Não Me Deixe Desmorornar escrita por Lyrah Velcyd Lumiehr


Capítulo 3
Não Desmorone


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoas, como vão?

Como foram as celebrações de fim de ano? Espero que tenham sido maravilhosas! Desejo a todos vocês muitas realizações e muitas conquistas esse ano, e que, por favor, seja melhor que essa ano que passou, porque né...

Bom, como disse, aqui está o último capítulo, espero realmente que gostem e que o final os agrade!

Chega de lenga-lenga, vamos lá!



~*~*~

—Unni, eu sinto muito! Eu realmente não sabia, você não merecia nada disso! — Hyuna falava ao celular entre soluços, o choro ainda era incontrolável e não achava que fosse parar tão cedo.

—Está tudo bem Hyuna-ah, você também não deveria passar por isso. Fique tranquila, não fique na rua muito tarde. Vá para casa, Hyunie. — Hara respondia ao telefone, era verdade que estava realmente magoada pelo que Junhyung fez, mas sabia que Hyuna também não merecia passar por isso. E não podia deixar de se sentir um pouco culpada, mesmo depois de tudo o que fizeram contra ela. Hyuna ainda estava se desculpando por algo que nem culpa dela foi.

—Eu sinto muito — A mais nova disse mais uma vez, tentando acalmar-se, mas sem muito sucesso.

—Está tudo bem. E Hyuna-ah...

—Hm?

—Me desculpe, se não fosse por...

—Não precisa se desculpar — Hyuna respondeu com um sorriso triste. Eles a tinham machucado no passado, mas era apenas passado agora.

Hyuna terminou a ligação e desligou o telefone, não queria falar com mais ninguém. O que ela tinha feito de errado para merecer tanto desprezo daqueles que um dia ela já considerou seus amigos mais próximos? Ela era uma pessoa tão ruim assim?

Com essas perguntas em mente, Hyuna não pôde evitar de lembrar a última conversa que teve com Junhyung, antes de se distanciarem por completo:

Hyuna tinha acabado de sair de uma das reuniões criativas de seu primeiro mini álbum solo. Com todas as ideias que surgiram, ela estava ficando cada vez mais animada com o projeto. Correu dois lances de escadas até o andar onde ficavam as salas de ensaio. Quando chegou na que Beast deveria estar ensaiando, encontrou Junhyung sozinho em um dos cantos.

—Oppa! — Correu animada até ele — Oppa! Estou tão feliz! — E tentou abraça-lo como normalmente fazia, mas por algum motivo Junhyung segurou seus braços para que não o fizesse. Apesar de estar confusa com o comportamento estranho, resolveu ignorar, estava feliz demais para deixar-se abater. — Onde estão os outros?

—Foram comer, o que você quer?

Ele foi grosso, e isso pegou a garota desprevenida, ele nunca tinha usado esse tom com ela.

—Oppa... Aconteceu alguma coisa?

—Não. O que você quer?

Sentiu um nó na garganta, estava difícil de respirar, ele nunca a tratou tão mal. Sempre fora uma garota que chorava muito fácil, então segurar as lágrimas que estavam se formando era uma tarefa muito difícil. Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Junhyung continuou:

—Hyuna, escuta, precisamos conversar. — Ele parou de falar por alguns segundos, com os olhos fechados soltou um suspiro, e então voltou a falar. — Bom, como você sabe, agora eu estou saindo com a Hara... — Sem saber onde ele queria chegar, a mais nova apenas acenou com a cabeça — E eu sei que nós somos amigos há algum tempo e nós ficamos bem próximos. — Ele parou mais uma vez, aparentemente incerto do que falar depois. — Acho que não deveríamos mais andar juntos.

—Mas... Por quê? Eu fiz algo de errado?

—Não, é que... Você, por ser quem você é, tem muitos rumores sobre nós dois, e não quero que isso atrapalhe meu relacionamento com a Hara. São muitos boatos e rumores ruins seguindo você e não quero que eu e Hara sejamos afetados por isso. Nós conversamos e os dois acham melhor você se afastar de nós. Toda vez que formos vistos juntos as pessoas vão comentar, então, por favor, gostaria que não andássemos mais juntos e que você evitasse falar comigo. — Ele parou, encarando-a.

