Doce Desastre escrita por Kaline Bogard


Capítulo 3
Capítulo 03


Notas iniciais do capítulo

Olá! Nem eu estou acreditando que consegui postar mais um capítulo sem atrasar! Mas dei meu sangue pra digitar a tempo. Espero que gostem.

Hoje tem a apresentação de um personagem misterioso... ainda estou decidindo pra que lado ele irá tender, muita coisa pode acontecer!

Boa leitura!



Doce Desastre

Kaline Bogard

Capítulo 03

Thomas e Elinor ficaram parados perto da porta, assistindo enquanto a senhora Esquer trocava os lençóis da cama de casal.  O quarto de hóspedes estava devidamente limpo, pois uma ou outra vez seu patrão recebia os amigos mais íntimos para uma confraternização ou comemoração.

— Pronto. Acredito que é suficiente para essa noite.  O banheiro fica entre esse quarto e a suíte do senhor Robinson. Imagino que queiram tomar um banho e usar o tempo para ajeitar as coisas enquanto finalizo o jantar. Ah, deixarei toalhas limpas a disposição — sua vasta experiência a fizera preparar pratos que poderiam alimentar mais de uma pessoa.

— Obrigada! — Elinor respondeu antes que a governanta saísse do quarto.

— Nem precisa se animar, tampinha — Thomas foi sentar-se na cama e tirou o agasalho preto.  Sabia que a Costa Oeste era quente, mas não tanto! — Acho que aquele grandão lá vai fazer a boa ação do dia e despachar a gente amanhã.

A menina sentou-se ao lado dele e fez uma careta.

— Não sou tampinha, besta. Eu vou ficar mais alta do que você! — provocou.

Thomas suspirou resignado.  Sua meio-irmã parecia ter herdado os bons genes da família Robinson, pois era alta para os onze anos de idade. E magra como um palito.  Não duvidava nada de que poderia entrar no ramo daquelas modelos e manequins. Ele, por outro lado, era filho de outro homem e não tivera sorte nesse quesito.

— Não importa que tenha dois metros de altura, ainda vai ser tampinha pra mim — debochou com o coração aquecido.  A diferença de quase doze anos entre eles lhe dava um forte senso paterno em relação à menina.  Tanto que os últimos meses haviam sido um verdadeiro pesadelo com a possibilidade de Elli ir parar em um abrigo para menores e ele, na cadeia.  Claro, possuía uma carta na manga e os problemas não iriam tão longe... mas recorrer e usar a vantagem era algo que cobraria um preço e ele não estava disposto a pagar — Vai tomar banho, pirralha.  Não enrola pra não atrapalhar o jantar.

— Me ajuda então! — ela pediu.  O braço quebrado era uma chateação.

Thomas apenas girou os olhos com falso enfado.  Ajudou a menina a separar um novo par de roupas limpas e a tirar o braço da tipoia.

— Cuidado pra não molhar.  E não demora!

— Tá bom! — ela garantiu antes de abrir um vão na porta e espiar.  Com o caminho limpo, andou rápido para a porta do suposto banheiro e, confirmando que era mesmo, entrou para tomar banho.

Thomas assistiu aquilo com um sorrisinho no rosto.  Então se permitiu observar o cômodo, que era um quarto amplo e arejado por uma grande porta dupla de vidro que se abria para um jardim.  Estava escuro lá fora, não pode ver direito.  Mas não se interessou por algo que talvez não durasse em sua vida.  Acabou indo puxar as cortinas escuras e fechando-as.

Além da cama de casal, o quarto contava com criados-mudos em ambos os lados da cabeceira, e um abajur sobre cada um.  Um guarda-roupas de mogno ocupava boa parte de uma das paredes.  Dois quadros de flores combinavam-se e davam refinamento ao ambiente.  Tudo muito simples, mas incrivelmente elegante.  Engoliu em seco, há muito tempo não desfrutava de algo tão agradável.

Desde que o padrasto morrera, para ser mais exato.

O pensamento depressivo o irritou.  Para distrair-se, foi até a própria mala separar um par de roupas mais leve.  Fuçou até alcançar o fundo, onde escondera um smartphone.  Nem a irmã sabia que tinha aquilo, fazia parte das restrições ter acesso aos meios de comunicação que o deixassem navegar na Internet.  Oficialmente, usava um modelo tão antigo de celular que aquilo deveria estar em um museu, não nas suas mãos! Mas, extra-oficialmente, Thomas sempre dava um jeito.

