Máfia Malfoy escrita por Gnoma de Marte, Jazzie


Capítulo 14
♦ Me Dá Um Tiro que Mata Mais Rápido


Notas iniciais do capítulo

Sabe aquela sensação de descobrir uma música nova e não parar de ouvir? Sentir que alguém COM CERTEZA pensou em você pra fazer aquilo e então o mundo parece ficar mais colorido?

Se você já sentiu isso, então deve imaginar a alegria que as recomendações me trouxeram. De coração, nunca pensei que um rascunho bobo numa aula vaga, fosse me trazer leitoras tão amor da vida. Nossa, sério! Cada demonstração de carinho, me faz ter forças pra continuar.
♦ Clara Volturi Riddle
♦ SonneundMond
♦ Bel Lopes

Obrigada, eu não sei como agradecer. Não sei se vocês tem fé, mas eu tenho e acredito que vocês foram um presente de Deus pra mim.

Eu realmente pensei em abandonar a história. Pra mim, o bloqueio veio com força total e eu perdi toda a inspiração. Mas aí... Eu fui reler cada comentário... E adivinhem???? Estou de volta!!

Capítulo pra vocês, feito de última hora, sem revisão nem correção, mas feito com carinho.



— Eu não gosto que Drew te chame de “tomatinho”.

Olhei para Scorpius ao meu lado e me perguntei se ele estava falando sério. Estávamos na aula de Poções do professor Malkwers e aquela matéria já era difícil; com certo Malfoy fazendo gracinhas não tinha como eu me concentrar.

— Quê?

— O cabelo do tomate não é vermelho. É verde. — ele disse como se fosse lógico — E o seu cabelo não é verde.

— Tomates não têm cabelo, Scorpius. — revirei os olhos.

— Mas tem aquele negócio que fica no alto assim, sabe. — ele colocou a mão no alto da minha cabeça — Tipo um cabelo mesmo.

Respirei fundo. Já era nosso último horário do dia e eu já estava cansada por demais. Em todas as salas que eu entrava, notava que primeiro reinava um silêncio, depois, burburinhos e sussurros. Topei com Oscar e Jhulie diversas outras vezes, mas eles me ignoravam, se agarrando, cochichando ou fazendo o que fosse; nem notavam minha presença. Encontrei com Esther também, mas ela agia ainda mais indiferente. Na aula de Poções onde sempre fora minha dupla, havia se sentado com um garoto da Lufa-Lufa e agia com naturalidade.

Tudo já estava bem difícil. Eu não queria discutir se tomates tinham ou não tinham cabelos – porque eles não tem!

— É seu primeiro dia como minha dupla. Preste atenção. — murmurei para Scorpius, virando para frente novamente.

Professor Malkwers era um bruxo aparentemente jovem, mas que não era tão bonzinho com os alunos. Era sarcástico, sádico e não pegava leve. Em suas aulas eu me destacava por ser uma das poucas que tinha algum êxito em sua avaliação. O que me lembrava...

— Como você conseguiu nota para fazer Poções? — perguntei a Scorpius.

Ele e os outros – todos!— assistiam a essa aula. E eu sabia muito bem que não era qualquer um que conseguia. Jhulie não conseguira.

— Lembra quando eu te disse que estamos com probleminhas com as autoridades? Vamos dizer que houve algumas falsificações aqui, quebra de regras lá... A questão toda disso tudo é que tínhamos um plano, porém, nosso plano falhou. Suspeitamos que alguém nos dedurou para McGonagall e por isso recebemos tantos testes revisionais. Em todos esses anos que estou aqui, nunca ouvi falar disso em ano nenhum. — Scorpius deu de ombros — Nos pegaram direitinho. Para pessoas que conseguiram excelência em todas as notas, zerar as provas significou um sistema muito bruto de cola. Não nos retiraram das turmas de cara, mas corremos esse risco. Temos que melhorar ou a coisa vai ficar ruim quando Draco Malfoy baixar nessa escola.