Hyuna realmente não sabia o que fazer. Nunca pensou que ouviria isso de alguém, já tinha escutado por ai que muitas pessoas da indústria, principalmente homens, evitavam andar ou falar com ela pela quantidade de ‘haters’ que tinha, mas nunca pensou que isso fosse realmente verdade. E escutar isso de um dos amigos mais importantes que já teve realmente doía. Alguns perguntavam se ela tinha algum sentimento por ele além da amizade, Hyuna tinha de admitir que Junhyung era realmente muito bonito, mas nada além de admiração e amizade a ligavam à ele. Hyuna sempre achou que amigos deveriam ficar juntos, independente dos acontecimentos, e ver que uma das pessoas mais preciosas para ela está se afastando por um motivo tão... Fútil, doía, doía muito.

—Oppa! — Os dois ouviram alguém chamar da porta, Hara estava entrando. Quando percebeu os dois conversando, imediatamente já sabia o que estava acontecendo. Mordeu o lábio e desviou o olhar. Não tinha coragem de olhar para Hyuna depois de pedir algo tão cruel.

—Se é isso que vocês querem... — Hyuna forçou um sorriso, e a visão doeu no coração de Hara, ela era tão coitada e preciosa, não merecia nada disso. Mas já tinha sido feito, não dava mais para voltar atrás. — Eu vou sair primeiro. — Hyuna completou cabisbaixa e se retirou da sala. Assim que chegou às escadas de emergência no fim do corredor, pôs-se a correr em direção ao terraço. Tudo o que queria agora era se isolar e não queria que ninguém a visse daquela forma.

~*~*~

—Hyuna, onde você está? — Dongwoon murmurou discando o número de sua amiga mais uma vez. Já estava procurando há mais de meia-hora, e Junhyung tinha dito que a tinha deixado no dormitório meia-hora antes da comoção do apartamento, o que significa que ela estava sumida há mais de uma hora. Dongwoon já estava beirando o desespero. Pediu para que Hyunseung não avisasse as meninas ainda, mas já estava começando a achar que era melhor pedir ajuda. — Merda, Junhyung, o que você foi inventar?! — Sempre respeitou muito seus hyungs, mas as atitudes do vice-líder com sua amiga o decepcionaram profundamente.

Estava no andar térreo da agência, já havia procurado nas praças e bares ao redor e nas salas de música e dança, estava ficando sem ideias. Até que algo lhe ocorreu à mente:

—O armário do terraço! — E correu escadas acima. O lugar que Hyuna sempre ia quando estava magoada. Lembrava-se muito bem do dia em que ela lhe mostrou esse lugar, e de todas as vezes que ela o levou lá.

A primeira vez que ela o mostrou aquele lugar, foi no dia em que se conheceram.

Dongwoon estava no Cube Café, em uma das mesas mais afastadas, estava realmente chateado. Ele e seus amigos estão se esforçando tanto para conseguir debutar, para formar um bom grupo, mas parece que as pessoas só conseguiam ver o fato de que eles não haviam conseguido em outras agências. “Lixo reciclado”, “agência de rejeitados”, escutar e ler essas coisas sobre o grupo que estava se esforçando tanto para formar magoava. Será que valeria a pena debutar se as pessoas continuarem falando isso deles? Deitou a testa sobre os braços cruzados em cima da mesa. De repente sentiu uma mão lhe tocar o braço e escutou alguém falar:

—Hey... Você está bem? — A voz era baixa e delicada, quando olhou para cima se deparou com dois grandes olhos castanhos e cabelos da mesma cor presos em um rabo de cavalo. A conhecia de algum lugar, podia dizer, na verdade sabia muito bem quem ela era, mas não conseguia se lembrar do nome. — Está tudo bem? — Ela perguntou novamente, já que ele apenas a encarava.

—Na verdade, não muito. — Finalmente respondeu, não era educado deixar pessoas falando sozinha. Principalmente quando essas pessoas estão claramente preocupadas com você.

—Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou, mas percebendo a forma que ele desviou o olhar ela se desculpou. — Desculpe, não quero soar intrometida. — No momento em que ele ia dizer que estava tudo bem, ela continuou a falar — Seu nome... Dongwoon, certo? Vai debutar com o Beast?

—Uhum — Ele acenou com a cabeça — Desculpe, mas não consigo lembrar seu nome. — ele abaixou a cabeça, constrangido.