Sem tirá-lo completamente da mala, usando as roupas como camuflagem, digitou um e-mail rápido e o enviou.

Tá tudo sob controle. A verdade sempre prevalecerá.

Aguardou sem pressa, pois sabia que logo teria resposta.  E teve: em menos de um minuto um sinal luminoso mostrou a chegada do novo e-mail.

Obrigado pelos peixes. A falsidade sempre ruirá.

Thomas riu da resposta nerd.  Aquele cara conseguia ser o mais viciado que conhecia.  Talvez por isso não fora pego, ao contrário de si.  Suspirou com enfado.  Os bons de verdade nunca são presos.  Era o caso de nEV3RF4Ke, codinome de seu melhor amigo e parceiro de aventuras virtuais.  Mal esperava para poder se acomodar com calma e retomar o contato com o outro Black Hat.

Nesse instante a porta do quarto e abriu e Elinor entrou. Parecia muito feliz depois do alívio de tomar um banho após horas de viagem.

— Sua vez, Tommy.

— Sim, sargento! — ele escondeu o smartphone no fundo da mala e o cobriu com roupas de novo — Não demoro.

Foi a vez dele escapar do quarto.  Primeiro espiou se o caminho estava limpo antes de ir para o banheiro.  Mal fechou a porta e quase soltou um assobio pelo que viu, um cômodo muito bom, justo como tudo até agora.  A marca do tempo estava registrada nas peças antigas, inclusive na banheira com designe do século XVIII.  A modernidade dera um pequeno toque aqui e ali, mas sem roubar para si a sensação de voltar ao passado.

Deu uma espiadinha no espelho sobre a pia, avaliando a expressão cansada. Tinha apenas vinte e três anos, mas compreendia aquela frase ‘um dia de cada vez’. Por hoje conseguiram um teto e podiam ficar juntos.  Ordem do final da noite: aproveitar isso e se preocupar com o amanhã, amanhã.

Entrou no chuveiro depois de regular a temperatura para uma mais fresca.  Levaria algum tempo para se acostumar com o clima pouco ameno.  Ou talvez nem precisasse...

Não enrolou debaixo da água, por mais que seu corpo cansado pedisse por alguns minutos a mais.  Não queria que Elli ficasse sozinha no quarto, eram desconhecidos ali, no fim das contas.  Por isso saiu e secou-se, usando a toalha azul escuro limpa que encontrara no banheiro.  Vestiu uma blusa preta com o símbolo do Batman na frente e calças jeans.  Saiu descalço, sem se preocupar muito com detalhes, trazendo a roupa suja consigo.

Encontrou Elinor sentada na cama, já com a tipoia colocada no devido lugar e a roupa suja guardada na mala, gesto que Thomas imitou.  Caminhou até a própria mala e amassou as peças, tentando fazer caber.

— Arruma direito! — Elli torceu o nariz para a cena.

— Cala a boca, tampinha — Thomas bufou, mas conseguiu puxar o zíper e fechá-lo.  Suspirou com exagero e foi jogar-se na cama, deitando-se ao lado da menina que continuou sentada.

Os olhos castanho-esverdeados cravaram-se no teto lajeado. Por menos que gostasse, teria que pensar no futuro de ambos.  O meio-irmão de Elli parecia nada disposto a acolhê-los, o que seria sua melhor solução.  Se Robinson seguisse em frente e recorresse da decisão judicial, ir para a cadeia não era opção.

Talvez fosse melhor aceitar logo e usar a carta na manga...

Suspirou, naturalmente dessa vez.

— Não se preocupa, Tommy.  Vai dar tudo certo — Elli afirmou cheia de certeza.  Esse jeito da meio-irmã sempre o surpreendia. Mesmo passando por grandes dificuldades ela nunca desanimava e ainda tentava ser forte pelos dois.

— Claro que me preocupo, tampinha. Sou o mais velho e responsável por nós dois!