Sentir que eles precisavam de mim me fez se sentir mais útil. Ao mesmo tempo, mais cobrada. Eles estavam fazendo sua parte do plano; eu tinha que fazer a minha.

— Isso me lembra de que logo após essa aula, preciso dar uma passadinha na biblioteca. — agarrei um pedaço de pergaminho e entreguei a Scorpius — Preciso do nome de todas as matérias que você faz. Se possível, dos outros também. Eu tenho um longo trabalho pela...

— Senhorita Weasley e Senhor Malfoy!

Ao ouvir o tom de voz afiado do professor, senti o coração gelar.

— Sinto que atrapalho um papo muito acalorado da dupla. Me desculpe se invado a privacidade do casal, mas o assunto que faz até minha melhor aluna me deixar falando pras paredes, por acaso, é adequado para toda a turma? — Malkwers sabia ser irritante.

— Sinto muito, professor. Estava apenas explicando algo para Malfoy. — senti as bochechas corarem — Não vou continuar.

— Ora, por favor. — ele insistia, como se eu já estivesse recebendo atenção demais por um dia — Não vamos querer ficar sabendo das coisas pelo jornal!

A turma inteira gargalhou, inclusive Scorpius ao meu lado. Ele estava jogado na cadeira, como se fica num sofá. Nem parecia ligar para a trágica situação. Quando viu que eu o encarei feio, ele somente deu de ombros e soltou um “qual é, foi engraçado”.

— Me desculpe, estou apenas brincando! — o professor se fez de falsa inocência — Já que lhe explicava algo, não liga de explicar para a turma, liga? Venha até à frente e mostre porque a sua explicação é tão mais esclarecedora que a minha.

Puta merda. Malkwers era um imbecil quando queria. Todo mundo agora me encarava, esperando com que eu fosse para frente da classe. Lembrar que estava de salto me deixou ainda mais tensa e amaldiçoei aquele satanás das poções até sua quinta geração.

— Não temos o período inteiro, Weasley. Lembrando que se eu avaliar sua explicação como boa lhe concedo alguns pontos para recuperar os que a senhorita perdeu hoje.

Ele havia tocado no meu orgulho.

Me levantei e amarrei os cabelos num coque, querendo parecer menos tensa do que estava. Ao me posicionar de frente pra classe, Esther fingiu tossir e murmurou um “lerda”, fazendo com que a classe soltasse risinhos.

Eles haviam tocado no meu orgulho.

— Hm... A Poção do Cessar, ela... É uma poção.

— Gênia! — Esther comentou alto e as risadas que vieram em seguida me irritaram ainda mais.

— Ora, cale a boca. — mandei, dessa vez fazendo com que a classe gritasse animada. Olhei para a Máfia e Lindsay me fez um sinal de força — Tudo bem. — fechei os olhos, contando até três mentalmente e tentando me lembrar do livro que havia lido sobre isso — A Poção do Cessar é uma poção que é capaz de fazer qualquer dor acabar. Não fecha ou cicatriza feridas, apenas para dores! A sugestão é sempre usá-la como anestesia, enquanto se aplica outro método de cura. — abri os olhos e encarei Esther — Alguma pergunta?

— Ah! Sim! Eu tenho. — ela disse, sorrindo maldosa. Maldita. — Quando o professor foi interrompido, falava sobre o tempo de duração. Já que estava num papo tão animado, deve saber, não é? Dispensou sua explicação!

— Depende da quantidade ingerida. — respondi sem hesitar — A cada dez ml da poção, dez minutos de duração. Caso queira que eu lhe ensine como fazer também, dê uma passada na minha mesa e talvez, quando meu papo acabar, eu lhe dê uma ajudinha.

Vadia repugnante.

— Muito bem, muito bem! — o professor parecia adorar a discussão, mas tinha que agir como o adulto — Vamos com calma. Vou lhe tirar cinco pontos pela conversa, mas lhe darei vinte pela explicação. Pode se sentar, Weasley.

