Perdida? escrita por Romantica10


Capítulo 3
Capitulo Três





CAPITULO TRÊS

Quando amanheceu eu não vi Abigail de primeira. Ela estava no banheiro, penteando o cabelo. Dei bom dia e ela deu a mim também. Tomei um banho e coloquei uma calça jeans dobrada até o meio da canela, que deixava meus calcanhares magros e ossudos de fora, mas pelo menos era apertada. Um tênis e uma blusa. Era simples, mas estava bom.

Adolescentes só ganhavam calças jeans e blusas simples, mas Abigail estava de arrasar. Tinha colocado um vestido simples, mas ainda era um vestido e bonito. Falei que estava bonito e ela sorriu encabulada. Colocou as sapatilhas, me explicando que o vestido havia sido seu presente do ano passado que nunca usou para não sujar. Disse que tinha implorado para a diretora, nem que fosse o mais simples, ela conseguiu.

Saímos juntas para o pátio. Eu não costumada falar com ela fora do quarto, nem andar com ela então era diferente. Ao chegarmos no pátio todos olharam admirados para Abigail. A diretora olhou para ela e sorriu como se pensasse: “Ainda bem que ela usou. Ficou bonita. Que boa escolha a minha”.

Sentamos em um dos bancos distribuídos pelo pátio junto com algumas crianças. Bill veio em nossa direção, de jeans também. Todos usam jeans porque é a única roupa que dura e que eles podem colocar como padrão. Imagino que há orfanatos piores que esse e por isso eu agradeço por ficar aqui.

Bill deu uma olhada tímida e sugestiva em Abigail que ficou vermelha como um tomate. Espera um pouco… Abigail vermelha? Os céus vão cair! Abigail não cora! Ela faz os outros corarem! Sinto-me como uma vela, mas estou feliz por rolou uma faísca de nada deles.

Um grupo de adolescentes passam olhando para mim de maneira estranha. Eu já sabia o que estava por vir. Medo. Tentei ignorar. Bill colocou a mão nos meus ombros. “Está tudo bem” ele disse.

Quinze minutos depois o resto das crianças chegaram e estavam todos ali. Mil e tantas crianças em um só lugar. Nesse momento entraram cerca de cem pessoas pelo portão. Diretora se pronunciou.

“Crianças!” gritaria cessou. “Esses são os jovens voluntários de Take Care of Another. Espero que façam silencio e escutem com atenção as palavras do Sr. Connor.” Ela saiu de cena e um senhor de trinta e poucos anos se colocou em seu lugar.

“Olá, crianças, sou James Connor”. Um coro de “Olá, Sr. Connor” se estendeu. “Take Care of Another foi criada há cinco anos com a intenção de dar atenção as crianças. Não importa de eu modo estavam, nos ajudamos. E durante cinco anos Bufallo’s School seleciona cem alunos para visitar diversos centros, onde crianças precisam da nossa ajuda. Se esses alunos selecionados gostarem serão bem-vindos a equipe.” Observei o grupos de alunos atrás de Connor. Um garoto de cabelo azul já batia o pé no chão de tão impaciente, obviamente ele não queria estar aqui, mas ele deixava isso bem obvio. Ri baixo, com seu desespero de sair dali.

Por fim decidiram nos colocar em dois grupos. De onze anos para baixo iam com o Sr. Connor, e de onze para cima iam com Willians, um cara que falou um pouquinho de dignidade antes de começar o assuntos. Dirigiram-nos até uma sala ceias de cadeiras. As cadeiras foram distribuídas em ordem alfabética. Odiei. Abigail e Bill ficaram lá na frente acenando para mim. Fiquei na minha.

Durante a palestra, dei uma olhada em volta. Encontrei novamente o garoto de cabelos azuis. Ele estava uma fileira na minha frente. A cabeça parecia relaxar na cadeira, parecia estar dormindo, mas acho que ele não poderia fazer isso. Não sendo um voluntário e tal.

Por causa da AIDS, eu posso sair a qualquer momento de qualquer lugar sem pedir permissão. Com certeza a Diretora avisou a Connor e Willians sobre o quem eu era e o que eu tinha. Aqui estava realmente chato então levantei pedi licença e saí o mais rápido que minhas perna conseguiam. Era um pátio aberto então entrei em um corredor qualquer.

