Perdida? escrita por Romantica10


Capítulo 6
Capitulo Seis





CAPITULO SEIS     

Levei-o até o refeitório. Sentei na mesa de sempre enquanto ele ficou na fila e pegou um prato para mim. Eu nunca pensei que uma pessoa poderia comer tanto. Ele comeu dois pratos de comida. Dois! Comeu feliz como uma criança, eu diria. Nem Bill, nem Abby apareceram por lá. Ele notou meus olhares em direção a porta.

“Esperando alguém?”.

“Uma amiga ou amigo. Quem aparecer primeiro”.

“Hum”.

Depois do almoço, voltamos para a mesa de piquenique. Pegamos desta vez um bloco de anotações e uma caneta. Ele se sentou, olhando para cima.

“Agora iremos escolher o lugar aonde vamos apresentar a peça”. Disse.

“Faremos no pátio onde houve a palestra”. Ele virou o rosto para o bloco e sua mão começou a se mover.

“Pátio-da-palestra, okay… Próximo: Figurino”. Ele me olhou por cima dos cílios.

“Falaremos com a diretora”. Sua mão se moveu de novo.

“Falar-Diretora. Elenco?”. Fiquei quieta. Eu não tinha a mínima idéia de quem poderia ser Wendy ou Peter.

“Não sei quem poderia ser Wendy ou o Peter”. Cocei a cabeça.

“Você será a Wendy, isso não é obvio?” O quê?

“Obviamente, para você”. Digo sisuda. “É serio de onde você tira essas idéias?”.

“Você é a única garota que eu conheço que tem praticamente a minha idade com quem eu contracenaria”. Disse dando de ombros. Ele seria Peter Pan?

“Você seria o Peter Pan? Nossa… Okay, mas eu não posso fazer a Wendy. Eu sou tímida e não lembro de nada”. Ele coçou o queixo. “Além disso, acho que deveríamos escolher algumas crianças para contracenarem, afinal é em prol a elas que estamos fazendo isso”.

“Certa. Okay… Tem certeza que não quer ser a Wendy?” Arqueou as sobrancelhas. Afirmei. “Então fazemos do seu jeito. Esquece a cena de beijo entre Pan e Wendy…” Fingiu que anotava algo. Deu um outro soco de leve nele, mas estava completamente corada com a idéia.

“Seu doido. Eu te conheço praticamente há um dia e meio, acha que eu te beijaria no final do mês?” Digo rindo. Notei que ele iria responder ‘Sim, eu achava’, mas o calei com o indicador. “Não responda”. Ele gargalhou e se deitou no banco, colocando uma das mãos sobre os olhos. Depois de cinco segundos se levantou.

“Eu iria falar talvez, porque beijar você não é uma má ideia”. Ele se proximou de mim.

“Mantenha seus hormônios masculinos longe de mim, playboy”. Me levantei. Ele repetiu meu gesto, mas eu vi que ele estava rindo.

“Minha época de hormônios adolescentes já terminou, mas de qualquer maneira, se você quiser estou ao seu dispor, madame”. Ele se colocou ao meu lado. Ri de sua frase. “Para aonde estamos indo?” Meu perguntou.

“Lembra do figurino?” Ele assentiu. “Antes de fazermos qualquer coisa a respeito, temos que falar com a Diretora”. Ele afirmou novamente e seguimos o mesmo caminho de antes. Passamos por algumas crianças e adolescentes. Ao chegarmos, encontrei Bill. Ele notou minha presença e acenou. Passei da Diretoria e andei até ele. Bill me abraçou e eu de volta.

“Não te vi ontem”. Ele disse quando me afastei.

“Não sai do quarto ontem. Você sabe ontem tive uma chuva rala e Tânia ficou no meu pé o dia inteiro”. Dei de ombros.

“Por que tem um cara olhando fixamente para nós, Luiza? Vi que você estava conversando com ele… Alguém está tendo um…”.

“Não termine, senão quebro seus óculos”. Digo tentando ser ameaçadora, mas não consigo, pois ele ri com deleite da minha reação diferente. Ele arruma os óculos. “Não é o que você está pensando”.

“Primeiro o cara do cabelo azul e agora outro?” Arqueou as sobrancelhas, zombando de mim.

“Ele é o cara de cabelo azul, Bill”. Passo a mão na testa.        

“Ele pintou o cabelo de novo? Okay, mas de qualquer maneira o que você estava fazendo com ele?”.

“Estamos fazendo um trabalho com as crianças, Bill. Ele é o voluntário do mês e…”.

“A questão é: como você se meteu nisso? Não pensei que gostasse ou pudesse fazer parte disso”. Ele cruzou os braços esperando uma explicação minha. Abri a boca varias vezes tentando pensar em uma maneira de contar o que aconteceu sem parecer que Jonas era um idiota. Parei de tentar e notei que ele realmente havia sido a criatura mais idiota de toda face da Terra.

“Ele me meteu nisso”.

“Ah!” Disse afirmando. “Mas eu aposto que você tinha opção de recusar, não é, Luiza?”. Às vezes, eu tinha vontade de matar Bill, por sua inteligência avançada. Acho que ele podia fazer lavagem cerebral, porque saber das coisas sem vê-las e… Eu não sei, realmente, não sei.

“Eu…” Comecei envergonhada, obviamente.

“Deixa pra lá”. Me cortou, olhando para algo atrás de mim. Virei-me e vi Jonas andando em nossa direção. “Acho melhor eu ir. Tchau, Luiza”. E saiu na direção oposta de Jonas. Jonas se aproximou.

“Vamos?”. Perguntou, meio estranho.

“Ah, claro! Desculpe, eu só parei para falar com Bill”.

Ele acenou com a cabeça. Eu senti que ele estava meio estranho. Seria por causa da minha conversa com Bill? Será que ele estava com ciúmes? De mim? E porque essa ideia me faz ficar feliz? Realmente, eu tenho que começar a controlar os meus pensamentos.

Ele bateu na porta da Diretora e quando ouvimos o ‘entre’, ele abriu a porta. Ela nos recebeu.

“Vocês vieram falar a respeito da peça, não?”. Afirmei.

“Sim, Diretora, mas há um problema. Precisamos de fantasias…” Digo.

“O cenário será por minha conta”. Disse Jonas. “Eu compro o isopor e as tintas, mas o que falta são as roupas para as crianças”.

A Diretora apoiou os cotovelos na mesa.

“Todo o dinheiro que temos para melhorar e para que não falte nada no orfanato vem, uma parte do Governo e outra parte da Take Care of Another. O Governo jamais daria-nos o dinheiro para a peça, portanto nossa única chance e pedirmos uma pequena contribuição da Instituição”.

“Senhora, então o que seria necessário para que eles nos dessem o dinheiro?” Perguntou Jonas.

“Teríamos que marcar uma reunião com eles e nos apresentar formalmente”. A Diretora olhou para mim.

“Isso quer dizer que…”.

“Exato, Luiza. Significa que vocês teriam que ir até o prédio da Instituição ter uma reunião com o Presidente”. Disse ela, como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Minha cabeça estava dando voltas e voltas. Com a simples ideia de sair por um dia daqui, tive a sensação de borboletas no estomago. Pensar que talvez o meu sonho de sair daqui seria realizado, pelo menos indiretamente. Conversar com alguém como uma pessoa comum seria incrível.

Então se houvesse a simples oportunidade de sair por um dia daqui eu aceitaria, pois pela primeira vez, para mim, a vida seria uma aventura.



Notas finais do capítulo

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