremamente assustada. Minhas costas estão roxas como nunca vi, meu corpo ainda dói, mas está tudo certo lá dentro. Garanti isso. Agora só quero que você acorde para que possamos comemorar do jeito que sempre comemoramos.

Draco não esboçou reação alguma.

— Tudo bem, estarei aqui quando acordar.

Conjurou uma almofada, onde apoiou a cabeça e gradativamente, deixou-se ser levada pelo cansaço de uma noite mal dormida.

***

Acordou com cochichos, não entendia muito, mas ao abrir os olhos se deparou com Harry e Ethan olhando-a.

— O que foi? Dormi com a boca aberta? — Limpou os lábios, com receio de ter deixado a saliva escapar.

— Hermione Granger! — A voz era rouca, mas tão familiar que seu peito inflou-se de esperança.

Virou-se e observou Draco analisando-a com a sobrancelha esquerda arqueada em questionamento.

— Você acordou! — Constatou o óbvio com felicidade.

— Acordei e não faço a mínima ideia do que você está fazendo aqui, Granger! — Disse com severidade.

O olhar de Hermione percorreu o rosto de Harry e depois de Ethan, estava tão absorta na hipótese de Draco ter perdido a memória novamente que não se deu conta da expressão de divertimento dos dois amigos.

Draco apertou-lhe a mão.

— Deveria estar em casa, descansando!

Hermione observou-o com cuidado, desconfiada.

— Você se lembra? De nós? — Engoliu em seco, ansiosa com a resposta.

— Eu seria um tolo se não me lembrasse de você. — Puxou-a para perto e juntou seus lábios.

Separaram-se somente por causo da tosse forçada de Harry, que sinalizou a porta e saiu de fininho. Ethan demorou-se um pouco mais, a ponto de ver a vermelhidão que tomou o rosto da Hermione.

— Vou deixa-los à sós um momento, os dois têm muita coisa para conversar. Mas preciso voltar para examiná-lo, conhece os procedimentos Doutor Malfoy!

Draco assentiu e seguiu Ethan com o olhar até que saísse pela porta. Voltou-se para Hermione com saudade e puxou-a para um beijo longo.

— Draco... Você precisa... Descansar! — Disse pausadamente, enquanto deixava-se ser beijada. — Falo sério.

Draco jogou a cabeça para trás e gargalhou.

— Do que está rindo?

— De todas as mulheres do mundo, eu tinha que me casar com a mais “correta”. — Sacudiu a cabeça e entrelaçou seus dedos aos de Hermione. — Preciso conta uma coisa.

Com dificuldade sentou-se na cama, abrindo espaço para Hermione ajeitar-se ao seu lado.

— Eu queria fazer uma surpresa, mas não deu tão certo quanto eu esperava. — Bagunçou os cabelos e sorriu como um adolescente. — Eu lembrei de tudo.

O queixo de Hermione caiu e levou alguns segundos para voltar ao lugar.

— Agora?

— Não. Lembrei antes do casamento do Blás, aquela dança... Foi ali que tive certeza de que nada faltava! — Contou com calma, já que sua garganta ainda arranhava um pouco. — Quis fazer algo no nosso segundo casamento, acabou que não saiu como planejado e fui deixando para outro momento. Mas não quero mais enrolar, você merece saber, sei que se sente culpada pelo que aconteceu com a minha cabeça. Não sinta!

Hermione abraçou-o com força e depois deu-lhe um soco fraco no ombro.

— Devia ter me contado naquele maldito casamento cheio de Sonserinos! — Grunhiu.

— Essa é a Hermione que eu conheço. — Beijou-a rapidamente, um sorriso brincava em seus lábios. — Ethan disse que nós dois tínhamos muito o que conversar. Sua vez!

Hermione sentiu seus músculos se retesarem e levantou-se, criando a coragem necessária.

— É algo que eu também devia ter contado há algum tempo. Pelo o menos uma semana depois de ter descoberto, só que eu fiquei com medo e precisava ter certeza. — Olhou-o e tudo o que viu foi seu marido, o homem que escolheu para estar do seu lado em qualquer momento. — Eu estou grávida, Draco.

Ele imediatamente abriu um sorriso largo e orgulhoso.

— Por Dumbledore, Hermione. Seremos pais! — Levantou-se, ignorando o avental aberto nas costas e abraçou-a com força. — Estou tão feliz!

— Eu não! — Harry entrou no quarto. — Você está com toda a sua “retaguarda” aparecendo, Malfoy!

Hermione riu e fechou com um laço o avental de Draco.

— Ouvi bem? Vou ser tio? — Harry perguntou.

— Vou ser pai, Potter! — Draco disse, mas dessa vez fechou-se. Pensando seriamente no assunto pela primeira vez. — Isso deveria parecer assustador?

Hermione olhou para Harry e responderam juntos:

— Extremamente!



Notas finais do capítulo

Eu poderia escrever um capítulo inteiro me desculpando e explicando detalhadamente os motivos da minha demora em postar esse capítulo, mas quero apenas dizer que como desculpa, vou postar o próximo (e último capítulo) antes do Natal!
Até lá



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