Recomeço escrita por Katherslyn


Capítulo 6
Capítulo 6


Notas iniciais do capítulo

Quero agradecer imensanente a Lety, ao Nate e ao Gus. Me ajudaram muito a não desistir dessa fic.




De acordo com pesquisas, existe 530 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil. Até 2009, 217.091 foram mortos pela doença. Pra muitos pessoas isso são só números, e daqueles bem insignificantes. O que elas parecem esquecer é que cada unidade ali é uma pessoa. Poderia ser sua mãe, seu padrasto, seus primos, você. Segundo as Nações Unidas, a cada 14 segundos um jovem no mundo é infectado pelo HIV. Então, te assustei agora? Chamei sua atenção?

Sabe, eu leio essas cenas de sexo em livros de romance e tudo o que consigo pensar é na camisinha. "Ai minha nossa, eles não estão usando proteção. Moça, não transe, espere um pouco. Cadê o preservativo?".

É claro que, em se tratando desse tipo de livro, o máximo que acontece é a garota ficar grávida, o que não é muito bom quando se mal conhece o cara. Mas duvido muito essa mesma mulher contrair aids ou uma dessas doenças sexualmente transmissíveis, afinal, isso não é sexy. Que editora vai transformar o galã num portador contaminado?

Ou aquele rockeiro super gostoso que transa com qualquer uma que acha bonita? Sério mesmo que ele é imune a todas as doenças? E essas mulheres que fazem sexo oral em desconhecidos? Qual é, o cara é tão bom que vale a pena se arriscar dessa forma? E elas nunca, jamais, ever pegam nada, saem sempre ilesas?

Campanhas de conscientização são feitas, apesar de não alcançar em níveis profundos. Todo mundo tem a informação, pouquíssimos ten detalhes. Mas se você já tem aids, não adianta chorar por uma vida diferente, não vai mudar nada e nem fazer o tempo voltar.

O jeito é se tratar. Tomar o chamado coquetel de remédios, ser acompanhado por um médico, e seguir adiante.

Eu imagino, é difícil. Conheço gente que leva um tempo pra se acostumar com os remédios, o organismo demora um pouco mais pra se acostumar. Vômito, diarreia e dor de cabeça são uns dos sintomas.

E quando você tem que tomar um medicamento que te deixa todo amarelo? E não sabe o que dizer para as pessoas sobre isso. Já te olham estranho por conta disso, como explicar em detalhes?

Eu sei de um caso que resumo e muito a situação dos adultos. Lucius, assim vou nomeá-lo para preservar sua identidade, descobriu que tinha aids aos 33 anos. Tudo começou pela esposa, que se sentia cada vez mal, fizeram exames no hospital da empresa em que ambos trabalhavam e descobriram que ela era soropositiva.

Ela faleceu, e depois de um tempo Lucius começou a se preocupar consigo mesmo. Descobriu que também tinha aids, e isso só contribuiu para o seu desespero.

O chefe nele, num certo dia, disse que sabia sobre a condição dele, e que Lucius podia ficar ttanquilo porque ele não ia deiti-lo nem espalhar pra ninguém.

Duas semanas depois seu chefe sumiu, e um outro apareceu no lugar. Esse novo chefe demitiu Lucius, e ele se viu desespregado e com dois filhos pra cuidar.

Percebe? A pessoa tem plena aptidão e capacidade pra conseguir se manter no emprego, mas é despedida por simplesmente ter hiv. Como se fosse um lixo tôxico, algo contaminado.

Como se já não bastasse o fim do mundo nas suas costas, vem a gota dágua que é o preconceito, colocando a pessoa mais fundo do que ela já está. É muito difícil achar uma empresa que contrate alguém com aids. Assim que descobrem, a vaga dessa pessoa simplesmente some, ou ela é demitida sem dó nem pena.

É crime isso, e podemos entrar na justiça. Não pelo dinheiro, mas pela nossa honra. Pela pessoa que somos, por nossa integridade. Tanto ladrão por aí e querem pisar no pé de quem tem sangue diferente? Isso me deixa muito, muito irritada.

Em alguns níveis, tento pensar que não sou tão diferente assim. Tomo muitos remédios, eu sei, mas não sou a única. Tenho que ter bastante cuidado com certas coisas, me tratar, mas eu posso ter uma vida normal. Em algum nível, sei que posso. Mas seria imensamente mais fácil se as pessoas tivessem mais respeito conosco.

Quando você descobre que o que tem é uma doença como a aids, você acha que o mundo todo vai desabar na sua cabeça. Você chorei sem parar, até os olhos ficarem secos. E uma parte sua sabe que, lá no fundo, tão fundo que nem você gosta de reconhecer, meio que desconfiava.

Médico todo o mês, remédios todos os dias. Demora um tempo, comigo levou quase duas décadas. Mas finalmente percebi isso, que adiferença entre os outros e eu é que eu tenho a obrigação de me cuidar, zelar pela minha saúde.

Todos deviam ter que se cuidar, se for parar pra pensar bem. Tomar cuidado pra não contrair uma dengue, uma pneumonia. Até mesmo algumas coisaa que fogem de nosso controle devem ser vistoriadas, como um acidente de carro por exemplo. Ter cuidado ao atravessar uma rua, não andar com a cara virada na tela do celular.

Não sou uma anomalia, digo pra mim mesma. Não sou um bicho, não sou um animal. Sou uma garota que terminou a escola, e que passa pelos mesmos problemas que qualquer outra menina nessa idade.

Quero ter um namorado, quero concluir o ensino superior, conseguir um bom emprego. Quero viver a minha vida em paz e sossego, ajudando a quem precisa.

Crabbly, o meu primeiro amor, me dizia que nunca devemos desistir, não importa o quão difícil ou impossível pareça ser nosso objetivo.

Crabbly disse que nunca desistiu de mim e em troca, queria que eu nunca dessistisse da vida.

" Quando te vi pela primeira vez, você me apareceu como um raio de sol. Estava com medo, retraída, até porque era sua primeira vez com um bando de esquisitões.

Eu costumava ir naquele grupo por simples rotina, e gostava de ficar no meu canto. Então eu via você, e aquelas míseras horas nunca foram o suficiente.

Te olhava de longe, no meu canto, até que decidi me aproximar aos poucos. Me condenava muito internamente, o que uma menina tão linda como você iria querer com um condenado como eu?

Os anos passaram, e você se tornou minha melhor amiga. E lá no meu íntimo, uma antiga paixão crescia as escondidas.

Te ver triste me deixava triste, e te ver alegre me fazia sorrir até nas horas ruins e de dor."





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Recomeço" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.