Vidas que desabrocham escrita por black cat


Capítulo 1
Primeiro encontro


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura :)



Bem, como posso começar essa história?... Meu nome é Leandro e eu estou em um café esperando uma garota que conheci na internet.

Faz mais ou menos seis meses que venho falando com ela por um chat e finalmente marquei um encontro.

Eu sei, eu sei, isso é perigoso. Afinal nunca se sabe com quem falamos nesses sites e é justamente por isso que pedi que ela me encontrasse em um café onde não há perigo… eu espero:

-Oi, você deve ser o DeX não é?

Ouvi uma garota falando por traz de mim. Virei-me embora estivesse com o coração na mão. E com razão. Ela é... Linda!

Ela usava uma roupa bem diferente. Era um vestido azul maravilhoso com poucos detalhes além de uma estampa de patinha de gato e uma correntinha dourada na lateral, mas acho que é essa simplicidade que o tornava bonito. Ele a encorpava bem com a parte de cima mais colada ao corpo e a de baixo bem solta com pregas. Além de uma fita em volta do pescoço e as botas que cobriam quase toda a perna. Mas o que mais chamava a atenção eram as orelhas e o rabo de gato que ela usava. Com certeza não era uma garota que se encontra em qualquer lugar!

-Sou eu Black Cat, meu nome é Mélody.

-Eu sou Leandro, muito prazer. Quer tomar alguma coisa?

-Eu gostaria muito.

Ficamos um bom tempo conversando lá, ela é muito legal! Falou de assuntos muito interessantes, é gentil e agradável e eu... Acho que estou gostando dela pessoalmente mais do que pela internet:

-Acho que esta um pouco tarde, é melhor eu ir antes que meus pais voltem.

-Espera como assim? Seus pais não sabem que você saiu?

-Bom, eu acho melhor ir logo antes que eles se preocupem demais, é que eu tenho horário pra voltar e se demorar e eles voltarem podem achar que aconteceu alguma coisa comigo... ah... tchau.

-Espera! Seu… celular.

-Ah claro.

Trocamos nossos números e ela foi embora correndo. Era engraçada a maneira como o rabo de gato ficava balançando de um lado para o outro enquanto corria. Parecia de verdade.

Quando voltei para casa fui direto para meu quarto sem jantar, queria me deitar logo porque estava muito cansado e amanhã teria treino de futebol na escola. Sim, sou do time principal do meu colégio e como as finais estão chegando os treinos redobraram.

Depois de escovar meus dentes e trocar de roupa subi na cama e deixei meu corpo fazer o resto. Fui fechando os olhos devagar e quando dei por mim já ouvia o despertador tocar anunciando um dia novo.

Foi uma tortura deixar minha cama quentinha pra enfrentar o clima gelado de manha. E pensar que ainda vou ter que correr se quiser chegar cedo ao campo antes que o pessoal comece a treinar sem mim:

-Querido, não vai comer?

Perguntou minha mãe a me ver descendo as escadas. Ela é sempre muito preocupada comigo, bem como meu pai. Pode parecer meio estranho, mas meus pais são bem protetores. Eles vão me dando liberdade conforme o tempo passa, mas mesmo assim ainda dá para ver que ainda me consideram uma criança. Pelo menos tenho meus dois irmãos para dividir a superproteção.

Não tenho muitas reclamações dos meus maninhos. Um tem quinze anos e o outro doze, portanto sou o mais velho com dezessete o que é ótimo porque isso me torna o sultão todo poderoso. Mas falando sério, eles são irmãos legais, afinal não me incomodam. Acho que em parte é porque não combinamos muito pra brigar por qualquer coisa.

Duncan, o do meio, é muito estranho. É antissocial e não tem muito contato não só com as pessoas em geral na escola ou na vizinhança, mas com a família também. É depressivo (acho) e esta sempre usando preto. É duro admitir, mas tenho medo de entrar em seu quarto. Eu já fui lá uma vez e, apesar de considerá-lo um grande artista, as esculturas em forma de monstro e os quadros macabros me dão muito medo. Eu sei lá o que ele faz lá dentro, mas sempre ouço barulhos estranhos vindos do quarto dele. São como gemidos de agonia.