Sai no parquinho das crianças. Por um momento o balanço me atraiu e eu tive uma vontade enorme de ser criança e me balançar ali de novo. E foi o que eu fiz. Me sentei, dei impulso e pronto. Depois de um tempo parei e pensei.

“Que coisa”. Mexo nos meus cabelos. “Nunca tive isso…”

“Você é estranha”. Dei um pulo no balanço. O cara do cabelo azul estava de volta. Idiota. Estranha, eu?

“Sabe o que é estranho? Um cara entrar numa instituição de caridade e não ter paciência, nem interesse de ouvir no mínimo a introdução”. Alfinetei. Ele coçou o queixo risonho. Ele estava rindo de mim. Filho da mãe!

“Não acha que está prestando atenção demais em mim, gracinha?” Se aproxima e encosta-se aos ferros que sustentam o balanço no chão. Passou a mão pelo cabelo tentando achar a atenção. E o pior é que ele estava conseguindo.

“É tão evidente, que uma olhada já basta”. Digo. “Uma prova é você ter saído tão rápido da palestra”.

“Olha quem fala” Esnoba.

“É diferente!” Exclamo, levantando, já eu ficando irritada. Ele para na minha frente. Para perto de mim, perigosamente perto de mim.

“Qual é a diferença então? Você é melhor que eu, é isso?” Sorri, debochado.

Fiquei em silencio. Não falaria sobre minhas permissões da AIDS para ele. Não era o momento, nem o lugar… e eu não o conheço! Por que daria uma informação tão privada a um estranho? Não! Arranje uma boa desculpa, Luiza, agora!

“Eu moro aqui. Isso muda. Não me deixa melhor que você”. Saio do assunto. Ele coça a nuca. Um ato de nervosismo. Olhei para o cabelo azul completamente bagunçado e ele notou.

“Eles eram escuros”. Sorriu puxando-os para frente. “Teria coragem de pintar o seu?” Perguntou. Pensei um pouco. Não, eu não teria. Peguei uma mecha e sorri.

“Não. Gosto de me ver naturalmente. Acho que se fui feita assim e para ser assim”. Sussurrei. Pensei na AIDS.

Eu realmente havia sido feita para suportar essa dor? Deus quis assim? Acho que isso é coisa do destino. Não de Deus. A culpa foi da mulher que me deu a luz, me deu a luz e me abandonou com essa doença que ela provavelmente me passou! Minha respiração se acalma subitamente. Olho para frente.

Cadê o cara do cabelo azul? Sinto meus cabelos serem tocados por alguém. Viro o rosto e o observo tocar no meu cabelo.

“Não precisa de nada realmente. Bom, pelo menos você não. Ele é bonito”. Engulo em seco por saber que tem alguém atrás de mim. Digo um agradecimento qualquer e espero sua reação. Ele não se pronuncia.

“Por que está aqui, mesmo não querendo?” Ele fica na minha frente de novo.

“Estou sendo obrigado pela policia”. Dá de ombros. “Por isso estou aqui conversando com você em um parquinho infantil”. Não vou negar que me assustei um pouco, mas não deveria ser algo grave pois a pena de trabalho comunitário e para casoso simples.

“E o que você fez?” Perguntei.

“Xinguei meu vizinho, amassei a lata de lixo e espalhei todo o lixo pelo quintal da casa deles”.Ri desdenhoso.

“Nossa!”.

“As pessoas tem esse tipo de reação quando ouvem”. Dá de ombros novamente. Olhou para o relógio. “Acho que tenho que voltar para lá. Você vem?” Assenti, eu não tinha nada para faze ali. Começamos a andar. Ele pediu que eu mostrasse o caminho. “Qual é o seu nome?” Pergunta.

“Luiza”.

“Idade?”.

“Quinze”. Olho em sua direção, ele olha sugestivamente para mim de volta.

“Muito nova…” Murmura. “Jonas, dezoito”.

“Prazer”. Digo com ironia.

“O prazer é meu, gracinha”. Ri sacana em minha direção.





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