Parajás escrita por Casty Maat


Capítulo 5
Capitulo 5 - A união faz a força


Notas iniciais do capítulo

Demorei, mas quis deixar algo novo antes de acabar o ano u.u



#05 – A união faz a força

A volta para a pousada foi em silêncio por parte de cada membro do trio. Os cavaleiros sabiam que ela tinha descoberto o segredo deles, mas ela simplesmente ficara quieta diante do silêncio deles. Talvez ela tivesse achando que tinha imaginado algo.

Mas não, ela não achou que fora imaginação. Ela sabia que tinha sido real, bem real, e isso foi confirmado quando chegaram na pousada e ela os seguiu até o quarto, fechando a porta e ficando parada de pé encarando os amigos.

—O que foi aquilo tudo? Vocês não são o que dizem ser, certo?

—Não, não somos... – respondeu a queima roupa o francês.

—Camus! – resmungou Milo.

—Deixa ela saber, assim pode decidir se pode nos ajudar e se quer. Ela conhece a região e poderá nos ajudar. – respirou fundo – Conhece mitologia grega, Bella?

Ela afirmou, tentando entender onde isso se encaixava.

—Atena e tudo aquilo existe. Servimos a ela como seus cavaleiros e protegemos a ela e a Terra com nossos poderes, nosso cosmo.

—Um tipo de polícia mitológica, um MIB pra coisas sobrenaturais?

—Algo assim. – disse ressabiado o loiro. – Eu vim de enxerido, a missão era do Camus mesmo.

—Os sequestros... não é algo normal então.

—Isso. Atena rastreou um tipo de cosmo maligno na região e me enviou disfarçado de turista... – começou a explicar o ruivo.

—Mas como ele é um rato de livro frio, Atena o achou melhor pra se disfarçar de um curioso da feira.

—O inimigo se apresentou como Xandoré... Isso é nome tupi, não é? – indagou Camus, se segurando para não esganar o amigo pelo comentário estúpido.

Bella suspirou, se sentando no chão. Explicou que não era comum o ensino da mitologia indígena e nem o tupi nas escolas, fruto da colonização forçada e da imposição do catolicismo em território do Brasil Colônia.

—Ao menos ainda existe a internet para pesquisar. – completou a garota, pegando o celular e digitando.

As pesquisas era bem escassas e desanimadora, mas achou alguns artigos, quase sempre copiado e colado uns dos outros, sobre o panteão indígena.

—Xandoré, deus do ódio e da ira... Representado por um falcão e irmão de Anhangá, deus do submundo.

—Essa busca por garotas indígenas... Ele talvez queira arrumar um modo de expulsar o homem branco que destruiu o povo, mas o que tem haver sequestrado as moças? – se indagou Milo, agora sério.

—E se ele busca uma forma de recomeçar seu séquito ou...

—... Busca algo de poder para poder enfrentar aqueles que em teoria protegem os brancos, nós.

Os dois se olharam de modo firme e sério. O clima parecera pesar. Bella olhava os dois concentrados e saiu rapidamente do quarto, trazendo consigo um mapa da região do litoral norte paulista e litoral sul fluminense. Ela colocou aberto em cima de uma cortiça, com alguns percevejos fincando num ponto.

—Aqui foi onde vocês enfrentaram esse deus. – apontou para o percevejo vermelho. – Vocês dissera que Atena rastreou o tal cosmo, vocês são capazes de sentir isso, certo?

Camus olhou surpreso para a morena. Ela estava ajudando aos dois? Milo saiu da cama que estava sentado e foi pro chão, junto do ruivo que foi em seguida.

—Isso. – disse Milo. – Se levarmos em conta esse local como epicentro... – ele parecia buscar algo quando viu a garota estender um fio, o qual ele pegou sem imaginar que ela o trouxera, um barbante simples.

Milo apoiou uma ponta, fechando os olhos para relembrar o raio de emanação de cosmo que ele sentira, posicionando o dedo num ponto e então olhando para Camus. O ruivo entendeu, pegando alguns percevejos na mão e marcando onde o amigo parava. Era quase um círculo perfeito de alguns quilômetros.