Já meu irmão Gabriel, de doze anos, é bem diferente! É totalmente ligado em tecnologia e informática. Tem muitos amigos e sempre fala com todas as pessoas que encontra. Ele tem muita facilidade em puxar assunto por ai e é sempre carinhoso com todos. Suas atitudes de caridade e bondade se espelham em seu quarto todo decorado com cores vivas e acolhedoras.

Eu também tenho minha individualidade. Amo animais e leitura. Mas o que combina mesmo comigo são os esportes! Tenho muitos troféus de vários campeonatos que participei como titular. Não são só de futebol. Também já joguei em times de basquete, natação, tênis e até arrisquei no golfe. Não deu muito certo, mas tentei.

Jamais diminuirei qualquer membro da família. Mesmo que o Lucas seja supersimpático e alegre isso não o torna mais importante para mim do que o Duncan que nem sempre esta favorável a conversas. Eu gostaria de me aproximar mais dele, porém por mais que eu tente não consigo, ele sempre me exclui e me deixa falando sozinho.

Pego minhas toradas e vou comendo mesmo. Quero chegar logo ao colégio antes que comecem o treino antes de mim. Meus irmãos continuam dormindo porque o treino é antes das aulas e eu estou quase uma hora adiantado do primeiro sinal. Como meus pais acordam mais ou menos nesse horário para ir trabalhar já aproveito e tomo café antes de sair.

Quando cheguei ao colégio fui direto para o vestiário masculino do time:

-Iai Leandro.

-Hey George! O time já chegou?

-Ainda faltam o Leo e o Ricardo, mas vamos começar sem eles.

Fomos treinar e realmente não dá para ver o tempo passar. Depois que a gente esquece o frio, o desconforto e os membros doloridos tudo fica mais emocionante. Ou pelo menos suportável.

Quando ouvi o sinal de aviso da escola tocar fui direto para o banho. Na minha escola, como abrem as portas mais cedo para os alunos que treinam, sempre é tocado um sinal quinze minutos antes da primeira aula para nos dar tempo de tomar um banho e se arrumar.

Fui andando pelos corredores até dar de cara com um monte de livros que caíram em cima de mim:

-O QUE QUE É ISSO?! –Gritei sem pensar.

-Desculpe, eu...

-Você não olha por onde anda?

Era um garoto bem magro que estava ali. Tinha feições tristes e parecia envergonhado. Senti-me um pouco mal por ter falado com ele daquele jeito, mas quando fui me desculpar ele se levantou rápido e saiu correndo de cabeça baixa:

-ESPERE, VOCÊ ESQUECEU SEUS… livros.

Recolhi a “montanha” de livros que ele carregava para achar um jeito de devolver para ele depois. Talvez se eu for á biblioteca e explicar o que houve a bibliotecária me diga o nome dele e ai vai ficar mais fácil encontrá-lo.

É claro que falar é mais fácil que fazer. Eram pelo menos quinze livros de capa dura, grossos e sem dúvida muito velhos. Alguns até estavam empoeirados! Admira-me que um garoto tão pequeno e magro tenha conseguido trazê-los sozinho da biblioteca até aqui e mais ainda pelo fato de ele querer ler todos! Quer dizer, é meio óbvio que ele é nerd, mas são quinze livros com pelo menos quatrocentas páginas cada! Eu gosto muito de ler, mas não tanto.

Bom, não importa. Recolhi e empilhei todos antes e começar a andar até o vestiário. Por sorte os banheiros não são todos juntos e tem divisórias entre cada chuveiro muito bem protegidos com portas com tranca.

Para mim essa privacidade é ótima já que não gosto de ninguém me olhando.

Depois de tomar um bom banho me recolho a roupas confortáveis e limpas e vou direto para a sala carregando todos aqueles livros. Acabo atraindo um pouco os olhares das pessoas, mas a chegada do professor dispersou a atenção em cima de mim. Francamente, isso é tão desnecessário! Eu gosto de ler e todo mundo sabe disso. Acho que no fim o titulo de ‘’jogador estrela da escola’’ fala mais auto.



Notas finais do capítulo

Obrigada por lerem :)



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