— Besta! — ela riu.  Thomas não era responsável nem pelo próprio nariz, desde que tinha dezessete anos e acabara descoberto como um Black Hat.  O crime cometido não deixara as autoridades responsáveis felizes, o garoto brincara com um ninho de vespas.  E o preço por ser capturado foi alto.  Isso lhe custaria não apenas a liberdade, mas o poder de tomar decisão e fazer escolhas sem supervisão pelos próximos dez anos — Você acha que a gente deve ir lá ou espera virem chamar?

— Hum... — o garoto pensou um pouco.  Se fosse dar ouvidos ao estomago sairiam do quarto no mesmo instante! Mas os últimos anos ensinaram aos meio-irmãos que, em algumas situações, o melhor era apenas esperar o momento certo — Vamos ficar aqui mais um pouco.

— O que você achou do meu outro meio-irmão? Ele parece o papai — Elinor soou sonhadora.  Sentia saudades do pai, da mãe de quem mal se lembrava, do tempo em que eram uma família de verdade.

— Só porque ele é grandalhão — Thomas desdenhou fazendo um som engraçado com a garganta.  Quando olhava para esses caras malhados só sentia desgosto.  Alguns deles fizeram do seu Colegial um verdadeiro inferno.

— Mas o papai era bonzinho.  Benjamin podia ser bonzinho também e não separar a gente — a pouca idade não era empecilho que Elinor compreendesse o problema em que estavam presos. E tudo apenas se complicava mais e mais.

— Não seja boba.  Eu prometi que ia dar um jeito, não prometi? Não confia mais em mim?

— Claro que confio, besta.

— Tampinha!

Nesse momento duas batidas soaram na porta e a senhora Esquer abriu um vão, deixando-se entrever.

— O jantar está servido, crianças. Venham comigo.

Ambos trocaram um olhar significativo, pois a fome estava apertando.  Em silencio seguiram até a cozinha, com a governanta mostrando o caminho.  Assim que chegaram lá, notaram Benjamin encostado no balcão, com os braços cruzados e um ar de seriedade impressionante.  Thomas se deu conta de que não vira o homem sorrir em momento algum (não que ele tivesse muitas razões para isso, claro), e isso o deixava um tanto sombrio, quase assustador.

— Por favor, acomodem-se — a senhora Esquer indicou lugares um de frente para o outro, enquanto a ponta da mesa ficava, evidentemente, para Benjamin Robinson.  Enquanto os recém-chegados se sentavam, ela ia abrindo as terrinas de prata e mostrando o que preparara.  Um guizado de carne que cheirava deliciosamente bem, batatas grelhadas douradinhas, enormes; cenouras cozidas e purê de batatas com ervilhas — Senhor Robinson?

A chamada veio com um leve tom de reprimenda que apenas Ben captou.  Acabou se dando por vencido.  Não adiantava ficar ali em pé, ruminando.  A solução dos problemas não cairia dos céus magicamente.

Portanto sentou-se a mesa e serviu-se uma generosa quantidade de guisado.  Era um carnívoro nato, e não existia no mundo algo mais saboroso do que o guisado de Susan.

— Precisam de ajuda? — a governanta perguntou notando que nem Thomas nem Eliot faziam algum movimento.

— Não — Thomas balançou a cabeça depois de uma nova e breve hesitação.  Então pegou o prato da irmã e começou a colocar um pouco de cada coisa para ela.

— Tommy não come carne — Elli revelou olhando para Esquer, assim que pegou o prato que o meio-irmão lhe estendeu.

— Oh! — ela pareceu consternada. Era a primeira vez que alguém a pegava de calças curtas durante uma das refeições. Mas o próprio garoto meneou a cabeça e resolveu a situação.

— Está tudo ótimo. Adoro legumes e essas batatas parecem fantásticas — Thomas gracejou, pegando um pouco para si para mostrar que realmente gostava de tudo.

Esquer ia falar para ele não se preocupar, porque nas próximas refeições faria pratos sem carne, mas lembrou-se das palavras de seu patrão, a respeito da transitoriedade da estadia, e calou-se.  Conformou-se em sair da cozinha com um pequeno aceno de cabeça e foi verificar se estava tudo de acordo nos quartos para finalizar aquele dia cheio de surpresas.

Ben demorou mais meio minuto para perceber que, apesar de tudo, sua meio-irmã e o pequeno hacker não estavam comendo.  Franziu as sobrancelhas para aquilo.  O que mais eles queriam pra começar? Um sinal?

