Ensemble escrita por _TheDarkMoon


Capítulo 5
Maternité


Notas iniciais do capítulo

E estamos na reta final. Nesse capítulo, eu não direi o que acontecerá. Afinal, é o último (mas calma que ainda tem epílogo).Torço para que tenham gostado dos personagens e do jeito como as coisas aconteceram.

Boa leitura.




Quando Émeline atingiu o nono mês de gravidez, Dra. Anselme marcou o dia do parto. O dia chegou, e com a maior tranquilidade possível, Gervais colocou-a em seu carrinho e levou-a para o hospital. Tomava todo o cuidado para que nada a fizesse entrar em trabalho de parto.

– Émeline, vai dar tudo certo. – Gervais falou-lhe, com a testa apoiada na da esposa. - Eu vou te esperar aqui fora, mas saiba que não vou tirar a minha mente de você. Vamos estar juntos, entendeu? Juntos.

Ensemble.

Ficou de mãos dadas com ela até que ela entrasse na sala de cirurgia. Viu-a deitada na maca, apertando a roupa fina de paciente com o resto de sobriedade pós-anestesia. As portas se fecharam e ele ficou ainda um tempo olhando-as, imaginando sua esposa já de olhos fechados.

Trocou algumas palavras na sala de espera com os pais de Émeline, com seus próprios pais, com Chantal e com a senhora Modeste, mas sua mente mesmo estava na esposa. A sala de espera não ficara tão cheia assim por causa de uma única paciente já fazia muito tempo, o que atiçou a curiosidade dos médicos. Ao compreenderem o caso, logo ficaram também apreensivos e torcendo por Émeline.

Gervais rezava pelo bem estar desua esposa e bebê e começava a ficar nervoso. A cirurgia estava demorando um pouco mais que as cesáreas normais, porém ele sabia que isso poderia acontecer, já que, pelo fato de ser soropositiva, a delicadeza da cirurgia era ainda maior.

Às vinte horas e dezoito minutos, o bebê nasceu. Ao serem comunicados, Gervais soltou um suspiro de alívio, a mãe de Émeline abraçou o pai dela, seus próprios pais gargalhavam e sorriam de orelha a orelha, sra. Modeste gritava de emoção, e até os médicos batiam palma. Cumprimentaram Gervais, elogiando-lhe e dando-lhe conselhos, todos queriam dar seu palpite para o novo pai. E Gervais sentia como se seu peito tivesse inflado com o orgulho daquele momento. Era pai.

Queria ver Émeline, mas as enfermeiras orientaram que era melhor deixá-la descansar e que era melhor que voltasse para casa. Gervais não se sentiu satisfeito com isso e pelo menos foi até a porta de seu quarto, onde a observou dormir pela janelinha da porta. Seu rosto estava pálido e os cabelos loiros bagunçados, mas havia uma tranquilidade que confortou o coração de Gervais.

Quando se sentiu confortável, foi para o berçário, onde encontrou todos os outros visitantes já debruçados no vidro. A sra. Modeste se aproximou e apontou:

– É aquele meninão lá. – parecia haver um sorriso em sua voz.

Olhou para o menino enrolado em um paninho amarelo com bordinhas brancas. Não era um meninão como a sra. Modeste dissera, era uma criança de tamanho levemente menor do que o habitual. Seu rosto era coradinho, em tom de saúde, e isso fez com que Gervais se sentisse imensamente feliz. Sabia que não dava para saber se era soropositivo só por olhar, mas ele tinha um bom pressentimento. Viu a penugem loura de seus cabelos e os olhos, já abertos, castanhos. A princípio, parecia com a mãe. Gervais sorriu abertamente. Reparou então que era a única criança que não tinha nome. Ele e Émeline nunca tiveram ideia de qual nome dar. Mas quando olhou para aquele rostinho mais uma vez, o nome surgiu quase de imediato em sua cabeça. Matheó. Torceu profundamente para que Émeline aceitasse. Matheó.

– Olá, Matheó. – falou baixinho, já que sabia que o menino não ouviria. Mas falou mesmo assim, porque sentia necessidade daquilo. – Você tem que conhecer a sua mãe. Ela é fantástica.

Depois de muito admirar seu filho, despediu-se dos visitantes. Gervais optou por desobedecer a enfermeira e ficou passeando pelo hospital durante toda a noite e cochilando em algumas poltronas de espera. Simplesmente não conseguia deixar Émeline ali.

Comeu alguma coisa pela amanhã e rondou mais pelos corredores aguardando que alguém o chamasse para falar com sua esposa. As enfermeiras, cheias de dó, acabaram concordando em deixá-lo vê-la antes do horário de visita.

– Mas aguarde a Dra. Anselme terminar de falar com ela, tudo bem? – a enfermeira solicitou.