—Tudo bem, prazer, sou Hyuna, vou debutar com o grupo 4minute no mês que vem! — Ela lhe estendeu a mão para cumprimentá-lo, quando ele olhou para cima novamente, foi agraciado com um dos sorrisos mais encantadores que já viu na vida, e não pode deixar de sorrir também. Era contagiante. — Hey, quer ir a um lugar comigo? — Ela perguntou de repente.

—Eu... — Dongwoon não sabia o que responder, mal conhecia essa garota e ela já o estava chamando para sair com ele, será que os boatos que certa vez escutou alguns trainees comentando eram verdade?

—Prometo que vai se sentir melhor! — Vendo que ele ainda não respondeu ela tentou insistir um pouco mais — Vamos, não é nada demais. — Ela disse agarrando o braço dele e o puxando para fora do café.

—Mas eu ainda não paguei. — Dongwoon afirmou, enquanto a acompanhava, ainda desconfiado.

—Sem problema, Ahjumma me conhece, eu pago a ela depois! — Continuou o puxando para fora do café e para dentro da agência. Correu em direção ao elevador e apertou o botão para o último andar. Nervoso por estar em um espaço fechado com ela, o mais velho resolveu falar algo:

—Onde estamos indo? — Ele perguntou, massageando a nuca pelo nervosismo.

—Para um lugar muito especial, aonde eu sempre vou quando estou chateada! — Ela respondeu animada. Dongwoon não sabia exatamente o que essa garota queria, ela certamente era estranha, mas por algum motivo que nem ele mesmo conseguia dizer, acreditava no que ela estava dizendo.

Quando as portas do elevador se abriram no último andar, Hyuna agarrou novamente seu braço e o puxou em direção as escadas de incêndio. Subindo para o terraço, ela o continuou puxando até que chegassem a um pequeno contêiner que ficava em um dos cantos. Abrindo a porta, ela gesticulou alegre:

—É aqui!

—Um... Armário? Como você pode se sentir melhor dentro de um armário? — Ele perguntou rindo, realmente essa garota não era normal.

—Vem, eu te mostro. — Ela o puxou para dentro, fechando a porta — Toda vez que me sinto chateada com alguma coisa, eu venho para cá, como quase ninguém vem aqui, é bem calmo. — sem acender a luz, o lugar estava bem escuro, e Dongwoon estava com dificuldade de ajustar-se a escuridão, mas Hyuna parecia não se importar. — E isso sempre faz eu me sentir melhor. — Quando terminou de falar, ela ligou um abajur em formato de esfera, que projetava formatos luminosos coloridos em roxo, azul e amarelo nas paredes. Dongwoon encarou aquilo fascinado, a forma como as luzes dançavam nas paredes e ao redor deles em cores nada convencionais o deixava admirado. Quando voltou a encará-la, ela tinha um grande sorriso no rosto, um sorriso que, por algum motivo, o fez corar um pouco. — Não disse que funcionava?

—Obrigado. — Ele disse em um sussurro, estava realmente agradecido a ela.

—Não precisa agradecer, pode vir aqui sempre que precisar!

Após esse dia Hyuna e Dongwoon se tornaram os tão chamados melhores amigos. Hyuna era uma pessoa muito preciosa, vê-la triste fazia com que seu coração doesse em angústia e o deixava frustrado saber que não poderia fazer nada para evitar isso.

—Hyuna-ah. — Chamou suavemente assim que abriu a parta o armário, tudo estava escuro e ela não o estava respondendo — Hyuna-ah, vamos, fale comigo. — Ele tentou mais uma vez, e por fim ouviu um sussurro em resposta.

—Oppa... — Mesmo sendo um mero sussurro, ele foi capaz de identificar de onde vinha. Encontrou a mais nova encolhida, em um dos cantos mais afastados, ela abraçava os joelhos, com a cabeça abaixada sobre eles, mesmo à distância, ele conseguia ver os ombros dela tremendo pelo choro.

—Hyuna... — Aproximou-se lentamente da amiga, sentou-se ao lado dela, e a abraçou pelos ombros. Imediatamente ela o abraçou pela cintura, enterrou o rosto em seu peito e começou a chorar ainda mais. — Está tudo bem, pequena. Pode chorar, oppa está aqui. Eu estou com você. — Continuou sussurrando palavras doces, acariciando o cabelo e as costas da garota. E Hyuna continuou chorando. Estava cansada das pessoas a julgando sem ao menos conhecê-la. Cansada dos boatos e dos rumores maldosos. Cansada de ser afetada por isso e das pessoas se afastando por isso. Mas também estava furiosa.

