Ágda escrita por Maresia


Capítulo 21
Asgard


Notas iniciais do capítulo

As partes em itálico significam flashbacks



                Dégel e Ângela caminhavam embalados pelo gelado vento Nórdico, enfeitiçados pela frescura cálida da neve que caía abundantemente do céu cor de platina. Os dois defensores de Atena apesar de estarem habituados a temperaturas extremamente baixas, tremiam de frio à medida que se infiltravam mais profundamente nas entranhas nevadas das planícies abençoadas pelos delicados cristais de diamante. Os seus pés enterravam-se horrivelmente no tapete branco que os seguia fielmente naquela misteriosa e comprometedora missão que mudaria para sempre o rumo deste apaixonante romance. A amazona carregava no seu peito arfante a última conversa que tivera com Albafica de Peixes, horas antes de partir rumo ao seu desconhecido destino.

                A ruiva caminhou decidida até à perfumada entrada do sagrado templo de Peixes, onde o belo cavaleiro das rosas a aguardava tranquilamente, olhando do alto da sua magnífica imponência.

— Boa tarde Albafica, podemos falar ou estás muito ocupado? – Questionou a Cisne em tom sério, alcançando o topo da imaculada escadaria.

— Sabes que para ti eu nunca estou ocupado. – Respondeu o dourado, sorrindo timidamente, fazendo sinal para que a jovem o seguisse para o interior da casa.

— Não é o que parece. – Murmurou Ângela, recordando todas aquelas ausências tenebrosas que tinha que suportar em silêncio.

— Desculpa. – Pediu o cavaleiro de forma inexpressiva, sentando-se no seu confortável sofá e puxando a ruiva para junto de si.

— Daqui a algumas horas parto para Asgard. – Anunciou a Cisne sem rodeios, recusando o abraço que demorara tanto tempo a chegar.

— Mas, e nós? – Questionou Albafica, compreendendo por fim todo o tempo que estupidamente desperdiçara.

— Tivesses pensado nisso mais cedo. – Retorquiu Ângela, levantando-se e começando a andar de um lado para o outro, sem olhar nos olhos daquele que fazia bater o seu coração.

— Eu tenho consciência dos erros que cometi, tenho plena noção que não te dei a merecida atenção, tenho noção que quase te perdi, contudo quero redimir-me dos meus fracassos, dá-me essa oportunidade. – Confessou o Peixes tristemente, vendo a sua rainha do gelo voar-lhe dos braços, arrancada por uma cruel brisa do norte.

— A minha primeira missão é muito importante para o meu desenvolvimento como amazona, não posso simplesmente ignorar as ordens do Senhor Sage e do meu mestre Dégel, desculpa Albafica. – Explicou Ângela em tom melancólico, sentindo o seu estômago contorcer-se quando proferiu o nome de Dégel. – Creio que terás tempo suficiente, enquanto eu estiver fora, para pensares no que existe entre nós, se vale a pena continuarmos juntos. Adeus Albafica. – Despediu-se olhando nos olhos do belo homem que se encontrava na sua frente.

— Volta depressa, eu espero por ti. – Garantiu o Peixes sinceramente, segurando ternamente a mão da amazona. – Volta depressa, por favor. – Reforçou, beijando delicadamente a pequena mão que segurava entre as suas.

                A jovem caminhava com dificuldade, por vezes o Aquário era obrigado a segurá-la pelo ombro evitando uma queda certamente dolorosa, ela tentava abafar a tremendo custo as vozes de Albafica, Bianca e Alex sorrindo alegremente, deambulando pelas solarengas paisagens gregas.

                Dégel por seu turno, recordava a derradeira conversa que tivera com Sage antes de tomar a difícil decisão de trazer Ângela para o gelado reino de Asgard, sabia perfeitamente os riscos que corria, todavia a amizade e o carinho que sentia pela linda amazona falaram mais alto, imperando no seu coração. Ele estava disposto a entregá-la finalmente ao seu perdido e atribulado destino, estava disposto a devolver-lhe todas as suas roubadas memórias, estava disposto a fazê-la feliz, nada mais importava, nada mais.

— Entra Dégel meu rapaz! – Ordenou tranquilamente Sage, sentado no seu angelical trono.

— Desculpe vir incomodá-lo a uma hora destas, contudo preciso urgentemente de falar consigo. – Explicou o cavaleiro em voz baixa, olhando a noite que se estendia arrogantemente cobrindo o céu com o seu brilhante veludo.

— Pareces angustiado o que ocorreu? – Perguntou o velho Grande-mestre, analisando as feições preocupadas que desfiguravam o atraente rosto do aristocrata.

— Recorda-se daquele pergaminho que me entregou faz meses? – Inquiriu o Aquário, mexendo nervosamente as mãos. – Descobri a quem pertence aquele terrível destino, finalmente descobri. – Anunciou com pesar a turvar-lhe a voz normalmente gelada.

— Eu não esperava outra coisa do mais sábio dos cavaleiros que protegem as doze casas zodiacais. – Comentou Sage, reconhecendo todo o talento que se escondia por baixo daquela dura máscara de gelo e indiferença. – Porém sinto-me no direito de te confessar que já sabia a quem pertencia o mapa celeste. – Disse em tom revelador. – Perdoa-me, tenta compreender, trata-se de um segredo demasiado grave para ser contado de ânimo leve, por isso coloquei-o no teu caminho, não imaginas o que aconteceria se estas informações caíssem nas mãos erradas, não imaginas o poder que se encerra por trás daquele doce e inocente sorriso. – Desabafou, sentindo o peso dos anos perfurar-lhe o peito.

— Eu farei com que o destino siga o seu rumo normal. – Afirmou Dégel com dureza na voz.

— Está nas tuas mãos essa decisão, meu caro cavaleiro de Aquário. – Proferiu Sage com simplicidade.

                A tempestade branca avançava a grande perigosidade à medida que Dégel e Ângela cruzavam destemidamente a sua engendrada missão.

— Mestre Dégel! Desculpe a minha ousadia, mas ainda não me informou sobre o teor da missão. – Comentou a ruiva em voz cansada, parando junto de um enorme aglomerado de gelo para retomar o folgo.

— Quando chegarmos tu descobrirás certamente. – Respondeu o Aquário sem se alongar. – Vamos continuar, já não falta muito, vamos lá! – Incentivou, pegando Ângela pelo braço numa tentativa de tornar o seu caminho mais fácil de cruzar.

De súbito, o belo e sagrado reino de Asgard materializou-se diante dos seus olhos feridos pelo forte e agreste vento. A neve cobria na totalidade o chão, as casas, as poucas árvores e as almas dos curiosos habitantes que olharam à passagem dos dois defensores de Atena. Algumas imagens focavam-se na mente da linda Cisne, imagens confusas, abstratas, brancas e muito frias, dotadas de um peso que ela jamais sentira, contudo não as conseguia definir. Uma enorme dor de cabeça atirou-a nos braços do tapete de linho que a amparou com ternura e doçura como se fossem dois velhos conhecidos.

— Ângela! Oh meu Deus! Por favor acorda. – Exaltou-se Dégel em tom assustado, vendo-a tombar pesadamente perdendo-se na inconsciência do seu ser.

— Ágda, minha irmã! – Um galopar de uma imponente montada anunciou a chegada triunfante de alguém.

                Quem se esconde na vasta cortina de neve? Estará Ângela finalmente em casa? Quem é Ágda?





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