— O que aconteceu? Não estão com fome? — perguntou sem estar preocupado de verdade.  Imaginou que aquilo era algum tipo de protesto juvenil, vai saber.  Okay, sua conclusão era ridícula; mas Ben não tinha a menor ideia de como lidar com crianças e ex-adolescentes, muito menos estando eles sob seus cuidados.

Antes de responder eles se entreolharam.  Lentamente Elinor pegou o garfo e espetou um pedaço de carne.  Thomas a imitou.

— Natasha disse que... — Elinor começou a falar inocente.

— Nada — Thomas a cortou, impedindo de falar da madrasta com um olhar significativo — Nós vamos comer agora. Obrigado.

Benjamin olhou de um para o outro estranhando a atitude, mas sem aprofundar as explicações.  Queria evitar dor de cabeça e se envolver ao máximo.

Thomas tomou a frente e espetou uma cenoura, visivelmente tão hesitante em começar a comer quanto sua meio-irmã. Hesitação que durou apenas mais meio segundo, antes que ele a devorasse.

 — Manda bala, tampinha — o rapaz falou mandão, enquanto se inclinava sobre a mesa e puxava o prato de Elli, para cortar a carne e os legumes em pedaços menores.  A dificuldade dela era gritante — O grude tá bom.

Elinor riu enquanto Benjamin girava os olhos com pouca paciência para a atitude.  O silêncio os acompanhou pelo resto do jantar, quase como uma companhia física a lembrá-los de que eram dois intrusos pouco bem vindos àquela casa.

Quase como se tivesse um sensor mágico, a senhora Esquer voltou a cozinha quando todos estavam terminando.  Ela sorriu para os hóspedes com gentileza.

— Estava uma delicia! Muito obrigada — Elli agradeceu a ela, feliz por ter comido tão bem depois de viajar tanto.

— Obrigado! — Thomas agradeceu igualmente.  Então olharam para Ben, como se esperando que ele agradecesse também.  O homem ergueu uma sobrancelha, notando pelo canto do olhos que sua governanta o fitava também.

— Obrigado — acabou balançando a cabeça.  Aquela era nova! Seu pai ensinara isso aos novos filhos? Ou talvez a tal Natasha. Ou quem sabe, Cinthia? Céus, que tamanha confusão!

— Desejam mais alguma coisa, senhor Robinson? — a velha mulher perguntou em um tom divertido.

— Não.  Apenas mostre o quarto para eles. Acredito que estão cansados — decretou ali o fim da noite cheia de surpresas.

— Muito bem, venham comigo — ela pediu e fez um gesto com o braço, que foi obedecido rápido — Já terminei os últimos ajustes no quarto.  Eu também moro aqui, caso precisem de mim não hesitem em chamar.

Fez o breve discurso enquanto chegavam ao quarto que fora reservado para eles, no segundo andar.

— Boa noite — Thomas soou agradecido, apesar de tudo.  A mulher não os tratara como um peso em momento algum. Era muito simpática e gentil.  Fazia tempo que a irmã e ele não recebiam um tratamento assim.

— Boa noite — ela respondeu e se foi.

Mal ficaram sozinhos no quarto, Thomas avançou até a mala da irmã e mexeu no bolso externo. Encontrou uma escova de dentes, depois caçou um pijama entre as roupas dobradas com cuidado.

— Quer ir primeiro, tampinha?

— Pode ser! — Elli aceitou as coisas e ajuda para tirar o braço da tipoia antes de seguir para o banheiro.

Thomas pegou a própria escova e um pijama velho que adorava.  Aproveitou para dar uma olhada secreta no smartphone, mas não recebera nenhum e-mail ou mensagem. Nada anormal, na verdade.  Poucos conheciam aquele meio de contato desde que os federais confiscaram suas coisas e passaram a vigiar suas contas e perfis virtuais. Não podia permitir que descobrissem aquele pequeno logro às regras.

Quando a meio-irmã voltou, a ajudou a deitar-se na cama de casal e ajeitar-se debaixo do lençol que a senhora Esquer deixara ali.  Foi depressa se trocar e terminar de se ajeitar para dormir.