– Claro. Muito obrigado.

Dentro do quarto, Émeline terminava de comer a leve refeição enquanto conversava com sua obstetra que lhe contava como havia dado tudo certo. Fizera-lhe também algumas perguntas, que ela respondeu a medida do possível, já que ainda se sentia um pouco devagar por causa da anestesia.

Ainda que não amamentasse, as enfermeiras haviam trazido o bebê para o quarto para que Émeline pudesse dar a mamadeira e estabelecer esse momento tão especial da relação mãe e bebê mesmo com todos os empecilhos. Depois de mamar e arrotar, o que fez Émeline rir como se fosse a coisa mais engraçada do mundo, ele adormecera e a nova mãe o colocara no “berço-móvel”.

– Vou pedir um exame bem completo para avaliar a saúde dessa família bonita, tudo bem? – a médica perguntou.

– Tudo ótimo. Doutora, posso lhe pedir um favor?

– Claro, querida.

– Você pode fazer um teste de DNA? – Émeline mexia no fundo do prato com a colher para tentar fazer a situação parecer o mais natural possível.

– Seu marido sabe desse teste?

– Ele sabe da possibilidade de ser ou não pai do bebê. Ele disse que não importava para ele, mas mesmo assim... Não queria que ele soubesse do teste. Pelo menos não agora. – pediu.

– Querida, isso não é ético. Acho que eu não devia...

– Doutora, por favor. Não me deixa com essa dúvida para sempre. – evoluiu o pedido para uma pequena súplica.

– Eu realmente não devia... Olha, tudo bem. Mas se perguntarem, não fui eu que permiti isso.

– Permitiu o quê? – brincou.

– Ai, Émeline. – a Dra. Anselme sorriu. – Foi um prazer ser a sua obstetra. Por favor, volte para uma visita logo, hein? E me deixa ver seu pequeno crescer a medida do possível.

– É claro, a senhora possibilitou tudo isso. Pode me dar um abraço?

Elas se abraçaram e se despediram. A médica fez um carinho na barriguinha do bebê e ia saindo do quarto quando encontrou Gervais no corredor.

– Parabéns pelo seu bebê. Está tudo bem com ele e com a Émeline. – apertou sua mão, mas Gervais abraçou-a com a emoção de saber que estava tudo bem com ambos. – Vou pedir apenas um exame de sangue da família e checar tudo, certo?

– Claro, doutora. Muito obrigado por tudo. Compramos um presente para você. Espero que goste.

Ela abriu a caixa embrulhada com um papel de presente listrado e encontrou um par de brincos dourados com uma bonita pedra verde em cada um e também um pote de vidro com um laço de fita da mesma cor que os brincos cheio de biscoitos de chocolate.

– Que presente maravilhoso.

– Nós mesmos que fizemos os biscoitos.

– Isso é lindo. Obrigada por se importarem comigo. – seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas sua ética profissional fez com que ela se controlasse. Havia sentido uma empatia muito grande pelo casal. – Bem, agora acho que você quer ver sua esposa e seu filho. – cumprimentou-o novamente e foi guardar seus presentes.

Gervais dirigiu-se para o quarto cheio de ansiedade. Seus braços estavam cheios de presentes. Abriu a porta, um tanto desajeitado, e sorriu a ver Émeline acariciar os cabelos do filho.

– Olá. – ele disse.

– Olá. – Émeline sorria belamente para ele. – Vem ver nosso bebê. Vem.

Gervais colocou os presentes no pé da cama e foi acompanhar o momento de perto. O menino dormia a sono solto. Segurou uma das mãos de Émeline e uma das mãozinhas do bebê.

– Matheó. Pensei em Matheó. – afirmou.

– É ótimo. Gostei do nome. Matheó. – e Émeline sentiu seu coração se agitar ao dizer o nomezinho de seu filho. Seu filho.

Émeline passou quase uma semana no hospital até finalmente ter alta. Os primeiros resultados dos exames estavam todos sendo favoráveis, mas o resultado dos de DNA e HIV ainda demorariam um pouco mais.

Quando chegaram em casa, Émeline colocou Matheó no berço junto com o pintinho de pelúcia que ele ganhara do pai na maternidade. Acariciou os cabelos do menino e depois foi para o jardim, onde ela e Gervais plantaram a roseira que ele lhe dera de presente. Ela também usava uma fina e simples pulseirinha que seu marido havia lhe dado. Gervais era, definitivamente, ótimo com presentes. Depois, lavaram as mãos e voltaram para o quartinho.

Ficaram abraçados olhando seu bebê. Seu Matheó.

****

Gervais pegara a toalha e levou para Matheó e Émeline assim que saíram da piscina. Envolveu-os com a toalha e um abraço que molhou suas roupas.