Finalmente começamos com o preparo da poção e eu porque Scorpius era tão ruim em Poções. Ele simplesmente não tinha paciência!

Ela arremessava os ingredientes do caldeirão, cortava tudo pra lá, colocava tudo em fogo alto e ditava o sucesso da poção pela cor que ele gostava.

— Scorpius, essa sua coisa está verde! — alertei, comparando com o dourado que a minha esbanjava — Tá parecendo vômito.

— Verde de Sonserina! — ele segurou em minha cabeça e a inclinou um pouco para a esquerda — Veja só. Desse ângulo ela também parece prata.

— Não é só a aparência que se assemelha ao vômito... — me afastei bruscamente, sentindo o estômago revirar — Scorpius, essa coisa ‘tá podre!

— Rose, eu acho que tem alguma coisa dando errado na minha! — Scarlett, que estava na mesa da frente, se virou para trás, parecendo apavorada — Era pra poção estar cheirando a brócolis?

Quando a sineta finalmente tocou anunciando o fim da aula, somente a minha poção tinha atingido o ponto certo, me concedendo mais vinte pontos pelo sucesso. Mas com a explosão do caldeirão de Lindsay, nossa casa perdeu dez, o que me fez ficar confusa quanto à matemática de pontos obtidos ao longo do dia.

— Espero que na próxima aula, vocês parem de olhar um pouco para certa dupla e prestem mais atenção nas poções. — Malkwers comentou ácido enquanto todos colocavam uma amostra da poção em sua mesa — Senhorita Dimitrov, não se esqueça de lavar o cabelo. Essa coisa pode grudar por uma semana.

Anna guiou Lindsay para fora e disse que nos encontraria no jantar. Albus arrastou Alícia e Jared com ele para seus negócios e Scarlett saiu acompanhada de Drew, me deixando novamente sob os cuidados de Scorpius.

— Vou te lavar na biblioteca e de lá nós vamos para a sala da Professora Stanley. — Scorpius dizia enquanto caminhávamos pelos corredores — Precisamos reservar o campo de quadribol para começarmos os treinos. Esse ano é nosso, Rose!

— Finalmente vou poder comemorar a vitória da Sonserina sem peso na consciência. — sorri empolgada — Oscar às vezes se esquecia que eu era da casa das serpentes.

— Oscar é um porre e você se lembrando dele de cinco em cinco segundos consegue ser pior ainda. — Scorpius revirou os olhos e abriu a porta da biblioteca pra mim — Esqueça ele enquanto estiver comigo, pode ser?

— Chato. — mostrei a língua pra ele.

Analisando a lista que Scorpius me passara, peguei meus livros preferidos sobre cada um dos temas. Scorpius me contara que Anna desejava ser uma professora especialista em Feitiços e Transfiguração, então escolhi os livros necessários para as disciplinas que ela havia escolhido para fazer. Lindsay, Albus e Jared tinham planos de ingressar no ministério como aurores; Scarlett tinha interesse em cuidar de criaturas mágicas, queria ser uma Magizoologista famosa; Alícia optara por uma carreira jornalística; Drew tinha futuro no Quadribol e todos sabiam que ele ainda permanecia na escola porque precisava. Por último, ainda tinha Scorpius...

— Medibruxo? — perguntei curiosa, olhando para ele.

Ele sorriu de lado envergonhado e deu de ombros. Ficou extremamente charmoso, mas engoli esse comentário para mim.

— Salvar vidas... Trabalhar ajudando pessoas... — ele pareceu pensar — De onde eu vim, ser puro e rico era a única ambição da família. Com a minha mãe sempre doente, criei minhas próprias ambições. Eu percebi que uma nova geração de Malfoy começou em mim; uma geração livre para escolher.  — de repente, me peguei sorrindo enquanto ele falava — Como um legítimo Malfoy, eu quero poder. Mas o poder de salvar alguém!