—É uma área grande ainda. – observou a morena, pensativa. – Ele não quer ser encontrado e incomodado, eu não iria querer ser se fosse um super vilão maligno.

—Exato, concordo. Mas onde? – indagou Camus.

Bella olhava para as marcas feitas com os percevejos notando que havia uma área em especial.

—Ele é um cara de mais de 500 anos atrás. Naquele tempo só havia as florestas... Então acho que seria mais reconfortante... – apontando uma área em verde. - ... se eu pudesse estar em casa. Mata Atlântica.

Com a sugestão da morena, a área de busca foi diminuída drasticamente. Uma região de mata fechada pertencente ao território de Paraty.

—Se continuarmos só observando, mais garotas serão pegas.

—Se for essa região mesmo, teremos de ser precisos.

—O problema é estarmos em território desconhecido para nós e conhecido para ele.

—Chamar reforços?

—Talvez. – findou Camus.

—Eu os levo até a cidade. Ir de carro poderá chamar menos atenção do tal Xandoré. Se houver como avisar seus amigos, eu posso fazê-lo. Bem, se é que podem vir rápido.

—Praticamente. Em situação de emergência usamos nossas habilidades extras. – explicou Milo, referindo-se a velocidade da luz. – Mas pode não bastar.

—Deixaremos de sobre aviso, assim poderão estar a caminho. Bella, é perigoso então, quando descermos, quero que volte. Colocarei você como ponto de referência para os demais cavaleiros. Pode guiar eles?

Camus a olhava de forma incisiva, mas seu olhar estava longe de ser frio. Havia um brilho quente de preocupação pela morena. Bella deu um sorriso enorme e malandro.

—Beleza! ‘Xá comigo, ruivinho.

—Iremos então amanhã.

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Camus foram dormir enviando um pequeno relatório e solicitando que enviassem reforços, indicando a pousada e a garota.

O dia amanheceu e os três estavam de pé, aproveitando o café da manhã e fingindo ser mais um dia normal, porém não seria. Em poucas horas certamente haveria uma batalha.

Bella discretamente olhava para o ruivo, estava preocupada com ele, estava completamente afeiçoada ao ruivo. Tentava não pensar que ele e o amigo Milo iriam por suas cabeças a mostra numa batalha contra uma entidade, mas era quase impossível.

As 10h, estava ocupando o pequeno carro cor de café-com-leite, em direção a Paraty. Bella deixara os dois cavaleiros na entrada da cidade, mas por um impulso abraçara aos dois.

—Quero que me prometam que vão voltar! Não vou aceitar que morram!

—Vamos nos esforçar para voltar. E ainda vamos tirar umas férias boas. – riu Milo.

—Prometo vir até no verão, senhorita. – disse Camus em seu tom linear.

Milo riu. Ele vir no verão tropical? A garota o havia fisgado mesmo.

—Eu deixei anotado no seu celular contatos do Santuário, tanto aqui quanto na Grécia. Qualquer coisa entre em contato. – disse Camus se soltando dela.

—Uhum.

—Ótimo. Agora vá.

Bella voltou para o carro, vendo os dois cavaleiros sumirem entre os cidadãos. Logo estariam na mata fechada e virgem. Quando ia ligar o carro sentiu uma mão sobre a sua e ao virar notou que o carro estava cheio de garotas com cara estranhas e indígenas. Deu grito do qual ninguém parecia ter ouvido.

Desapareceu, deixando o carro desabitado e um celular caído no chão do carro.

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Na Grécia, Atena recebera o aviso de Camus e já selecionava mais cavaleiros para ir, Aldebaran, Aiolia e Shaka.

E já, dentro da mata, Camus e Milo trajando suas armaduras, seguiam em frente, sérios.

Dentro da gruta, Xandoré apenas sorria. Pequenas rolinhas entraram em seu território. Observou Bella, recém sequestrada e desmaiada presa a parede.

—Essa menina caraíba me serviu de algo, ao menos. Há, há, há, há!



Notas finais do capítulo

Estamos encaminhando para o final. O que será que vai acontecer agora?



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