– Vocês foram ótimos. E olha só que o menino tem as pernas fortes e nada bem que nem a mãe. – Gervais bagunçou os cabelos do garotinho. – Agora se arrumem porque quando chegarmos em casa, tenho uma surpresa.

Ele beijou a testa do menino e a da mãe logo em seguida, e eles foram se trocar. Em pouco tempo já estavam secos e prontos para voltar para casa.

Um ano havia se passado. Matheó já dava seus bambos passinhos. O menino era soronegativo. Todo o esforço de seus pais valera a pena, pois que barraram a transmissão vertical do vírus. Além disso, o teste de DNA indicara que Gervais era realmente o pai de Matheó. Gervais reclamara com Émeline dizendo que o exame não era necessário e que ele amaria o menino do mesmo jeito sendo seu filho biológico ou não, o que era verdade. Mas também era verdade que ele se sentiu muito feliz com a certeza de que era o pai do garotinho.

A jovem família caminhava na calçada da associação esportiva, indo em direção à casa.

– Vamos colocá-lo na escola ano que vem? – perguntou Gervais.

– Acho melhor não. Deixa ele se divertir mais em casa, no jardim. Não quero um monte de professoras zanzando na cabeça dele o que deve ou não saber. – Émeline respondeu.

– Mas se ele entrar na escola muito depois, vai ter o aprendizado prejudicado.

– Vai ter o aprendizado prejudicado se entrar na escola muito cedo. Jardim de infância é extorsão de dinheiro e de criatividade infantil. Botam eles sentados numa mesa dão uns troços coloridos e acham que estão trabalhando a mente deles.

– Émeline, eles estudam pra isso. Sabem que são métodos eficientes.

– Eficiente mesmo é a criança brincar no quintal de casa! Descobrir coisas por vontade própria e...

– Pipi! – Matheó falou interrompendo o início de discussão dos pais.

– Toma o pipi, filho. – Émeline entregou o pintinho de pelúcia para o filho e voltou-se para o marido um pouco mais calma. – Depois conversamos sobre isso.

– Vamos atravessar. Mãozinha. – Gervais pediu.

Matheó deu as mãos para os pais e atravessaram a rua. Entraram então em casa. Gervais foi para o quarto pegar o envelope que continha a surpresa. Émeline ficou na sala supervisionando o filho brincar no chão, remexendo as bordas do tapete.

– Aqui está. – Gervais apareceu na sala e estendeu o envelope para a esposa. – Não é algo enorme, mas acho que é algo bom.

Ela sorriu discretamente, mas quando abriu o envelope seu sorriso alargou.

– Comprovante de estadia de hotel? Em Louhans? Mas nós moramos aqui, seu bobo.

– Justamente. Moramos auqi, mas não conhecemos. Temos várias regiões turísticas e nem mesmo vimos. Já que não tivemos uma lua de mel e agora o Matheó está mais grandinho pensei que talvez pudéssemos viajar em família pela primeira vez. Depois, quando ele estiver maior, deixamos ele com alguém e temos uma lua de mel de verdade, em outro lugar. Á gente junta um dinheirinho e vai. Mas por enquanto, temos essa prévia.

– Isso é ótimo, Gervais! – Émeline saltou no pescoço de Gervais. – Tantos lugares bonitos que eu sempre quis conhecer por aqui e nunca tive a oportunidade! A gente podia ir no Hotel Dieu! E comer L’Arlequin, e no Le Bistro de Saint Martin e no...

– Comer é a melhor parte?

– Comer é a melhor parte! – ela riu. – A gente pode passear com calma pela Rua Maior e ver o centro histórico e... Ah, Gervais! Vai ser maravilhoso!

Émeline envolveu o pescoço do marido com os braços e esforçou-se para fechar um pouco seu sorriso para que pudesse beijá-lo. Beijou-o diversas vezes e então ele pegou-a no colo, como gostava de fazer.

– Que bom que gostou. – sorriu.

Sentou se no sofá ainda a segurando e o pequeno Matheó veio se juntar à bagunça com seu amigo Pipi. Esforçou-se para subir no sofá e sentou-se no colo da mãe. E ficaram assim por um bom tempo.

Conforme Gervais havia prometido à Émeline, juntos eles conseguiram superar as dificuldades da doença e manter uma vida normal, conseguiram ver e fazer um futuro. Conseguiram formar sua família. Conseguiram porque permaneceram juntos.



Notas finais do capítulo

E a história está chegou ao fim. Esse é um bom momento para dizer o que achou. Que tal um review?
E sim, eu sei que repeti bastante a palavra juntos. Mas é o nome da história, não é? Além do mais, quis frisar bastante a importância da união para o fortalecimento das pessoas.
Enfim, espero que essa história tenha lhe trago informações e também um bom lazer, uma boa distração. Muito obrigada por tê-la lido. :)



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