Eu não sabia o que falar, de verdade. Sempre julguei Malfoy como alguém mesquinho e egoísta. Cresci ouvindo isso. Mas sua forma de pensar... Era tão bonita e nobre. Parecia que Scorpius era uma realidade paralela de uma família conhecida pela adoração às Trevas.

Sem saber o que fazer também, me limitei em apenas colocar minha mão sobre a sua e sorrir, demonstrando sensibilidade. Scorpius sorriu e acariciou minha mão com carinho. Por um instante, ao invés da vergonha, senti o coração quentinho e uma esquisita sensação de segurança.

— Weasley não perde tempo, Weasley não perde tempo! — ao ouvir essa voz tão irritante, larguei a mão de Scorpius com pressa e encarei Pirraça, o irritante poltergeist que infernizava todo mundo. — Beijinhos dali, beijinhos daqui!

— Boa tarde, Pirraça. — Scorpius o cumprimentou e eu decidi ignorar aquela inconha, voltando minha atenção para a estante que avaliava — Como anda sua vida?

— Bem mais desanimada que a sua, pequeno comensal. — Pirraça implicou  — Dizem por aí que você não perde uma...

— Quem perde tempo é relógio. — Scorpius entrou na pilha e eu revirei os olhos. Quanto mais rápido ele o ignorasse, mais rápido o poltergeist iria embora.

— Não dê bola, Scorpius. — murmurei, finalmente pegando o último livro e virando para sair.

— Sim, pequeno Malfoy. Ignore o velho e irritante Pirraça que brinca e debocha de tudo. — Pirraça insistiu e eu decidi nem olhar pra trás. — Vá atrás da cabeça de fósforo antes que o papai dela acabe com todo o conto de fadas de vocês dois.

Ao ouvir a citação sobre meu pai, retornei o caminho e o encarei brava. 

— Do que você está falando, Pirraça? — confrontei.

— Não sou tão irritante agora, sou? — ele gargalhou e eu troquei olhares nervosos com Scorpius.

— Fale logo, Pirraça. O que você quer dizer com isso? — Scorpius disse arrastado, como sempre dizia quando queria alguma coisa.

— Estou falando daquela quantidade absurda de gente ruiva que invadiu a escola minutos atrás... Era muito vermelho para um dia tão fechado! — Pirraça voou até o teto e gargalhou — Gritos, xingamentos, barulho! Tem Potter, tem Weasley, tem francesa... Até a cabeça branca do Malfoy Pai eu vi, acredita, Malfoy Filho?

— E onde eles estão? — perguntei, sentindo um gelo me subir dos pés à cabeça.

— Nesse momento? Na sala da nossa diretora!

Meu ouvido zumbiu e eu precisei me apoiar na estante para não cair. Scorpius murmurou alguma coisa, mas eu não conseguia raciocinar direito!

— Eu preferia um berrador. — sussurrei sentindo um pânico absurdo — Scorpius, precisamos ir até lá! Puta que pariu... Scorpius, nossa família está na escola! Nós estamos ferrados!

— Você está tão pálida que eu acho que é melhor te levar pra enferm...

— Nem pense em fazer piada disso, Malfoy — o puxei pelo colarinho e o fiz engolir sua gracinha — Eu 'to tonta, mas ainda consigo correr.

— Calma aí, bebê! — Scorpius riu e se afastou devagar. — Pirraça! Sabe o que seria legal? Albus Potter está fazendo uma porção de vendas ilegais nesse momento e esse tipo de notícia o faria ficar extremamente puto de raiva.

Como se fosse uma ideia brilhante, o rosto de Pirraça se iluminou e ele disparou para longe, gargalhando estridente.

— Se acalme, Rose. — Scorpius disse — Vamos juntos. Como integrante da Máfia, a compilação de barracos está só começando.

Segurando minha mão com força e dando apoio ao meu corpo vacilante, Scorpius me jogou uma piscadela e juntos corremos pelos corredores, preparados para mais uma desventura.

"Era melhor um berrador, papai!"





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