Finalmente, ao voltar para o cômodo verificou que tudo estava fechado de acordo, apagou a luz e ajeitou-se debaixo do lençol, ao lado da menina.  Sentiu, pela respiração compassada, que Elinor já dormia pesado.

— Boa noite, tampinha — sussurrou carinhoso e suspirou fundo.  Sofria um pouco de insônia pré-sono e demorava para pegar no sono.  Imaginou que não conseguiria apagar tão fácil.  Ledo engano.  Estava cansado pela viagem, pela tensão das últimas horas e toda a correria cobriu seu preço.  Em segundos deslizou para a escuridão completa, em que nem um sonho sequer veio acalentar suas preocupações.

Na sala, Benjamin andava de um lado para o outro.  Segurava um copo com uma dose de uísque nas mãos e considerava o que fazer dali para frente.  O mais sensato era recorrer na justiça e declarar-se inapto para tal tarefa.  Em presença da meio-irmã se abalara um pouco e se tocara pela tristeza dela em separar-se do outro meio-irmão.  Mas agora, sozinho e já mais senhor dos próprios pensamentos, sentia o bom senso retornar com força total.  Não havia como alterar sua rotina e sua vida para acomodar duas pessoas estranhas.  Nem mesmo por tempo provisório.

Mais tranquilo consigo mesmo, resolveu que era hora de acabar aquele dia “Alice no Pais das Maravilhas” e foi para o quarto tentar descansar.

Evidentemente não conseguiu dormir um segundo sequer.

—x-

Thomas acordou primeiro e saltou da cama.  A primeira coisa que fez foi chegar o smartphone e ver se tinha novas mensagens.  Nada ainda.  Sentiu um pouco de tentação de olhar as redes sociais através da conta secreta, mas se refreou.  Sabia melhor do que ninguém do risco de ceder à curiosidade.

Deixou Elli adormecida e escapou do quarto.  Passou pelo banheiro e tentou dar uma melhorada na expressão amassada.  Era cedo ainda, sete horas da manhã, mas ele dormira tão pesado que se sentia recuperado.

Por isso, ainda vestindo pijama, foi até a cozinha; o único cômodo que conhecia bem o suficiente da grande residência, além do quarto, claro.  Encontrou uma sorridente senhora Esquer andando de um lado para o outro a preparar o café.  Seu patrão já devia estar na pequena academia àquela hora, no meio da série de exercícios.

— Bom dia — Thomas cumprimentou enquanto se sentava na mesa e olhava guloso para o prato cheio de panquecas.

— Bom dia, menino — a governanta devolveu o cumprimento e sorriu entendendo o olhar pidão.  Colocou duas panquecas quentinhas sobre um prato e empurrou na direção dele, assim como a calda de mel — Pode servir-se.

Thomas sentiu a boca salivar, instigado pelo cheiro delicioso que emanava do prato quente.  Mas, a despeito da noite anterior, hesitou antes de aceitar a oferta.  Lançou um olhar para a governanta, e as íris castanho-esverdeadas estavam manchadas com certa preocupação e relutância.

— Tem certeza de que está tudo bem? — puxou o prato e pegou a calda, derramando uma quantidade generosa sobre as panquecas.

— Sim, por que não estaria?

O rapaz deu de ombros, enquanto partia um pedaço da panqueca e levava aos lábios, assoprando antes de comer.  Fitava a comida como se ela fosse escapar a qualquer momento.  Ou ser tirada de si.

— É que Natasha não gostava que a gente comesse antes dela — voltou a dar de ombros, como se não falasse nada demais — Pensei que aqui também fosse assim.

Benjamin, que no fim das contas dispensara a academia aquela manhã, tão cansado estava da noite insone; parou na porta surpreso pelo que acabara de ouvir.

continua...



Notas finais do capítulo

E é isso! Vejo vocês semana que vem :D

Obrigada a quem está acompanhando!! Fico muito feliz pelo apoio!

Esqueci de explicar:

'Obrigado pelos peixes' é uma referência à serie de livros 'O guia do mochileiro das Galaxias', a literatura mais nerd que eu lembro de ter lido.

Black Hat - é o hacker que age fora da lei, viola regras, invade sistemas, roubas senhas, chantageia etc.

White Hat - é o hacker do bem, sempre que ele acha uma falha no sistema avisa os donos e as autoridades, não comete crime cibernético.



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Doce Desastre" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.