Furiosa pelas pessoas quererem afetá-la e afetar a todos a sua volta e estava furiosa por outras pessoas nem ao menos darem chance para ela se apresentar e resolverem acreditar nos boatos. E estava desolada pelo fato de que pessoas que mais se importava, resolveram abandoná-la, resolveram se juntar ao lado mais forte e deixá-la, como se ela nunca tivesse sido nada na vida dessas pessoas.

—Oppa, o que eu fiz de errado? — Perguntou depois de se acalmar um pouco.

—Você não fez nada de errado, Junhyung-hyung que fez. Você não merecia passar por nada disso.

—Eu só queria que nós voltássemos a ser amigos, mesmo depois de tudo o que eles me falaram, eu só queria que tudo voltasse a ser como antes. Que ele não me queria mais como amiga, eu já imaginava, já sabia. E por mais que tenha sido doloroso, eu aceitei e continuei aqui. Mas nunca pensei que ele faria algo tão... Baixo. — Hyuna afrouxou seu abraço em Dongwoon e passou a olhá-lo nos olhos. A visão dos olhos vermelhos e inchados e do olhar magoado que a mais nova carregava, fez o coração de Dongwoon despedaçar. Junhyung foi realmente uma pessoa horrível com ela. — Me diga, oppa, eu sou tão miserável assim que nem como pessoa mereço ser respeitada?

Dongwoon soltou a garota de seu enlace e segurou a face dela com as duas mãos:

—Hyuna-ah, você é uma ótima pessoa, uma das pessoas mais incríveis que já conheci. Você é gentil, esperta e amorosa, e sei que faria de tudo a seu alcance para ver aqueles que você gosta ficarem bem. Então, por favor, nunca, mas nunca mais mesmo, pense que você merece ser tratada assim. Você merece ser tratada da melhor forma possível, como a joia preciosa que você é e sempre será. — Ele secou as lagrimas da mais nova com os polegares e então voltou a falar. — Agora pare de chorar por alguém que não consegue ver o quão incrível você é. Junhyung-hyung não tem ideia do quão grande foi a perda dele por te tratar dessa forma.

Escutando as palavras de seu melhor amigo, Hyuna pôs-se a lacrimejar novamente, mas dessa vez o sentimento que assolava seu coração era claro e bonito, estava muito feliz e muito tocada pelas palavras de Dongwoon. Novamente apertou a cintura do mais velho em um abraço apertado e enterrou o rosto em seu peito.

—Hyuna! Não chora, o que eu falei de errado? — O moreno a abraçou de volta, preocupado que a tivesse magoado novamente.

—Obrigada, oppa. Obrigada por tudo.

—Não há por que me agradecer, pequena. — Dongwoon respondeu afagando os cabelos da garota. Sentiu seu celular vibrar no bolso, Hyunseung mandou uma mensagem.

From: JS Hyung

Já a encontrou? Como ela está?

Responda rápido, estou preocupado!

Dongwoon riu da mensagem do amigo, esqueceu-se que ele estava esperando notícias.

To: JS Hyung

Sim, já a encontrei, está magoada.

Estamos na agência, quer nos encontrar?

A resposta não demorou muito para chegar.

From: JS Hyung

É claro que ela estaria.

Estou indo, nos encontramos no estacionamento dos fundos.

—Hey, pequena, que tal irmos agora? Hyunseung-hyung deve estar surtando. — Sugeriu, levantando-se e estendendo a mão para ajuda-la a se levantar.

—Hyunseung-oppa? Mas como...?

—Longa história, te contamos depois. — E os dois desceram as escadas de emergência até o estacionamento de mãos dadas.

E com esse gesto, Hyuna teve certeza de que, não importasse o que viesse pela frente, ela nunca estaria sozinha, sempre teria alguém para ampará-la toda vez que ela caísse.

Com o tempo, muitas amizades racham, se partem, se desfazem, mas são nesses momentos em que algumas se fortalecem e se tornam as colunas que nos sustentam, não deixando que desmoronemos.



Notas finais do capítulo

E aqui está! O que acharam? Agora entendem o porquê tanto falavam do que Junhyung tinha feito no passado, certo?

Espero que tenham realmente gostado!