Sempre Ao Seu Lado escrita por Blood Roses


Capítulo 6
Capitulo 6


Notas iniciais do capítulo

Final da estoria! Espero que gostem!




O jovem se olhava no espelho, tentando arrumar a gola da camisa social cinza escura que usava, para que esta ficasse simplesmente perfeita. O jovem olhou para o lado, vendo a gravata preta arrumada cuidadosamente sobre a cama, assim como o paletó preto. Ele então pegou a grava e colocou, atrapalhando-se um pouco com o nó, em seguida colocou o paletó e o arrumou em seu corpo, admirando-se novamente no espelho.

Ele então passou a mão nos cabelos loiros cuidadosamente arrumados e penteados, e sem muito animo deu um leve sorriso para o espelho, pois estava na hora de ir. O loiro então saiu do quarto e foi em direção as escadas, descendo cada degrau lentamente, para seguir em direção a porta com passos rápidos. Ao sair, viu a Mercedes preta parada a sua espera, realmente estava na hora de ir.

A viajem foi mais curta do que ele podia imaginar, e logo estava parado na frente do seu destino. O loiro olhou com cuidado a coroa de flores na entrada, assim como vários seguranças, todos enfileirados e usando ternos, assim como ele.

Sem muito animo ele desceu do carro e foi em direção a estes, os homens deram leves acenos com a cabeça e o deixaram entrar, assim como o resto das pessoas que se aproximavam, todas de preto.

O loiro não precisou andar muito para chegar a onde queria, vendo dezenas de cadeiras arrumadas em fileiras para aqueles que vieram prestigiar aquele triste evento. O loiro então foi mais para frente, e viu uma cadeira reservada para si.

Assim que todos chegaram e se acomodaram nas cadeiras, o padre começou a cerimonia. O loiro então olhou para o caixão fechado suspenso no ar encima da cova vazia, e sentiu um leve aperto no peito, afinal, por mais que não tivesse uma boa relação, ele ainda era seu pai.

Ele então olhou para o lado, vendo seu irmão com a mesma expressão aflita, era como se compartilhassem aquele sentimento, porem diferente de si, este lhe deu um sorriso leve, escondendo qualquer sentimento que pudesse estar em seu peito.

A cerimonia toda durou pouco mais que alguns minutos, e logo o caixão foi abaixado e coberto de terra. Assim que a cova foi fechada, quase todos os presentes se levantaram e foram embora, ficando somente as pessoas mais próximas ali presentes.

As cadeiras foram recolhidas, e por isso todos se encontravam em pé. O barulho do vendo passando por entre os galhos das arvores era o único som que havia no local. Enquanto escutava, Adrien lembrou-se que poderia ser ele ali, enterrado a sete palmos de fundura na terra.

—Senhor Adrien – chamou um homem um pouco atrás dos dois. Adrien se virou, notando ser o advogado da família – Antes de morrer, seu pai me pediu para entregar isso a você...não, a vocês – completou o homem, dirigindo-se para Felix também, que ergueu levemente as sobrancelhas em sinal de surpresa.

O homem se aproximou e entregou a Adrien uma carta com um selo vermelho de ceira com o brasão da família Agreste. O jovem não soube muito bem o que fazer no começo, porem bastou olhar para Felix, que o incentivou a abrir a carta.

O loiro atrapalhou-se um pouco com a ceira do selo, e ao abrir o envelope o jovem notou que haviam duas cartas dentro deste. Adrien então pegou a primeira, vendo a letra corrida e bem desenhada do lado de fora, escrevendo seu nome. Com receio, Adrien abriu a carta, começando a lê-la.

Caro Adrien.

Sei bem que não fui um dos melhores pais do mundo, mais espero que entenda o motivo de eu ter agido dessa forma, tanto com você como Felix, meu primogênito.

Eu quero que entenda que eu nunca o abandonei, e até receber a carta de sua mãe, eu não fazia ideia da sua existência. Sua mãe era uma mulher extraordinariamente forte e inteligente, porem gentil e alegre, e com um sorriso admirável, acredito que foi isso que fez eu me apaixonar por ela.

Eu a contratei para ser minha secretaria pessoal, no começo eu a tratava com extrema indiferença, principalmente pelo fato de ela ser tão parecida com minha falecida esposa, mais ela não se deu por vencida, e decidiu que conseguiria conquistar minha confiança, a partir dai as coisas tornaram-se razoavelmente complicadas.

Eu amei a sua mãe, porem não entendi o motivo de ela ter tomado aquela decisão na época, hoje eu compreendo, e espero que você compreenda também.

Nós estávamos juntos há quase um ano quando ela simplesmente desapareceu. Eu rapidamente contratei detetives para encontra-la, mais tudo que eles descobriram foi que ela retirou todo o dinheiro de sua popança e vendeu a casa que ela havia comprado, saindo de Paris em seguida, sem deixar rastros.

Por isso quando recebi a carta dela, dizendo que estava morrendo e pedindo que eu cuidasse do nosso filho, fiz tudo o mais rápido que pude para trazer você para Paris, e para lhe dar o melhor tratamento que o dinheiro pudesse pagar.

Eu nunca fui um homem muito carinhoso, porem eu sempre quis o melhor para vocês, eu queria prepara-los para as dificuldades que viriam, pois a vida é cruel, mas hoje eu vejo que tomei as decisões erradas, e imploro por perdão.

Eu espero, não, eu desejo que um dia vocês possam me perdoar, e compreendam as minhas as ações. Eu quero que saibam que eu os amos muito e tudo que eu sempre desejei foi à felicidade de vocês.

Com amor

Gabriel Agreste.”

As lagrimas escorriam sem a sua permissão pelo seu rosto. Dava para ver bem que escrever e se expressar realmente não era o forte de seu pai, mais ele pode sentir os sentimentos do homem através das poucas palavras escritas.

Adrien ergueu o olhar, vendo Felix próximo a si com um sorriso triste nos lábios, pois ele também estava lendo a carta.

—Francamente... – falou Felix, dando um riso leve enquanto seus olhos enxiam-se de lagrimas.

Adrien então se aproximou mais do irmão, que o abraçou com carinho. Era verdade que por muito tempo o jovem nutriu apenas sentimentos de aversão pelo pai, mais havia momentos, poucos e raros, que o homem havia lhe mostrado uma face mais cálida, mais amorosa.

E ali, nos braços de Felix Adrien chorou copiosamente, como uma criança que ele já havia deixado de ser, afinal já fazia quase dez anos que havia ficado entre a vida e a morte. 

Enquanto chorava, Adrien sentiu seu ombro ficar ligeiramente húmido, e percebeu que Felix chorava também, afinal o loiro havia convivido muito mais com o pai do que ele.

Felix afastou o menor levemente após alguns minutos, ele então ergueu o olhar para o céu, vendo que este estava completamente azul e sem nuvens, revelando um dia excepcionalmente belo.

Adrien ergueu seu olhar também, notando que o céu estava da mesma cor que os olhos daquele que um dia foi seu pai, o loiro então abraçou forte o irmão, agradecendo de coração o fato de ter vindo a aquele mundo, agradecendo por estar vivo.



Notas finais do capítulo

É isso pessoal! Foi um pouco difícil terminar a tempo, mas quero que saibam que foi muito gratificante fazer essa estoria.
Os capítulos cinco e seis não passaram pela betagem da Maphaa, então qualquer erro a culpa é inteiramente minha.
Enfim pessoal, obrigada a todos que leram. Nós vemos na próxima estoria!

Atenciosamente Blood Roses.



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